quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Gravidade



Gravidade é uma antítese dos filmes sobre o espaço. A começar que não trata do espaço, acontecendo no limite estratosférico em que os personagens purgam uma angustiante batalha entre a desconexão com a gravidade e o anseio para retornar a ela. Ao contrário da grande maioria dos filmes sobre o espaço, a tecnologia não é mostrada em toda sua acintosidade evoluída e infalível, para deslumbre do expectador sobre o alcance da genialidade da mente humana, mas como um quebra-cabeça desconjuntado cuja lógica vigorante é a predisposição a sucumbir à ruína iminente. A cientista encenada por Sandra Bullock se mostra incapaz de consertar a conexão da nave espacial já no início, suspensa em sua roupa de astronauta a milhares de quilômetros junto ao outro único personagem da trama, interpretado por George Clooney, mesmo tendo a alta formação científica que pressupõe a garantia que ela é a melhor escolha para estar ali. E se nos valermos da norma da última fronteira e do último homem super-cerebral da escala darwiniana, que costuma enternecer nossa vaidade em demais filmes do gênero, o acidente que move a tensão do filme é resultado da destruição programada de um satélite russo feita sem a análise de riscos e com a truculência de um vizinho primitivo que atira o lixo no meio da rua_ e os fragmentos da explosão resultante acabam com os sistemas de comunicação em massa do planeta ao mesmo tempo que reduz para quase zero as chances de sobrevivência de Sandra Bullock e seus colegas. Gravidade é o equivalente a O velho e o mar da arte do novo milênio, sendo que as forças de uma natureza descomunal e absolutamente indiferente ao destino humano são transportadas do mar para o que existe um pouco acima e no interior do cone dessa outra grande força imisericordiosa chamada gravidade, e o solitário pescador Santiago com seu peixe gigantesco são trocados pela astronauta à beira da morte que leva contíguo a seu desolamento o peixe vazio da limitada ciência terrena. Assim como o pescador Santiago duvida que, se sobreviver às inconstâncias do oceano e retornar à terra, ninguém acreditaria que conseguira pescar o maior peixe do mundo se não o levasse como prova, a astronauta sabe da história inacreditável que teria para contar se conseguisse voltar para a sua pequena cidade natal em Illinois. E ambos, o pescador e a astronauta, levam uma morte nas costas que é como um ponto a mais de desistência na vitória inconteste da natureza sobre eles. E, também na contramão das grandes produções cinematográficas que envolvem tanto deslumbre visual, Gravidade tem meros e felizes uma hora e meia de duração apenas, como Hemingway também se serviu de uma rígida concisão para contar uma das mais belas histórias do mundo. E Sandra Bullock, que nunca me pareceu ter um padrão de beleza maior que o clichê de celebridades hollywoodianas, me deu a sensação nesse filme de ter visto poucas mulheres tão belas quanto ela_ mas de uma beleza sem pudores e frágil, da mesma ordem de exsudação glandular da Sigourney Weaver em Alien, com suas lágrimas e suas salivas (que no caso desse filme em 3D, sai das narinas da atriz e vão em direção à tela). Gravidade foi uma das minhas maiores surpresas dos últimos anos no terreno do cinema americano. Um filme belo, que tem a grandiosidade inevitável de toda história bem contada cujo núcleo é a condição humana e a ternura inerente à nudez em que vivemos equilibrando por sobre o caos.

92 comentários:

  1. Oração do dia
    Senhor, livrai-nos de assistir os filmes indicados ao Oscar.
    Amén!

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    1. Para cada penitente que pede isso a Deus, tem um diabo que o faz chorar na cena do DiCaprio se afundando no "Titanic".

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  2. Boa! Ha!
    Não sei o que é mais estranho aqui nessa singela resenha.
    Você assistir a um filme em 3D ou seu gosto pela Sigourney Weaver.
    A apelação da resenha não me tocou nem um pouco. Não morro de amores pelo Old Man and the Sea.

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    1. Merda, contava vender para você o meu exemplar do Hemingway...

      Assisti ontem em blue-ray, mas não em 3D. Nunca assisti a um filme em 3D, pelo que eu puxo aqui da memória, e não sinto a mínima vontade.

      É a sagração do pop: os filmes do Alien, principalmente o segundo, com a Sigourney acordando do sono hibernal com uma micro-calcinha branca, e quando ela luta no meio de secreções com o monstro, para defender a menininha... talvez isso esteja mais na base da minha sexualidade do que eu mesmo imagine. Ou, melhor, pouco a ver com sexo, mas com uma valorização justa ao corpo feminino. Vendo a Sandra Bullock nas mesmas condições é um aprendizado estético do corpo feminino muito mais profundo e impactante do que o boçal erotismo afrontoso que se faz com atrizes como, por exemplo, a Scarlett Johansson. Cara, é difícil admitir isso, mas eu não suporto a Scarlett Johansson por causa disso, porque se deve olhar para ela com tesão de macho em escanteio e ressentido. Não faço parte e nunca fiz desses joguinhos mercadológicos. É por isso que e Sandra me deixou deslumbrado, com suas pernas brancas de mulher de 40 anos, com a mesma força com que a Charlize Theron também está valorizada em Prometheus.

      Não consigo mesmo não ser mesquinho, então aqui vai: repúdio ao Oscar bastante estranho para um defensor de Woody Allen. (Toma!)

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    2. Sobre o velho e o mar, é uma obra paradoxal. É uma grande história, e escrita em uma prosa, dentro de certos parâmetros, perfeita. Li-a uma vez só, para nunca mais, e nem tenho esse volume em minha biblioteca (e olha que tenho muita coisa de H. aqui), e não me toca tanto quanto outros títulos de H, como O sol também se levanta, Do outro lado do rio, e os contos (que são as únicas peças realmente imprescindíveis do autor), mas esse livrinho sobre uma batalha perdida é um arrombo na sublimidade como pouco se vê. Talvez seja como Faulkner mesmo disse, que se trata de uma felicidade para H. ter recebido uma história ditada por Deus, que, aliás, ela mesma não condiz com nada que H. escrevera e nem tão pouco com a escrita auto-referente de H.

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  3. Interessante você citar logo Old Man nessa resenha porque essas são, para mim, duas obras extremamente superestimadas. O Velho e o Mar não falou muito para mim, assim como a maioria das coisas do Hemingway, apesar de por muito tempo ele ter virado meu autor fetiche. Foi, na verdade, um livro bem monótono de ler. Em relação a Gravidade, me encontro numa posição bem semelhante: aparentemente apenas eu e uma amiga desgostamos do filme, que também não me disse muito. Não aguento mais George Clooney nem a Sandra Bullock, Clooney com aquela atuação de astronauta-experiente-manjador-dos-paranauês-alienígenas e Bullock como uma mulher sofredora, quase uma donzelinha em perigo, que é colocada numa situação de superação que termina de um jeito nada inimaginável. Os efeitos especiais, sem dúvida primorosos, não foram suficientes para capturar minha atenção; acredito ter encontrado alguns erros científicos no filme (mas que prefiro não discutir porque descreditar uma obra de ficção por errinhos técnicos me parece babaquice); os russos terem sido a causa de todo o desastre foi tão bobo, como se fosse possível uma nação fazer o que a Mãe Rússia fez no filme.
    Embarquei na 'aventura' de assistir todos os filmes indicados ao Óscar. Entre muitas decepções, um de fato chamou muito minha atenção e fica como uma singela indicação, até porque acho que seria muito interessante se você escrevesse uma resenha: 'Ela', do Spike Jonze, com uma belíssima atuação do Joaquin Phoenix.

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    1. Também acho O velho e o mar chato, assim como não aguento ler Flaubert_ li o Bovary e passo muito bem sem ele. Mas eu tive uma relação muito intensa com H. na juventude, quis ser ele, fazia tipo como ele, chegava a pescar para ser como ele e fiz planos para ir à África matar um leão. E reforça a compreensão de O velho ter lido As ilhas da corrente, em que H. conta a mesma história (era um protótipo para o livrinho), só que à maneira de H., sendo que Santiago era um de seus filhos em uma luta com um marlin gigante.

      Não cheguei a ir mais além do que me pareceu óbvio no fato do acidente ter sido causado pelos russos: nada de simbólico ou provocador nisso, já que não há mais vínculos residuais de significados da guerra fria nisso. E gostei que fossem dois dos atores que eu menos gosto_ ou mais desprezo: aprendi com o Foster Wallace a olhar com mais atenção a força de um clichê. Precisa-se contar uma história, afinal de contas.

      Na verdade os personagens são bem secundários na história. Personagens que estão ali para expressar uma grande história _ só a contra-mão em está esse filme já o torna um clássico_ não precisam de maior relevância do que o comportamento comum. Não tinha como a Sandra ser algo diferente disso.

      Tá, claro que você não quer falar do fraldão que a Sandra deveria estar usando em vez da roupa colada de baixo.

      Anônimo (?)

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  4. Sandra Bullock nunca esteve tao tesudinha. E, sim, a Russia seria capaz de fazer aquilo pois é a Russia, oras!

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    1. Eu estava achando que o anônimo era você?

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    2. Pode ser um arbo 2.0 que aprendeu a usar maiúsculas.

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  5. Charlles, não leu mais nada de Flaubert? Eu recomendaria, insistiria em Um Coração Simples, o primeiro dos Três Contos, que acho impecável. Não insistirei, porém, pois já o fiz demais com Nove Noites, então deixa prum futuro não tão distante.

    Sério que não gostam do The Old Man and the Sea? Eu não gosto muito é de O Sol Também se Levanta...

    Dos que vi desse Oscar, gostei de Nebraska e de O Lobo de Wall Street, mas geralmente - sempre - todos os que concorrem a Filme Estrangeiro são melhores - A Caça, por exemplo.

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    1. Para você eu devo conter minhas frases taxativas, Paulo, basta ver o histórico de nossa convivência cibernética _ e seu legado na minha vida de leitor, vide Proust. Mas acho, seria capaz de apostar que você dessa vez não me convencerá. Um leitor profissional como eu (não mais profissional, devo mudar esse termo: um leitor fundamental!; um leitor de sobrevivência!) e pretenso escritor, já tenho meu organograma amplo mas ortodoxo de leituras, baseado naquilo que condiz com minha afinidades espirituais. Nunca gostei de Flaubert pelo seu selo de perfeição, seu martírio particular de fobia às palavras. Ser um escritor como ele é viver no inferno. Eu gosto da caudalosidade, ou a contenção feliz e libertária de Tolstói, que é infinitamente superior a Flaubert.

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  6. The Old Man and the Sea é mais ou menos como um bom livro de High School. Uma dessas descobertas adolescentes a qual mais tarde vai se mostrar como um assombro típico do leitor novo.
    Eu li o livro pela primeira vez quando tinha dezesseis anos, em inglês, justamente para uma resenha da escola na matéria de inglês da minha high school no Alabama.
    A Professora, Mrs. Patricia Smith, uma Southern Belle de meia idade que resumia o gênio sulino na obra de Faulkner (mas que se quer nos passou Faulkner para ler durante o ano), explicou o Old Man and the Sea como uma metáfora para as dificuldades e angústias da adolescência. Ha! Acho que é mais ou menos por aí mesmo.
    Tentei reler o livro algum tempo depois e me entediei até a morte. Uma novela onde pouca coisa acontece, escrita de forma minimalista, e onde não se propõe nada de novo formal ou estilísticamente (como por exemplo nas coisas de Beckett).
    Se Hemingway fosse brasileiro, O Velho e o Mar estaria na coleção Para Gostar de Ler.

    P.s. Quanto ao Woody Allen e o Oscar... você esquece de tapas de luva de pelica como o recente Dirigindo no Escuro e o fato de que, sempre quando a câmera dos indicados ao prêmio no teatro, ele nunca está lá.

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    1. Taí, penso a mesma coisa que você sobre essa obra de H. E fostes muito feliz nessa comparação com Beckett. Apenas que H. de modo geral foi tão revolucionário para as letras quanto Beckett, talvez não tanto nessa novelinha em particular. Mas, assim mesmo, trata-se de uma obra de força.

      Ah... vai me dizer que um filmezinho intragável como aquele Meia-noite em Paris ou seja que nome tenha, absolutamente falso em tudo, é melhor que coisas como o filme de que trata este post?

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  7. P.s. Quanto ao Woody Allen e o Oscar... você esquece de tapas de luva de pelica como o recente Dirigindo no Escuro e o fato de que, sempre quando a câmera dos indicados ao prêmio no teatro BUSCA por ele, ele nunca está lá.

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  8. O filme é visualmente espetacular (e isso é importante), e é também tudo isso que você falou, mas acontece algo no meio da estória que me desanima, algo bobinho, uma muleta meio clichê para a virada na narrativa, meio forçada. Sei que temos que relevar certas coisas num filme de Hollywood (você entra na sala de cinema já sabendo mais ou menos o que vai encontrar), sei também sobre não desprezar totalmente os clichês (como você citou), mas aquilo sabotou o filme pra mim, irremediavelmente. Não que no fim eu o tenha por totalmente ruim, ou perda de tempo, mas, como de hábito, vou contra a maré e não consigo me colocar entre o grupo majoritário de entusiasmados. Frescura minha, eu sei; no fim das contas, acho que o meu problema é já ter visto filmes demais. É melhor eu continuar com minha política hiper-criteriosa com os filmes de Hollywood. "Avatar", por exemplo, nem vi! Devo ser o único. Também não vi aquele dos sonhos, que esqueci o nome agora, do mesmo diretor dos últimos Batmans.

    Mas o que eu quero dizer mesmo é que eu amo o "O velho e o mar". Estou plenamente ciente do caráter "descoberta adolescente" citado pelo Luiz, e o meu caso com o livro estabeleceu-se exatamente assim, foi uma das primeiras leituras. Li-o novamente tempos depois e a paixão não arrefeceu, mas daí é difícil especular se pelos méritos do livro ou se pela nostalgia, as velhas lembranças da primeira leitura... De todo modo, continuo amando o livrinho. Sei também que o "On the road" costuma fascinar pelos mesmos motivos e circunstâncias, e sei que o Charlles o adora, e eu também o adoro, e se o Charlles o adora, então acho que não tem problema adorar o "On the road" e o "O velho e o mar" [risos]. (E se não há lógica nenhuma disso, me perdoem, mas o raciocínio já está um pouco comprometido pelo vinho já ingerido aqui...)

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    1. Acho que sei a qual cena se refere. A do George tomando a vodka russa (jeito esperto esse de não produzir spoilers, não?). Note bem: o grande cinema, o cinema esotérico que modifica, para mim é Tarkóvski. Amo demais Tarkovski e sempre o vejo com outros olhos, os mesmos olhos da leitura de meus autores preferidos. Procurei por todos os sites blue-ray de Tarkovski, e mal se acha dvds dele. Não é comercial, apesar de ser uma das maravilhas da produção artística em qualquer campo e nível. (Na era da democracia espoliativa da Nuvem, eu compro dvds e cds apenas os que mudaram a minha vida, os que são imprescindíveis [compraria os imprescindíveis-mas-nem-tanto se fossem mais acessíveis em preço e aquisição], por isso tenho o Nevermind dos Pistols, o Quadrophenia, uns 25 do Miles, uns 25 do Coltrane, o Dark Side of The Moon, o Exile on Main Street, o The Man-Machine, o Neu! 75, e lá vai. Esse ano preparo a grana desde já para comprar as edições da discografia do Zeppelin remasterizada, prometida [concordo com você sobre as 3 músicas bombásticas do Physical Graffiti, só que discordo quanto ao disco: as 3 do cd1 são melhores]; e assim faço com os dvds).

      De modos que Gravidade é um puta filme, mas não é Tarkovski. Entro nisso aí de que não devemos esperar muito de Hollywood, e até a estética manjada de Hollywood já virou um padrão elegante aceitável. É como querer consumir Andy Warhol como um Kiefer ou um Magrite, o que não diminui Warhol. A gente aprende muito a se libertar dessas coisas lendo caras como Pynchon; a gente aprende a ver beleza, e beleza eletrizante em clichês. Para voltarmos a H., ele tinha uma lista de palavras sagradas, desgastadas pelos séculos, e que ele as usava em óticas inusitadas, em distorções e arrepiações próprias, de forma que, por um segundo valioso, tornava essas palavras valiosas novamente, essenciais novamente. Há um ensaio formidável de despedida a Hemingway escrito por Garcia Marquez, um texto lindo demais, publicado no volume 5 das crônicas de GGM (e publicado também naquela antiga coleção de banca de jornal, O Pensamento Vivo, no volume dedicado a H.), em que... (cont.)

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    2. ...em que GGM fala que o livro mais belo e mais tocante de H. era justo o que toda a crítica destruiu, Do outro lado do rio, por entre as árvores. Dei um pulo na cadeira ao ler isso, pois também era meu livro secreto preferido de H.; não era bom afirmar isso, que eu gostava de um livro execrado pelos panteões do gosto. (Mais tarde vi Cabrera Infante escrever um ensaio igualmente belo em que fala a mesma coisa sobre Do outro lado do rio). E porque é tão belo esse livro?, porque é o Hemingway afundado em clichês. Mas não é uma piedade final para quem sempre admirou H.: era a constatação de que se tratava do livro mais pessoal e mais tocante de H.; o livro em que H. voltava para seu interior e falava consigo mesmo; um livro cheio de dor e desespero, e por isso mesmo imensamente belo no que tinha de nostalgia, de sonho, de alegria reconstituída. E... a porra da mente mostra essas interconexões de forma surpreendente: há essa mesma dor nos clichês de Gravidade, claro que não de forma tão pessoal como num nível pessoalíssimo de H.

      Não é uma apologia aos clichês, ou uma apologia deles visando a própria auto-desculpa na hora de escrever. O bom uso de um clichê é a maneira de reativar a sacralidade que o desgaste do que ele representa como técnica de expressão manjada apagou. E aqui entra também um dos meus filmes mais belos, O segredo de seus olhos.

      Confesso que me debulhei em lágrimas ao assistir Gravidade. Assisti-o, como a todos os filmes que vejo, sozinho,pois a Dani é uma gozadora, e quando não ela fica sinceramente preocupada pois tento repreensivamente me conter perto dela. Me identifiquei com a perda da personagem: perdi um filho antes de conhecê-lo, o que é menos doloroso como aos 4 anos, no caso da personagem; mas foi suficiente para me afundar por bons tempos e quase ficar louco. Aquela cena a que (talvez) você se refere, foi de uma beleza comezinha mas devastadora para mim. Pensei as mesmas coisas que você enquanto a via, mas o total me susteve a crítica.

      O velho e o mar me tocou bastante também. Não sei porque não o revisito. Talvez porque Hemingway esteja esperando uma revivificação poderosa em mim. O símbolo dessa história é da mesma qualidade das tragédias gregas e das grandes filosofias de qualquer tempo.

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    3. P.S.: é uma cena famosíssima: em O leilão do lote 49, um suicida ouve baterem em sua porta e vai atender, e encontra um velho com uma perna de pirata e aparência andrajosa que lhe entrega uma carta e vai embora. Isso é genial! Talvez devamos beber a vodka junto com o Clooney pensando nisso.

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    4. "O velho e o mar me tocou bastante também. Não sei porque não o revisito. Talvez porque Hemingway esteja esperando uma revivificação poderosa em mim. O símbolo dessa história é da mesma qualidade das tragédias gregas e das grandes filosofias de qualquer tempo"

      P.s. 2: Vá direto à tragédia Grega logo e pare com derivados. Nada substitui um bom Eurípedes.
      Até mesmo peças menores dele, como Andromache ou Mulheres de Tróia, são primorosas.
      Ainda não encontrei o grande Hemingway do cânone americano. Para mim ele não está no Old Man and the Sea. Também não está no The Sun Also Rises. Mas tenho muita vontade de encontrá-lo no Paris is (a Moveable Feast) ou em For whom the Bell Tolls.

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    5. Anthony Burguess, no livro que escreveu sobre Hemingway, concluiu duas coisas: que, ao contrário de Joyce, que era uma revolução esperada nas letras, Hemingway era uma revolução completamente inesperada. Joyce era inevitável em seu assassínio das velhas formas do romance; já Hemingway foi em sentido contrário: reduziu toda a sofisticação palimpséstica da prosa do século XX ao mínimo absoluto. A outra coisa que Burguess conclui é que o que é imortal em Hemingway não é nenhum título em particular, mas a "música de Hemingway". Tenho plena convicção que, sem Hemingway, não teríamos Bellow como temos hoje, nem P. Roth, nem GGM, e uma cambada de outros.

      Mas, meu cânone particular de H. é, em ordem de importância:

      - os contos, sobretudo "Gato na chuva", Montes como elefantes brancos, fora de temporada, um lugar limpo e bem iluminado, os assassinos (esse, em particular, criou parte considerável da literatura latino-americana do boom), e muitos outros;

      - O sol também se levanta: o mais puro Hemingway.

      - Do outro lado do rio...

      - As ilhas da corrente.

      - Paris é uma festa (pensei várias vezes em escrever uma resenha sobre esse livro que dista sua leitura em mais de 10 anos, mas que eu o conservo fresco na memória).

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  9. Outra coisa. Esqueçam essa coisa de conversar sobre filmes sem spoilers. Isso não existe!
    Let us spoil everything and for everyone. Principalmente em se tratando de cineminha. No futuro os seus leitores mais maduros vão te agradecer de você os ter economizado umas boas duas horas de cinema ruim.

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    1. Notou que em minhas resenhas eu quase nunca falo de enredo? Spoilers são ruins por serem limitadores ao extremo. O que importa (mensagem do dia) é a emoção da coisa assistida. (Desculpe, também, como o Fabricio, estou bem para a frente da garrafa de vinho).

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  10. João Antonio Guerra27 de fevereiro de 2014 21:17

    Uma amável matrioshkazinha: vi Gravidade, e o melhor de Gravidade foi ter dentro o embrião pra esse seu escrito, e o melhor desse seu escrito foi ter dentro a força pra me lembrar dos meus dias entre as estantes da biblioteca da Escola Sesc, onde estudei. Li o Velho e o Mar ali, numa tarde só -- foi doce, true, e ficou a minha fascinação pela imagem do pescador cuja linha ele enrola no próprio corpo, marcando-lhe os músculos dos braços, a carne das costas.

    Mas o importante naquele dia foi que, acabada a leitura, voltei pra parte de Hemingway na estante e, já que tinha lido um livrinho tão curto, peguei o mais grosso que havia ali: Por quem os sinos dobram. Digo hoje que o livro mais importante de minha vida é Por quem os sinos dobram -- não é o melhor romance de Hemingway, e o Hemingway mesmo nem merece tanto destaque como romancista, mas foi o livro que me deu o empurrão necessária para dizer Eu quero fazer este troço também.

    ---

    Estou com o Anônimo: Her, do Spike Jonze, é fenomenal. Pego emprestado o que o Charlles disse sobre a obrigação do tesão pela Scarlett Johanson e expando: com a utilização da Scarlett como a voz da inteligência artificial pela qual o Phoenix (e mais aquelas milhares de criaturas tristes) se apaixonou, cada um de nós da plateia se irmana com Theodore Twombly.

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    1. João, você também!

      Hemingway é um ícone para várias gerações. (Lembro de um episódio do antigo Barrados no Baile [não sei o nome dessa série original], em que um dos adolescentes, que escrevia em um jornal, sonhava em ser H.])

      Já minha leitura de Por quem os sinos dobram não teve o impacto das outras obras do autor. É o romance menos hemingwayano, em sua palavrosidade e tal. Mas há cenas soberbas, brilhantes e imortais, como a revolta de todo um vilarejo espanhol em que a população retira um por um os poderosos políticos de suas casas e os executam sumariamente. É de arrepiar e, em meu cânone, uma das cenas eternas da literatura. Aqui vemos a concepção particular de H. sobre a fragilidade feminina, na figura da heroína de cabeça raspada, estuprada e protegida pela comunidade cigana, por quem Robert Jordan se apaixona.

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    2. P.s.3: O João Antônio Guerra é definitivamente a melhor aquisição recente do blog.
      Muito revoltado de ser o único chato sóbrio nessa caixa de comentários. Um Cabernet ía pegar bem demais. Tomaria um Malbec também, desses Argentinos que vendem baratinho por aqui (cerca de dez dólares), mas que os restaurantes aí devem cobrar entre 70 a 80 reais, por exemplo, um Crios da Susana Balbo.
      Nota etílica 2, Encararia também muito contente um Aperol Spritz em homenagem à Itália ou ao The Sun Also Rises do Hemingway (um enredo completamente mundano, mas que ainda assim fica arquivado nos anais da memória). Beberia tudo isso. Mas na verdade não beberei nada nem a ninguém hoje. Tenho que produzir hoje um syllabus para um curso de verão...

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    3. Diria que 70% de GGM é todo Hemingway.

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    4. Hahahaha. Luiz, adoro quando o blog oferece isso, essa energia, essa sincronicidade. Estou bebendo meu vinho chileno de sempre, enquanto o Fabricio deve estar bebendo um vinho francês desses que aqui é uma fortuna e por lá uma bagatela (se deve-se a ele a vinda de tanta visualização da França [pensei, por um momento, que eu era um terceiro, infiel, na lua-de-mel do Milton Ribeiro]).

      Todos aqui são muito bons, cara, sem puxa-saquismos etílicos da minha parte.

      O vinho de agora tem razão direta desse post que era para ser de um filme e se tornou sobre o bêbado sublime da literatura. O vinho de hoje é em amor a Hemingway, o cara de quem é a frase usurpada até a sandice de que "os bons morrem cedo" (de seu outro soberbo, flaubertiano, romance, cheio de clichês e criador de clichês, "Adeus às armas").

      E tudo é sempre improvável e sem concordância: estou ouvindo Black Sabbath (N.I.B.), e esperando o sanduíche a sair na janta aqui de casa.

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    5. João Antonio Guerra27 de fevereiro de 2014 22:14

      É, eu também.

      E sim, os linchamentos contados pela líder dos guerrilheiros, aquela mulher enorme cujo nome esqueci. Mas o que ficou na minha pele mesmo foi um dos capítulos lá do meiozinho do livro: a morte dum segundo grupo de guerrilheiros, cercados no topo de um morro. Os guerrilheiros de Robert Jordan apenas ouvem os aviões e as explosões, e então a narrativa, pela única vez no livro, sai de perto de Robert Jordan, vai contar como aqueles homens foram massacrados, entre eles um jovem quase criança. É Hemingway já profetizando o final do romance, e só por esse "macete" a leitura já vale a pena.

      ---

      Mais cinema: Inside Llewyn Davis, dos irmãos Coen, foi o melhor filme que vi ultimamente, e graças a Bergman o Oscar não pôs as suas garras nele!

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    6. Nota etílica 3, Poxa vida. Não sabia que o Fabrício fala da França. Queria muito ouvir esse cabra falar dos vinhos que ele bebe por lá. Não é nada, não é nada, mas por aqui dá para se conseguir alguma coisa em conta entre os tintos Franceses.
      Estou fazendo uma transição forçada dos meus amores, as Trapistas (de preferência Belgas, da Walonia et. al.) para o vinho por conta de uma dieta que eu me forcei a seguir.

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  11. NÃO ERA QUADRILHA
    by Ramiro Conceição
    .
    .
    E agora, Barbosa?
    NÃO ERA QUADRILHA.
    A festa acabou.
    A Globo sumiu.
    A Folha caiu.
    E agora, Joaquim?
    e agora, Barbosa?
    você que tem títulos,
    que zomba dos outros,
    mas que não faz versos,
    pois só odeia e esperneia
    e agora, Joaquim?
    .
    Está sem partido?
    Está sem discurso?
    Está sem caminho?
    Ora,
    então vá beber;
    então vá fumar;
    então vá cuspir.
    A peça acabou.
    A plateia sacou!
    O teatro fechou!
    O mancomunado mancou
    e só o Gilmar ficou a babar…
    É.., tudo furou
    tudo mofou,
    e agora, Joaquim?
    .
    E agora, Barbosa?
    Sua coluna travada,
    sua febre de glória,
    sua gula de poder,
    suas anotações…,
    sua toga de vento,
    seus óculos sem vidros,
    sua incoerência,
    seu ódio – e agora?
    .
    Com a chave na mão
    quer abrir a porta,
    mas a porta já está aberta;
    quer virar senador,
    mas o senado murchou;
    quer ir para Rio,
    o Rio não o quer.
    Joaquim, e agora?
    .
    Se você gritasse,
    se você gemesse,
    se você tocasse
    o samba brasileiro,
    se você dormisse,
    se você cansasse,
    se você…,
    Mas você não…,
    você é vivo, Barbosa!
    .
    Sozinho no escuro
    com onipotência,
    com angústia crua
    para se engasgar,
    mas sem a capa preta
    a cintilar nos números do Ibope,
    você está andando de lado, Barbosa!
    Mas, Joaquim, para onde?

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    1. Ajudou a pagar as contas dos mensaleiros, poetinha?

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    2. Não cometo seppuku diante duma plateia de estúpidos ou de outros futuros… Nascer e morrer são atos vitais de coragem: não pertencem à onipotencia, ao entretenimento de lunáticos, nazifacistas, covardes, que se matam, e matam outros, diante da medíocre opulência de sua classe opressora… O mundo está a mudar… Faz tempo!

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    3. Errata: é onipotência...; é nazifascistas... Sou o Ramiro Conceição aqui, acolá ou até em shangri-la...

      Não sei para quem respondo: será ao Luiz daqui ou àquele outro, Luiz Ribeiro, de lá?...

      Sabe comé, tudo afinal é uma questão de identidade...

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    4. A FERA
      by Ramiro Conceição
      .
      .
      Em nós, há uma fera que se disfarça,
      a esconder a sua degeneração vital;
      por isso que o seu habitat preferido
      são latíbulos:
      a academia;
      a crítica literária; a política;
      a pseudo-humildade; a pseudogentileza...
      Mas de nada adianta, pois a farsa da fera
      se fere: até a ferida final.

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    5. BARCOS
      by Ramiro Conceição
      .
      .
      Nas praias do Brasil,
      barcos são patéticos.

      A ESPERANÇA
      está de papo pro ar.

      A LIBERDADE,
      no quebra-mar,
      está prenha
      de peixes e
      de homens:
      aqueles do mar, ao ar,
      estão mortos; aqueles
      do ar, ao mar, têm
      saudade da cidade.

      O TRABALHO ronca
      de bruços debaixo do
      coqueiro,
      que samba e balança
      sob um batuque
      dum partido-alto.

      Todavia,
      a PRESIDENTA
      foi quase a pique.

      Naufragou
      o SENADO.

      A CÂMARA
      naufragou.

      A JUSTIÇA
      tá à deriva…

      Digna, a DEMOCRACIA BRASILEIRA
      tenta bravamente voltar à terra firme…

      Enquanto o SINISTRO
      se prepara continuamente
      ao sacrifício de seres…
      potencialmente livres.

      No meio da ventania,
      ROMEU e JULIETA
      se debatem nos rochedos…

      Enquanto DEUS desacreditado
      parte pro além-mar...com medo.

      Mas…
      Quem vem lá no horizonte
      em brincadeiras? Ah, sim,
      sempre eles, os POETAS,
      com voadoras nadadeiras.

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    6. PEDREGULHOS
      by Ramiro Conceição
      .
      .
      Do porquê das pedras caladas
      surgiu a arte de classificá-las.
      .
      Porém,
      o problema aumenta quando elas resolvem pensar:
      um rochedo e um pedregulho, bípedes, no silêncio,
      por exemplo, são parecidíssimos.
      .
      Portanto…É imperativo que os rochedos cantem
      antes dos pequenos voadores sobre os telhados.

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    7. ÉTICA DO TERROR
      by Ramiro Conceição
      .
      .
      O que vem a ser
      um terrorista que
      se mata, a matar?
      .
      Só pode ser alguém que acreditou em psicopatas
      que o fizeram ser ninguém - não aquele homérico,
      mas aquele outro morto na viela duma favela brasileira
      ou em um mercado público de Bagdá, ou ainda aquele
      escritor que se matou, num longínquo janeiro japonês.
      .
      Tais seres devem pensar e sentir coisas tais:

      “O que é tão horrível em vísceras expostas? Por que cobrimos os olhos, aterrorizados, quando vemos as tripas de um ser humano? Por que as pessoas ficam chocadas ao ver o sangue jorrando? Por que os intestinos de um homem são feios? Não é, exatamente, da mesma qualidade da beleza de uma pele jovem e resplandecente?”

      Pois bem, essa é a ética da morte, na qual
      a vida é uma COISA estranhamente volátil.
      E muito cuidado... Aqui não se está a tratar
      de medicina.



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    1. Poetas, em maiúcula, é o nome duma canoa de pescadores que vi aqui, na baia de Vitória... Aliás, quase todos os nomes dos barcos são reais... NÃO TÊM NADA A VER COM POETAS...

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  14. Só respondi a ironia do Luiz (Ribeiro?)... Charlles, se você quiser deletar tudo: não há discussão, afinal, o blog é seu... Postei o poema "Não Era Quadrilha" sem qualquer objetivo de melar a discussão que estava a o correr...; apenas, acreditei que o ocorrido, ontem, em Brasília fosse de alguma relevância ao seu blog... Nada além e nada aquém... Foi isso... (Agora, a brincaderinha do Luiz... Não tenho saco, não).

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    2. Pode ser Luiz Ribeiro para você. Amigos a gente trata pelo primeiro nome, no caso Luiz, como aqui nesse blog assino as coisas.
      Curioso como todas as suas adições aos blogs que frequenta têm esse caracter de travar o assunto e sempre, invariavelmente, chamar a atenção para você mesmo.
      Não se trata de um chamado à poesia. Frequentemente é uma abdução ao mundo do Ramiro. Um sacrifício à egolatria.
      No mais, é isso. Seus textos são só um leve incômodo, uma espécie de coriza do nariz, que às vezes a gente assopra com um lenço e segue em frente.
      Salve. Eu daqui. Você daí.

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  15. Libertaram os bandidos comunistas? Já estava estranhando, pensei que o STF aparelhado nem os mandaria para a prisão. O Brasil a caminho de virar um pais comunista, nesta America Latina fudida por esquerdistas de todos os lados, louquinhos para transforma-la numa União das Republicas Socialistas da America Latina. Só falta os amiguinhos trouxas dos comunistas, os nazistas, renascerem na Europa -- quando estava em Roma, vi cartazes de um encontro entre lideranças da Aurora Dourada grega, dos novos fasci italianos, NZ alemaes... E a KGB/Russia ali do lado, com seu ortodoxismo de fachada, e suas relações com os muçulmanos que também pretendem dominar o mundo inteiro.

    No fim, o unico porto seguro será a America desespiritualizada e decadente. Mas talvez a Hora esteja por chegar e o fim bem próximo.

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  16. Retirei meus comentários ofensivos depois do poema do Ramiro. Peço desculpas aos frequentadores do blog pelo meu tom grosseiro. Esse bloguinho tem o propósito de ser aberto a todo tipo de comentários, sem censura e sem intransigências. A corrupção parece ser uma questão muito mais arraigada e infinitamente profunda no brasileiro. Só de saber que as ongs filantrópicas nunca tiveram nem de perto o montante de doação pública feita para se pagar as fianças dos "mensaleiros" revela muito sobre o espírito imbatível do brasileiro. Alguma coisa nisso explica meu destempero.

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  17. Puxa vida, muita coisa para comentar!

    Engraçado é que na primeira vez em que eu escrevi aqui no blog, estava também aqui na França, como estou hoje. Falávamos de Kerouac, Proust e livros digitais, naquela ocasião. Julho do ano passado, se não me engano. Esclarecendo: não viemos aqui constantemente, eu minha esposa, por adorarmos fazer compras na Champs Elysees (aquilo é um dos lugares mais detestáveis do planeta...); é que ela, que é astrônoma, já trabalhou aqui, e hoje ela é chamada frequentemente para colaborar com os antigos colegas. Daí, quando sobra um dinheirinho para a minha passagem (já que a dela e o studio eles pagam), eu venho junto, e por isso passamos 3 ou 4 semanas por ano aqui, sempre a base de vinho, baguete, queijo, museus e livrarias.

    (Aliás, a Nat, minha esposa, adora o Hemingway. Curioso, não? É, de fato, uma das poucas coisas que ela lê além de Bradbury, Asimov, Clarke, etc... Não devem ser muitas as mulheres fãs do Hemingway, eu acho. Ela diz que gosta do estilo dele, principalmente quando lê em inglês. Aliás, compramos aqui em Paris uma das poucas coisas que ela não leu ainda, um volume de contos, e fiquei bem feliz em descobrir aí em cima que o Charlles os considera justamente a melhor coisa do H. Comentei com a Nat sobre isso. Um dia eu os leio também.)

    Dessa vez, como viemos com o orçamento bem reduzido, e o clima por aqui tá bem pouco convidativo para ficar na rua, então tenho dedicado parte do dia para finalmente descobrir Baudelaire (antes tarde do que nunca!) e colocar outras leituras em dia, e entre essas leituras atrasadas estavam os últimos 15 ou 20 textos do Charlles. Por isso, anfitrião, as muitas indicações de um visitante francês aí nas suas estatísticas!

    (Cont.)

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  18. Sobre o filme: sua defesa das coisas que te tocam são sempre lindas, Charlles. Claro, filmes e músicas e livros nos afetam de forma diferente, disparam em nossas mentes correlações e sentimentos diferentes... Não sei se voltarei a ver este filme, mas se o fizer, é certeza absoluta que lembrarei de tudo que você escreveu aqui.

    Ah, e você foi preciso sobre Sandra Bullock, Scarlet J. e Sigourney Weaver. É isso aí mesmo. Só para constar.

    Agora, você leu lá o meu textinho do Led? Não faça mais isso! [risos] Não perca seu tempo... Mas fiquei curioso, quais três do disco 1 você se refere? Eu me referia a um lado (de vinil) inteiro, o A do disco 2 (são quatro faixas). Na verdade, adoro todo o álbum, ainda que o meu preferido seja o Led III (eu sei, não é o preferido de ninguém; o mesmo acontece comigo com o Floyd: o meu preferido é o semi-desconhecido Meddle, mas com o adendo de que o Dark Side não conta, pois é de outro mundo.)

    (Continua mais um pouco...)

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  19. Voltando aos filmes: você falou do Tarkovski, que também adoro. Os filmes dele são impregnados demais de magia, são para ver infinitas vezes. E uma (outra) descoberta tardia minha: Bergman. Já tinha visto dois ou três filmes dele antes, mas não me cativaram -- acho que eu não estava pronto. Daí dia desses vi aquele do padre em dúvida (Luzes de Agosto, se não me engano). Puta que o pariu (se me permitem): que filme. Depois vi Persona e A Hora do Lobo: fantásticos. Agora quero ver todo o resto, e revê-los. (E aproveitei uma promoção da Cosac dias desses e comprei a autobiografia dele; Charlles, lamento informar que tem prefácio do Woody Allen... Mas o textinho do Woody, que já li, é ótimo!)

    Meu caro Luiz: vinhos e cervejas, asunto tão importante quanto esses aí em cima! Então, o bom daqui é o que o Charlles comentou: você vai num supermercado, compra um de 4,00 euros (14 reais?), e ele é bom, muito bom ou ótimo. Se tu comprar um de 8,00, ele vai ser ótimo ou maravilhoso. E por aí vai... Adoro os Bourgogne. Meus preferidos, na verdade, são os italianos (também adoro os Malbecs que você citou), mas o bom dos franceses, estando aqui, é que nunca tem erro, mesmo pagando baratinho, e há uma variedade enorme, nem precisa dizer... Eu costumava tomar uma garrafa por dia aqui, nessas estadias curtas... Mas dessa vez não aconteceu porque achei uma loja de cerveja sensacional aqui, chamada The Bootlegger, e acabei tendo que me dividir entre vinho e cerveja. Também adoro as belgas, como você, e tomei uma chamada Deus (!), conhece? Se um dia ver essa, saia por um diazinho só da sua dieta e tome essa... Não irá se arrepender! E teve outra descoberta minha aqui: Chartreuse. Já tomaram isso? É ótimo. Tem aquele disco do Tom Waits em que ele fala, numa das faixas, que tomou Chartreuse demais.

    (Continua, pela última vez!)

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  20. Para finalizar, e aumentar a ira do Charlles com algumas idiossincrasias do Brasil: sabem aquele vinho Casillero del Diablo, chileno? Vejo sempre aqui por 7 ou 8 euros. Isso é o que, 20, 25 reais? Enquanto no Brasil, em Florianópolis, não vejo ele por menos de 35,00. Como explicar isso? Da última vez que vi um mapa, o Chile era aí do ladinho (e havia um tal Mercosul), enquanto que a França era atravessando o oceano...

    Chega, escrevi demais, desculpem! Tenho que arrumar as malas... Amanhã volto pra Florianópolis. E confesso aqui embaixo, escondidinho: amo Paris, amo viajar e vou para todo canto com a Nat (o que esses astrônomos fazem de meetings e conferências, nos lugares mais loucos, não é pouco!), mas meu coração mora na areia e nas águas geladas do mar que banha a ilha onde nasci aí no Brasil, e nunca consigo ficar triste quando chega a hora de retornar para ela... Entendo o rancor e o pessimismo de vocês com o Brasil, compartilho mesmo da tristeza que se depreende desses exercícios que vocês fazem aqui vez ou outra de discutir e entender o país, mas podem acreditar, pelo menos em termos de natureza, há poucos lugares como o Brasil. Pelo menos enquanto não destruímos tudo, é claro. (E também vai de cada um dar valor a isso ou não; aqui de meu lado, acho que é algo pelo qual vale a pena perseverar, e nem falo isso por patriotismo algum, é pensando em todos nós mesmo.)

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    1. Um amante das letras casado com uma astrônoma_ de imediato fiz como o Luiz, me lembrei de Dean´s December, um dos romances emblemáticos melhores de Bellow.

      Como assim "um dia leio os contos de Hemingway"? Isso não existe! Um das características principais deles é sua instantaneidade. Pegue "The killers" aí e em 15 minutos você terá lido uma das coisas mais adrenérgicas escritas no século passado. Hemingway é um dos maiores contistas da literatura: está do lado de Borges e Tchécov. E não sou eu quem diz isso (apenas). Quase me surpreendi com essa informação de que uma leitora convicta de H. nunca tenha lido seus contos (realmente é raro ver mulheres lendo H; eu tinha uma amiga médica em que me lançava com ela por longas discussões sobre H., na época que eu cursava veterinária, ela uma devota do escritor), mas daí pensei que um certo grau de ostracismo é responsável por esse desvirtuamento da leitura de H. H. ficou famoso, a princípio, devido a seus contos, e houve muita gente que lamentou que ele tivesse que recorre ao romance para testar sua completude.

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    2. Li sim seu texto. Aconteceu até uma anedota: à época em que você me mandou via e-mail o Cosmos, eu agradeci via um blog que aparecia frequentemente no sistema de buscas aqui, e o cara lá ficou sem entender, perguntando o que é que ele havia mandado para mim que ele mesmo não se lembrava. Hahahaha. Daí eu vi meu engano, não era seu blog.

      Mas o seu texto é muito bom, deixe de ser modesto. Qualquer um que veja a solaridade descontraída de seus comentário percebe isso. Deixe de ser modesto.

      As músicas a que me referi do Zep são as três que abrem o disco 1 (no vinil, as três do lado A do disco 1). Também adoro os álbum todo, mas essas 3 eu considero um dos maiores inícios de álbum do rock. Custard Pie (com seu minimalismo estrutural típico do Zep, que acaba em uma catarse), a introdução de bateria maravilhosa em The Rover (há uma coletâneo recente em que esta aparece remixada, em que choveram críticas pela remixagem feita especificamente para se ouvir em computador), e uma das melhores músicas deles, in my time dying.

      Meu disco preferido deles também, durante muito tempo, foi o III. Graças à That´s the way, que é de uma delicadeza fora do comum. Eu adoro o Zep, sempre os escuto. Essa semana mesmo estava ouvindo o box de 4 cds lançado em 1990. Aquilo ali é arte pura, não é APENAS rock. É genialidade e alma. E como Plant é maravilhoso. (Você assistiu o Celebration Day? Que mostra de talentos e contenção! Que generosidade! Como eles criaram um amaneiramento na técnica para se adaptarem à idade de forma magnânima, praticamente se reinventando sem dar concessão à mídia e ao comércio, como sempre fizeram, sem tremeleques como os Stones fazem, ou sem uma pompa aristocrática boba como os ares de empáfia de Roger Waters).

      Meu álbum preferido_ já disse aqui antes_ do Floyd também é Meddley. Echos é.... sem palavras. (E agora me lembrei que o tenho em vinil e cd, mas não na remasterização recente).

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    3. Bergman é incrível. Para você ver o quanto a sexualidade nele era trabalhada de forma muitíssimo mais inteligente e mais dignificadora para a mulher: em Persona há uma das cenas mais eróticas do cinema sem que a atriz tenha que se despir ou fazer o beicinho de paozinho doce entumecido e sem cérebro de Scarlett J. A autobiografia dele pela Cosac? Vou lá ver.

      Essa cerveja Deus, se não me engano, foi eleita a melhor do mundo. Aqui custa 250 reais, na lata.

      Estou com um Casillero na geladeira para tomar hoje à noite. 40 pratas. Isso entra no que eu vocifero sobre o Brasil. Eu gosto muito de peixe, se fosse possível comeria todos os dias, o que qualquer um de fora acharia bastante possível em um país com a gigantesca faixa litorânea e a quantidade incrível de malha fluvial. Mas peixes e frutos do mar aqui é o olho da cara. O sujeito vai à falência se investir muito nisso. O custo de vida no Brasil é muito caro. Geograficamente o Brasil é lindo_ mas nem assim o turismo é algo substancial. E eu amo sim o Brasil. Mas deixemos de lado (suspiro),... deixemos de lado (pausa e outro suspiro dramático).

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    4. João Antonio Guerra2 de março de 2014 18:23

      Fabrício, babei bobão aqui com a coincidência: cantarolava Heartattack & Vine quando cheguei na estória do chartreuse -- é mais pra frente no álbum que tem 'Till the money runs out, onde está a citação.

      Mas ei, li teu texto lá no Dying Days, o dos álbuns do mês pra os últimos dezembro e janeiro, e, além de descobrir Elbow, dei de cara com um escrito muito bem pensado sobre Jim Morrison. Gostei bastante da parte em que cogita a impossibilidade de um culto a Morrison nos Estados Unidos, e achei graça quando escreveu "...afinal, o mito está vivo ou morto? Bem, no cemitério onde ele está enterrado..." -- cê conseguiu um leitor.

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    5. João Antonio Guerra2 de março de 2014 19:17

      Charlles, quanto ao conto do Hemingway, o dos assassinos: mesmo nos meus momentos mais nabokovianos de rabugice e exigência -- e neste momento estou num deles, uma espécie de depressão-pós-parto em que não acredito em mais escritor nenhum. pois só ontem terminei numa tacada só os sensacionais A confissão da leoa do Mia Couto e o Auto do Frade do João Cabral de Melo Neto -- não posso negar a força dessa estória. Hemingway mais nos permite entrever do que propriamente nos mostra, e o resultado é um transe do qual só com muito esforço você se liberta -- e, liberto, percebe, por exemplo, que aqueles dois assassinos são péssimos. Deixam três testemunhas soltas, e isso depois de terem contado para elas qual era o alvo do assassinato; e quando eles se mandam, uma dessas testemunhas vai à casa do pobre coitado, praticamente ao lado da lanchonete, não faz nem um miligrama de esforço e já está sozinha no quarto com ele -- qual era a necessidade daquela emboscada então?

      Mas o conto do Hemingway está acima desse tipo de exigência. Pynchon tem aquele volume de estórias iniciais, o Slow Learner, e lá tem uma introdução em que o Pynchon zomba dos próprios contos, dizendo inclusive que só existem para que escritores iniciantes vão tendo uma noção do que não fazer quando escreverem seus primeiros contos. Criticando uma das próprias estórias, Pynchon fala do tratamento vagabundo que seus personagens dão à morte, a maneira como evitam o assunto o tempo todo, e põe a culpa na juventude -- juventude sua e deles. O conto do Hemingway foi das primeiras coisas que me abriu os olhos para a implacabilidade da morte; ele não precisou escrever nada certinho certinho, seguindo exigências como as que Tolstói fez a Shakespeare*, para que os dois assassinos se fundissem e inchassem, ganhando a forma dum monstro só, enorme, esperando em algum lugar lá fora.

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    6. João Antonio Guerra2 de março de 2014 19:30

      *- De onde é aquele ensaio do Tolstói sobre a obra de Shakespeare, aliás? Nunca encontrei, só sei do que li numa postagem antiga aqui do blog.

      Sobre bebidas, fico puto da vida com os impostos cobrados sobre a produção nacional de cachaça -- a verdadeira, vinda de alambiques de pessoas feitas de carne, não daquelas fábricas frias que só servem pra piorar o estigma que a bebida tem. No mais, sou um bebedor burro, trocaria Deus -- qualquer Deus, inclusive a cerveja -- por uma caipirinha.

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    7. João, o ensaio famoso de Tolstói analisando as obras de Shakespeare está em Últimos anos, publicado aqui pela Penguin-Cia das letras.

      Descordo de seu comentário sobre Os assassinos, quanto às possíveis furadas de enredo. Se você quer ver esse conto transvestido em amadorismo ruim, basta ler A mulher que chegava às seis, do Garcia Marquez (uma das piores coisas que ele escreveu), que usa esse conto incorrendo em tudo que é erro, valorizando assim a obra original. Note: os assassinos não estão nem aí em serem identificados; eles não estão nem um pouco preocupados em bolar um crime perfeito; na verdade, a intimidação e o atraso proposital em matarem a vítima faz parte do jogo sádico deles; eles são capangas de gângsters de jogo, quanto mais se sabe que são profissionais do homicídio, mais eles lucram.

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    8. Charlles: nem imaginas como eu fico feliz em saber que você sequer acha muito ruim o que eu escrevo lá na DD.

      Também a That's the Way é a responsável principal pela minha preferência pelo III! É de chorar essa música. Mas que discografia, não? Falamos aqui do III, do Physical, e sequer falamos do IV que tem o colosso When the Levee Breaks...

      E você também tem o Meddle (não tem esse y aí no fim!) como preferido? Não li o post ou comentário onde você disse isso anteriormente. Incrível, você é o primeiro que eu conheço que compartilha dessa pequena excentricidade comigo. Temos uma incrível compatibilidade musical! Sim, a Echoes é a culpada principal, mas tem a Pillow of Winds que eu amo também -- ela é tipo a That's the Way no III, a pepita que pouca gente cita, quietinha, singela, nunca constante em coletâneas, mas que sempre desequilibrou o jogo para mim. Tenho também o Meddle em CD e vinil, mas ambos antigos... Dessa reedição recente, eu comprei outro disco menos cotado deles, o Ummagumma, você gosta desse? Eu gosto bastante. Nele tem também uma música na linha citada acima: Grantchester Meadows. Aliás, você sabe do que se trata (o local) Grantchester Meadows? Como leitor inveterado, acho bem provável que sim... Muitas pessoas vão lá por causa da V. Woolf, E.M. Forster, Russell, e não sei mais quem que costumava frequentar a casa de chá lá... Mas na vez que eu fui, confesso que era a música do Floyd que não me saía da cabeça.

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    9. Sobre o Hemingway, pois é, confessamos nossa ignorância, eu e a Nat, de não sabermos até ler seu comentário aí em cima que os contos dele tinham esse mérito reconhecido de forma unânime -- que ele foi, de fato, reconhecido primeiramente pelos textos curtos. Pra mim ele sempre foi, fundamentalmente, o escritor daqueles 4 ou 5 romances mais famosos (e, pelo motivo pessoal citado acima, o escritor de O Velho e o Mar), com o restante da produção ocupando posições periféricas... Mas é isso, estou aqui para aprender com vocês.

      (Uma nota: o seu conto preferido, O Gato na Chuva, não está, infelizmente, nesse volume que a Nat comprou.)

      Vou confessar outra coisa que você vai achar um horror [risos]: ainda não li o Saul Bellow. Mantenho uma espécie de lista de livros para adquirir sempre que a oportunidade surgir, e essa lista, como eu já disse aqui antes, é alimentada principalmente por esse blog, e por causa disso eu já comprei dois do Bellow que encontrei por aí e estão na estante aguardando a sua vez. E a lista agora ganhou um terceiro item, esse Dean's December que você e o Luiz citaram. Tenho muita coisa fundamental para ler ainda, estou a muitas milhas (páginas) atrás de vocês...

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    10. (Ops, eu quis dizer, aí em cima, que a lista ganhou um "novo" item, já que os outros dois Bellows já foram riscados...)

      João: Tom Waits é ótimo, não? E a voz dele só é incrível daquele jeito porque, tenho certeza, ele já bebeu mega-litros de chartreuse e whiskey e já fumou incontáveis cigarros (a do Mark Lanegan vai pelo mesmo caminho).

      Passei lá no Pére Lachaise, como de hábito, para visitar o Morrison (eu sei, uma bobagem... ). Posso reafirmar o que escrevi na DD: pelo o que se vê lá em seu túmulo, o culto ao Lizard King parece viver plenamente (ou só parece, como considerei lá no texto). Havia umas 15 pessoas, e em nenhum momento parou o fluxo de visitantes. Sim, é um lugar turístico, mas para efeito de comparação: não havia ninguém visitando Chopin e nem Delacroix. E junto ao Proust vi só um casal japonês. Só que minha impressão não mudou: ele virou ídolo pop, uma imagem numa camiseta. O casal japonês no túmulo do Proust, pela compenetração que notei observando meio a distância, parecia muito mais interessado na obra do francês, fãs genuínos de Em Busca do Tempo Perdido, do que a soma dos tantos que vi passarem em procissão diante o túmulo do americano. Estes últimos todos aparentavam estar ali como se estivessem na Disneylândia ou na Torre Eiffel. Nem os hippies ou ex-hippies que já vi tantas vezes lá, dessa vez, eu vi.

      E que legal que você conheceu o Elbow via DD! Das bandas contemporâneas, é uma das mais relevantes para mim.

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    11. Tem muita coisa interessante em seu blog. O tipo de coisa que em uma conversa informal não relutaria nem um pouco em resumir tudo dizendo "que cara cabeça!".

      É Meddle, mas eu sempre acho que tem o tal y.

      Eu confessei a preferência no post sobre minhas capas de discos preferiras, em que a capa desse álbum aparece.

      Passei muito tempo amando incondicionalmente o III acima dos outros. Dividia, às vezes, com o I, que atende à vertente enfurecida da banda. Taí, o I e o III são os meus preferidos. Demorei para me adaptar ao IV_ do qual só gostava, incondicionalmente, de When the Levee Breaks_, mas foi questão de momento. Mesmo os mais fracos, Presence e Outdoors são melhores em muito que a maior parte do que se fazia de rock na época.

      Meddle é todo bom, a canção com a cadela no fim do lado A, a maravilhosa e enigmática Fairless (eu sabia sobre Meadows, mas você saberia me explicar a parte do coro e da ola no final dessa música?).

      Ummagumma também aparece no mesmo post a qual me referi acima. Gosto muito de Astronomy Domine ao vivo. Eu ouvi muito, nas últimas duas semanas, a More e Obscured by clouds, que também acho sensacionais (amo Green is the colour).

      Aqui é um aprendizado mútuo. Sobre Hemingway, como eu disse, é que vivi grande parte da minha juventude envolvido com o cara_ e há uma tremenda biografia dele, pelo Carlo Baker (uma biografia e uma bio-bibliografia), que ajuda bastante na compreensão sobre o quanto ele era um ícone na época dele.

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    12. Um post seu sobre capas de discos preferidas??? Como nunca vi isso antes? Vou procurar imediatamente.

      Green is the Colour, grande lembrança. Durante muito tempo eu só conheci essa música através da gravação -- possivelmente gravação da gravação da gravação... -- de um bootleg de qualidade péssima, mas mesmo naquelas condições, a música me fascinava. Foi um grande momento quando finalmente, um tempo depois, consegui o More, e pude ouvi-la em todo o seu límpido esplendor. (Era bem mais legal naquele tempo, não? Hoje bastaria ir na internet e ouvir a música imediatamente, e logo amanhã tudo estaria esquecido...)

      (Morde e assompra: a internet é medonha e maravilhosa ao mesmo tempo; já viu o vídeo deles gravando Seamus junto ao cãozinho, no Youtube? É ótimo!)

      Sobre Fearless, só sei que é a torcida do Liverpool cantando no estádio uma canção tradicional do time...

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    13. Realmente, era melhor naquela época. A dificuldade enaltecia em muito o mérito da aquisição.

      Pensei que já tivesse visto. É a postagem mais acessada do blog :-)) :

      http://charllescampos.blogspot.com.br/2012/05/as-10-mais-belas-capas-de-albuns-de.html

      e

      http://charllescampos.blogspot.com.br/2012/06/outras-capas-de-albuns-antologicos.html

      Sobre a canção com a cadela, o vídeo, se não me engano, é parte de Live in Pompeii.

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    14. Charlles, revisitei aqui uma lista de posts antigos seus que tenho anotados para ler (pois quando foram publicados, por algum motivo qualquer, não pude lê-los), e lá estavam ambos. De todo modo, obrigado!

      Sobre Seamus, não lembro dessa parte no vídeo de Pompeii, mas é provável que você tenha razão, pois faz muito tempo que vi esse vídeo, e a lembrança mais forte deles tocando nas ruínas parece ofuscar quaisquer outras lembranças de outras cenas no filme... Tenho que revê-lo. Aliás, taí um bom programa para hoje de noite.

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    15. É no Pompeii mesmo, Fabricio. Estava tentando lembrar o nome da cadela, e fui ver no dvd que tenho desse filme: Madame Nobs, uma cadela Barzoi linda.

      A versão de Echoes deste filme é estupenda. Mas tiveram a coragem de editar tirando dez minutos (dez minutos!!!!) dela na coletânea que leva o nome dela que saiu há algum tempo_ um crime.

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  21. Fabrício.
    As coisas boas andam aos pares, não?
    Muito bom saber que além de gostar de Baudelaire, você ainda é um apreciador das Trapistas Belgas. Les Fleurs du Mal... Amo!
    Essa é uma das belezas da globalização. Tô aqui no Canada, tá certo que Toronto é um hub para o resto do mundo, mas que maravilha poder tomar um copo de ale trapistas de um monastério pequenino como o de Rochefort, aqui perto do Polo.
    Eu gosto particularmente das trapistas verdadeiras da Bélgica, apesar de não desprezar uma cerveja qualquer de Abbaey. Na minha despensa não pode faltar, as Rocheforts 8 e 10, a Westmalle (de preferência Trippel), a odd ball Orval (adoro!), St. Bernardus 12.
    Gosto demais da Deus. Mas aquilo lá, meu chapa. Aquilo lá não é mais cerveja. É uma experiência religiosa. Melhor Bière Brut que eu já tomei.
    E quer saber de uma coisa, Fabrício. Gosto muito de cerveja. Mas detesto essa mania adquirida no Brasil agora de que que cerveja é o novo vinho. Coisa para ser apreciada com frescuras e tal. Não me ponha a nariga dentro da tulipa de cerveja na minha frente.
    Respeitar a anatomia das tulipas até vai. De fato faz alguma diferença tomar uma trapista numa taça oval, mais aberta. Mas além daí é anátema e faria os monges que fabricaram esses incubi corar de raiva.
    Meu irmão mora em Florianópolis. Se voltar para o Brasil quero morar lá.
    De preferênci no Sul da Ilha. Pântano do Sul ou algo assim.

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    1. Luiz, cerveja virou "gourmet", e tudo isso é detestável (a cerveja ter virado isso, e também a simples existência disso, "gourmet"). Mas tem um efeito colateral legal: tem bastante cerveja artesanal muito boa sendo produzida no Brasil. (Se é que é um efeito colateral disso, talvez seja o contrário, sei lá.)

      O sul da ilha é lindo, não? Tenho um amigo que mora no Pântano, e inclusive ele faz uma cerveja espetacular nos fundos da casa dele. E tem lá também, no Pântano, um engenho de cachaça ótimo (cachaça de verdade, feita por gente de carne e osso, como citou o João), mas acho que ele funciona só durante uma parte do ano.

      (Compramos, faz pouco tempo, um terreninho ali perto, na Costa de Dentro, não sei se você conhece. É um lugar lindo, na encosta da montanha da praia da Solidão. A idéia é, assim que possível, erguer uma casinha e levar para lá parte da biclioteca -- casinha para o fim-de-semana, para os retiros de leitura e descanso da cidade [e para, quem sabe, experimentar faz cerveja]. Torço desde de já para que você volte ao Brasil e vá morar no Pântano, para que sejamos vizinhos!)

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    2. Oi, Fabrício. Minha mãe tinha uma casa em Açores. Vendeu recentemente por causa do alto custo de manter um casa tão próxima da praia. A coisa da maresia e tal.
      Poxa cara, mas que beleza era colocar o Charllie Parker no talo e sentar-me na varanda vendo o mar.
      Tem um restaurante em Açores, o Açor, administrado por uma chef angolana muito simpática, a Cucas, e seu marido, também mirando a praia, que costumava ser o meu refúgio. Ficava a uns poucos metros da casa da minha mãe. Eu ía até lá no final da tarde e me sentava com o esposo da Cucas no bar. Enquanto ele preparava os drinks, nós ouvimos jazz no talo até o cair da noitinha.

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    3. Fabrício,
      Conheço muito a Costa de Dentro. Uma das janelas da casa da minha mãe nos Açores tinha a vista daquela encosta que desce até a praia da Solidão.
      Coisa linda. Que projeto de vida, meu caro.

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  22. Por algum motivo enterrado em algum lugar do meu inconsciente, dos poemas do Les Fleurs du Mal, o meu favorito é o Une Charogne.
    Tô quase indo lá no Les Fleurs du Mal para fazer um detox de poesia ruim.
    Obrigado por trazer esse outro grande Charles à memória.

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  23. P.s. 4, Um literati casado com uma astrônoma... hum... me lembrou o Dean's December do Bellow.

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  24. Minha experiência com Gravidade não passou nem perto da tua, até fiquei com inveja. Faz tanto tempo de li O Velho e o Mar que nem conseguiria fazer a relação entre as obras. E, céus, você desencavou até Barrados no Baile num comentário aí em cima. Googlei e, originalmente, a série chama-se, er, como vou dizer, Bervely Hills 90210. (É, eu também vi isso. Acho que é meio contemporâneo de Take on Me, o clássico do A-ha).

    Gostei muito do início de Gravidade, aquele sensacional plano sequência de uns 15 minutos e, em seguida, de ver a Sandra Bullock girando, girando, girando. Depois eu me enchi de tédio. Cada coisa que dava errado - porque até o insólito tem que dar errado pra Hollywood "funcionar" - irritava-me profundamente. Até a morte do George Clooney mereceu heroísmo barato. É enfadonho saber que vai rolar, uma hora e pouco depois, um final patético. Aliás, não me surpreenderia se um alien viesse a pular em cima da Sandra Bullock quando ela chega em terra firme...

    Quase tive uma síncope nervosa quando ela usou o extintor de incêndio como propulsor no espaço. Sério, eu comecei a rir na cadeira e cogitei sair do cinema naquele momento. Não teria perdido nada se o tivesse feito.

    Mas fui ver Gravidade porque, há um tempo, inaugurou um tal de IMAX aqui perto de casa. É uma sala de cinema metida a besta, aquele surround que entra pelo nariz, uma telona e tals. Mas sempre que eu passava no shopping estava em cartaz um daqueles filmes que nem se me pagarem eu vejo. Tinha curiosidade de ver a tal tecnologia da sala, mas não me animava a entrar.

    Até que Gravidade tornou-se a única oportunidade para eu conhecer o tal do IMAX. Não sei como é o efeito da gotinha de suor da Sandra Bullock sem 3D, acho que perde-se essa gracinha na telinha comum, além das bem torneadas pernas dela no shortinho.

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    1. Eu sei, eu sei... percebo todos esses defeitos que você aponta. Mas eu gostei. Pegou na minha veia de macho ostensivo brutal com propensão incontrolável para a emotividade.

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    2. Assisti ao Gravidade novamente nesta manhã. Talvez o menos documentável dos defeitos do filme seja o uso do extintor como propulsão. Não tenho conhecimentos técnicos, mas algo me diz que há uma concordância de princípios físicos entre a ejeção do gás do extintor e o transportador usado nas costas pelo Clooney.

      E há uma carga de simbolismos muito bonita na cena em que a Sandra vai desistir de vez, naquela cápsula espacial imóvel. Ela intercepta uma mensagem da Terra. É uma mensagem estranha, parece não vir do presente. Parece um misto de canto tribal, comemoração primitiva da natalidade, e uivos de cães. É algo que pode vir do início da espécie humana. No livro do Bryson (Breve história de quase tudo), ele fala que nos sinais de estática captados pelos instrumentos de rádio o som infinito de fundo remete ao som do Big Bang. Pois o que a Sandra escuta em seu sarcófago espacial é o som do início da humanidade, primordial, selvagem, cego, irracional e rico. Ela uiva com os cães, ela pede para que a canção de ninar (uma antropológica canção de ninar esquimó, ou o acalento infantil de um extinto povo da Patagônia) continue. Isso me afigurou uma crítica contundente à perda da alma pela técnica que vai de encontro à enorme crítica nesse sentido contida em 2001.

      E aí entra George Clooney na cápsula, um Clooney ainda mais simpático e positivo: um Clooney que logo sabemos que não existe mas que contou uma verdade trazida não se sabe de onde; uma verdade intuitiva que resgatará a vida_ como a intuição do óleo de Lorenzo que o pai de Lorenzo sonha deitado na mesa, que irá aplacar o enorme sofrimento de seu filho.

      É outro símbolo profundo do filme, o que apressadamente devido a nosso conhecimento de Hollywood tomamos por clichê. No momento em que a harvardiana cientista faz as pazes com a imensa humildade humana, a humildade socratiana de nada se saber, ela recebe uma intuição_ "pousar é impulsionar". Vi o Clooney como uma mensagem de que a humanidade é uma grande tribo_ sei lá, pode ser o efeito vingativo da maconha não fumada da minha juventude_, e sua simpatia é só um superego desvirtuado generoso, que cobra a sobrevivência.

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    3. Eu sabia que por detrás da sua resenha do Gravidade tinha o Kubrick!
      Ah, the eye of the beholder.
      Não há muita semelhança entre 2001 e Gravidade não, meu caro. Para além do óbvio negro do espaço.
      Vai perder tempo hoje de noite com a cerimônia do Oscar?

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    4. Claro que não há.

      Vou estar sem fazer nada mesmo, vou dar uma olhadinha.

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    5. Hoje tem o Oscar mais fraco dos últimos anos com a lésbica sem graca de apresentadora? Bora assistir a SÃO CLEMENTE na Marques de Sapucaí via site da Globo às 21h de Brasilia!!!

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  25. Já repararam que são os textos mais despretensiosos do Charlles que geram 50+ comentários?
    Já cheguei a ficar meio puto com isso.
    (Mas a conversa tá boa)
    Olá, Fábio!

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  26. Que grande metáfora para a noite de celebração do cinema hoje, não. Morreu Alain Resnais.

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  27. Tá, minha ranzinzice é infinita, eu sei. Mas aquele extintor de incêndio, além do provável princípio físico que faz "todo sentido", evocou-me Macgyver, aquele que fazia uma bomba atômica com chiclete, dois clips e a molinha de uma lapiseira de urânio da Nasa. Ódio mortal - da humanidade inteira, até das tribos primitivas.

    Não ia falar nada, mas já que o Oscar foi lembrado, vou contar. Era certo que eu não sairia de casa no carnaval. Porto Alegre é ótima nesse período. Mas aí um casal de amigos convidou para ir na casa deles hoje com o pretexto de ver o Oscar. Ok, pensei, é uma ótima desculpa para comer um rango diferente do meu tempero, tomar uns goró e papear.

    Daí... a anfitrião teve uma crise glicêmica na quinta-feira, o que já jogou um pouco de farinha nos meus intentos etílicos. Ele adora um trago e eu não vou ficar exibindo minhas taxas sanguíneas normais para reivindicar minha cervejinha. Para piorar, sua esposa descobriu uma úlcera na sexta. Tô com medo de tomar canja, beber água e ver o Oscar nessa condição sofrível.

    P.S.: Olá, Luiz.

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    1. O McGyver me veio imediatamente à lembrança também, Fábio.

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  28. Tardou mas descobri a inspiração maior para a sua ficção de tom auto-biográfico. Acho que o Oscar vai mesmo para Philip Roth.
    Estou lendo o muito bom Operation Shylock. (já tem algum tempo que a proposta de Diasporismo do judeu desse livro me interessava. O enredo de um projeto encabeçado pelo Mossad que queria a extinção do Estado de Israel e emigração em massa dos judeus da Palestina de volta para a Europa)
    Que trabalho interessante de forjar verossimilhança!
    Não sei bem se Roth de fato esteve em 1988 em Jerusalém por ocasião de uma entrevista com o romancista judeu Aharon Applefeld (romancista esse que já fora recomendado a mim por outro livro, o Hurban de Alan Mintz). Mas estive pesquisando por aqui, na Encyclopedia Judaica e outros lugares mais seguros na internet, e me parece que as circunstâncias narradas no romance de Roth, do julgamento do Nazista Ukraniano e operador da câmara de gás de Treblinka "Ivan, o Terrível", que acontecera em Jerusalém naquele ano e que serve de backbone para o romance, são muito bem fundamentadas em fatos reais.

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    1. A entrevista com Aharon Applefeld está no volume de entrevistas com escritores feitas pelo Roth, "Shop talk- A writer and his colleagues and their work, aqui lançado com o título Entre nós (um livro delicioso para quem gosta de bastidores literários_ e tem um capítulo ótimo em que Roth analisa um a um dos romances de Saul Bellow).

      As páginas sobre Ivan, o Terrível, para mim, estão entre as melhores que Roth escreveu. Simplesmente soberbo.

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    2. Será que a história do ataque psicótico que o narrador Roth sofre no romance, causado pelo sonífero Halcion, é baseada na vida do autor também?
      Já leu Applefeld, Charlles? Há muito o que explorar na literatura judia em Hebráico contemporânea. Applefeld, A. B. Yehoshua, o poeta judeu russo H. N. Bialik (que eu já recomendei muito aqui)...

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    3. Roth preenche suas histórias com referências autobiográficas propositadamente truncadas. Não sei se é verdade, mas apostaria que sim, ao menos em parte. Em Zuckerman acorrentado seu alter-ego sofre de dores cruciantes no pescoço, que nenhum médico consegue diagnosticar, provocado por anos de escrita encurvado em sua máquina de escrever. Há sempre descrições de doenças em sua escrita_ o que vejo um sexismo aqui, já salientado aqui no blog: em Roth isso é cool, mas em Alice Munro, que adota o mesmo procedimento, isso é criticado (vi uma crítica contra isso feita por uma jornalista, ainda por cima).

      Nunca li nenhum desses autores, Luiz.

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    4. "Roth preenche suas histórias com referências autobiográficas propositadamente truncadas. Não sei se é verdade, mas apostaria que sim, ao menos em parte".

      Se trocarmos os nomes Roth por Campos continuaria verdade.

      Amei Operação Shylock. Quando o estava lendo te pedi informações de livros sobre o judaísmo, Luiz. Saí pesquisando diáspora, diferentes grupos de judeus, literatura judaica e etc. só por causa desse livro/Roth. E quando chega em Ivan o Terrível, bem, embora o Charlles tenha avisado, naquela parte agarrei o livro com mais forca e li, reli, anotei, reli de novo...

      Eu prefiro acreditar que a maior parte do que está ali é verdade, porque sim.

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    5. Mas a parte do julgamento de Ivan, e Roth tê-lo assistido, é tudo verdade, Matheus.

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    6. Sim, sim, mas digo o livro todo.

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    7. Ô Matheus. Um pássaro azul me disse que você não volta mais das Zoropa. Se for o caso, vamos marcar um encontro bloguístico em Paris no mês de Julho. Tenho uma conferência na European Association of Jewish Studies. O Charlles vem também é claro. O Fabrício estaria quase em casa.
      Então foi o Shylock que te inspirou? É possível que eu lecione um curso de Judaísmo no verão aqui em Toronto onde vou usar o Goodbye Columbus para falar de Judaísmo Diaspórico.

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    8. Pior que é bem provável que estejamos por lá em julho. Luiz, anota aí: http://bieres-bootlegger.fr (ah, os maravilhosos sites franceses; pior que até alguns sites de serviços públicos deles têm essa aparência 1996). Lá na The Bootlegger você compra Deus por 20,00 euros. Deus, a bebida; o outro, supostamente, compra-se ali pela região de Pigalle, Montmartre...

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    9. Grato, Fabrício! Vamos ver se sai a verba do departamento para pagar os custos da viagem.
      Se não bye-bye Quartier Latin, Paris. Olá, Quartier Latin, Montreal.

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  29. Gostei do filme, mas tenho uma visão diferente; para mim, é uma fábula anticriacionista, materialista, no sentido inverso, indo da poeira de estrelas até o nascimento da espécie quando ela dá os primeiros passos na Terra; em paralelo, é uma história de renascimento de quem retoma o caminho pela vida, sendo este o milagre humano: ele depende não de uma vontade divina ou das inclinações do espírito, mas tão somente da decisão de prosseguir, retomar, reinserir-se nos descaminhos do universo e nele criar. Tá certo que eu sou mais viajante do que um astronauta, mas, enfim...

    P.S.: Não vi em 3D, o que deve tornar a recepção melhor, ou, ao menos, a gente não sai do cinema com dores de cabeça.

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