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quarta-feira, 7 de outubro de 2015
sábado, 5 de outubro de 2013
Nobel de literatura de 2013?
Nessa semana que se segue está programado o anúncio do novo ganhador do Nobel de literatura, conforme a tradição da academia sueca em fazê-lo por volta do dia 10 de outubro. Eles bem poderiam descansar esse ano da mania de desencavar escritores que ninguém conhece para receber o galardão, e dá-lo para um dos dez ou mais grandes escritores notórios que purgam a cada ano o martírio da expectativa. Não adianta: por mais que um escritor se diga indiferente ao prêmio, o Nobel é o mais importante rito de passagem para o reconhecimento definitivo. Muitos escritores só se tornaram "canônicos" e reconhecidos depois de ganhá-lo, ainda que boa parte destes foram lançados, logo após, em um ostracismo absoluto: alguém se lembra de Pearl Buck?; em escala mais recente: alguém se lembra de Gao Xinjian? Ou o Nobel do ano passado: alguém já leu alguma coisa do... como chama mesmo o chinês?
Esse ano eles deveriam presentear os leitores mundiais escolhendo algum dos escritores que brilham nas casas de apostas. São muitos e não vou ficar aqui citando nomes. Meus preferidos? Se fosse pela minha escolha, eu daria o Nobel ao Thomas Pynchon. Ninguém merece mais que ele, seja pela prosa monumental, pela ousadia da obra, pela junção de excelente narrativa com experimentalismo, pelo conjunto da obra que não apresenta medianidade (todos os seus 8 romances são obras-primas), e pela idade certa em que Pynchon está, na qual um Nobel já não é factível de comprometer a qualidade de eventuais escritos futuros. Por essa última razão, eu não daria o Nobel deste ano a Javier Marías, ainda que ele o mereça como nenhum outro; mas Marías ainda tem muito para escrever, e seria injusto com seus leitores que sobre ele recaísse a maldição do Nobel, que é aquela em que o senso comum diz que o escritor perde em definitivo a mestria profissional assim que sobe por aquelas escadas de Estocolmo. Daria o Nobel ao Philip Roth, claro. Ao Cees Nooteboom. Ao Claudio Magris. Não o daria ao Vila-Matas, nem ao Lobo Antunes (que sofre da maldição do Nobel, em um caso raríssimo para alguém que não o recebeu), assim como nunca o daria a Murakami, a Auster, a Ian McEwan. E, definitivamente, nunca o daria a Bob Dylan, a Bono Vox e a Ariano Suassuna.
Vamos aguardar, embora não vá ser em nada surpreendente se o prêmio for para algum poeta minimalista dodecassílabo esquimó.
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