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terça-feira, 6 de outubro de 2026

Benjamin Lay

 


Eu sempre fui cristão. Estudo religião desde muito tempo. Minha estrutura mental e espiritual é religiosa. Leio a Bíblia todos os dias e já a li duas vezes por inteiro. Eu digo com toda certeza que estamos vivendo a era do anticristo. Bolsonaro é o anticristo. É um fato que grita aos olhos. Pela sua obviedade não vista pelos que o seguem se pode ver que o anticristo vem se fantasiado de cristão. O anticristo é um Cristo vazio, de pesadelo, que repete palavras vazias e faz o contrário. É um cristo palhaço, pornógrafo, pervertido, simiesco, demoníaco. É um predador perverso e sem piedade, cuja missão é a destruição completa. Os Bolsonaros são essa pessoa. O anticristo detesta o verdadeiro Cristo. Toda sua mensagem é uma zombaria da palavra de Cristo, é uma distorção cínica, brutal, violenta.  Minha visão sobre isso não vem de igrejas, que é de onde o anticristo tem seu púlpito, e nem se baseia em maniqueísmos simplistas. Essa guerra espiritual, esse domínio do anticristo, é um evento material, político, intrinsecamente cotidiano e presente. Por isso esse momento exige interioridade, concentração, e a estranha paz do que sabe estar do lado certo, do lado do verdadeiro Cristo.


Meu Jesus não é o do Malafaia, não é o dos evangélicos e dos católicos. Meu Jesus é o do apóstolo Tomé e seu evangelho, é o de William James e John Milton, o Jesus de Benjamin Lay, de Swedenborg, de René Girard, de Kazantzakis, de Dostoiévski e Tolstói, de Jung, de Jack Miles e Rudolf Bultman. Um dia (e vou contar isso não por hipocrisia da minha mão esquerda ver o que fez minha mão direita, mas porque sinto que devo contar), um dia..., eu estava em Goiânia, num posto de gasolina, abastecendo meu carro. Um mendigo se aproximou de mim e me pediu ajuda. Eu tirei míseros 25 reais (que era o único dinheiro que eu tinha) e lhe entreguei. Ele simplesmente não acreditou. Ele agradeceu, se afastou até a esquina, para que eu não o visse, estendeu os braços e orou. Ele chorou e rezou. Eu fiquei tão tocado com isso pois vi que ele tinha mulher e filhos, e aquela mixaria faria uma diferença enorme para ele. Meu Jesus é o desse cara. Meu Jesus vem do intelecto e da arte, mas também da pieguice e da simplicidade mais rasteira. Vem de Buda, vem do zen, vem do Desperto. Vem da comunhão mais profunda. Vem do padre de Os miseráveis, na cena mais linda da literatura, convertendo Jean Valjean. Eu tenho uma alma e a conservo íntegra nesse tempo em que quem não a respeita e não a leva a sério será destruído. Meu Jesus é Platon Karataev e o débil mental de Bulgákov. Meu Jesus é esse ser de uma tristeza infinita pelo estágio de atraso espiritual humano desse quadro de Ivan Kramskoi.