segunda-feira, 19 de agosto de 2013

O anjo Esmeralda, de Don Delillo



O conto que dá título a esse livro é uma obra-prima; um dos vinte ou dez maiores contos que já li; só ele vale o investimento nesse passeio pela genialidade de Don Delillo (não há outra palavra), por sua apreensão absolutamente original das mínimas nuances do tema. Não saberia por onde começar para mostrar o quanto este conto é antológico: em como ele parte de um coloquialismo recheado de diálogos soberbos e faz o leitor se afundar na cena, como se estivesse lá; em como Delillo trabalha uma ternura subjazente, quase cruel, quase inexistente, e que deixa uma marca no espírito do leitor que, para mim, é eterna; em como o estranhismo dessa narrativa simula dispensar o valor humano individual de tantas personagens em prol de uma frieza que unifica tudo numa impressão de niilismo comunitário passageiro. Há duas freiras que peregrinam pelas zonas mais degradadas da cidade grande, onde moram os miseráveis, os marginais e os famélicos; há um grupo de jovens grafiteiros que dominam rudimentarmente o idioma inglês, e que desenha um anjo nos prédios derruídos e abandonados em homenagem a cada criança assassinada do bairro; e há a menina Esmeralda, de 12 anos, sem pais e sem casa, que se esconde nas ruínas (me lembrou a menina louca da foto de Robert Capa confiscada pelos soldados russos, no A Russian Journal, de John Steinbeck), estuprada e morta e atirada de cima da ponte, e que uma disposição inusitada dos faróis dos caminhões à certa hora do entardecer dá a uma multidão de curiosos que atrapalha o trânsito a certeza de que passa a aparecer por milagre em um outdoor. Tudo é descrito com um realismo hiper-atrofiado, com uma lucidez além da literatura que parece prescindir da presença do escritor_ como se o escritor fosse um canal, um instrumento. Sabemos que Delillo está ali porque hora e outra a velocidade diminui para receber uma sentença lapidada como um diamante de brilho intenso, frases aforísticas típicas de Delillo, frases com esta, "se você sabe que não vale nada, a única maneira de gratificar a sua vaidade é brincar com a morte", tirando isso, tudo é encorporação e mediunidade. É um conto que, à maneira retilínea dos outros oito contos do volume, desconforta, incomoda, angustia, obriga a pensar, obriga a um posicionamento ativo, a uma auto-averiguação. Quem já leu Submundo, o grande romance de Delillo, vai se lembrar desse conto inserido como mais um dos mosaicos do infinito tecido humano lá no capítulo 8.

Delillo é uma presença inclassificável nas letras norte-americanas atuais. Alguns o aproximam a Pynchon, outros tentam assimilá-lo às críticas ácidas de Philip Roth; mas Delillo não se enquadra nem em um modelo nem em outro. Não exito em dizer que Delillo tem a mesma urdidura dos artistas profetas, afetados por uma maneira de ver que enxerga através de portas que só raramente são abertas, artistas como William Blake e Swedenborg. Seus contos assombram por serem escritos de maneira pouco convencional, fugindo da clássica fórmula de terem uma surpresa ou uma justificativa no final. Como disse certo crítico em referência a eles, cada frase conta e é indispensável. Não se enganem os que acharem que mesmo a mais trivial dessas nove peças não contêm um vislumbre quase insustentável da verdade.

41 comentários:

  1. Tentando achar esse conto no google, nada até agora. Mas que legal procurar "O anjo Esmeralda Don Delillo" e aparecer na primeira página o Charlles. =)


    Quase me convenceste em adquiri-lo. Quase (chora, $chwar¢z). Gastei uma graninha em livros de história (voltei a gostar de 1 cadeira, amém, a última excitante foi sobre nacionalismo, agora Brasillll de novo) e do Olavo de Carvalho (bjs, Luiz).

    O Mínimo Que Você Precisa Saber Para Não Ser Um Idiota
    http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/5093597/o-minimo-que-voce-precisa-saber-para-nao-ser-um-idiota/

    Falando em Olavo, tem aqui o debate dele com o Alexander Dugin, o líder ideólogo da Rússia atual do Putin.
    http://debateolavodugin.blogspot.com.br/
    Virou livro. Algumas coisas que esse Dugin pensa são de assustar mesmo. Se o nazismo e comunismo foram ruins, o que ele propõe é algo pior. É uma mistureba de tudo que houve de ruim no século 19 e 20.

    (Lendo Ortega y Gasset)

    E, finalizando o momento Tory Journal, aqui vai o link do bate-papo do Olavo de Carvalho e Lobão (pra delírio do Luiz, direto do simpático Canadá).

    http://www.youtube.com/watch?v=-ARru63yog0&feature=youtu.be

    Até.

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    1. Hahaha.

      Por falar no Luiz, o cara sumiu. Nada da acessos vindos do Canadá por um bom tempo. Não sei se o ofendi tanto assim no post sobre o Foucault. Não mandei ainda um e-mail para ele para não parecer o chato que exige audiência no blog. Mas estou preocupado, confesso. O que me anima é que nada pode acontecer de ruim no Canadá.

      Luiz, Luiz, lama sabactani?

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    2. Deve ser o período de férias. Quem sabe o que o nosso Mishimanista Foucaultiano estará aprontando? Fundando uma escola historiográfica re-contra-pós-estruturalista-annale Torontoniana? Convertendo-se ao judaísmo? O que?



      Aqui um parecer do Rodrigo Gurgel sobre o libro do Olavo.
      http://rodrigogurgel.blogspot.com.br/2013/08/olavo-de-carvalho-e-o-minimo-que-voce.html

      E aqui um novo site de críticos literários (Gurgel entre eles)

      E chega, sou chato demais. (Ao menos parei de te mandar emails hahaha exigência de "serviço", no meu caso)

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    3. João Antonio Guerra22 de agosto de 2013 16:23

      Matheus, o torrent abaixo tem o livro inteiro e vários outros.

      http://thepiratebay.sx/torrent/8598744/

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    4. O livro pode ser baixado gratuitamente pelo site lelivros.red

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  2. Hoje: nascia HP Lovecraft, 123 anos atrás, e morreu o Elmore Leonard, algumas poucas horas atrás.

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    1. Elmore Leonard morreu!

      Sobre HP Lovecraft, acho que é a única leitura que, literalmente, me provocou uma sensação de pânico. Aquela novela sobre Ktchulu, com o grande deus adormecido, insinuando a claustrofobia de uma outra história secreta em que nada do que conhecemos é verdadeiro, é de uma maldade pura e intransigente. Não sei se você viu o excelente "O segredo da cabana", que é todo Lovecraft.

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    2. João Antonio Guerra20 de agosto de 2013 15:05

      Morreu Elmore Leonard mesmo. Lembro do derrame dele noticiado pelos gringos, e penso que a morte aí seja uma certa paz: Virgílio de Lemos, que há alguns meses também teve um avc, está agora preso a uma cama, metade do corpo e da alma mortos.

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    3. João Antonio Guerra20 de agosto de 2013 15:42

      "O segredo da cabana" segue sim Lovecraft, tintim por tintim, tanto que eu, na última cena, estava convencidíssimo que o deus primordial que destruiria a humanidade seria uma criatura lovecraftiana - não Cthullu ou Pai Dagon ou Mãe Hidra ou qualquer criatura propriamente do ciclo lovecraftiano, que possuem papeis específicos e fixos dentro de sua mitologia, e sim algo tão grotescamente errado e invencivelmente colossal quanto esses grandalhões.

      E aí apareceu uma mão gigante de homem. Pô.

      Talvez esse "emburrecimento" da influência tenha tido espaço porque era mais confortável dar uma piscadela pros milhões de críticos que, visto o filme, se agarrariam às obviedades metalinguísticas e papagaiariam a cada resenha que os Ancient Ones do filme, gigantescos e eternos, são os minúsculos e efêmeros humanos que compõem a plateia.

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    4. Dessas coisas dolorosas. Me dói a demência do Garcia Márquez. É um aprendizado para o leitor conviver com o definhamento natural de seus grandes escritores vivos. Imagine o quanto sofreram os leitores de Tolstói, ou os de Joyce, ao serem informados de suas mortes largadas, sempre absurdas mesmo para um velho de 80 anos.

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    5. João Antonio Guerra20 de agosto de 2013 15:48

      Já me doeu muito a doença do Gabriel. Mas Charlles, te tranquilizando: há algum tempo li uma notícia que desmentia essa demência.

      O velhinho ainda vai mijar nos nossos túmulos.

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    6. Belo insight este seu, João. Não havia me dado conta disso. Realmente, acaba que tudo propõe uma interpretação perspicaz nessa nossa época midiática. Se o público de coisas como os péssimos filmes que se produzem hoje (é constrangedor ver o quanto é preguiçosamente ruim as refilmagens de A hora do espanto e O vingador do futuro) não se deixasse ser tão menosprezado pelos roteiristas e produtores, o final do segredo da cabana teria sido muito melhor, no estilo proposto por você. Mas esse mesmo público dá recordes de audiência a coisas pra lá de estúpidas como os filmes do Homem de Ferro e Thor e os Vingadores. Fazer o quê. :-)

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    7. Não vi essa hipótese sobre o GGM. Espero mesmo que você esteja certo. Li a primeira parte da auto-biografia dele e há anos espero pelas outras duas partes prometidas.

      (Desculpe os erros de escrita e o rebuscamento: escrevo do trabalho, sem muito espaço para concentração.)

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    8. João Antonio Guerra20 de agosto de 2013 15:56

      Aliás, Os Vingadores é do mesmo Joss Whedon que fez O segredo da cabana. Isso só foi possível porque Lovecraft foi esterilizado pela cultura pop: todo mundo sabe quem é Cthullu, e talvez até tenham bonecos de pelúcia dele ( http://www.amazon.com/Toy-Vault-12-Cthulhu-Plush/dp/B0006IEX7C ) ou um ou outro joguinho em que ele aparece ( http://api.ning.com/files/qyqTosRGKaMQbLK4Nofg1-bbVHPy*QsQkK6k7U1u1lQs5VpAruRzBrO3zSgHsU4PsP0TXOimaIrJqxOhaXTh-jcm6rcrDWL3/cthulhu_scribblenauts.jpg )

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    9. Boneco de pelúcia do Cthullu!! Pô, senti acendendo meu antigo lado consumidor.

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    10. João Antonio Guerra20 de agosto de 2013 16:01

      Vou descer o braço no Teatro de Sabbath do Roth agora, portanto não procurei o suficiente pra achar tudo o que li sobre o Gabriel e a demência, mas dá pra começar por isto aqui: http://www.cubadebate.cu/noticias/2012/07/09/desmienten-que-garcia-marquez-padezca-demencia-senil/

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    11. João Antonio Guerra20 de agosto de 2013 16:04

      O Cthullu é famosão. Aparece em memes, joguinhos, brinquedos, coisas assim. Ninguém lê o Lovecraft, mas Cthullu tem lugar certo no lado nerd da humanidade.

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    12. Li muita coisa do Lovecraft na minha juventude. Aqueles livros difíceis de achar mesmo na época da Francisco Alves. Até um tratado sobre literatura de horror que ele escreveu _ O Horror Sobrenatural na Literatura. Mas nada dele me marcou mais que a história de Cthullu. Vou acionar mais uma vez meu lado Hebe Camargo, mas é inevitável: é genial.

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    13. A primeira vez que ouvi falar de Cthulhu foi ouvindo Metallica.

      (Pronto, depois dos filmes de terror, agora eu falo de heavy metal. Serei defenestrado, e com toda justiça!)

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    14. Já tive o cabelo bem grande e uma banda de rock, Fabricio, mas não fui propriamente um metaleiro. Gosto do That Metal Show, assisto-os todos. Do Metallica, só gosto do Master os Puppets, em especial Orion, mas me desentusiasmei com os caras após vê-los na defesa do Bush.

      Aprendi a gostar do ACDC com o King, que cita demais as letras da banda nos seus livros.

      Nada de defenestração. O Carlinus, o menos suspeito visitante deste blog, que tem um conhecimento enciclopédico de música erudita, adora o Sabbath, assim como eu.

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    15. João Antonio Guerra22 de agosto de 2013 16:29

      Depois que descobri que o David Foster Wallace gostava de ler auto-ajuda, deixou de existir a possibilidade de falar mal do gosto alheio.

      (Mentira, que de vez em quando me desce o santo Nabokov e eu saio por aí grunhindo e apontando dedos)

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  3. Também sou fã do Lovecraft, apesar de concordar um pouco com o que vai escrito no link http://carlosorsi.blogspot.com.br/2013/02/grande-cthulhu-85.html, lá no finalzinho, sobre a adjetivação típica dos textos dele. Lembro de ter sofrido para vencer algumas páginas do "Nas Montanhas da Loucura". Mas ainda assim é magistral!

    Cara, eu vi sim o "O segredo da cabana", mas não gostei muito não... Em se tratando de um fã incorrigível de coisas do tipo Sexta-feira 13, Halloween e Evil Dead (é, eu admito, mas tenho a desculpa de ter passado da infância à adolescência nos anos 80!), acabou que foi meta-linguagem demais para mim [risos]. É certo que aluguei com a intenção de ver uma coisa (que essa listinha de filmes aí em cima deve mais ou menos ilustrar o que seria) e era meio que outra mais elaborada. Se eu estivesse, quem sabe, num "frame of mind" mais adequado... enfim, qualquer hora revejo, para quem sabe captar essa ligação com o Lovecraft, que me passou de todo desapercebida.

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    1. Ai ai, eu de novo respondendo fora do lugar certinho ali... Desculpa, Charlles. (Só para não ficar um comentário de todo inútil: sempre achei a série Alien, pelo menos os dois primeiros filmes, esses sim filhos diretos da obra do Lovecraft. E já faz uns dias que ando com vontade de rever a Tenente Ripley... Bela ocasião, hoje, com o aniversário do Lovecraft. Tá decidido meu programa de hoje a noite!)

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    2. É, o estilo de Lovecraft é bem tosco, exagerado, etc; mas isso é típico da literatura de gênero, e acaba virando um charme. É para ler sem pretensões, para poder aproveitar melhor.

      Gostei do segredo da cabana como entretenimento, claro. Achei-o muito bom. Praticamente é a mesma história de Ktchulu (ou ctulhu, não me recordava bem do nome). Um deus que precisa ser alimentado para não despertar e destruir a humanidade.

      Gosto demais dos dois evil dead da década de 80. Aquilo é genial. Mas detestei o novo Evil dead. Nada a ver. Não tem uma linha sequer de humor, nem tão pouco o humor cabeludo que é característica dos dois primeiros.

      Viu os dois grandes clássicos dos anos 80 baseado na obra do Lovecraft? Re animator e from beyond? O primeiro é excelente. Lembrei-me dele agora; preciso assisti-lo de novo.

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    3. Essa refilmagem do Evil Dead tem essas liberdades... Se assistir desancorado dos clássicos originais, acho que dá de apreciar melhor. O trecho final todo sob a chuva de sangue é ótimo, estilisticamente falando, principalmente o clímax!

      Não vi Reanimator até hoje, o que é um lapso quase inacreditável para alguém da minha época e formação cultural [risos]. A caixinha do Reanimator nas locadoras, na seção de terror, é inesquecível, mas por uma dessas coisas da vida, nunca o aluguei. E From Beyond eu confesso que nem conhecia! Acho que não tinha nas duas locadoras que eu frequentava (minha memória para essas coisas é bem boa).

      Muito legal saber que, além de tudo, o Charlles gosta de filmes de terror... Assim minimizou um pouco o meu sentimento de culpa por ter maculado este blog com tema de gosto tão duvidoso [risos].

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    4. (Vai ser sessão dupla aqui em casa hoje: Alien e http://thepiratebay.sx/torrent/4778631/)

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    5. Uma vez contei, Fabricio, e deu 23 livros de Stephen King que eu já li. Até o Tommyknockers, eu posso me assumir como especialista em Stephen King :-), que é, sem sombra de dúvida, um grande escritor.

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    6. Re-animator é um espetáculo, Fabricio. Vá seguro.

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    7. Também gosto do King, mas não cheguei a ler tantos livros dele. Acho que foram uns dois ou três romances, e mais dois de contos. O que eu fiz foi ver quase todos -- se não todos -- filmes baseados em livros dele. Daí eu vi o Tommyknockers, It (morria de medo da capinha desse na locadora!), Sonâmbulos, A Colheita Maldita, Trocas Macabras, Pet Sematary, Dolores Claiborne, Às Vezes eles Voltam... Tinha aqueles que eram fitas duplas, eu adorava, horas e horas de filme (nos EUA eles passavam direto na TV como miniséries), tipo The Langoliers, The Stand (muitos fãs hardcore do cara garantem que esse seria o melhor livro dele. É um tijolaço -- o Ulysses do terror! Você leu esse, Charlles?)... sem contar, claro, os clássicos, Conta Comigo, O Iluminado, Carrie...

      Um fã insuspeito do King: David Foster Wallace.

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    8. The Stand? Seria o It, traduzido aqui como "A coisa", ou o conto que deu origem ao Stand by me, o filme com o River Phoenix? Li os dois citados por mim, o conto aparece no magnífico Quatro Estações, que tem a narrativa que deu origem ao Á espera da liberdade e o que deu origem ao O aprendiz, sobre a gurí que se faz discípulo de um carrasco nazista.O melhor que li dele é Zona Morta, um livro cabeça que tem uma ideia genial, e que gerou o ótimo filme com aquele ator que agora não me lembro o nome.

      Ah, reli o que você escreveu: The Stand é um calhamaço, não pode ser o conto. Não sei se por aqui foi traduzido como A dança da morte, que fala sobre o apocalipse. Esse não li. A maior parte dos filmes que citou vem de um volume de contos espetacular, o Sombras da noite, que tem o conto Ex-Fumantes e Cia, que também foi filmado (filme B), em que uma sociedade de vigilantes do fumo tem métodos para lá de inortodoxos e convincentes para livrar o fumante do vício.

      Tem muita coisa boa do King. Christine, por exemplo, o livro nonsense sobre um carro possuído por um demônio, mas que King o transforma em um romance de formação maravilhoso.

      Não sabia que DFW era fã do cara.

      Baixei todos os livros do A Torre negra, mas não consigo ler tamanha coisa na tela. King tem ficado muito auto-referente e chato na gabolice de seus milhões nos prefácios. Mas trata-se de um autor de escrita inteligente que é mais que simples diversão.

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    9. Errata: misturei dois títulos. É Um sonho de liberdade.

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    10. Isso, o livro The Stand deu origem ao filme A Dança da Morte (não lembrava do título), mas não sei se o livro foi lançado por aqui, e qual seu título, caso tenha sido.

      Esse primeiro de contos que você citou eu tenho, comprei recentemente para ler justamente o conto que deu origem ao filme Conta Comigo, que gosto muito. Os outros contos desse volume também são promissores, pois os filmes que fizeram a partir deles são bons. É uma das próximas leituras aqui.

      A Zona Morte -- The Dead Zone: boa lembrança! O filme é do Cronenberg (muitos bons filmes fez esse cara) e o ator é o Christopher Walken, cuja atuação no filme é tão boa e peculiar que eu lembro de ter feito uma brincadeira com minha esposa, assim que terminamos de ver o filme, anos atrás: a partir daquele dia eu só veria filmes que tivessem o Walken no elenco. E daí até hoje, quando vamos ver um filme, ela me cutuca, "ei, mas esse você não pode ver, não tem o Christopher Walken!" [risos].

      Ah, mas um comentário sobre Stephen King e cinema: tem filmes ótimos, mas também tem uns ruins demais... por exemplo, O Apanhador de Sonhos eu acho que é o pior filme que já vi na vida.

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    11. Tem um pior, dirigido pelo próprio King, sobre caminhões que ganham vida e parte para matar as pessoas. Não me recordo o nome.

      O dança da morte foi lançado aqui. É um calhamaço. Há uma versão editada, e uma versão sem cortes, que o King fez questão de lançar depois_ pelo que me parece, é uma das obras preferidas dele.

      Christopher Walken! Depois desse filme, passou a ser referência para mim também quanto a bons filmes.

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    12. Dou uma passadinha aqui para dizer que o Re-animator é realmente ótimo! Rendeu uma noite muito divertida ontem. Hoje vou tentar assistir o From Beyond.

      Lembrei aqui da musiquinha do filme Tommyknockers:"Tommyknockers, Tommyknockers, knocking at the door". Ia te perguntar, Charlles, se essa música aparece no livro também ou se foi invenção do filme, mas depois vi na Wikipedia que sim, a música está no livro. Faz muitos anos que vi o filme, mas nunca esqueci dessa musiquinha, era apavorante!

      Agora vou tentar me redimir: Charlles, viu isso?: http://www.booktryst.com/2013/08/a-gravitys-rainbow-archive-screams.html

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    13. Pô, Pynchon escreveu outro romance e vai lançá-lo esse ano!!! Que maravilha!!!! Obrigado, Fabricio, pelo link.

      Re-animator é um de meus filmes de terror preferido. É ótimo, e um tanto subestimado.

      Tommyknockers foi o último que li dele. Eu fazia o colegial, juntei grana do lancha por meses para comprá-lo (a edição nacional, "Os estranhos", era caríssima), e cabulei uma semana de aula para lê-lo em uma pracinha aprazível. Boa lembrança. Até lá para a página 100, o livro nada tem de terror, mas de conflito existencialista com o personagem escritor se despedindo do mundo antes da data marcada para seu suicídio. O incrível em King é justamente os aspectos humanos de todos os seus livros, que não são puramente servidos ao horror_ ou por isso mesmo são tão assustadores, pois acontecem com pessoas "reais", em plena luz do sol cotidiano.

      Bom demais que tenha gostado do Re-animator.

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    14. O fã compulsivo em mim acaba de alegar insônia permanente até ter em mãos Bleeding Edge. :-)

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    15. João Antonio Guerra22 de agosto de 2013 17:00

      Comecei com King. Lia a Torre Negra enquanto meus amigos liam Harry Potter, e fazia questão de deixar bem claro pra eles o quanto que eles eram umas bichinhas - o que era de um enorme poder argumentativo no ensino fundamental.

      The Stand no Brasil é A Dança da Morte, e nele tem um dos personagens favoritos do King: Randall Flagg, que aparece sob diversos nomes e formas em outras estórias, com seu papel definitivo sendo o do Homem de Preto que Roland persegue pelo deserto na saga da Torre.

      Aliás, já era incrível para o meu eu-pirralho o esforço que o King fez para tornar a Torra Negra a sua obra máxima. Há uma multidão de sutilezas - como essa do Flagg, a do antagonista ser o Rei Rubro do livro Insônia, ou até mesmo o fato de King ter usado a si mesmo como personagem, e ter imposto ao Roland a responsabilidade pela sua sobrevivência em um acidente de carro em 1999 - indicando que todos os mundos criados pelo King estão a mercê do que acontece no plano em que se situa a Torre.

      Mais sobre o David Foster Wallace: ele não só gostava de King, mas de best-sellers e até auto-ajuda. Dizia que os clichês são apenas verdades pessimamente aproveitadas, ou algo assim. Ele foi professor da Universidade de Illinois e deu um curso inteiro de literatura utilizando apenas best-sellers: http://www.openculture.com/2013/02/david_foster_wallaces_1994_syllabus.html

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    16. isso me remete a um pensamento perdido numa aula de filosofia outro dia, de q toda "evolução" na linguagem convergia para tautologias...

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  4. hj tá frio aqui, então vamos descer da montanha
    http://vimeo.com/36398302

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