sábado, 10 de agosto de 2013

Mozart, Violin concerto K271a, Mvt 1

Eu sou um cristão que por viver em contínuo conflito com a ideia de deus já não tenho mais o direito de alegar angústia. Minha concepção de deus é muito particular, e não se baseia em méritos. Sinto-me mais confortável com os "santos sem deus" de Camus do que com os que arvoram certezas em qualquer investimento em uma recompensa em um outro mundo. Toda a criação artística humana, desde a música, a literatura, à arquitetura, tem a noção de deus como base, e seria o fim do homem pragmatizar na vida social o fingir não se preocupar mais com as questões da transcendência. Deus é necessário_ leiam o A civilização do espetáculo, leiam Don Delillo, leiam Adorno. Cristo foi o maior reformador espiritual da história, e é por isso que rezo a ele, ou à ideia dele, todos os dias. Antes de ligar o carro eu faço uma reza particular, que a criei há tantos anos que soa como poesia. Vivo rezando, acho que rezo umas vinte vezes ao dia. Dentre tudo que li sobre a percepção de deus, a mais reveladora para mim está no romance Submundo, de Delillo, na página 263. Vou reproduzir aqui parte do texto: 

"'Pára por um minuto, ó ser fraco e miserável, e olha para ti mesmo.' Quer dizer, era eu que estava sendo destacado, num estado de pausa, pensando em mim mesmo, vinte anos de idade e mais burro que os meus colegas e desesperado pra encontrar um lugar onde eu me encaixasse. Pois eu li esse livro e comecei a achar que deus era um segredo, um túnel comprido e escuro, que vai e vai e não acaba mais. Foi essa a minha miserável tentativa de compreender a nossa nulidade em face da enormidade de Deus. Era isso que eu respeitava em Deus. Ele mantém o segredo dele. E tentei me aproximar de Deus através do segredo dele, de seu poder de se manter desconhecido. Talvez a gente possa conhecer Deus através do amor ou da oração ou de visões ou do LSD, mas não através do intelecto. E aí aprendi a respeitar o poder dos segredos. A gente se aproxima de Deus através do que ele tem de incriado. Porque nós fomos feitos, criados. Deus é incriado. Como é que a gente pode tentar conhecer um ser assim? Não pode. Não pode conhecer nem afirmar. O máximo que se pode fazer é adorar a sua negação." (Don Delillo, em Submundo)

Jamais vi minha forma de aproximação a deus retratada com tanta perícia. Quebra. A questão do milagre? A questão de que Jesus fazia apologia da inteligência combativa, e estava longe de ser passivo? (Muitos não entendem que o dar a outra face é a maior arma, o confrontar o inimigo com a lucidez constrangedora de sua estúpida brutalidade.) Meus filhos e minha esposa estão na casa de uma das avós, na capital. Estou sozinho em casa desde quinta-feira. Ontem minha esposa me liga dizendo que sua irmã grávida fez o ultrassom e o médico lhe disse que seu bebê não tem pernas nem braços. Fico num silêncio estuporado pelo telefone, ouço todo o vagalhão interno que isso começa a causar em minhas sempre instáveis âncoras existenciais. A Dani fala que sua irmã entrou em desespero, ligou para a mãe em um estado de choque, mas teve forças de ir até outro laboratório, fazer urgentemente outro exame e levar a outro médico. Esse outro médico disse, categórico, que seu bebê estava perfeito. Fui tomado por uma ira súbita pelo telefone, passei uma exageradamente severa bronca na Dani, pois ela deveria ter dito primeiro que tudo estava bem e que havia acontecido um erro de diagnóstico logo retratado, e não ter feito aquele suspense inapropriado comigo. Fui deselegante com ela, assim que desligado o telefone me arrependi. Sentei no sofá da sala e fiquei longo tempo pensando, mais em um estado catatônico que propriamente um espairecimento controlado. Tive um medo sônico de que se eu me movesse aquela frágil dobra do destino poderia se quebrar, e a escolha da providência poderia ser refeita. Acho que deve ser a mesma coisa que sentem aqueles monges irlandeses do conto do Joyce que passam a vida pedindo clemência para que deus reconsiderasse por mais um momento, desse à humanidade mais uma outra chance. Não pensar; sequer nem agradecer, nessa leveza magistral que nunca vai ser me dado entender, para meu benefício, pois assim descarto que entre os infinitos sentimentos do ser incriado, divida espaço o meu pequeno e inútil rancor.

E como não vislumbrar deus aqui?:

23 comentários:

  1. Bonita a sua confissão sobre (D)deus, Charlles. Aproxima-se bastante daquilo que creio, também, sobre espiritualidade. Há muito frequentei uma igreja presbiteriana. Contaram-me a história de um deus institucional, zangado, cheio de caprichos e caricaturado à imagem e semelhança dos judeus. Deixei de lado, ri sardonicamente na cara desse deus. Disse que ele era uma mentira. Uma fraude cosmológica. Alguém recalcado. Disse ainda que a mitologia grega era mais bonita do que tudo aquilo que me falaram sobre ele.

    Solidarizo-me com as suas palavras. Existe no ser humano uma voz lancinante que clama por espiritualidade. Uma espécie de necessidade do belo. E aí encontro a ideia de deus. É, por isso, que passei a me relacionar com a ideia de deus melhor quando dessacralizei a bíblia e passei a lê-la como um livro de literatura, evocando um grande teólogo alemão chamado Rudolf Bulltmann de espistemologia kierkegaardiana e heigeggeriana. Um personagem como Jesus certamente se assemelha a um Dom Quixote em sua sede pela verdade; ou um príncipe Michkin com sua necessidade de justiça. E aí encontro um apaziguamento necessário às minhas necessidades. Existem hinos mais bonitos que as sonatas de Beethoven ou de Mozart; ou a obra espiritual de Bach?

    Ser espiritual é encontrar poesia em cada átomo da existência, em cada centelha da vida. Nesse sentido, encontro a espiritualidade da afirmação da vida, sempre - como diria Nietzsche. Julgo o movimento ateísta essencialmente radical. É um fundamentalismo sem deus. Ou seja, uma religião radical que prega a ausência de algo, mas que torna essa mesma ausência em uma entidade que se sobrepõe a tudo.

    Abraços cordiais, Charlles!

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    1. Belo comentário. Só com essa visão inconceituável e que respeita nossa pequenez diante o "segredo" é que me dou bem com deus.

      Ah, por favor, se achar esse concerto entre seus milhões de arquivos, me passe o link para o download. Como te disse em seu seu blog, há anos a procuro e só fico olhando o vinil aqui, já que não tenho mais toca-vinis.

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  2. Eu vislumbro um ser humano genial como artista que foi Mozart.

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    1. Isso também. Mas será que ele teria produzido tais maravilhas se ele se visse apenas assim?

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  3. Deus é um lamarkismo.

    Por minha parte, digo que tenho poesia dentro de mim, experimento do belo e do sublime sempre, sem no entanto admitir a existência de algo em que não há necessidade de crer. A Verdade, para mim, está acima do meu bem-estar; e pago caro por isso.

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    1. A questão aqui não é admitir. Eu não admito nada.

      (Bom que tenha comentado; gosto do tom oitocentista que vem empregando em seus textos.)

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  4. O RECITAL
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    Domingo retrasado, dia 04/08/13, participei de um encontro poético na Academia de Letras de Vila Velha, grande Vitória, ES. Lá, apresentei 4 poemas cuja temática foi a religiosidade. Fiz um preâmbulo a justificar tal escolha, quer dizer, a recente visita do papa Francisco. No planejamento da apresentação, senti a necessidade de posicionar-me relativamente ao tema. Assim, alguns dias antes, apareceu-me uma angústia: o que dizer? Sou cristão, ateu, gnóstico, agnóstico…? Afinal, que apito toco?
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    Após decidir a sequência de apresentação, ficou claro o caminho a ser trilhado: o primeiro poema trataria de um hipotético encontro entre Deus e um poeta que dar-se-ia através duma lenda…; o segundo, trataria da minha definição de deus (assim mesmo, com minúscula); o terceiro, abordaria o ditos 7 pecados capitais, sendo que, quando da “luxuria”, em síntese, chegar-se-ia a uma crítica feroz ao catolicismo; e o último, trataria do apocalipse, da escatologia, das últimas coisas, mas de tal modo que, dependendo da visão de mundo do ouvinte, a interpretação seria ambígua, isto é: poderia ser uma exaltação ao famoso livro de João ou, simplesmente, o relato metafórico de um cientista sobre o final do Sol, no estágio de estrela vermelha, ou seja, quando do processo de expansão que, de acordo com as previsões cosmológicas, devorará praticamente todo o sistema solar antes do grande final… e, dessa maneira, restando no fim apenas um silêncio, em pó, a obedecer a 2ª Lei da Termodinâmica… Situação difícil, pois a plateia seria constituída basicamente por católicos e/ou evangélicos, em sua maioria, e, talvez, dois ou três, contando comigo, seriamos o outro lado… Foi anunciado. Dirigi-me ao palco. Peguei o microfone, e…:
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    “Sou oriundo de uma família católica, portanto, está moldada em mim uma forma de pensar-sentir, que dizer, há uma fé, difusa, associada a Jesus Cristo… Embora não tenha sido um frequentador assíduo, até meus 18 anos estive próximo do catolicismo. Todavia, durante minha vivência universitária mergulhei no materialismo histórico. Até os 35, fui completamente ateu. Por outro lado, devido a problemas mentais e o nascimento de minha filha, a questão religiosa, paulatinamente, voltou a baila. Hoje, diria que sou um agnóstico teísta, isto é, creio que possa haver o Sagrado, contudo, admito que não possuo conhecimento suficiente ao entendimento do mesmo. Dois fenômenos parecem comprovar a transcendência: um é o amor humano; e, paradoxalmente, o outro e efetivo ódio humano, quer dizer: há um humano par dialético amor-ódio que necessita de uma síntese. Qual é ela? Efetivamente, não sei…”.

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    1. Bem, declamei os bichinhos, e o resultado foi um misto de aplauso e silêncio...

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    2. Ramiro Conceição11 de agosto de 2013 10:40

      ERRATA: "..e, paradoxalmente, o outro é o efetivo ódio humano,..."

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    3. A LENDA
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      Diz uma lenda que certa vez
      Deus e um poeta se falaram.

      - E, aí, poeta, algum plano imediato?

      - No momento, subir a escada, entrar no quarto,
      abrir as janelas…, pensar-sentir e encantá-Lo
      porque há muito adestro uma ameba em casa:

      já a ensinei a rir; vou ensiná-la a chorar;
      e, por último, a amar…; espero que,
      após essas lições, o bichinho vire
      um inexistente… “ser-humano!”.

      (Diz a lenda que Deus… chorou).


      OLHAR ATEU
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      Dentre os passos meus, naquela manhã vi deus
      no olhar ateu de um cachorrinho… que passava.
      Aquele deus não era tribal nem um assassino - de gays;
      não tinha escravos, terras ou altares justificados por leis;
      abominava políticos, padres, freiras, pastores e dízimos;
      não era uma lua mística, mas um sublime sol – objetivo;
      era um olhar enamorado que, agora, tento dar um nome,
      mas aquele deus não tinha nome; era qualquer homem
      ou mulher; era a luz d’estrelas num vagar dum vaga-lume;
      era um perfume a dizer-me: nem ouro que reluz é tudo.


      PECADOS CAPITAIS
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      A soberba é uma senhora
      pequena que se julga alta.
      Feia: imagina-se bela.
      Grosseira: idealiza-se meiga.
      Gorda: inventa que é magra.
      Ignorante: matuta que é culta
      mas a ininteligência urra
      porque a soberba é burra.

      Um corriqueiro vazio é a gula,
      um navio que não é cargueiro,
      um acúmulo repleto do nada
      duma classe que devora o mundo
      com frieza e crueldade sem fundo.

      A inveja ouve, olha, toca,
      degusta e fareja até a toca
      da inveja imunda do outro.

      Uma filosófica lesma metafísica é a preguiça:
      um sol sem energia; um poema sem palavras;
      uma verdade sem dúvida; um mar sem água;
      um universo sem estrelas. Ah… deixa pra lá.

      A avareza é folha seca
      que não quer ir à terra:
      é uma prisão de ventre
      que retém tudo sempre.

      Uma diarreia é a ira:
      de Marx – defecar stalin;
      de Jesus, o poder pra si.

      Um prazer perverso é a luxuria de bento XVI
      em hebdomadárias trepadas clandestinas
      junto a pedófilos do intestino corrupto do Vaticano.
      Porém bentinho, cuidado!...Não fique tão à volonté.
      Papai-do-céu não perdoa  Ele só finge que não vê.
      Além disso, exumar um morto para fazê-lo santo
      é sem dúvida um pecado contra o Espírito Santo.
      Aliás, lobo ratzinger, por que condenaste Leonardo Boff
      ao mesmo castigo de Galileu que disse eppur si muove?


      ESCATOLÓGICO
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      .
      Quando a inocência
      pousou na encosta,
      o mar se acalmou
      duma maneira que
      não se cria… mais.
      A lua acordou os girassóis
      quando a pé  pé ante pé 
      o sol… desceu a encosta.


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  5. Sou agnóstico, mas tenho meus pecados. Um deles é não me sentir nenhum pouco atraído pela música de Mozart. Certamente ela possui suas qualidades intrínsecas, mas, salvo algumas pouquíssimas coisas, acho a obra dele muito chata. Talvez por isso eu seja agnóstico... não vejo nem sinal de Deus na obra do austríaco.

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  6. Plenitude e perda

    Acordo com um sentimento de ausência de tudo; não há sentido, só há memória, e sua lingaugem é enganosa. No entanto, sob tanta ausência, parece haver alguma coisa ali. A revelação não é nova; percebo que me enredo novamente em jogos de memória, e eles me trazem imagens de filmes de Tarkóvski, justo quanto a dor de saber que o filho que esperei com tanta alegria revelou-se acéfalo, recomendando-me o médico uma operação para extrair a criatura sem destino, a não ser em considerando a possibilidade de possuir a fé absurda do nascimento de um cérebro na criatura estruturalmente já formada.

    Não tenho esperanças.

    Aguardo, sentado em uma cadeira sem estofamento, no saguão de um hospital, a extração do pequeno monstro do útero de minha esposa, cuja disposição não é diversa daquela de todos os suicidas que passaram por nossas vidas, e se perderam: mortos ou perdidos da coragem de morrer.

    Se estivesse no décimo andar do hospital, penso, pularia. Mas aqui estou no primeiro andar, d eum prédio de apenas três andares.

    Penso em correr e atravessar a avenida para ser colhido por um ônibus, um caminhão, mas com meu azar metafísico suponho que atravessarei a rua sem receber nenhum holpe, sequer de uma bicicleta, ou pior: no meu desespero, poderei me chocar com uma grávida à entrada do hospital, arriscando-a a perder o filho perfeito que certamente guardará dentro de si, feliz e imensamente gorda.

    Em que mundo estou, em que todos os esforços humanos não representam nada além de um esgar finito contido num sopro infinito a percorrer o Cosmos?

    À parte os nomes das coisas, que, segundo um livro, nos foi ofertado como obrigação a cumprir por um criador interessado em nossa própria criação, quão limitado é o poder humano em sua cadeia de bilhões de neurônios cuja química, como que por milagre, é capaz de conter memória de tudo que sentimos: não apenas imagens, mas também cores, cheiros, sensações, memórias de memórias?

    Tudo isso corresponde a nada.

    Toda minha angústia não tem ato de cessação, pois eis que chega à minha presença o cirurgião para dizer que tudo correu bem e, decerto amanhã mesmo, minha esposa poderá voltar comigo para casa.

    Sua casa, ele disse.

    Minha casa, eu rio da imprecisão. Minha circunstância, ele quis dizer: habitar em um conjunto de cubos fechados para meu conforto e proteção, quando nada me conforta e protege.

    A dor não passa, mas a vontade decai. Se ela morresse, minha esposa, será que enfim eu teria coragem de findar meus dias? O humor interno, horroroso, me indica que não: a morte de minha mulher seria para mim um golpe se esperança, maior do que minha própria morte.

    Tenho cantarolar uma música que me remete à alegria, ainda que temperada por aguda melancolia. Tudo se repete, mas não: a repetição só se dá por vício fanático de minha razão.

    Volto o dia seguinte.

    Minha mulher está ainda deitada. Acordou há pouco. Seu rosto está devastado, sua palidez me assusta. Porém, ela sorri ao me ver. Oferece sua mão direita, que acarinho entre minhas duas próprias mãos.

    Ainda bem que a humanidade não é extremamente severa consigo mesma, penso. E devolvo seu sorriso branco com meu próprio sorriso, tão inconvincente que a amargura provoca nela quase uma gargalhada - ah, se ela pudesse gargalhar!

    Isso, enfim, me faz sorrir com os olhos, plenamente.

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  7. [notei q tiraste um post, q tinha lido e não comentado, do ar, como faria com esse aqui]

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  8. Fui atraído para as montanhas rochosas onde as nuvens cinzas em revolta ordenada e sempre renovada me apontavam a presença do poder. Em êxtase fiquei paralisado diante da força da paisagem inconstante. O temor do início deu lugar a uma paz de espírito pela contemplação da força que me era revelada. Na antessala do trono já estava satisfeito pelo que me havia sido apresentado pelo borbulhar das nuvens cinzas. A Verdade revelada na montanha rochosa por uma força hostil e encantadora que me arrebatou. Era Ele que as nuvens escondiam, era o seu poder que movia aquela atmosfera, era a vida em ebulição constante que estava ali representada. Dormindo e ao mesmo tempo acordado, estando consciente em sonho, tendo o controle da situação, sabendo do que me era revelado naquela noite, me aproximei do trono de Deus e quase pude ver a sua face.

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  9. AOS OTÁRIOS DO “FORA DE EIXO”
    by Ramiro Conceição
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    EXTRA! EXTRA! EXTRA!
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    Foi descoberta uma desconhecida tribo do ramo antropológico Capilé. São aborigênes raros, oriundos de florestas ainda desconhecidas: Usp, Unicamp, Unesp, Uff, Uerj e outras que tais.
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    Sem dúvida são selvagens, mas arranham em mecânica quântica, porém são qudrúpedes economistas heterodoxos que, entre si, eliminaram revolucinariamente as relações monetárias, pois criaram uma nova moeda originária de ETs provenientes de outros planetas punheterios de um tal “ Pablito Caribé…”: o card!
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    Quer dizer, se um dado selvagem, ou uma dada, por exemplo, trabalhar 15 horas diárias recebe em cards… Entendeu? Não pode reclamar, pois a tribo desconhecida pertence à época do pós-rancor… Sacou?!
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    Assim, por exemplo, se um dado ou dada idiota estão fixos ao cotidiano duma casa, dita, fora do eixo, com 30 moradores a dividir socialmente cuecas, calcinhas, peidos, arrotos, cagadas, e outras cositas mais, próprias da tecnologia das ruas… Então, por exemplo, se um estúpido membro do chamado coletivo, conseguir produzir shows de um bando de mentecápitos desde Rio Branco, no Acre, até Porto Alegre, quer dizer, digamos, 10 eventos a RS 50.000,00. Então, um montante de RS 500.000,00 é gerado, todavia, o escravo-otário que crê “ser feliz” recebe em reais o equivalente a RS 1000,00; assim, enquanto a efetiva grana pinga na conta banco “coletivo” que não é banco, mas que, obviamente, é controlado por um bando de no máximo dez estelionatários, corruptos, sanguessugas, filhos da puta, potencias psicopatas, sexistas, agiotas, ladrões de galinha e caras de pau et caterva.
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    Contudo, pasmem, meus caros, o bandido mentor de tudo isso, que ultrapassa a imaginação da exploração dos mineiros ingleses, relatada por Marx, foi, com toda a pompa, entrevistado, NO “RODA VIVA” DA TV EDUCATIVA DE SÃO PAULO, recentemente.
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    Isto é, UM CASO DE POLÍCIA tornou-se entretenimento!

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    1. Cara, eu acho o seguinte:

      1) Enquanto os governos seguiram a rota das classes dominantes, o dinheiro público ia para ações de cima para baixo, tipo o que é feito na TV Cultura, um braço do PSDB na mídia e não mais que isso;

      2) De resto, seguiram para as mídias dominantes (e continuam indo, até hoje, com a diferença que o PT no governo, para diversificar os canais de informação, também investe - pouco, mas investe - em canais alternativos, e em sua própria Rede EBC);

      3) Com o PT no poder, repito, figuras como Capilé viram um canal de captação de recursos, que ele poderia explorar se sobrepondo aos artistas, recolhendo lucros exorbitantes e contando, para calçar seu empreendimento, com um discurso alternativo, supostamente inovador, repleto de jargões "quânticos" que confundem a rapaziada e põe todos a seu serviço, enquanto ele permanece posando de cidadão engajado e com orientação à esquerda;

      4) A grita da direita, enquanto isso, perde a legitimidade porque a direita, é patente, nada tem de democrática e, a depender dela, permaneceria a concentração de recursos em suas próprias correias de transmissão ideológica, sem qualquer investimento em canais alternativos de perfil cidadão;

      5) O que há também no setor público é um conluio com pessoas "expertas" como Capilé que, além de se por a serviço "da revolução", põe essa "revolução" a serviço do poder público, que necessariamente deve ser de perfil à esquerda para continuar investindo em sua prática, que não tem tanta conexão assim com seu discurso;

      6) Em meio a isso tudo ficam os artistas lesados e a população impressionada com a capacidade de organização de um "coletivo" que nada mais é que uma empresa de promoção e eventos bem fornida de recursos públicos, que não se importa nem um pouco com a sobrevivência dos artistas e sequer com a afluência do público aos eventos que promove porque, no final das contas, promovido o evento às expensas públicas, tanto faz se alguém comparece ou não - o dinheiro já está na conta.

      "Experto" o Capilé. Transformou uma empresa de promoção e eventos capitaneada por ele em uma ONG de mídia social, com toda uma discursada hábil para turvar as águas e a compreensão do que verdadeiramente faz. O tipo é mesmo um gênio; perverso, mas um gênio.

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    2. http://zagaiaemrevista.com.br/memes-mentiras-e-video-tapes/

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    3. http://passapalavra.info/2013/02/72682

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  10. Nesse teu movimento, está por nascer um outro
    Vejo aurora na escuridão
    (que bela escuridão que esconde onde se mostra)
    Rebentarão segredos no amanhecer
    - estejam prontos pra ver
    Pacientem os olhos no escuro
    Digam um silêncio tranquilo, coragem
    ...
    Virem o dia

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    1. Você poderia ter plagiado o Veríssimo e colocado como título "Mais uma da série 'Poesia numa hora dessas?'"...

      Mas, tudo bem; o problema é que na minha idade o dia seguinte está muito próximo, chega rápido, logo vem outro e, oh, dia, oh, azar, oh, dor, o subsequente pode não vir mais.

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    2. hahahaha poderia ter escrito isso mesmo, até pq o veríssimo, infelizmente, anda se rebaixando, não ao meu nível, mas em direção...

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  11. antes de ler o próximo post, e para não avacalhá-lo de cara, ontem fui ver os gols do fantástico (tortura) e acabei vendo um "bola murcha", Leonardo Freire, que fez eu ouvir na tv o nome da cidade de Itapuranga e lembrar de ti.

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