sexta-feira, 5 de abril de 2013

Meus ouvidos devocionais_ Mingus at Antibes


Tá bom, esse é meu álbum preferido do Mingus! É algo tão impossível de escolher o álbum que mais se gosta de Mingus, mas vou pelo critério de que este é o que mais escuto. Como tudo que existe de Mingus, as músicas parecem um milagre. São tocadas com uma facilidade, em uma esfera tão alta, que a única atitude positiva a se ter diante é da passividade bêbada. Gostaria de saber_ mentira, para mim pouco importa_ a quantidade de serotonina em meu organismo neste exato momento em que escuto a abertura de Prayer for passive resistance, e tomo o segundo cálice de vinho do Porto.

2 comentários:

  1. INSENSATEZ
    by Ramiro Conceição
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    Não sou um erudito em Jazz. Todavia, do pouco que vi e ouvi, se daqui a 500 anos, quiserem saber: “Qual a grande contribuição dos EUA à humanidade?”. Sem dúvida, a música e a dança dos negros norte-americanos, ops, afrodescendentes, são uma resposta óbvia. Por deformação intelectual, outras formas de arte dos negros supracitados não chegaram até mim…
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    No Brasil, na década de 60, quatro expoentes fizeram a ponte entre a arte negra daqui e a de lá, na minha modesta opinião: Tom, Vinícius, Baden e Lennie Dale (dançarino, branco, norte-americano, que andou por essas plagas, quando eu, um menininho, o vi pouquíssimas vezes na extinta TV Record… Não essa atual dos dízimos da tragédia humana).
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    Pois bem, Lennie Dale, à época, homossexual assumido, rigorosíssimo esteta, grego, dos movimentos oriundos de Heráclito e da dança dos negros, deu-me a dimensão sagrada de quem foi Nijinsky, bailarino imortal, que amei em minhas posteriores leituras adolescentes…, sem a possibilidade real de vê-lo dançar…
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    Como é possível tais personagens estarem guardados, com tanto carinho, em meu coração? A única resposta que encontro é aquela música que nasceu entre os negros da América… Ela me faz entender os Stones, o Led Zeppelin, Milton Nascimento, os Beatles e Sting a cantar “Insensatez”… (http://www.youtube.com/watch?v=jXQvmtsjz-M).
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    Então sou muito grato a Mishima por ter decido, eficazmente, perder a cabeça… Afinal, a Arte pra alguma coisa é útil…

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  2. Ramiro Conceição6 de abril de 2013 15:17

    Por viver em movimento, então, dos dois últimos pedaços poéticos deixados aqui, elaborei, nessa última semana, um terceiro, um novo que, a partir de agora, fará parte do inacabado “Jardim dos Castanhos”. Para minha surpresa descobri que se tratava, no final, dum estranho e impensável soneto…
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    CAVALOS
    by Ramiro Conceição
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    É… Não há um poema único:
    ao simples se junta o múltiplo;
    cada verso de muitas línguas é fruto
    vivo, morto ou escrito agora…, novo.
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    É… Não existe um único soneto,
    um único beijo ou ritmo, mas muitos
    que foram feitos, desfeitos e outros
    que na inocência serão bem-vindos.
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    Ser múltiplo é a única forma sadia
    de não se deformar a cada instante
    a alma inacabada a cada amálgama.
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    Que fique, então, a vez que vi o seu olhar
    e o amar dos cavalos naquela rua repleta
    de bípedes tais qual a mim: quadrúpedes.

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