terça-feira, 27 de janeiro de 2015

O maior lançamento de 2015


Programado para sair dia 5 de fevereiro, a Cosac Naify mata as possibilidades do mercado editorial já no início do ano de superar esse que é o maior lançamento de 2015, Absalão, Absalão!, de William Faulkner. Pela belíssima capa, que chega a ser mais bonita que a de Luz em agosto, pode-se imaginar que essa edição traz o mesmo primor e o mesmo amor que essa editora dedica a cada um de seus livros. Quem leu Absalão, Absalão! sabe que é o melhor livro de um autor cuja riqueza da bibliografia traz tantas obras-primas que chega a ser perigoso apontar uma como a melhor. Até hoje, só se podia comprar o volume em pré-lançamento pelo site da editora, que traz seus proibitivos preços de frete; eu vinha acessando os sites das principais livrarias e nada, mas consegui comprar pela Livraria Cultura há uns 15 minutos. Já li Absalão umas cinco vezes, em minhas edições escangalhadas da Penguin e da Nova Fronteira, e será um prazer ler mais uma vez agora em um acabamento que faz jus à sua relevância.

Minhas duas edições muito sublinhadas e anotadas

57 comentários:

  1. Eu comprei o meu ontem a noite no site da cosac, 50% de desconto naquelas promoções da madrugada que eles fazem. chorei de rir.

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  2. Invejando e odiando o anônimo.
    Gosto muito dessa capa branca de uma edição brasileira que temos, Charlles. Faulkäo de terno branco, muito nego véio na pose. Faltou só um revolver.
    Sra. Mamãe terá de enviar-me pelo correio.

    Ó:
    http://revistacult.uol.com.br/home/2010/03/trecho-inedito-absalao-absalao/

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    1. Pede para ela comprar do site da Cosac só para vermos quanto vai ficar o frete. :-)

      Para cá era de quase vinte reais.

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    2. O frete para Ribeirão Preto foi de 9,99. Total de 45 dinheiros nessa encomenda.

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    3. Quatorze reais e vinte e sete centavos para a ca-pital-dosuldoBrasilbahtchetriportoalegrê.* Mais uma vez, o Rio Grande sendo maltratado pela gente do Sudeste. Hora de um nova Revolução.
      Espero um desconto amigo da Cosac também. Acordarei cedinho para ver se acontece de novo.


      *https://www.youtube.com/watch?v=b3Uu53eZUWw

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    4. Aparece por 55 na busca da Saraiva mas näao üe possüivel selecionüaßlo.

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    5. Estava me referindo ao frete para a Alemanha.


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    6. R$ 114,92 para Alemanha. Nao sei por qual razão. Uma caixa com 20 kg sai por uns 400 e poucos.

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    7. Compensa comprar do site da Cosac, nessas promoções, quando se compra muitos livros, para ter o frete de graça.

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    8. Isso é verdade. Mês passado me chegou uma encomenda com 6 livros da cosac, o que é quase impensável de se fazer sem essas promoções. E ah, acabei de receber o meu "Absalão, Absalão!" do carteiro. Agora tenho que fazer até sair o resultado do vestibular.

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    9. ok...
      http://i.imgur.com/7nuGiVu.jpg

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    10. o meu chegou anteontem (e estou sem palavras)
      https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10205409039123155&set=a.2685884984076.233321.1164931897&type=1&theater

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    11. E você nem para compartilhar com a gente a notícia de que a Cia pretende editar os livros do Thomas Mann. Isso é uma maravilha!

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    12. Mas as traduções serão as mesmas, sim? Nada de substituir o Herbert Caro nas principais obras.

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  3. As possibilidades ainda estão aí. Ouvi dizer que esse ano vai sair uma nova edição de Em busca do tempo perdido.

    Foi um sonho ou um post foi deletado aqui no domingo?

    E aí, gostando de Segundos Fora?

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    1. Mas a tradução que temos do Proust é insuperável, enquanto o Absalão está fora do prelo faz três décadas.

      Gostando. Só que atravessou pelo caminho o excelente A questão Finkler, do Howard Jacobson, que está rendendo mais, engraçadíssimo.

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  4. Baita lançamento. Pena a demora para vermos sua obra completa pela Cosac.

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    1. Dostô pela Editora 34 também. Comentava-se na tradução de "O Adolescente" em 2012. Até agora, nem sinal.

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    2. Dessa eu não sabia, Paulo Eduardo. Mas eu deveria ter imaginado. Um dos únicos livros do Dostô que ainda não li foi O adolescente, porque é muito difícil achá-lo. Não consigo compreender também por que a Editora 34 até hoje não publicou Memória das casa dos mortos.

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    3. Me contento com as traduções indiretas da obra completa do Dosto na Nova Aguilar.

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  5. Ramiro Conceição28 de janeiro de 2015 19:15

    Não li Absalão…
    Mas padeço ou agradeço a uma fé, quase estúpida!..., em crer que se alguém comoveu um amigo então, também, me comoverá… Vai explicar!... (Eu não consigo!)… Portanto, corro o sério risco de enganar-me… Contudo, apesar de tudo, que se dê assim!…, pois os pássaros ensinam cantos aos seus semelhantes, principalmente àqueles que ainda não sabem cantar…

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    1. Ramiro Conceição28 de janeiro de 2015 21:46

      errata: em função do ritmo...: é melhor "cânticos" no lugar de "cantos"...

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  6. Absalão Absalão! não é uma boa obra para se iniciar? Ou é? Faulkner me causa medo. Mas ao mesmo tempo também causa vontade de vencer o medo.

    Do Sul, só li a senhorita Flanery O'Connor

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    1. Talvez seja melhor ler primeiro o "O Som e a Fúria", não? Para se conhecer melhor os Compsons.

      Será que o "Bleeding Edge" do Thomas Pynchon não chega aqui esse ano? Ou já chegou e eu, o grande desinformado, não fiquei sabendo?

      (O filme do "Vício Inerente" estreou nos EUA já faz tempo! No Brasil, parece que só chega em março...)

      Aliás, vocês alguns fãs de Pynchon que habitam aqui a casa do Charlles, conhecem esse site http://pynchonwiki.com? Eu fico horas e horas nele...

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    2. O Bleeding Edge ainda não saiu por aqui. Já tem tradução para o espanhol.

      Vi o trailer do filme no blog da Cia das letras. (Ou foi na Veja?, não me lembro.)

      Não conhecia! Há alguns anos, tinha um jornal virtual, "San Narciso", totalmente dedicado ao Pynchon.

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    3. João Antonio Guerra29 de janeiro de 2015 13:50

      De uma entrevista que o Galindo deu ao The Millions novembro passado: "I may or may not translate Pynchon’s most recent novel, Bleeding Edge. If my mentor and hero, the great Paulo Henriques Britto, is too busy, maybe I’ll get it."

      Ou seja: ou ele ou o PHB vão pegar o Bleeding Edge, e vai demorar um tantinho pra sair porque parece que a tradução ainda não está certa-certa nos planos de nenhum dos dois. Essa entrevista ao The Millions é muito boa, aliás -- você fica sabendo que o louco do Galindo demorou só um ano pra traduzir o Infinite Jest, ou que o título Piada Infinita que os tugas inventaram não é tão ruim quanto a gente pensava.

      Jura que não conheciam a Pynchon Wiki? Os leitores de Pynchon são todos amavelmente loucos. Eu mal tinha baixado o Bleeding Edge pro meu kindle, isso no lançamento!, e a wiki do livro já tava lá, prontinha. Uma que venho usando (li o livro em poucos dias, acho que um cadinho mais que uma semana, praticamente comendo as páginas, e aí imediatamente me pus a reler mais demoradamente e terminei no ultimo fim de semana) é a Infinite Jest Wiki:

      http://infinitejest.wallacewiki.com/david-foster-wallace/index.php?title=Main_Page

      Nunca li o Absalão na tradução antiga, e tô querendo muito pegar logo a da Cosac, mas por enquanto tô com algumas dificuldades com dinheiro. Preciso ir guardando pra conseguir comprar o Absalão, o Vollmann que a Companhia vai finalmente traduzir, e a reedição do Arco-Íris da Gravidade, quando ela sair; dos que podem esperar, tem o Padura, tem o Antonio Tabucchi (italiano apaixonado por Pessoa a ponto de aprender português e escrever um romance na língua do seu mestre), e também Bohumil Hrabal (obrigado, Paulo!).

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    4. João Antonio Guerra29 de janeiro de 2015 13:54

      Ah: não pude resistir e baixei o Inherent Vice do Paul Thomas Anderson. É um excelente filme do PTA, muito bom mesmo; quanto à relação entre essa obra e a original, o filme é Pynchon for Dummies -- até uma narradora pra explicar tintim por tintim pra plateia o PTA arranjou -- o que torna as hordas de resenhistas reclamando que o filme é ininteligível ainda mais patéticas.

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    5. Torço pelo PHB. Nada contra o Galindo, claro, mas o Arco-Íris da Gravidade ficou bom demais, além de PHB ter comunicação direta com Pynchon.

      Aliás, hoje achei umas revistas velhas aqui em casa. Umas tantas Entrelivros. E em uma edição especial sobre literatura americana, os caras dedicam duas páginas ao Paul Auster, e um quadradinho pequeno para Pynchon e Delillo juntos. Um absurdo_ eu não consigo levar o Auster a sério, apesar de aquele livro das ilusões dele ser até legalzinho. E, para pior as coisas, o resenhista diz que o principal livro do Pynchon é O labirinto da gravidade.

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  7. Vi você falando desse Finkler com alguém (Milton? Ssó?). Valeu a pena?

    Não entendo essa moral toda de Auster. O que li achei um lixo (sem querer ofender quem gosta). Nem gosto de falar assim, mas esse eu realmente detesto.

    João, leu algo de Hrabal? Enquanto não junta a grana, vê Trens Estreitamente Vigiados, obra prima do cinema tcheco, baseado em livro dele.
    Um dos meus três planos literários do ano (além de ler muito Canetti e terminar um livro de contos) e dar um mergulho na literatura tcheca. Kundera, Hrabal, Hasek, Tchapek, Klima, Havel, tudo isso em traduções diretas para o português (já comentando o texto sobre Maus), um milagre.

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    1. O A questão Finkler é muito bom. É um romance cômico, o que deve ser visto com cuidado porque algumas pessoas não gostam. Um humor tipicamente inglês, cheio de nuances, de leve ironia. Uma espécie de Martin Amis menos pretensioso e mais polido. Muito agradável.

      O Auster é um escritor honesto (pegando pela catalogação de valores do Hemingway). Li Leviatã e O livro das ilusões, e eles não me disseram nada. O tipo de livro que as resenhas entusiasmadas e o resumo nas orelhas são melhores que o livro em si. Os argumentos desses livros é muito bom, mas Auster trabalha eles com um inequívoco medianismo, transformando tudo em literatura bem feita, mas literatura menor. Em cada nação tem um Paul Auster: na Inglaterra é o Julian Barnes, no Uruguai o Mario Benedetti, em Portugal o Gonçalo Tavares, no Brasil o Josué Montello, na Rússia o Ivan Bunin, na França o Mauriac, na Espanha o Vila-Matas e por aí vai. São escritores não desprovidos de talento, mas com brilho moderado, com pressão sanguínea da Cinderela. Escritores cartoriais, ainda assim com suas parcelas de importância na literatura. Escritores que cumprem seu papel na sociologia da leitura em serem a opção quando as grandes tempestades e as grandes provocações do espírito querem ser substituídas, para um passageiro descanso, pelo conforto da serenidade inofensiva da poltrona e dos chinelos de feltro.

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    2. Padura compreendeu bem isso ao desejar ser o Paul Auster de Cuba.

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    3. "Pressão sanguínea da Cinderela" é ótimo! Tenho a impressão também que o Auster virou meio que uma figura pop, não? Talvez por causa daquele filme cujo roteiro ele assina ("Cortina de Fumaça", eu gosto bastante). Certa vez eu dei uma passada num festival literário onde a grande atração era o Auster, que leria o primeiro capítulo do livro dele que estava prestes a ser lançado, chamava-se "Man in the Dark", isso foi em fins da década passada. O esquema era gratuito, e a tendinha ficou abarrotada de gente, muita gente de pé ao redor só para vê-lo, como se ali estivesse uma celebridade. Depois ele foi até uma livraria ali perto autografar livros e a fila dava voltas nas esquinas da quadra. Eu não entrei nessa fila, mas a caminho de algum outro lugar eu passei bem perto de onde ele estava sentado autografando os livros, do lado de fora da livraria, e bem na hora em que eu passei ele atendia uma moça com um filhinho de colo, e ele me pareceu um cara simples e simpático, pois pegou sem maiores cerimônias a criança no colo e ficou brincando com ela enquanto assinava o livro da moça. E ele tem um jeitão de galã de filme noir das antigas, não? Talvez isso também influencie essa popularidade meio disparatada dele...

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    4. O Dave Grohl dos escritores. Simpático demais. (Tentei levar o Foo Fighters a sério, depois que vi a ótima série de documentários sobre a música americana que o Grohl fez_ realmente extraordinária_, mas não deu. Puro preconceito da minha parte, mas um escritor e um roqueiro não podem ter a cara daquele grande tio legal da infância.)

      Por falar nisso:

      http://www.ledzeppelin.com/

      Na esperança de que os preços dos cds abaixem para um nível terreno, mas parece que nunca vai acontecer. Vai ser um eterno fetiche.

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    5. O Dave Ghrol dos escritores: perfeito. Discutia justamente isso com outros amigos noutro site. Ninguém consegue entender a popularidade dessa banda tão sem sal.

      Documentários sobre música americana produzidos pelo Ghrol? Não sabia. Sei que existe uma série feita pelo Scorcese focada no blues, sobre a qual já ouvi muitos elogios...

      Eu tô economizando para trazer, na próxima viagem, uma cópia do vinil novo do Physical Graffiti. Ano passado eu comprei o III. Confesso minha fraqueza: Jimmy Page sabe levar meu dinheirinho. Quero dizer, essas coisas, obviamente, devem ter o consentimento do Robert Plant, mas me parece que o Page é o mentor delas. Plant parece mais ocupado lançando discos novos, alguns até bem aventureiros. Ouviu esse último que saiu no ano passado? Chama-se "Lullaby and the Ceaseless Roar" e eu achei muitíssimo bom.

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    6. Pô, esse comentário sobre Auster ficou muito bom! Mas eu acho que o título de "Auster brasileiro" fica melhor com Autran Dourado, meu parente que ninguém leu. Dá até pra fazer trocadilho.

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    7. Auster, Vila-Matas... Suportei ver esses nomes sendo menosprezados aqui, mas Autran Dourado não, não e não!

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    8. Então deixa pra Montello mesmo. Hehehehehe.

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    9. Rsrsrs. Só acho que o Montello tem uma literatura muito tradicional, diferente do Auster. Um brasileiro próximo ao Auster é o Bernardo Carvalho.

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    10. Mas o Bernardo é considerado por muitos como nosso atual melhor escritor. Montello eu nunca li, mas sempre via as prateleiras das bibliotecas públicas abarrotadas de livros dele. Vendiam bem, era muito respeitado, mas de certa forma nunca chegou realmente ao primeiro escalão, ocupado pelo Jorge Amado, Érico Veríssimo. Me pareceu mais o perfil para o Auster brasileiro, já que o Auster, presumo, futuramente, vai acabar em seu local convencional de escritor médio. Sou extremamente limitado quanto a literatura nacional, mas tenho uma admiração instintiva pelo Autran Dourado. Vai ver pelo que dizem os que o aproxima de Faulkner.

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    11. Meus olhos suaram quando li a comparação de Josué Montello com Paul Aster. Aí foi demais.

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    12. Pô, meu irmão, eu não comparei. Auster não tem nada a ver com François Mauriac, também, O que eu disse é que ambos ocupam um mesmo prisma, o da medianidade.

      E eu disse isso dentro da descontração irresponsável da caixa de comentários. Não estou fazendo o tipo sentencioso da Carol Bensimon quando escreveu aquele texto sobre o que ela acha ser qualidade literária com determinismo geográfico. Mas taí! Talvez nosso Auster atual seja a Bensimon, com tudo o que ela ainda vier a escrever.

      P.S.: sempre esqueço o nome da Carol Bensimon quando quero me referir a ela. Me vem na cabeça Denise Bottmann, que eu sei que nada tem a ver. Aí tenho que digitar no google "amavamos cavalo", para ver o nome.

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    13. João Antonio Guerra31 de janeiro de 2015 15:47

      Sobre o Auster, lembro de no ensino médio pegar um de seus livros da biblioteca e sentir a capa, que tinha uns relevos muito gostosos de passar a mão (vendo as capas agora no Google, acho que era o Invisível) mas foi só. Ainda lerei Paul Auster.

      O Autran Dourado faz parte da filharada do Faulkner, tanto quanto o Cormac McCarthy, só que cada um dos dois se parece com o pai à sua maneira, é claro. A escrita do Cormac é bem brutalhona, aquele dito minimalismo dos fraseados acaba que torna tudo mais esporrento, mais pesado do que o que normalmente esperaríamos do "mínimo", e isso é coisa mais do Hemingway -- tem uma entrevista do Cormac pra Oprah Winfrey em que ele declara que sua influência maior pras suas frases é o James Joyce, mas sei lá, eles são imensamente diferentes -- do que do Faulkner; já o Autran era um puta leitor das tragédias gregas, e seguiu o passo-a-passo do projeto faulkneriano, criando sua própria Yoknapatawpha: Duas Pontes, onde a terra literalmente engole os seus habitantes, suas casas.

      Enfim, é só pra dizer que o Autran é um dos brasileiros que eu tenho certeza que o Charlles vai gostar, se conseguir se resolver com -- é uma coisa que você, Charlles, acaba compartilhando com o Bernardo Carvalho: ele não se sentia próximo da literatura nacional, foi alguém de fora que o encantou com a escrita, no caso dele o Thomas Bernhard -- se resolver com o afastamento entre ele e os nacionais.

      E o outro é o Rosa. Toda chance que eu tiver de pentelhar aqui pro Charlles ler mais Rosa eu vou pegar :)

      (Charlles, cê tinha postado e depois deletado uma versão deste texto com um comentário sobre o Noites Brancas e dentro uma pequena passagem sobre a literatura inicial do Machado. Acho que vou te escrever um email mais tarde -- basicamente dizendo: Machado foi antirromântico e mesmo antirrealista até o osso desde o início, e os vícios professorais que metem nas nossas cabeças e estragam nossa capacidade de gostar dele e de tantos outros santos são o que o nome diz, vícios -- que o assunto é divertidozinho. E já que tô cacarejando sobre Machado, um comentário que deu vontade de fazer no texto da entrevista com os Monty Python mas que acabou que não fiz: procura A Chinela Tuca, continho do Machado tão monty-pythonesco que eu não consigo ler a parte do padre sem imaginá-lo como o Cleese.)

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    14. Do McCarthy eu li a trilogia da fronteira. É muito boa. Devo um post sobre ele, que não o fiz ainda porque está distante essa leitura e pretendo ler mais coisas do cara. A travessia, o segundo livro, é muito belo. Tem imagens faulknerianas nele bastante intensas. McCarthy pode dizer o que for, o fato é que é inegável que ele é um filho fiel de hemingway e faulkner. Chega a ser irritante no início ver o quanto ele emula Hemingway. Os diálogos são todos brutalmente hemingwayanos. E a junção dos períodos das frases com incessantes "e", em vez de vírgulas, é outro traço nítido de influência. Na verdade, acho que ele fala mais de faulkner e joyce para tentar se desvincular dessa obsessão pelo autor de ter e não ter.

      Acho o McCarthy bem curioso mesmo. Ele fez algo que a maior parte dos escritores gostariam imensamente de fazer mas tem um medo terrível: seguir fielmente apenas seu escritor mais querido, ser uma cópia descarada. E ele é uma cópia de Hemingway. Todos os belos cavalos, por exemplo, usa o adestramento de cavalos como ciência poética e esportiva da mesma forma que Hemingway faz com a tauromaquia. E é um belíssimo livro, não sei se já leu. Um Romeu e Julieta cruel mas carregado de seco romantismo.

      Às vezes retiro textos postados porque constantemente não estou bem comigo mesmo, e tenho receio de que uma amargura exagerada ofenda os frequentadores do blog. Mas me lembro desse texto: falava sobre Noites Brancas e como esse livro ingênuo mas impactante de Dostoiévski não me pareceu tão bom quando o li em meus 15 anos.

      Faz muito tempo que não leio Machado (estranho não ser nem um pouco lógico chamá-lo de Assis). Li todos os romances e um punhado de contos, como todos os estudantes brasileiros. Lembro que o que mais gostei foi O alienista. Mas deve fazer mais de 25 anos que não leio Machado. Vou ver se acho esse conto apontado por você. Aliás, não tenho nada dele me minha biblioteca.

      Tenho quase certeza que é o Harold Bloom que fala sobre os três principais autores faulknerianos: Pynchon, McCarthy e Ralph Ellison.

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    15. Não acho nem o Bernardo e nem o Auster medianos. O Autran merecia melhor divulgação da sua obra, a Rocco deixa a desejar, não tem nem um site decente, apesar de uma catálogo muito bom. E afirmo: Autran é (ou foi) o nosso Faulkner.

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  8. Vi o documentário no canal bis, Sonic Highways. Parte de uma pretensão do caramba de montar "o melhor álbum" da banda com uma imersão pelas raízes da música americana, mas o resultado ficou muito bom. Compensa ver. Reprisa constantemente.

    A do Scorsese já é um clássico.

    Esses cds do Led aqui no Brasil estão cem reais cada. Não dá mesmo. O Graffiti vai sair por uns 250, por causa do trabalho da capa, você vai ver. Só comprando no exterior mesmo.

    Vou ver se consigo ouvir o novo do Plant hoje, já que você o elogia. O Plant é bastante sistemático. Já viu essa demonstração incrível de integridade artística da parte dele?:

    http://g1.globo.com/musica/noticia/2014/11/robert-plant-recusa-contrato-de-r-2-bi-por-volta-do-led-zeppelin-diz-jornal.html

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  9. Charlles, diga-me depois o que você achou do disco do Plant. Tem lá no newalbumreleases.net.

    Ah, Sonic Highways! Eu li algo ligeiro sobre ele sim, mas não tinha entendido do que se tratava. Nem sei se tenho esse canal bis aqui em casa, mas darei uma investigada. E vou também, finalmente, atrás do documentário do Martin Scorsese. Faz tempo que não gosto dos filmes do Scorsese, mas um doc sobre música é outra coisa. Dizem que ele é um grande arquivista, colaborando muita na conservação e relançamento de discos e filmes antigos.

    É, eu lembro dessa notícia sobre uma nova reunião do Led Zeppelin. Li também em algum outro lugar que Plant e Page chegaram a trocar algumas farpas, na época, depois que o cantor sugeriu que o guitarrista deveria procurar coisas novas para fazer, ao invés de ficar reciclando as velhas. Não sei o quão sério foi -- prato cheio para a imprensa aumentar uns pontos -- mas talvez tenha inviabilizado de vez uma nova reunião da banda. Melhor assim, provavelmente.

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    2. PS: Espero que os amigos não fiquem chateados por eu ter sequestrado a caixa de comentários para falar sobre música, sendo o tópico original bem outro... Tenho um amigo, formado em Letras, é crítico literário e coisa e tal, que me falou certa vez que música é uma arte menor. Mas eu acho que ele tava um pouco bêbado naquela ocasião.

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    3. a MÚSICA como arte menor? bá, acho q o cara tava era SÓBRIO DEMAIS.
      vi plant ao vivo e não vazei meus olhos depois por puro egoísmo (?) hadhjadhg
      esse ano parece q vai ter ACDC em poa. não sou um apreciador, mas o povo fala e vi aquele dvd deles, o show é uma coisa louca mesmo.
      jack white em poa um dia depois do meu aniversário, mas agora não tenho dinheiro, já comprei jorge drexler, esse sim o show do ano.

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  10. O canal bis (88) é muito bom para quem gosta de rock de qualidade, Fabricio. Todos os dias passam shows surpreendentes. Ontem vi o Deep Purple em Montreux, de 2012. Outro dia o Plant com sua banda em que eles executam uma curiosa versão meio new age de Black Dog;outro o symphonic Yes, e um The Who com cenas do Moon desmaiando ao vivo detrás da bateria, e um show do David Gilmour com participação especial do David Bowie . Se não me engano, na próxima sexta vai passar um show do Zappa. Tem umas horinhas isoladas de pagode e Britney Spears, mas é só relevar. Os documentários do Ghrol são muito bem feitos. O episódio sobre o ambiente em Seatle pré-Nirvana é antológico. Depois você me diz o que achou.

    Neste canal tem também um excelente programa chamado "Minha loja de discos", em que cada episódio visita uma loja de vinil antológica pelo mundo. E o melhor: programa de excepcional qualidade feito por brasileiros. Mostra a espécie de religiosidade que existe em torno dessas lojas, com clientes fiéis e bandas alternativas se apresentando nelas. Uma das chamadas do programa mostra um senhor de 90 anos com um álbum debaixo do braço gritando para o vendedor aumentar o volume do som, assim que passa a tocar um rock da velha guarda. Me fez lembrar agora de uma cena do Sonic Highways em que o Ghrol pergunta ao dono de uma loja de vinil localizada em um aeroporto de Seatle qual álbum ele vendia mais, ao que o proprietário responde: "Se eu disser você vai encerrar a entrevista: Bleach"; logo o álbum do Nirvana em que ele não aparece.

    Ouvi o disco, e realmente é muito bom. Vou ouvir com mais atenção à noite. Plant tem minha mais alta admiração. Para mim, o maior vocalista do rock. Hoje mesmo estava sentado na praça, esperando trocarem o óleo do meu carro, ouvindo pelo fone o box de 4 cds lançado na década de 80 do Led, a única coleção que conheço que tem as fantásticas "travelling riverside" e "hey hey what can i do", e vendo o quanto ele é um músico de primeira grandeza, com o timing perfeito, a teatralidade, a introspecção, a sutileza e a força. Ouvindo Ramble on, pensei que nada poderia ser melhor que essa música. O quanto é bela a contenção dele nessa música,e aqueles solos do Page...! Sempre ouço essa música como se a ouvisse com o mesmo deslumbramento da primeira vez. (Nada me tira da cabeça que In God`s Country, do U2, é uma cópia bem feita e turbinada de Ramble on: o solo histórico do the edge é o mesmo do Page, repare). No show de 2007 do Zepellin em Londres, e admirável como Plant tem um exímio auto-conhecimento, como ele adapta suas novas capacidades da idade à música, sem artificialidade, com muito sentimento. Assistindo ao Gillan no show do Purple dito acima,não vi a mesma coisa. Gillan tenta retornar à juventude, o que fica forçado. Plant não, Plant se mostra um mestre completo. O Led é o Led!

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  11. Puxa, Charlles, veja como eu sou meio desligado: é claro que eu conheço esse canal, pois teve uma época que eu via sempre justamente esse programa das lojas de discos. Mas isso faz um tempo, na verdade. Realmente, não lembrava do nome dele. Vou dar uma olhada novamente neste fim-de-semana, já que a previsão diz aqui que teremos bastante chuva.

    Led é o Led: amém! E agora começa o fim-de-semana. Abraço para todos!

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  12. Estou mendigando cupons de desconto da Cosac. Obrigado, Deus lhe pague.

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