quarta-feira, 12 de junho de 2013

Respeito


"Força-te, força-te à vontade e violenta-te, alma minha; mais tarde, porém, já não terás tempo para te assumires e respeitares. Porque de uma vida apenas, uma única, dispõe o homem. E se para ti esta já quase se esgotou, nela não soubeste ter por ti respeito, tendo agido como se a tua felicidade fosse a dos outros... Aqueles, porém, que não atendem com atenção os impulsos da própria alma são necessariamente infelizes." (Marco Aurélio, Pensamentos)

Um comentário:

  1. Mergulhado no vinho azedo do tempo

    Viver entre dicotomias: o público
    e o privado; o bem
    e o mal; o belo
    e o feio; o bendito
    e o maldito.
    A lista é interminável
    a razão torna-se mecânica
    para que assim funcione, pois
    de outra forma, se perderia
    melancólica, em seus limites
    forçada a ver
    suas impossibilidades
    e a ruína de si mesma
    na figura de seu corpo inteiro.

    Viver é acreditar: valores
    perder e ganhar
    comprar e vender
    amar e odiar.
    A lista é interminável
    a razão torna-se mecânica
    para que assim funcione, pois...

    No ponto onde me encontro
    vejo a pequena parte do mundo
    que cabe à minha visão
    aos meus sentidos
    e à minha mente
    que tende
    a organizar.

    No ponto em que me vejo
    a imagem da palavra me trai
    e eu vago, quase demente
    mergulhado no vinho azedo
    de um tempo finito dentro
    de um infinito intocável.

    Amargo, frustrado, perdido
    apelo para algum tipo que fé
    apenas porque determinado tipo
    me comove: meu próprio deus
    ainda que herdado dos gregos
    desenho apagado na parede em ruínas.

    Então rio, gargalho até
    enquanto do gargalo de uma garrafa
    a vida escorre como tudo flui
    e a imagem visível consagra
    o espírito invisível: ela voa
    mas logo cai. Depois
    ri mais uma vez

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