sábado, 2 de março de 2013

Neste sábado desterrado do infinito


Abrindo um Porto e comemorando os 40 anos de Dark Side of the Moon, o magnífico álbum do Pink Floyd.

(Já fiz altas viagens com esse disco. Estou escutando o primeiro solo de Time neste exato momento. Não sei dizer agora o quanto essa obra representa para mim. Lembro de três fatos relacionados entre ela e minha vida, de certa forma banais mas muito representativos [tomei três cálices do Ferreira, por enquanto, então me aturem]: uma madrugada na capital em que ligo na rádio universitária e me deparo com eles deixando rolar todo o vinil, na íntegra, o que me passa a imagem de esquecimento_ como se eles tivessem se deleitado com a música e esquecido de a interromper; ou como se, às 3 da madrugada, soubessem que quem estivesse sintonizado na rádio, ficaria bastante feliz daquela permissividade; outra noite, no apartamento de décimo andar da minha mãe, eu com meus 25 anos infernizados, deitado no sofá da sala, absolutamente sozinho, e alguém lá nas quebradas das esquinas além da avenida atrás do prédio, em alguma casa entre os galpões e lojas de pneus, põe a rolar em máximo volume este álbum. O som parece tomar meia cidade; parece um evangelho whitmaniano; o cara por detrás disso, uma incógnita desde sempre, sempre me pareceu algum tipo de intelectual em exaustão, explodindo esse som como para educar a  vizinhança. O álbum foi tocado por inteiro, nenhuma viatura (passava das 22), só os solos maravilhosos do Gilmour. Essa cena ficou indevassável à minha audição do DSM. A terceira experiência é que puseram este disco na minha primeira de duas fumadas de maconha; um clichê de efeitos tão fajutas que só menciono o episódio como amadurecida contemplação de minhas besteiras.) 

11 comentários:

  1. Enquanto isso...

    http://www.youtube.com/watch?v=_ITsLnbPv2I

    http://www.youtube.com/watch?v=5Z5BviEBM1Q

    "Pra fazer sucçããão". Poetas. Maior banda brasileira junto com Raimundão. Estou arrependido de não ter ido a este show há quase 2 anos atrás. COMPRAREI O DVD. Volta adolescência ahsushauhshas

    Anteriormente estava curtindo o cd do Hugh Laurie (o Dr. House, o Tenente George de Blackadder). Bem bonzinho. E ontem ouvi cânticos da igreja ortodoxa no Youtube por umas duas horas sem razão alguma aparente, talvez influenciado pelo vindouro conclave e por uma estranha vontade íntima de unificar as Igrejas, para ficar conhecido como Matheus, O Unificador.

    Nesta semana ainda baixei o cd do Kendrick Lamar, a nova sensação do Rap americano. Fez um álbum bem diferente do tradicional, "good kidd, m.A.A.d city", e me agradou muitíssimo. Kendrick, com esse álbum e uma mixtape, já é um dos meus favoritos ao lado de Dr. Dre, Eminem e Nas.

    Não precisa enxotar, gente. Tô no cantinho...

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    1. O importante é que sempre seremos amigos, Matheus.

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  2. Ah, a busca não tá funcionando aqui.

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  3. Fico me indagando como uma obra de arte pode ter tamanha relação empática para um humano. Dark Side of the Moon é uma dessas obras que trespassam décadas a fio sem esmorecer nas profundezas lúgubres do indefectível ostracismo.
    Este é um álbum em que, toda vez que ouço (isso acontece desde meus 13/14 anos), parece se abrir um campo magnético-mágico no qual um infinito desterrado (plagiando o título do post) trespassa todo ser humano: e de súbito é noite. (citando Salvatore Quasimodo)
    Desculpem a quimera - culpa de "um pouco" de Jack Daniels retumbando nas entranhas
    Agora com relação ao meu comentário anterior, pelo jeito terei que comprar o Absalão!Absalão! disponível no mercado mesmo. O foda é que fiquei açulado em comprar o Faulkner em inglês. (da mesma coleção também vi volumes do Bellow, Kerouac e Roth - indubitavelmente a quintessência da prosa americana)

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    1. Leia-o em inglês, Rodrigo. Não quero que seja eu a te desmotivar disso. Eu já disse qual a minha sistemática na leitura de obras no idioma original (espanhol e inglês, que não leio mais em nenhuma outra), de que prefiro lê-las em boa tradução e depois recorrer à leitura do original. É que me interessa a fluidez da leitura, o prazer de tê-la na comodidade do português. Na bibliografia de Faulkner, existem apenas três título exigentes, que quebra a cabeça dos tradutores: O Som e a Fúria (obviamente), Desça, Moisés (principalmente pelo novelo linguístico de "O Urso": um livro que para mim é um dos melhores e mais sublimes do autor, e que há décadas se encontra esgotado por aqui, e que na minha antiga edição o tradutor saliente alguns "deslizes" de concordância ideológica na escrita de Faulkner, afirmando que as passagens são tão complexas que mesmo seu criador se perdeu nelas_ e, curioso, "O Urso" compõe as melhores páginas de Faulkner), e Absalão!, Absalão, que é um livro sem muitos experimentalismos mas cuja intensidade abduz o leitor para dentro das páginas sem piedade: as duas primeiras páginas dão o exemplo disso, uma narrativa movimentada.

      Faulkner tem a exigência de Proust, de que o leitor preste atenção em cada palavra, fique ligadíssimo.

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  4. Pra variar, esqueci de assinar:
    Abraço,
    Rodrigo

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  5. Um dos melhores discos de rock de todos os tempos, Charlles.

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