sábado, 18 de agosto de 2012

Um Convertido



Ramiro Conceição, num comentário lá no blog do Idelber Avelar (Ramiro, muito emocionado com essas suas palavras, cara! Exatamente o que eu penso sobre Ulisses):

Quanto ao Ulisses de Joyce. Levei um ano para lê-lo… Briguei. Mandei Joyce tomar no cu. Pisei no livro. Abandonei-o. Retornei. Cheguei ao fim… Percebi que eram diversos livros e diversos autores: num só. Percebi que a personagem principal era a linguagem. Achei extraordinários dois capítulos, o 17 e 18: o primeiro, por provar que é possível escrever um romance através da dialética; o segundo, pelo sucesso conseguido em expressar através da escrita o fluxo do pensamento. Percebi também em muitas passagens a origem de textos de muitos autores: por exemplo, a certa altura do livro Joyce descreve um cachorrinho que enterrava e desenterrava ossos, pois bem Elliot, em seu memorável “A Terra Devastada”, se utiliza da mesma figura de linguagem para descrever a tragédia humana acontecida no século XX; percebi também numa certa passagem algo que poderia ter inspirado Drummond em seu famosíssimo poema sobre a pedra no caminho (não tenho qualquer informação se isso foi possível; contudo li: estava lá no Ulisses). Percebi também que toda a linguagem direta usada, hoje, na publicidade dirigida às massas, estava lá. Percebi também a profunda revolta contra o domínio inglês sobre a civilização irlandesa. Percebi também a crítica ácida, principalmente, contra a Igreja católica. Percebi também o amplo domínio, em todos os campos da linguagem, que Joyce possuía. E percebi, principalmente, que Joyce era um erudito em semiótica: creio que o Ulisses poderia ser considerado um quadro de Miró feito de palavras. Contudo, qual a minha grande crítica ao livro de Joyce: o rigor da forma, do estilo, atrapalhou o fluxo dinâmico do livro. Para mim, centenas, centenas e centenas de parágrafos poderiam ser eliminados sem que se perdesse a originalidade; por exemplo, para que o leitor entendesse a crítica à Igreja Católica, não seria necessário ler, praticamente, uma página inteira a listar somente nomes de santos, para mim, tal opção estética foi um erro; porém isso é um julgamento estético e, portanto, alguém, com todo o direito, pode achar o contrário. Mas gostaria de deixar claro: o que mais me comoveu foi conhecer o contexto em que Joyce escreveu tal obra, ou seja, Joyce levou até as últimas consequências, inclusive materiais, seu TRABALHO literário à superação da mediocridade contida em seu tempo; só por isso: ele deve ser lembrado, mas jamais cultuado. Portanto, creio que Paulo Coelho foi leviano em seus comentários sobre Ulisses.

41 comentários:

  1. Ramiro Conceição18 de agosto de 2012 22:39

    Grato, Charlles!

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    1. Poderiam ser eliminados parágrafos e parágrafos, mas, novamente, parafraseio o Mozart de Milos Forman: quais?

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    2. Pô, Charlles, sacanagem: listar as centenas e centenas de parágrafos que poderiam ter sido omitidos é uma exigência dum torturador. Ok, talvez tenha sido hiperbólico. Seriam na realidade centenas e centenas de linhas ou dezenas e dezenas de parágrafos.
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      O que quero dizer é mais ou menos o seguinte: você leu recentemente “O Grande Sertão Veredas”. Pois bem. Numa linguagem extremamente complexa, Guimarães conseguiu elaborar um colossal poema em prosa. Para mim tal obra pode ser lida em parágrafos estanques. Cada linha ali é poesia. Essa harmonia é que não sinto em Joyce. O texto é entrecortado: faltam as pontes harmônicas entre uma frase, ou parágrafo, e o seguinte. Ok, poderia se argumentar que o Ulisses é uma polifonia dodecafônica (aí já estou a entrar no campo do Milton Ribeiro: não tenho pedigree para discutir música em tal nível), mas resumindo: apesar de saber de Schoenberg, do experimentalismo de Cage, meu coração é amante de Bach e Beethovem. Limitação? Sim! Mas não somos todos de alguma maneira limitados? E veja, Charlles, nem estou levando em consideração, aqui, as críticas do Marcos Nunes que, com razão, considera o sertanejo de Guimarães uma criação sociologicamente falsa, isto é, idealizada, quer dizer, personagens criados na imaginação de um intelectual, não na história. Contudo, considero como obra literária “O Grande Sertão Vereda” um dos ápices da literatura brasileira. Ocorreu-me, agora, a lembrança duma reflexão de Janer Cristaldo sobre a referida obra, que é mais ou menos a seguinte: Guimarães perdeu a oportunidade histórica de escrever o maior romance brasileiro, talvez mundial, sobre o homossexualismo. Janer tem razão, pois, se Diadorim fosse efetivamente homem, Guimarães teria escrito uma obra, por exemplo, no mesmo nível do Quixote de Cervantes. Não conheço a formação de Guimarães: não sei se ele era religioso ou não, porém em caso afirmativo, talvez, inconscientemente, tenha ocorrido uma censura moral, uma falta de coragem de ir até as últimas consequências que a obra exigia: pois se sabe que, na grande literatura, num dado ponto, a escritura DITA e o escritor, coitado!, edita! Bem, isso são conjecturas, somente conjecturas dum poeta que ama a escrita…
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      (continua...)

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    3. (continuação…)
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      Voltando. Cometi um erro na leitura do Ulisses: não fiz anotações nas páginas. Deveria tê-lo feito. É que jamais imaginei que comentaria o referido na rede. Estou na segunda leitura, dessa vez vou criar um arquivo no qual constará minhas observações ao final de cada capitulo lido. Se conseguir sucesso na empreitada, paulatinamente irei publicando em seu blog. De antimão, não prometo nada, pois me conheço e sei o trabalho que isso me acarretará. Irei ler e anotar… Ler e anotar… Vamos ver onde se chega.
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      Quanto a sua reflexão sobre Saramago, considero que são duas coisas totalmente diferentes: uma é anotar uma lista de 200 nomes de santos da Igreja Católica como forma de estilo para criticá-la; outra, uma lista de pessoas que foram assassinadas por um bando de crápulas membros da “grande prostituta teológica”: aqui, creio que Saramago prestou uma homenagem histórica aos inocentes sacrificados. Atitude que considero louvável à memória sadia da humanidade.
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      Charlles, no mesmo comentário, lá no blog do Idelber, dei um conselho ao Paulo Coelho, ou seja, que por uma década ele não publicasse e que esquecesse da mídia, para recluso escrever talvez sua obra-prima. Um tema interesantíssimo seria a pedofilia no catolicismo; a farsa do sacramento da confissão que, com a desculpa da reconciliação com Deus, foi utilizado como instrumento à manutenção do poder hegemônico do catolicismo através dos séculos.
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      Paulo Coelho tem grana. A questão de sobrevivência não seria problema. Ele poderia contratar uma equipe de pesquisa para o levantamento de dados históricos à obra. Obviamente que, para tal tarefa colossal, ele teria de abandonar o seu bunker suíço, deixar de tomar seus vinhos de valores estratosféricos, o seu jatinho particular e etc… Seria algo parecido com a atitude de Francisco de Assis… Será que o Mago tem coragem? É necessário ter culhões para tal feito… E veja, Charlles, teria que ficar claro na obra que tal atitude não seria uma busca à qualquer “santidade” mas, ao contrário, uma busca ao sagrado que no fundo, no fundo, é ironicamente nietzcheano, quer dizer: humano demasiado humano.

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    4. Li o seu conselho ao Coelho lá, Ramiro. Você anda concentradíssimo e apuradamente inteligente, meu chapa! Maravilha de comentários, tanto lá quanto esse aqui de cima. Confesso que eu tinha muitas restrições ao Ramiro ensaísta, vendo seus ressaibos esquerdistas e patrióticos, como nossa discussão certa vez sobre Tolstói. Mas esses seus textos é de muita lucidez e gera muita reflexão. Ainda discordo de você sobre a gratuidade de algumas partes de Ulisses. Considero Ulisses tão próximo da perfeição quanto GSV o é em seus termos. Você definiu bem: GSV é poesia pura, requintada; Ulisses é dodecafonismo, vanguarda (odeio essa palavra, mas para encurtar...). Ulisses não tem o objetivo de ser poesia, não do ponto de vista lírico ou clássico. A poesia não é a única forma de beleza da escrita. Cada parágrafo de Ulisses é belo, mas não é poesia. Meu exemplar da Bernadina está todo rabiscado e anotado de cabo a rabo. A prosa de Ulisses é humana, filosófica e tudo. Lembro de um ensaio do poeta Joseph Brodsky sobre determinado livro que falava sobre Lenin, em que ele elogia assim o autor: "E podemos confiar plenamente nele porque ele não é um poeta." A poesia seria uma limitação para Ulisses. Joyce quis ir mais longe.

      Rosa era muito religioso. Acreditava num catolicismo reencarnacionista sertanejo. Falava várias línguas, tinha uma cultura borgeana, e dava seguramente as costas para a Ciência. Tolstói e Bellow também fizeram isso. Interessante seu insigth sobre o homossexualismo. Mas creio que Rosa não optou por esse caminho não por religiosidade ou qualquer outra coisa: ele já tinha um grande argumento literário em mãos.

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    5. Mas, querido Charlles, você acredita mesmo que a poesia é uma limitação da realidade? Creio ao contrário: a realidade é uma barreira a ser superada para que se chegue ao poético olhar sadio, porém desesperado! Qualquer realidade humana é antes concebida pela poesia. Todo o problema é que, artificialmente, foi separado o fazer poético da pesquisa física: terrível engano: todas as leis da física são poéticas, basta abrir o coração à inocência para concebê-las. A construção dum verso imortal tem a mesma força da descoberta duma lei física. Bem isso vai muito longe... Deixa pra lá, por enquanto...

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    6. Eu também levo a poesia muito a sério. Também acho que um verso equivale à descoberta duma lei física. Não me recordo qual crítico disse que as palavras de Shakespeare poderiam ser convertidas em uma bomba atômica.

      Mas a poesia não se limita à lírica e à forma em versos (sei que você não disse isso). Há muita poesia, uma poesia poderosa, em Nietzsche, em Schopenhauer, em Tolstói, em Dostoiévski, em Joyce. Faulkner se referia sempre a todos os escritores como poetas. Por exemplo: aquela primeira página de Ulisses para mim é belíssima, belíssima; a primeira página e todo o capítulo em que estão na Torre Martel; a leiteira chegando, o diálogo entre Mulligan e Dedalus. Isso tudo é arrebatador e belíssimo, e foram essas páginas que me pegaram de cheio e mostrou que eu estava diante uma criação sobre-humana.

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    7. Os gregos se referiam à literatura em geral como poesia. A tragédia, por exemplo, é poesia no grego clássico e pós-Alexandrino. Eurípides e Édipo Rex são poetes em Platão e Crisipus. Aliás o Estoicismo elaborou uma complicada física acústica e ótica para explicar o impacto da poesia no ouvinte e leitor através da visão e audição. Zeno e Crisipus produzem a piração de uma física acústica para estudar o verso de Homero.

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    8. A voce, Charlles, ao Luiz e à Caminhante (pra que ela, aqui, não fique tão sozinha...).


      A ESCADA
      by Ramiro Conceição
      .
      .
      A arte?... Ora, é a escada alada
      sobre o mar de fadas e de fatos.
      O artista?... Ora, é o decifrador,
      o carregador-cantor dos fados.

      Há uma escada no telhado.
      Quem subiu, e a esqueceu?
      Mas, se subiu, foi pra onde
      (acima há somente o céu)?

      Será que foi Sábato que, quase aos 100,
      morreu numa quarta longe do sábado?
      Será que alguém pulou, fugiu e deixou
      aquela escada esquecida no telhado?

      Talvez tenha caído d’algum helicóptero
      americano que invadiu o espaço aéreo
      ao seu bel-prazer como é de costume.
      Ou será que caiu de dentro dum ovni?

      Convoquemos a corja da grande imprensa.
      Organizemos uma miríade de intelectuais,
      de bandidos, digo, de políticos; de padres;
      de pastores; e não esqueçamos do dito
      papa bento com o seu defunto papa santo.
      Coloquemos de prontidão a armada!

      Afinal, quem esqueceu aquela escada?

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    9. Luiz, sempre que você mostra uma fresta das coisas que você estuda aí, me deixa muitíssimo curioso e querendo mais. "Zeno e Crisipus produzem a piração de uma física acústica para estudar o verso de Homero". Isso é instigante, cara!


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    10. Ramiro, sem querer atrofiar as interpretações de seu poema, apesar do óbvio trocadilho, Sábato morreu num sábado mesmo. Foi no mesmo fim de semana da morte de Bin Laden e do casamento do príncipe, e me lembro tive uma sensação de overdose de notícias.

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    11. Poesia vem de poíesis, que é um movimento constante, o vigorar da phýsis enquanto linguagem. Reduzindo muito, dá pra dizer que poíesis é "criação".

      Por sua vez, phýsis é tudo aquilo que é real, que aqui significa tudo aquilo que "é". Diz-se, assim, que minha mão direita, os monstros de Lovecraft e as opiniões do Idelber sobre Paulo Coelho são igualmente reais, ainda que esses dois últimos exemplos pertençam a mundos mágicos, cheios de fadas lindas e deuses antigos aguardando para comer cus humanos com seus tentáculos e/ou dentes.

      Voltando à poíesis: não é um humana, mas está nos atos humanos; há poesia no agir do escritor e do carpinteiro, daí ambos serem poetas -- aliás, Jesus não era carpinteiro à toa. Também se diz, pelos gregos, que há poesia numa folha que cai, pois ela é o real se manifestando em linguagem.

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    12. Paulo,
      consultei o Google e, efetivamente, foi num sábado:30/04/2011. Então desde já agradeço a sua observação. Terei que inventar um outro verso(se você soubesse a dor de cabeça que isso me dá...).

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    13. Eu sabia. Não quis dizer a data certinha porque ia ficar parecendo que eu tava de implicância, que eu tinha procurado no google de presepada. Mas é que meu último texto do blog antigo envolvia isso.(http://confrariadetolos.blogspot.com.br/2011/05/o-mundo-em-polvorosa.html)

      De qualquer forma, não sinto dor de cabeça em escrever versos. Tanto que fiz um poema sobre o tema.

      A grande arte recheia a existência
      A física senta e escreve o universo
      Contas redondas regulam a ciência
      Uma frase torta decepa este metro.

      Há quem procure as coincidências:
      Nomes iguais, talvez datas certas,
      A fuga do jogo em duas linhas retas;
      E um desafogo a suas consciências.

      Pois saiba da morte do argentino
      Uma brincadeira triste e divina:
      O artista e físico Ernesto Sábato,
      Quase fez cem. Morreu num sábado.

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    14. Cara, extraordinário poema... Por favor, me deixa complementar...
      .
      .
      POEMA QUÂNTICO
      by Ramiro Conceição
      .
      .
      Ser um assassino;
      um gênio; uma besta quadrada;
      milhões de átomos; um animal;
      um ser; um planeta; uma galáxia;
      esta ou aquela verdade:
      tudo - é probabilidade!

      Se da lama foi possível a alma
      num jogo aleatório de traumas,
      então por que da incerteza bruta
      não ser uma inteligência culta?

      Nunca se está doente enquanto se sonha.
      Sonhar é ser a beleza abrupta - da acácia,
      que nasceu, na feia cidade, com audácia.

      Então agora que penso-sinto tudo,
      viverei lúcido até o possível, pois
      se aproxima o segundo segundo
      mais curto.


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  2. Ramiro falando bem de Ulisses? Perdi um aliado.

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    1. Ah, não me venha com essa! Você já me colocou como geneticamente incapaz de gostar de Ulisses, mesmo nos momentos que eu disse que estava me entusiasmando. Dei uma brochada violenta e parei (embora o livro ainda esteja aqui, esperando).

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    2. Vou te mandar uma pilulazinha amarela, então. Não o Viagra, mas o Cialis, que é muito mais eficiente.

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    3. A pessoa não decide se quer apoiar ou jogar terra em cima...

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    4. A pessoa quando tá de má vontade vê vício em tudo. Eu não me lembro de ter desestimulado pessoa alguma.

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    5. E dizer o tempo todo que acha que eu não vou gostar não é desestímulo?
      (estou ficando constrangida, parece que estamos tendo DR em público)

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    6. Também. Isso aqui tá parecendo exame de DNA, e se alguém cantar o "Ah, elas estão descontroladas", juro que vai ser minha primeira censura.

      Desestímulo seria eu dizer a uma leitora imprevisível como você, que se emociona com Faulkner e acha Proust ruim, que determinada obra é ótima. Melhor afirmar logo que não vai dar conta e não é coisa para você, que quem sabe surte o oposto.

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    7. Psicologia reversa não funciona comigo, sou obediente...

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    8. DR total isso aí. Conheço um DR de longe, eu, um dos poucos especialistas homens em DR...

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    9. Não perdeu não. Continuo o mesmo...

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    10. Vocês falando que isso foi uma DR me deu vontade de falar uma que... melhor deixar pra lá.

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    11. Eu ia falar que nem comi e estou tendo DR, ou seja, só fiquei com a parte ruim...

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    12. fim clássico da DR

      [selo da DR]

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  3. Fiquei mesmo muito impressionado com esse texto do Ramiro. Ele tocou no cerne. Eu passei pelos mesmos passos que ele, e essa iniciação, essa batalha, é o grande triunfo do que uma grande obra literária pode fazer para uma pessoa. Isso o que difere Ulisses do coméquechama dos 150 milhões de idiotas que compraram a merda da auto-ajuda. Assim aconteceu comigo com Faulkner. Essas grandes obras são viscerais, depois da disputa nós jamais a esquecemos. São livros que impossibilitam a passividade do leitor: requerem sangue, a alma. Ulisses como um quadro de Miró: é isso! O Ramiro sabe, mas não o percebeu ainda: o excesso que ele acusa em Joyce é justamente parte do componente que o torna imprescindivelmente íntimo e eterno. Os nomes a que Ramiro se refere na crítica ao catolicismo: o Saramago refaz o mesmo artifício em duas páginas só de nomes de vítimas da inquisição, em O Evangélio Segundo Jesus Cristo. Na boa arte não existem excessos.

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  4. "O Convertido" é realmente um título conveniente.

    O assunto é: sacralizar a literatura é o mesmo que sacralizar os textos bíblicos. Nada é sagrado. Ulysses é bom? É. Tem defeitos? Tem, tem hora que enche o saco com compêndios de santos e afins. Coloca num altar? Não, no máximo numa biblioteca. Biblioteca é igreja? Não, se fosse seria melhor explodir. No caso, é melhor botar remédio para matar traças. Joyce é santo, é gênio? Picas, só um homem amplificado por palavras. Um pouco de desrespeito, por favor!

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    1. Marcos Nunes leu Ulisses? Sei não...

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    2. A propósito, Marcos, está impossível comentar em seu blog. Tentei em alguns post ao longo das semanas passadas e nada. Em seu mini-romance, então... cliquei e cliquei no add coment, mas nada.

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    3. Isso quer dizer: se você leu certamente acenderia uma vela diante do volume todas as manhãs. Beargh! Mais desrespeito, por favor...

      Esse negócio de comentários é esquisito mesmo, às vezes abre, às vezes não. O tal Microrromance eu só publiquei porque a Rachel não me deu nada para inserir, então escrevi um troço de qualquer jeito, e coloquei uma figurinha new age para zombar do próprio texto. Ficou bem ruim, mas não é para cobrar cientificidade de uma bobagem daquela, não é para cobrar realismo, embora pareça realmente um fundamentalismo às avessas, mas eu, como um "ateu natural", ainda considero mais fácil o percurso evolutivo do que um babaca a dizer "faça-se o céu, faça-se o sol, faça-se James Joyces, etc."

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    4. Pô, meu, meu comentário lá foi apagado! Censura, censura!!!

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    5. É, fui lá e encontrei seu pedido de desculpas. Não sei se é o formato, acho que o Blogger é que tá esquisitão; entrei pelo Chorome é ele me mandou sair com um aviso de perigo acerca duma possível contaminação. Troço escroto.

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  5. http://sul21.com.br/jornal/2012/08/um-convertido/

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  6. charlles, não sei se te referia ESPECIFICAMENTE ao blog do idelber, mas teu comentário sobre o toddy tá lá, mas no sul 21, onde há o começo do texto e o link pra ele...

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