segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Felicidade em 2014 para todos!



"Especialmente nos dias de hoje, não existe nenhuma razão para existir a menos que se creia possível fazer da própria vida algo decisivo. Para todos, para a humanidade. Isso exige uma certa quantidade de atrevimento. Uns poderiam chamar de ambição, outros de desfaçatez. Se tentasse explicar esse ponto de vista, decidiriam me amarrar em uma camisa-de-força imediatamente. Contudo, se você acha que as forças históricas estão mandando tudo e todos para o inferno, você pode resignadamente se juntar à procissão ou então se afastar; e se afastar, não por orgulho ou por outros motivos particulares, mas sim por admiração e amor pelos potenciais e capacidades do ser humano para os quais, sem exagero, as palavras "milagre" e "sublime" podem ser aplicadas." (Saul Bellow, A mágoa mata mais)

47 comentários:

  1. aquelas bolas q batem forte no peito, sem aviso. junto com título do livro, indica uma coragem nietzscheana... os votos ficam bem demais assim... abraço!
    [hj nasceu Laura, minha primeira sobrinha - impossível não estar em harmonia com as últimas palavras desta citação]

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  2. Rapaz, que ótima notícia! Tio babão. Parabéns!

    Que saudades eu sinto da fase do bebê, do cheirinho, dos choros estridentes e sem compostura de madrugada querendo a mamadeira.

    Se tivermos uma próxima filha, o nome será Laura. Belíssimo nome1

    Felicidades a todos aí, arbo.

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  3. Esse trecho é tão bom e exibe uma ideia tão bela e poderosa que chega a me comover. Que você tenha um ótimo 2014!

    Um abraço deste que durante todo o ano foi um de seus muitos leitores silenciosos.

    Fernando

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    1. Esse trecho é belíssimo e muito verdadeiro.

      Obrigado, Fernando. Que seu 2014 seja excelente.

      Forte abraço.

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  4. Charlles!
    Descobri seu blog há alguns meses e escrevo um comentário pela primeira vez.

    Tenho 18 anos e "despertei" para a literatura muito, muito tarde.Fato que me causa grande arrependimento. Porém, ao conhecer o blog, este serviu como um guia a mim e seus textos mudaram certos pensamentos e, com certeza, minha visão de mundo.
    Queria destacar esse texto em especial:
    http://charllescampos.blogspot.com.br/2013/07/a-doenca-da-leitura.html

    E gostaria de te agradecer profundamente!
    Feliz 2014!

    Paulo Eduardo

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    1. Obrigado, Paulo.

      Creio que não exista uma idade para se iniciar na leitura. Começar cedo tem seus benefícios, e creio que o maior deles é o assombramento diante a não compreensão.

      Feliz 2014, e um forte abraço.

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  5. João Antonio Guerra2 de janeiro de 2014 16:42

    Um ano imensamente alegre para ti, para a Dani, para teus pequenos, para o teu cão não tão pequeno assim, capaz de eu perder meu pescoço numa bocada só, não? e que a poesia tome o lugar do mar que Goiás não tem, sem que haja parede ou janela ou porta (ou Correios) com poder de barrar o barulho de suas ondas -- estou lembrando da descrição que Pynchon faz da ilha de Santa Helena, no Mason & Dixon que estou finalmente lendo no inglês.

    E aproveitando a lembrancinha pynchoniana, vou dar meu pitaco de estudante pedante no trechinho do Saul Bellow através duma de minhas passagens favoritas do tudo que já li, descoberta agora-agora no mesmo Mason & Dixon, mas primeiro: o atrevimento, ou qualquer nome enfiado entre a ambição e a desfaçatez, nada tem com caminhos já trilhados, planos já testados e praticados por outros, e justamente por isso chamariam Bellow de louco, como chamaram o Velho sem nome na Ressurreição de Tolstói, e sei disso pela passagem sobre a Passagem de Vênus pelo Disco Solar sendo observada pelo Mundo, esta:

    Somebody somewhere in the World, watching the Planet go dark against the Sun,-- dark, mad, mortal, the Goddess in quite another Aspect indeed,-- cannot help blurting, exactly at The Moment, from Sappho's Fragment 95, seeming to wreck thereby the Ob, --
    "O Hesperus,-- you bring back all that the bright day scatter'd,-- you bring in the sheep, and the goat,-- you bring the Child back to her mother."
    "Thank you for sharing that with us...recalling that this is Sun-Rise, Dear, -Rise, not sun-Set."
    "Come! She's not yet detach'd!"
    "Let us see. Well, will you look at that." A sort of long black Filament yet connects her to the Limb of the Sun, tho' she be moved well onto its Face, much like an Ink-Drop about to fall from the Quill of a forgetful Scribbler,-- sidewise, of course,-- "Quick! someone, secure the Time,--- This, or odd behavior like it, is going on all over the World all day long that fifth and sixth of June, in Latin, in Chinese, in Polish, in Silence,-- upon Roof-Tops and Mountain Peaks, out of Bed-chamber windows, close together in the naked sunlight whilst the Wife minds the Beats of the Clock,-- thro' Gregorians and Newtonians, achromatick and rainbow-smear'd, brand-new Reflectors made for the occasion, and ancient Refractors of preposterous French focal lengths,-- Observers lie, they sit, they kneel,-- and witness something in the Sky. Among those attending Snouts Earth-wide, the moment of first contact produces a collective brain-pang, as if for something lost and already unclaimable,-- after the Years of preparation, the long and at best queasy voyaging, the Station arriv'd at, the Latitude and Longitude well secur'd,-- the Week of the Transit,-- the Day,-- the Hour,-- the Minute,-- and at last 'tis, "Eh? where am I?"

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    1. Obrigado, João. Felicidades para você e sua família, e tudo de bom.

      Belo excerto!

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  6. Um feliz 2014 atrasado a todos! Especialmente a você, Charlie. Sabe que se esse ano você não se mexer, mando eu mesmo alguns dos seus textos, à revelia, para alguma revista. Acredito que contarei com o apoio de alguns dos colegas. Arbo, Matheus. Talvez do Marcos Nunes, visto que a fênix surge das cinzas lá no Milton.

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    1. Feliz ano novo para você e para a Claudia, Luiz. Espero que estejam bem, com bastante saúde.

      Tá bom. Vou me mexer nesse ano.

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  7. mnunes voltou? vou lá conferir...

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  8. Matheus Todeschini4 de janeiro de 2014 12:05

    Feliz ano novo a todos uma vez mais, pois não faz mal repetir.

    Um tempão sem saber o que achei de Bellow e seu Herzog. Acho que sei agora. Talvez. Gosto muito de sua escrita. Pelo visto seus personagens principais são sempre bem carismáticos, carregados de ternura. Preciso ler o resto, principalmente Sammler. A qual personagem pertence essas palavras escolhidas de A mágoa mata mais, Charlles?

    Ja ameacei o nosso amigo privadamente, Luiz. Penso que se mexerá de verdade. Senão...

    Terminei um ano e comecei outro descobrindo que Paris é uma festa chocha (e feia e fedida). Vale pelos museus e palácios. (O que ja é muito).

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    1. Essas palavras são ditas pelo narrador do romance, um especialista em literatura russa. Bellow, para mim, como comigo ocorreu com todos meus escritores preferidos, me causou primeiramente desconfiança, para depois fazer parte da minha vida. Não há um livro que eu possa dizer que é o melhor de Bellow, pois tudo que ele escreveu é imprescindível.

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    2. Bellow está à frente de seus contemporâneos em vários sentidos, Matheus. É uma das marcas de sua genialidade. Seus personagens fogem aos esteriótipos das escolas literárias. Não há ali excesso de depressão, de desgosto com a vida, do niilismo sofisticados da literatura descolada. Ele vai fundo nessas questões, mas se mostra livre dos aguilhões intelectuais. Era o maior escritor da língua inglesa da metade final do século passado, e dificilmente será superado, e podia se dar a esse luxo. Era deísta nessa nossa época em que ostentar ateísmos de boutique é o máximo em coqueteria de salão. Etc, etc. Ainda escrevo aqui um paralelo entre esses dois gigantes, Faulkner e Bellow.

      Só para se ter uma ideia, Roth há tempos que vem escrevendo uma literatura que se centra na depressão profunda da velhice e da doença. É genial também e de alto nível? É. Mas a literatura tardia de Bellow não se comprazia a essas lamúrias de alturas superioras. O cara sempre conservou uma visão predisposta ao assombro da descoberta, mesmo octogenário. Sempre existiu o magnífico Augie March withmaniano por detrás de tudo que ele escrevia.

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  9. Terminei o Invisible Man do Ellison. Realmente muito bom. Mas eu concordo com o diagnóstico tanto do próprio Ellison quanto do Bellow que resenhou o romance quando do seu lançamento. O Ellison parece que havia dito que intentara escrever a grande novela americana e que eventualmente falhara. O Bellow é bastante elogioso ao Ellison e ao Invisible Man, mas escreve que esse não era um romance perfeito. E cita alguns defeitinhos de Invisible Man. Como a apressada narrativa do breve love affair do narrador e protagonista anônimo. Minha impressão particular foi a de que o romance não peca por ser demasiado longo, mas de que algumas de suas partes não são tão bem amarradas. Inclusive o race riot no Harlem no final do romance.
    A introdução e o epílogo da obra atestam a estatura de Ellison, though. Formidáveis.
    Se Paris não é mais uma festa, isso é um problema nosso, penso. Veneza já também a uns bons ciquenta anos também não é mais a Veneza de Peggy Guggenheim e Hemingway e Mann. O turismo, que não é nem uma experiência tão recente assim, está a transformar o mundo numa grande expo, no anfiteatro dos nossos selfies.
    O Caribe nem isso é mais. Se tornou um slaughterhouse indecente de turistas de toda estirpe, dos ricos e das classes médias. Um slaughterhouse onde todos sabem bem a sua parte e fazem os seus papéis com o maior cinismo.

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    1. E o que posso dizer de História do Olho? Ainda não concluí a leitura. É um desses livros que se lê mais para entender a cabeça de certas pessoas, ou de certos movimentos intelectuais, que pelos méritros próprios da obra. É também dessas obras que precisa ser cotejada por um grupelho de intérpretes ilustres que a leram (o que talvez empobreça o mérito mesmo do livro, alguns acusariam). Roland Barthes jurava de pés juntos que História do Olho não tinha nada que ver com o pornográfrico explícito. Que os ovos que inadivertidamente vão parar no cu do protagonista e de Simone nos seus jogos libertinos são metáforas para o olho e tal. Algo mais ou menos como o olho que é dilacerado em Un Chien Andalou do Buñuel, que também sucitou uma série de interpretações célebres e canônicas. Acho que vista sob esse ângulo, quer dizer, sob o ângulo de uma espécie de programa do Surrealismo, História do Olho ainda exerce algum interesse.

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    2. Aquela velha questão de que todos os livros, por melhor que sejam, tem lá seus inúmeros defeitos.

      Esse Ellison é magnífico pela sua escrita, que é uma dessas raras manifestações em que se junta uma força adrenérgica calibrada e insana com alta carga de erudição e filosofia. Ele soube criar um discurso sobre a exclusão que me parece absolutamente inédito, que parte do preconceito de cor para ir muito além. É pura sinfonia e poesia.

      Sobre críticas de escritores a outros escritores, lembrei agora que na auto-biografia de Salman Rushdie, R. se pergunta o que Bellow estava fazendo com seus personagens femininos em seus livros tardios, e solta a advertência "cuidado, Bellow! Cuidado!".

      São pontos de vista.

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    3. Esse seu comentário sobre A história do olho deve ser em resposta ao Matheus, acredito. Não sinto muita empolgação em ler Barthes. Nunca o li. Há uma bela edição desse livro aqui pela Cosac, mas esse meu velho e renitente preconceito de leitor me conserva confortavelmente incólume a ele. Não sei nada sobre esse livro, nem sobre o autor. Talvez seja o oposto ao que eu imagino, mas literatura pornográfica não me agrada em nada. Por isso meu desprezo a Henry Miller. Uma coisa é literatura erótica, que em seus melhores momentos é sublime.

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  10. Georges Bataille não tem nenhuma relação com essa erotica a qual você despreza. Nenhuma cumplicidade com Anais Niim e congêneres. Bataille fez parte da vanguarda parisiense que catapultou o movimento Surrealista. Co-participante do Manifesto Surrealista com André Breton. Colega de Magritte. Criador da revista de literatura Surrealista dos 30, a Minotaure. Sua obra inspirou alguns dos filmes de Buñuel e Dalí.
    Já tinha algum interesse no cara por conta do Michel Foucault que hiperbolicamente o considerava o maior intelectual na França do século XX, acima de Sartre.
    Então escrevo no momento um capítulo da minha tese sobre a história do Olho na cultura Judaico-Cristã e Bataille escreveu uma crítica contundente ao olho na sua obra.

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  11. Perdão. Anais Nin (vai sem trema mesmo, que eu não sei fazer no meu teclado). Já imagino o Charlles tapando o nariz ao ler esse thread. Cheio de nojinho francofóbico. Francofobia também é crime, meu caro. :)

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  12. Quanto ao R. Barthes. Eu te pago um Chicabom e os últimos lançamentos da Cia das Letras se você ler Fragments d'un discours amoureux e não gostar.

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  13. Desculpe minha ignorância, Luiz. Vou atrás do História do olho. Agora reverto aqui nossos papéis e solicito que você me mostre esse seu trabalho, se e quando lhe convir. Eu leria com imenso prazer.

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    1. Isso que dá o preço da intimidade, me jogar na cara a francofobia. Uma das determinações de ano novo é me tornar mais leve, sem raivas desproporcionais e birrinhas. Você acha então que vale uma iniciação com Fragmentos em vez de Olho?

      P.S.: não resisto apenas à observação de que a França, em termos de intelectuais, esteve fraca no século XX, para que se diga que Sartre foi o maior deles. Andei pensando aqui para refutar, mas quem seria mesmo mais representativo do pensamento francês que o errático e equivocado autor de O ser e o nada? (Isso não é misantropia. Não estou descumprindo a promessa.)

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    2. Confundi os autores, para você ver o quanto entendo de Barthes e Bataille. Estava agora procurando o Fragmentos e o História do olho na Livraria cultura e me dei como... (ia escrevendo "asno", mas minha resolução também cobre mais condescendência quanto a mim mesmo).

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    3. Charlles, eu também tinha sérios problemas com Barthes, mas esses dias li MItologias e achei legal (apesar de sentir que ainda me faltou captar algo do livro). É uma série de ensaios filosóficos curtos sobre coisas do cotidiano francês da década de 50 - luta-livre, penteados de filmes épicos, detergente, plástico, vinho, seção de astrologia dos jornais. É interessante.

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    4. Me lembrou os deliciosos ensaios sobre a vida cotidiana em Paris, escritos pelo Italo Calvino. Há um ensaio dele, absolutamente trivial, sobre o sistema de coleta de lixo, com a tarefa minuciosa de colocar o tambor plástico de lixo para fora de seu apartamento, que me deixou impressionado.

      Estava pesquisando sobre Fragmentos, e me interessei.

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  14. Acho que você não vai gostar de História do Olho não. A não ser que tenha algum interesse pela história do movimento Surrealista. Já o Fragmentos do Barthes é uma gostosura de bom. Ensaios literários bem ao seu gosto, escritos por uma das cabeças mais geniais que a França já produziu.

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  15. Louis Althusser, M. Merleau-Ponty, M. Foucault, Claude Levi-Strauss, Roland Barthes, J. Le Goff, etc, etc. Realmente. A França foi muito mal das pernas no século XX. (Francofobia detected)

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    1. Reconheço e pretendo acabar com isso.

      Mas Foucault eleger Sartre entre todos esses que você apontou ai, é ainda mais descompassado.

      Levi-Strauss tem todo o meu respeito. Faço com ele o mesmo que Bródski fazia com Auden antes de o ler: a própria estatura humana do cara se impõe comigo. Li ontem um ótimo artigo da Piauí recente sobre Eduardo Viveiros de Castro, em que, confrontado em um congresso em Paris na época que ele anunciava o perspectivismo, teve o seguinte sarcasmo por parte de um dos intelectuais presentes: "Parece até que seus índios estudaram nas universidade francesas", ao que ele contra-ataca, fazendo óbvia menção e Levi-Strauss: "Pelo contrário, os acadêmicos franceses que vão ao Brasil para estudarem com os índios. Pará vai a Paris, e não o oposto".

      Também tem o Jean Delumeau.

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    2. Errata: quis dizer "Paris vai ao Pará".

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    3. Fico muito desconfiado com os textos da Piauí. Sempre sinto como se eles falassem ainda ao antigo brasileiro culto segregado do restante do mundo e que recebe as migalhas do que rola no exterior através do filtro do que é e do que não é sofisticado, ditado pelo arauto da imprensa nacional. Tenho a desconfiada impressão de que a Piauí é a rede Globo oitentista destinada aos espectadores com pretensão de esclarecimento. Na edição penúltima, de número 87, vem uma hagiografia típica sobre um matemático precoce genial nascido em nosso país, um ensaio de um dos donos da revista, João Moreira Salles, que aparece intermitentemente apologias de crianças pródigas da matemática como se estivesse reverenciando um novo Einstein. E sempre escuto o engulo de assombrada subserviência mental que ele pretende ouvir de seus leitores diante o sério brinquedo que oferece. Daí então vem esse ensaio sobre Viveiros de Castro, que me deixou muito interessado em ler algum livro dele, escrito por alguém que assina Rafael Cariello; esse Carielo cansa o texto, quase foge do assunto ao tentar tornar a coisa mais jornalismo literário ao tangenciar antigos conhecidos do Castro, e sua emulação aos textos padrões da revista, à lá Moreira Salles, é evidente. Segundo apreendi do ensaio, Castro é uma sumidade no meio intelectual francês e inglês, até mesmo europeu. Lembrei de te fazer essa pergunta em off, mas aproveito nosso assunto para fazê-la aqui: conheces por aí Viveiro de Castros?

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  16. O Foucault desprezava o Sartre. Ele chegou a falar mal do J.-P. Sartre no seu funeral. Um dos bafafás entre intelectuais mais interessante na minha opinião foi aquele entre Sartre e Foucault em meados de 64. O maior intelectual da França na sua opinião era o Bataille.

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    1. Estou meio fraco da cabeça hoje. Você disse acima que Foucault considerava Bataille maior que Sartre, tá bom, tá bom_ acabo de acordar e estou ainda meio groge.

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  17. Puta interessante essa anedota do Viveiros de Castro! Realmente. Paris vai ao Pará com C. Levi-Strauss. E Paris vai a Salvador com Pierre Verger.

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  18. Cara. Sei bem por alto quem é o Viveiros de Castro. Desmérito meu. Não dele.

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    1. Ele mostrou uma visão muito lúcida sobre a afasia da esquerda nacional, na linha zizequiana e lemondeana, e um severo repúdio à dominação do capital através da técnica alienadora. Muito bom o cara.

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  19. Estou lendo "A inconstância da alma selvagem", relançado agora pela Cosac. É uma ótima compilação de ensaios do Viveiros de Castro. O cara é um etnólogo com uma erudição incrível. Conhece muita filosofia, literatura, história. Percebe-se isso em seus ensaios. Além disso, seu estilo de escrita é bastante sedutor, lembra pouco a frieza da maioria dos textos acadêmicos. Enfim, um livro altamente recomendável.

    Fernando

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    1. Então há um livro dele pela Cosac! Valeu muito pela informação, Fernando. Será o próximo título da minha lista.

      O tal ensaio sobre ele citado acima merece ser lido, se você não o fez.

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  20. Lendo Minima Moralia embasbacado. Um Adorno bem diferente das parcerias com o Horkheimer.
    "It is Proust's courtesy to spare the reader the embarrassment of believing himself cleverer than the author."

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    1. Cheguei a Minima Moralia através de Edward Said, que dizia ser uma de suas leituras preferidas.

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    2. Minima Moralia le como uma versao Frankfurtiana de Seneca. Adorno analiza tudo, desde o casamento ate a mentira sob a perspectiva do fim da vida como tal na era da cultura de massa.
      Esse Adorno se faz superior ao Herbert Marcuse de Eros and Civilization.
      Interessante esse trajeto que te levou ao Minima Moralia.
      Preciso ler mais Said. Acabei negligenciando-o um pouco por conta da insistencia dos meus pares de se ter que ler Said. Quando as coisas sao ditadas assim eu empaco igual mula. (Desculpe a falta de acentos ortograficos)

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    3. Peguei aqui meu exemplar de MM. Todo o livro está sublinhado, de alto a baixo. Pensei em copiar aqui algumas frases que mais me impressionaram, mas a escolha de uma é um pecado contra alguma outra não mencionada. Há muitas maravilhas nesse livro.

      Tem singelezas como essa:

      "O amor conta as horas até aquela em que a visita transpõe a soleira e recompõe a vida desbotada num imperceptível: "aqui estou de volta, vinda do vasto mundo.""

      Diagnósticos como esses:

      "Basta um pigarro de Stalin para que arremessem Kafka a van Gogh na lata de lixo."

      "Os pobres são impedidos de pensar pela disciplina dos outros, e os ricos pela própria."

      Até lucidezes excessivas como essa:

      "Só a mantira absoluta ainda tem a liberdade de dizer de algum modo a verdade."

      Por isso que quando você veio com a medianidade do Adorno crítico musical, a impressão veemente era que cada um de nós falávamos de coisas diferentes.

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    4. Muito boa essa sua selecao. Tambem achei o texto do Adorno sobre a mentira remarkable.
      O texto que abre o Minima Moralia, que ele dedica a Proust e que trata da segregacao a que e submetido o intelectual fronteirico, que trabalha para alem das expectativas do establishment, e tambem formidavel.
      Os curtos ensaios sobre a vida do expatriado na America falaram fundo, como voce pode imaginar.

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  21. Charlles, recebi hoje o Munro. Foi uma surpresa, pois espero há semanas um livro de ensaios de Epstein que encomendei, e tinha certeza que era ele no pacote. Bem, foi uma boa surpresa. Pretendo lê-lo neste ou no próximo mês.

    Mais uma vez, agradeço por sua generosidade.

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