domingo, 8 de dezembro de 2013

1Q84, volume 2



Não queria ter que admitir isso, mas a leitura de 1Q84 vol. 2 está sendo um martírio. Comprei o livro assim que ele foi lançado, no início do ano, e comecei a lê-lo desde então. Venci umas 50 páginas e parei, coloquei-o na estante e me esqueci de boa consciência dele, até que nesta semana Murakami voltou à tona com a publicação no Brasil da terceira e última parte do romance. Como o manejo da minha biblioteca é bastante previsível, encomendei o livro e retirei o volume 2 de seu limbo e me impus terminar a leitura antes que o sucessor me seja entregue. Ontem parei na página 159, quando Tengo, um dos dois heróis do livro (o outro, ou a outra, é a assassina Aomame), recebe em casa a visita da então desaparecida e misteriosa menina Fukaeri, autora de um não menos misterioso e bastante improvável best-seller chamado Crisálida de ar. Pois bem, antes de mais nada estou aberto a aceitar que eu é que esteja definitivamente me tornando neurastênico e irritadiço, melancolicamente vaidoso quanto ao meu prepotente bloqueio ao que é tido hoje por arte popular, desfocado quanto a escritores que são aceitos como narradores puros, e outras possíveis acusações; e afirmo que eu gostaria muito de gostar muito de Murakami, de que eu pudesse ver em que meu talento de leitor está falhando para que tal falha seja corrigida.

Mas até então, até que eu seja convencido por uma hipotética voz da verdade, Murakami tem sido a pior e mais pesada leitura para mim dos últimos anos. Vou falar de uma vez: Murakami é um escritor bem mediano. Certa vez escrevi por aqui uma crítica da falta de proteína dos livros de Vila-Matas, mas com Murakami a coisa é bem mais séria. Vila-Matas tem um inegável talento literário, tem profundidade e astúcia erudita, ainda que seja chato pra cacete; já Murakami é tão fraco esteticamente e tão previsível e sem imaginação, que não me parece digno de que se faça contra ele uma avaliação nos mesmos moldes que se possa fazer contra Vila-Matas. E seria um espanto ver que Murakami há anos está cotado em primeiro lugar nas bolsas de apostas para ganhar o prêmio Nobel de literatura, se tais bolsas não tivessem nas mesmas listas gente como Bono Vox e Bob Dylan e não fossem uma falácia feita mais por descerebrados leitores de 16 anos e não conhecedores tranquilos do que é literatura real e encorpada. Murakami, me parece, se alastrou no meio literário como uma grife cuja enxurrada de citações ligeiras e disse-me-disse sem prova-dos-nove consegue se estabelecer como produto legítimo por pura inércia; vi uma vez uma entrevista de atores brasileiros que montavam uma peça, e que enchiam o peito ao falarem que se tratava de uma peça de Murakami, "candidato ao prêmio Nobel". Murakami é um reflexo do relativismo cultural e da baixa exigência sobre o que é entretenimento de qualidade que impera no mundo de hoje, o que acarreta na pragmatização do ditado de que uma mentira repetida muitas vezes acaba se tornando uma verdade.

E o ponto aqui não é que Murakami não tenha lá suas qualidades. Não é, definitivamente, um Paulo Coelho, o que é ótimo. Mas também não é um Dan Brown ou, o que poderia representar uma escala maior de comparações, não é um Stephen King, o que é um demérito a Murakami. O japonês é organizado, revela conhecer seus limites e trabalhar com segurança dentro deles, mas é justamente o fato da opinião inercial propagada em enxurrada tê-lo como escritor de primeiro time que talvez atrapalhe para a devida medida de apreciação que um escritor de seu porte ofereça. Suas frases são, digamos, horizontais ao extremo; seus diálogos são tão didáticos e explicativos, vindos de personagens bidimensionais, que parece exasperadamente com ensaios de teatro de escola preparatória, com as crianças recitando temerosamente de cor todas as longas sentenças. Nisso o leitor percebe a preocupação de Murakami em ser elevado e filosófico, em ser profundo. E Murakami é tão profundo quanto um pé de lúvio. As tentativas dele em metaforizar são tão capengas que provocam um tédio descomunal (tenho aqui em casa mais dois títulos principais dele, e de um fui até a página 100, a história de amor de Norwegian Wood, que talvez seja a sua obra melhor construída e mais humorada [humor que falta por completo em sua escrita], e o outro é Kafka à beira-mar, que me indispôs já naquele capítulo inicial cheio de simbolismos rasos e simplistas sobre fuga de casa e busca pelo sentido da vida). Murakami é um narrador puro, e seria bem melhor se parasse de se comportar como esses prefeitos de cidades interioranas cuja acirrada assessoria de puxa-sacos os fazem acreditar serem Winston Churchill, e passasse a ter a lúcida auto-aceitação do quanto pode tirar de bom de sua pequenez. Por exemplo: em cada capítulo de seus livros, Dan Brown oferece reviravoltas inesperadas e diálogos afiados e diretos, enquanto em 1Q84 a ação não anda por várias e várias páginas, ficando claro que Murakami tenta estender a coisa com interpolações psicológicas toscas e longas reflexões existenciais por parte de seus personagens que não passam de lugar-comum dos mais ostensivos.

Da página 50, de onde eu havia parado a leitura, até a 159, onde eu parei ontem, deixa eu ver, nada aconteceu. Murakami parece perdido, sem saber o que fazer com a história. Coloca, de supetão, um capítulo com a visita de Tengo a seu pai em um manicômio (que provavelmente não seja seu pai biológico, como ele suspeita), tão vazio e mal construído que qualquer leitor, por menor que seja sua proficiência ficcional, tem a certeza de que poderia encorpar a coisa com mais tutano, tornando-a interessante_ não mais interessante, mas interessante. Enquanto isso, Aomame adquire uma pistola com a intenção de se matar com ela caso seu plano de assassinar o chefão de uma seita religiosa fracasse; ela, uma assassina profissional exímia, caríssima, recebe instruções de como usar uma simples pistola automática de um guarda costa, tal instrução preenchendo três páginas, daí se seguindo um diálogo improdutivo de como se deve dar um tiro na cabeça da maneira certa. Ou seja, Aomame, por uma esquizofrenismo do autor, deixa de ser a mulher fatal para se tornar uma criança temerosa diante uma arma de fogo. E o que acontece depois? Uma série de improvisos à lá Lost para angariar a atenção já ensonada do leitor, como o artifício da morte inesperada da amante de Aomame, assassinada em um quarto de hotel, e a chamada telefônica que Tengo recebe do marido de sua amante, em que o marido traído diz, com um misterioso ar de ausência, que Tengo jamais verá novamente sua esposa. Essas ocorrências, que podem se tornar capitais futuramente, são narradas de forma indireta, a primeira através de uma notícia de jornal vista por Aomame, e a outra pelo diálogo telefônico. Após isso, a única coisa que faz a narrativa querer andar é a entrada de Aomame no quarto do misterioso chefe da seita religiosa, o cara mal que ela deve matar (ainda que não saiba usar uma pistola e ache que seja bem mais simples fazê-lo com um furador de gelo adaptado!); essa entrada é admitida pelos próprios seguranças do chefe, que revistam o corpo de Aomame mas, como por milagre (bastando acreditar que isso aconteceria: e é assim mesmo que é explicado no livro), eles não revistam a bolsa que visivelmente traz consigo, dentro da qual está o furador de gelo e a pistola.

Muita coisa em 1Q84 é inverosímel e terrivelmente infantil. O que mais se encontra por aí são opiniões profissionais de que Murakami é o mais imaginativo e engenhoso escritor da atualidade. Mas não é isso que se vê em 1Q84, uma trama que coloca como centro um livro infanto-juvenil escrito por uma adolescente autista, que talvez contenha uma chave para o segredo de uma facção criminosa disfarçada de fanatismo religioso, e... o que mais? Só! Tem também a referência do título e do ano que acontece a trama ao romance de Orwell, 1984, mas até agora não vejo o mínimo sinal de similitude, o que reforça a crença de que Murakami, mais uma vez quedado em sua função de ser profundo, usou Orwell para dar distinção intelectual a seu projeto despirocado. Vou terminar o livro, por mais que isso me cause sofrimento (estou determinado), e talvez a história mostre todo seu caráter sublime daqui para a frente, o que espero com toda sinceridade. Acontecendo, volto aqui para fazer a mea culpa.

                                                   __________________________________

"Se ela o matasse naquele momento, teria de escapar logo. E, se o serviço terminasse muito rápido, os rapazes no quarto contíguo poderiam suspeitar de algo. Ela havia dito que a sessão duraria pelo menos uma hora." (p. 173, 1Q84, Livro 2, em uma incoerência típica de Marukami: Aomame está fazendo uma massagem por meia hora em seu inimigo deitado de bruços no chão e se recusa a matá-lo imediatamente. Mas não seria muito mais fácil ela o fazer logo e ter uma hora de prazo para fugir dos guarda-costas?)

15 comentários:

  1. Fiquei na mesma situação. Até me empolguei com o volume 1, mas não fui adiante no 2.

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    1. Que bom saber que não estou sozinho nesta, Cassionei. Agora mesmo saí de mais umas páginas do livro, pensando que não gostar de ler deve ser essa sensação que eu senti enquanto lia.

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  2. João Antonio Guerra10 de dezembro de 2013 11:31

    Tenho uma indecisão bem insistente quanto ao Murakami: não sei se ele merece o Nobel ou se o Nobel merece ele; não sei se o superestimado é ele ou o Nobel -- um passarinho chato me disse que são os dois.

    O 1Q84 passa pela situação que eu tô vendo aqui com o Seu Rosto Amanhã do Marías: tanto ele quanto o Murakami como que decidiram, antes mesmo de se sentarem para escrever, que aquelas seriam suas obras primas, e obra-prima em suas cabecinhas significou livro-grande.

    A diferença é Murakami não é Marías: terminei 1Q84 decepcionado, e estou um dia adentro do Dança e Sonho, convencido de que Marías escolheu escrever um livro dessa extensão menos por um sentimento de obrigação, como um estudante vai fazer faculdade porque a universidade é um espectro que esteve sempre presente em sua vida de estudante, do que por saber que ele é um grande escritor e que só um grande-livro-grande deixaria isso inscrito no tempo.

    1Q84 é ruim, mas Murakami tem Wind Up Bird, que adoro, e também seus contos de After the Quake, e aquele livro de memórias chamado What I Talk About When I Talk About Running. Nesse terceiro, dá pra ver que Murakami é um escritor extremamente dedicado... o que não significa muito, porque Takashi Miike também é um cineasta dedicadíssimo.

    And now for something completely different: leio Murakami como vejo filmes trash como Hausu ou aqueles do Miike; já Mishima e Kawabata são meus Kurosawas.

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    1. Acho que não vou seguir adiante no Murakami. Li já o suficiente dele para saber das suas limitações e virtudes. Quiçá eu volte ao Wind Up Bird Chronicle (que eu atrasei a leitura por causa do retalho editorial que ele sofreu na mão da editora americana que o lançou aqui). Mas não vou encarar o 1Q84, acho.
      Mas discordo veementemente que o Murakami se quer tenha o seu nome citado perto de babaquices como Dan Brown e o precurssor maior de todo o lixo literário pop, o Stephen King.

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    2. Luiz, você me trouxe muitas influências para toda a vida. Esse texto aqui não é uma provocação. Apenas que qualquer leitor fica muito traumatizado se ler apenas 1Q84, do Murakami. Estou concluindo a segunda parte, enquanto vejo pelo site da Livraria Cultura que os dois Alice Munro que encomendei e o 1Q84 3, devem chegar na sexta-feira. Até agora, o livro está frio e difuso, mas eu lerei os livros até o fim. Ainda conservo uma simpatia pela inocência de Murakami. O cara não faz isso por mal.

      Stephen King é muito bom. Brown eu nunca consegui ler.

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    3. Murakami perto de Mishima, por exemplo, fica um verme. Mishima sim, aquilo é genialidade, aquilo é energia e espírito puro.

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    4. João, virou moda sentar o sarrafo no Nobel. Claro que é bem discutível os Darios Fos e as Toni Morrisons, mas o Nobel me apresentou muitos autores que, do contrário, eu jamais saberia que existem. E a maior parte deles excelente. Por isso, sem gracinhas da minha parte, acho que Murakami de 1Q84 não merece nem afigurar entre os laureados anedóticos do prêmio.

      Seu rosto amanhã é fenomenal. Me perdi nesse livro. Fiquei meses em estado de êxtase lendo os três volumes em sucessão e sem pausas. É literatura no que tem de melhor e em nível mais sublime. Quando li, pela primeira vez Marías, O coração tão branco, fiquei em alerta sobre as qualidades impressionantes do talento desse espanhol; Coração tão branco é uma obra quase perfeita, pela originalidade das múltiplas visões e múltiplas tramas sem conexão imediata que são usadas para dar coerência final ao romance. Daí estava preparado para ver as armadilhas que Marías colocou em SRA. Mas suponho que SRA não seja a iniciação correta a Marías (se é que se trata de sua iniciação a ele). Nesse romance tem o desenvolvimento de toda a mítica do autor que ele vem preparando sucintamente nos títulos anteriores, como se tudo fosse apenas um romance, no final das contas. Talvez o leitor de Todas as almas (meu preferido), e Negro dorso do tempo, esteja melhor preparado para enxergar as várias e gratificantes delícias de SRA.

      Concordo com sua última frase. Ver os defeitos de Murakami não me afasta dele, o que pode parecer contraditório. Acho Ian McEwan muito passável e superestimado, mas sempre o leio.

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    5. São patamares completamente distintos. É como esperar que Ray Bradbury e Borges se ombreiem. Aliás é mais ou menos por aí que eu tenho considerado o Murakami, alguém da estatura e de interesses parecidos com Ray Bradbury. Um Bradbury esvaziado dos valores de crítica apocalipsista da modernidade, sem os pavores noturnos do advento de um totalitarismo adormecido.
      Como disse a um tempo atrás (não quero me repetir), a virtude do Murakami está na demiurgia dos seus mundos de fantasia. Nem sei bem se ele é assim um grande narrador. (Seu texto denuncia que não). Mas ele continua sendo para mim o maior urdidor de mundos imaginários da atualidade.
      Que você já deveria ter deixado o Murakami estar e partido para explorar melhor o Mishima, eu mesmo já te aconselhei.
      Mas falando em influências, comprei ontem uma edição linda capa dura do The Invisible Man do Ellison. Sua recomendação me voltou agora justamente com certa ênfase depois que a minha veia existencialista veio à superfície por ocasião de uma péssima reprodução universitária do Huis Clos do Satre. Talvez retorne a Camus também agora no break do Natal. Vamos ver.
      Li também de um sopetão o Partículas Elementares do Hoeullebecque por insitência do Matheus. Achei bem bom, embora refute qualquer comparação idiota com Camus.

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    6. É bom que exista Murakami no mundo (parafraseando o Hannibal Lecter naquela conversa telefônica antes que ele parta para matar com requintes de sadismo ao diretor do hospital e os letreiros subam finalizando o filme). Não sei o que aconteceu com ele em 1Q84, para tornar esse livro tão falho: todos os personagens viram o professor Miyagi, com sentenças sábias e abstratas, com mensagens codificadas sobre o destino do homem; mesmo o assassino pedófilo que Aomame mata tem o direito de, antes de sua execução consentida, se mostrar uma alma superior de tom de voz aveludado e calmo. Talvez Murakami estivesse sob efeito de algum psicotrópico, seja real ou advindo da certeza deformante da fama. Mas é bom que 1Q84 tenha vendido 9 milhões de exemplares em seu lançamento. De alguma maneira, isso me reconforta.

      Realmente, Ellison é uma parte substancial de mim. Difícil sair incólume de uma experiência dessas.

      Não sei o que vou ler no natal. Se vou me lançar na Munro.

      Houellebecque nada tem a ver com Camus, além do idioma. Eu adorei esse livro (taí, talvez ainda peça o Plataforma pela EV, que custa dez pilas, e o leia no natal). Espero não ter cometido essa tolice de tê-lo comparado a Camus, na minha resenha (penso que não, mas, citando Marías, a gente esquece com demasiada rapidez o que escreve). Camus tinha ainda horizontes para explorar com seu niilismo altamente depressivo; H. já chegou à sua certeza confortável do fim e trata disso com esfuziante sarcasmo.

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    7. Foi mal. É Houellebecq né? Não me recordava que você tinha resenhado o Partículas Elementares aqui. Achava que era uma insistência do Matheus não correspondida.
      O paralelo entre Camus e Houellebcq quem traça de maneira quase afásica é a crítica. Aliás a contracapa desse Partículas mesmo traz algum idiota do Wall Street Journal (resenhas literárias do Wall Street Journal!!) chamando-o de Camus redivivus.
      Sei lá se o Houellebecq seque alguma cartilha filosófica e por enquanto não estou com disposição para ir aos seus artigos não-literários que servem como "chave" para entender os seus romances.
      Uhm, nesse mesmo dia vi no sebo em que comprei o The Invisible Man o romanção inacabado do Ellison e pensei em comprá-lo pra você. :)

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    8. Acho que o paralelo entre Camus e Houellebecq deve se dar mais ou menos da seguinte forma,
      1. Camus em L'étranger é decididamente anti-semita por fazer o protagonista Meursault assassinar um árabe sem qualquer motivo aparente (!!!)
      2. O Plataforma do Houellebecq se serve de uma xenofobia que incita sentimentos de ódio para com a população árabe da França,
      3. Ergo, Camus e Houellebecq são irmanados.

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    9. Sempre me confundo com a digitação de Houllebecq. Vi que o nome parecia que estava maior no seu comentário, mas só pensei "porra, que nome complicado esse!". :)

      Não vejo nada em absoluto de semelhante entre Camus e ele. Resenha do Wall Street Journal já transparece a aptidão para a caça preguiçosa do clichê mais apresentável. Forçando-se muito, seria mais parecido com o Sartre, ainda que também pouco tenha a ver.

      O que eu adorei nesse Particulas elementares é sua condenação da sexualidade patologicamente exagerada dos tempos atuais através de um exaurimento de cenas de sexo maquinal. Mesmo um adolescente na flor de seus hormônios deve ficar incomodado com a saturação libidinal dessas páginas. Nisso, nunca vi alguém como Houellebecq para passar essa mensagem tão bem, que o sexo é a mola motriz de nossa destruição e de nossa corrupção e de nossa danação. A sua ideia final da superação da fase sexual em um futuro do desenvolvimento biológico da humanidade é genial, equivale aos espantos transformadores das grandes distopias (a cena da estátua da liberdade no final de O planeta dos macacos, as cenas no Ministério do amor das torturas em 1984). Partículas elementares é obra-prima.

      (Não me atice, Luiz. Já estou em débito com você, mas o que pode ter por aqui que não tenha três vezes mais barato e na edição original aí no Canadá? Difícil retribuir presentes assim.)

      Hahaha. Essa sua lógica é o retrato da profundidade apressada de comparações da grande mídia tais quais essa entre Camus e H.

      Camus nunca falou sobre sexo da forma que Houellebecq fala. E Camus tinha uma aproximação em negativo de uma moral religiosa. Houellebeqc é comteano, na melhor das hipóteses.

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    10. Quer me presentear? Mande um texto seu qualquer da preferência sua para alguma revista literária e deixe de brincar de Faulkner pela metade.

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    11. Isso é que é generosidade: até quando solicita um presente o faz com o objetivo de embalar o ego do remetente.

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  3. Gostei muito:

    http://numadeletra.com/1q84-livro-3-de-haruki-murakami-51750

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