segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Algumas observações sobre traduções e sobre traduções de Dostoiévski



Eu sou um desses leitores que acreditam existirem traduções tão boas e que não devem nada às obras em seus idiomas originais. Acredito que uma tradução exemplar faz mais bem ao leitor, no que tem de fluidez das nuances da língua para a qual foi convertida e à percepção da riqueza de pensamento e estilo sem as obstruções de ritmo de uma língua alheia, do que a obra em seu idioma original. Em países da língua inglesa há mesmo um respeito tão grande pelas traduções que as melhores delas são apontadas pelo nome do tradutor, o que torna uma espécie de grife em que não estabelece a traição da co-autoria, mas a excelência reconhecida do tradutor ter sido um canalizador fiel para o obra legítima. Assim temos o Quixote de Edith Grossman, o Proust de Lydia Davis, o A Montanha Mágica de John Woods. Há um ensaio primoroso de Borges sobre as três traduções inglesas clássicas de As Mil e Um Noites, e aqui o argentino faz uma ponte sobre as gritantes diferenças entre elas, assinalando que mesmo a corrupção da norma, em casos célebres e esparsos, acaba por conduzir espontaneamente ao cânone; afinal de contas_ o leitor é levado a concluir_, Borges, assim como a grande maioria dos que foram mudados para sempre com as narrativas de Sherazade e que desconhecem por completo os idiomas árabes, só as leu através de traduções. 

Há também casos em que escritores notáveis reafirmam suas predileções pelas obras traduzidas. Numa famosa passagem de Extinção, Thomas Bernhard faz seu alter-ego ousadamente defender traduções de vários exemplares da grande literatura, dizendo que o inglês, ou o francês, deram uma vida insuspeita e um frescor adstringente ao que o idioma alemão obstruía com seu peso e sua seriedade. É fato também que Garcia Marquez em certa entrevista reportou que a versão em inglês de Cem Anos de Solidão transmite uma beleza clássica e uma presciência de perenidade que não é imediatamente tão visível no romance em espanhol. Há coisa de um ano, trocando emails com um amigo que eu só conheço pelas plagas virtuais, tal amigo me deixou espantado ao me dizer que um de seus professores do curso de letras rechaçou duramente sua iniciativa de escrever uma tese sobre Thomas Mann. Ou ele se prontificava a aprender a língua alemã, disse-lhe esse professor, situação difícil para as suas condições financeiras e a distância que estava de uma escola de idiomas eficiente, ou ele se restringia à sua insignificância técnica e se calava. O tipo de estupidez da qual só se pode adotar uma reação histriônica pelo pedantismo ególatra e ignorância de tal professor. Se seguíssemos essa premissa, não teríamos um dos maiores e mais extraordinários estudos sobre Tolstói e Dostoiévski publicado no século passado, pois George Steiner, assumidamente, disse nunca ter lido esses autores no original para cair sobre a obra deles, já que desconhecia o idioma russo. Não teríamos, simplesmente, parte considerável da ensaística e da ficção que hoje amamos e consideramos indispensável, pois seus promotores escreveram, foram influenciados, divagaram, sobre pessoas que conheciam profundamente, mas que se as encontrassem pela frente mal saberiam lhes dizer bom dia em sua língua.

Aliás, os russos foram um dilema de cem anos para os leitores brasileiros, em especial Dostoiévski. Os tradutores nacionais tem tratado criminosamente Dostoiévski. Antes da verdadeira revolução do universo da leitura acontecido no início desse século, com as aprimoradas e excelentes traduções feitas diretamente do russo da obra de Dostoiévski pela Editora 34 (que contratou, principalmente, Paulo Bezerra para tal missão), o que se via nas edições de Crime e Castigo, Os Irmãos Karamazov, Noites Brancas e A Casa dos Mortos, é de fazer tremer qualquer leitor aficionado e desmontar por completo a tese sobre o veículo produtivo da tradução exposta acima. Ninguém nunca leu Dostoiévski no Brasil antes do lançamento de Crime e Castigo da Editora 34, em 2001, pode-se afirmar radicalmente. Parece que o idioma russo era uma espécie de código marciano inexpugnavelmente intrincado para os tradutores nacionais, que nunca chegaram a se importar em aprendê-lo ou a buscar sequer uma aproximação mais intimista das cercanias dele. Eles escolheram percorrer pelo caminho mais fácil e sociologicamente revelador, através das traduções francesas, que mesmo naquela época pregressa eram já consideradas péssimas e cheias de maneirismos pomposos; mas mesmo assim optaram pelo francês por ser o idioma das elites (!). Depois que li Crime e Castigo traduzido do russo, comparei o texto de Bezerra com um Crime e Castigo antigo que tenho aqui. Cheguei à conclusão que é por isso que muita gente acha Dostoiévski um escritor de estilo medíocre, pois os dois livros são absurdamente diferentes. O francês mostra um escritor quadrado, cheio de adverbiações, com uma linguagem que pretende não chegar a seu objetivo mas ficar dando voltas em torno de um núcleo escritorial. Nada parecido há na tradução do russo, em que mostra um Dostoiévski que solta chispas elétricas em cada instante, cheio de coloquialismos e com ouvido maravilhosamente apurado para o registro urbano. A versão do francês comete o adulteramento inimaginável de cortar o que Dostoiévski tem de mais revolucionário: o caos e a fluidez de sua escrita.

Nestes últimos meses fui pego em uma de minhas ocasionais paranóias de leitor. Li três versões diferentes de um dos maiores livros de Dostoiévski. Trata-se daquele que fala sobre o período em que o autor esteve preso em Omsk, na Sibéria. Não falo o título de imediato não por preciosismos, mas porque já na capa aparece o problema: qual o título verdadeiro do romance? Os três que tenho oferecem títulos diferentes: Recordações da Casa dos Mortos, Memórias da Casa dos Mortos, e A Casa dos Mortos. Li, primeiro, o da Ediouro, um voluminho sem capa e sem a folha que cita o nome do tradutor. Insatisfeito com a suspeita gritante de que se tratava de uma das traduções adulteradas, procurei pela net se havia um trabalho do Bezerra pela Editora 34. Ainda não. Lembrei que a L&PM também se lançou à tradução do russo, publicando algumas das ficções menores de Dostoiévski e Tolstói (ainda que o Crime e Castigo deles seja a reedição de uma das velhas recópias francesas). Comprei um e me pus a ler. Só que o binômio dos tradutores não me deixou seguro, já que um deles é o Oscar Mendes. (Parece coisa de larápio, mas nenhuma dessas edições cita a fonte da tradução.) Mas o estilo escorregadio, o empacamento, e mesmo as absurdas diferenças na história entre as duas versões me deixou desconsolado. Um exemplo: há uma sopa de couve servida para os detentos, em que no livro da Ediouro o autor diz ser maravilhosa e, junto com os pãezinhos, um reconhecimento popular da cozinha do presídio; já na versão da L&PM, o autor diz que a sopa era horrível, de cheiro pútrido e cheio de baratas. Isso é só um exemplo; há vários, inumeráveis. O defeito maior é no que fazem dos diálogos. Os diálogos!, que são um dos pontos da grandeza do Dostô!

Procurei pela net qual a melhor tradução de A Casa dos Mortos do país. Informaram-me que só há uma vertida do russo, a da editora Nova Alexandria. Fui à Livraria Cultura. O preço do livro é salgado, mas eu estava em um ataque de compulsão. Ele me foi entregue em casa, um livro belíssimo, capa dura, muito bem editado, e com um adendo da indispensável carta que Dostoiévski escreveu a seu irmão assim que cumpriu sua pena. Nome do tradutor: Nicolau S. Peticov. Aí sim! A diferença da qualidade da prosa é impactante. Tudo ali é belo, intenso, honesto, visceral. Reconheci que quem escrevia era o mesmo autor magnífico de Os Demônios. A cena da sopa de couve? A sopa era horrível mesmo e coalhada de baratas. Mas mesmo aqui neste livro encontrei uma desvirtuação que corrobora uma certa tendência dos tradutores, mesmo os fieis, a fazerem um complô contra o autor russo. É no início do capítulo 3, intitulado Primeiras Impressões (II), em que é apresentado um velho religioso muito bom e pacífico, único o qual os demais presos confiam tanto que lhe entregam dinheiro para ser escondido da revista dos guardas. Pois bem, nas outras traduções informa-se que tal velho vem de uma aldeia chamada Staradúbovo, coisa que não é sequer mencionada na tradução da Nova Alexandria. Nicolau S. Peticov simplesmente mutila e suprime isso de seu texto. E como sei que ao menos nisto as outras edições estão certas? Por aquela frase popular de que toda mentira tem perna curta: muitas páginas adiante Dostoiévski volta a citar o velho, e aqui Peticov esquece de seu crime singelo e traduz: "entre eles o velho originário de Starobud" (p. 77).


46 comentários:

  1. Tem uns aspectos engraçados nessa questão da tradução do francês e não diretamente do russo:

    1) A antiga capital da república, o Rio de Janeiro, sempre teve pretensão parisiense, e desde o século XIX que a língua estrangeira a conhecer era o francês;

    2) Depois da 2ª guerra, a França, em guerra cultural com os EUA, crioiu, no Brasil, a Aliança Francesa, e trabalhou, via Estado, o intercâmbio Brasil/França, marcando gerações e gerações de intelectuais, acadêmicos e bobões de toda ordem, para os quais a cultura tinha nacionalidade, a França;

    3) Daí que mesmo Kafka era traduzido direto do francês, a exemplo dos russos, e os franceses, ao contrário do que imaginam os bocós, não traduziam outras línguas, mas as distorciam para caber na língua e estilo "franceses", o que quer dizer uma soma de pretensão com frivolidades e cenas de sexo, por exemplo, inseridas nos romances de Dostoiévski e que não estavam, absolutamente, neles;

    4) Depois da revolução bolchevique a literatura russa ficou sob suspeita, agravada com a ditadura Getúlio e a clandestinidade do PCB; tradutores de russo eram muito mal vistos, e continuaram a sê-lo até o fim do golpe de 64, com a maioria dos tradutores da língua russa fora do país ou impedidos de veicular qualquer coisa de origem soviética (e, é claro, a ditadura considerava todos os russos, horizontalmente, comunistas, desde Gogól, exceção nada nobre do carinha escroto que escreveu Arquipélago Gulag, editado no Brasil pela Biblioteca do Exército);

    5) O fim da guerra fria permitiu que os tradutores diretamente do russo colocassem suas unhas de fora; ademais, a cultura francesa perdeu seu impulso com o avanço do império do norte sem nome, e agora francês é basicamente coisa de viado, apesar do prestígio imerecido que alguns "intelectuais" e artistas franceses tem no Brasil, pois a academia ainda é a fina flor retrógrada a fincar o pé na nostalgia da "elite culta" brasileira, que seria aquela dos fins do Império, puta falta de autocrítica, pois 99,9% da classe dominante brasileira da época era ou ignoirante ou meramente analfabeta, o que não justifica nenhuma nostalgia, salvando-se o argumento pela entronização de exceções como regra, ou do próprio Pedro II com "imperador filósofo" que efetivamente nunca foi.

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    1. “…e agora francês é basicamente coisa de viado”.
      Querido Marcos (ops!), tenho a mesma constatação histórica dentro do seio dessa, dita, nossa, cultura brasileira. Por isso, há poucos anos escrevi:
      .
      .
      BRASILEIRO
      by Ramiro Conceição
      .
      .
      Todo francês é viado.
      Todo italiano chifrudo.
      Burrinho?
      É todo português.
      Todo espanhol é sisudo.
      Bosta?
      É a América da morte,
      calhorda… do Norte!
      Todo chinês é shaolin.
      Todo japonês, pintim.
      Todo argentino,
      da puta.
      Mas, nesta disputa,
      com tanta gente no mundo,
      com o que fica o brasileiro?
      Com tudo!

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    2. O poema a seguir tem origem em uma carta de Émile Zola (1840-1902), intitulada J'accuse (Eu acuso) e endereçada ao Presidente da República, Félix Faure, e publicada no jornal literário L'Aurore, em 1898, promovendo um debate público sobre o caso Dreyfus… (aos queridos leitores e leitoras – bem-vinda seja a sadia curiosidade!…).
      .
      .
      GIRASSÓIS PRA SEMPRE
      by Ramiro Conceição
      .
      .
      Não contarei os mortos de Paris,
      Nova York, Rio, Oslo… ou Madri.
      Não cantarei aos mortos de Bagdá.
      Não contarei os mortos do Haiti.
      Não cantarei, pois também morri.

      Ai de nós, porque a vida…estava aqui,
      está aqui e estará aqui, apesar de nós!

      Eu acuso a América
      de doente química
      do petróleo de Alá
      e de ave de rapina
      sobre tantas Bagdás!
      Eu acuso Washington
      de criadouro de ditadores
      e de abatedouro de inocentes,
      ao bel-prazer de vis tesouros.
      Eu acuso Manhattan de matar
      Lennon em todas as Brasílias
      do mundo.

      A grandeza de uma civilização
      não é a globalização do capital
      a roubar e a matar impunemente…

      A grandeza… de uma civilização
      são seios a amamentar gerações
      de construtores d’estradas entre
      estrelas, mares e palavras.

      Porém somos ávidos por ideologias,
      aptos à imundice de tudo... Contudo,
      há uma ética,
      uma navalha a separar
      canalhas...de canários.

      Eu preciso dessa ética pra viver.

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    3. Qualquer artista nasce e morre – a buscar a epígrafe…
      .
      .
      A CASA DO POETA
      by Ramiro Conceição
      .
      .
      Na casa do poeta,
      o comprimento é o tempo;
      a largura - a escritura;
      e a altura é o pensamento
      onde o firmamento mora.

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    4. http://www.youtube.com/watch?NR=1&v=ggaMIcb1z3o&feature=fvwp

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  2. As traduções do russo também podem ser ruins, claro. Só que aquelas coisas da José Olympio vertidas do francês. São piadas, né?

    O Marcos diz muito bem que saber russo foi, por muitos anos, coisa de comuna.

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    1. Não tenho nada a acrescentar ao comentário do Marcos.

      Se alguém quer ler Dostoiévski, tem que investir nas edições da Editora 34, e nesta da Nova Alexandria.

      Estava agora relendo o posfácio que o Carone fez para O Processo. Kafka foi profundamente influenciado por Crime e Castigo para compor essa obra, através da tradução feita do russo para o alemão. O que teria gerado se ele tivesse lido esses emplastros franceses?

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  3. e a tradução do Mário Quintana pra Mrs. Dalloway, que acham, Milton e Marcos?
    pergunto pq a Bianca tava lendo, achando meio truncado, disse q não sabia o q era, se a tradução ou apenas o ambiente aristocrático ainda não incorporado (está nas primeiras páginas). vimos q era o poeta Mário Quintana o tradutor, achei q fosse difícil ele cometer tal pecado...

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    1. Olha, não posso dizer praticamente nada, pois li este livro há uns 30 anos atrás (se não me engano, provavelmente sim - me engano), e nem sei quem traduziu, mas possivelmente foi o Quintana; tô até com um exemplar mais novo, da Cosac, com outro tradutor, mas nem sei se lerei (ele é da Rachel, tem capa dura e não gosto de livros de capa dura), pois tenho umas outras coisas inéditas pela frente, mas uma coisa posso dizer: como há uma enorme diferença na linguagem com o passar das décadas, certamente a tradução do Quintana, boa que seja, esteja antiquada, sendo melhor que um leitor que tenha o livro por inédito não o leia nessa tradução, mas na mais atual; embora isso não garanta sua qualidade, talvez garanta a comunicabilidade, ainda mais em se tratando do Quintana, que certamente deu uma arredondada no texto para torná-lo mais "clássico" e atender a demanda do leitor "clássico" ao "classicismo" de um texto que, já na época, era modernista, vanguardista.

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    2. Eu gostei do tradução do MQ, mas, como o MN, li nos anos 70... Dei uma revisada ano passado, mas minha leitura completa é de 40 anos atrás. Diga para a Bianca que a L&PM vai lançar uma nova edição direto em pocket com tradução da excelente Denise Bottmann. Tô só esperando.

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    3. E veja só, ela apareceu mais abaixo...
      obrigado pelas respostas.

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  4. Como não sou leitor de diversas traduções de Dostoiévski. O li apenas naquela coleção da Nova Aguilar… Lembro-me que chorei quando do Natal daqueles prisioneiros…
    .
    Perguntinha: será que teria chorado mais, ou menos, em outra versão? Creio que não. Amei desde o inicio a imaginação daquele artista - aquele cara, meu irmão russo, que nascera ontem…; mas que fundamentalmente se tornará filho de eras posteriores … Pra mim, Isso basta!
    .
    Afinal, o bruxo russo não é nenhum dito mago contemporâneo em que a magia em qualquer tradução estrangeira é superior àquela… digamos… original… brasileira. Não é verdade? Ponto

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  5. errata: "se tornara". O acento chegou de algum arco mago que mirara.

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  6. apenas um detalhe: as traduções de natália nunes (portuguesa) com acompanhamento de oscar mendes, que compõem as obras completas de dostoiévski na nova aguilar, foram feitas a partir do inglês.

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    1. Os editores deveriam oferecer essa honestidade aos leitores. No meu volume da L&PM, da tradução da Natália e do Oscar, não há especificação alguma; colocam o título do original russo na página catalográfica, o que, a meu ver, é um joguetinho malandro e anacrônico de querer enganar o leitor.

      De memória de casos contrários, só me vem a Companhia das Letras: "Dia de Finados" traz a notícia de que se trata de uma tradução do alemão (não do holandês).

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    2. P.S.: Denise, queria me manter elegantemente impávido, mas não vai dar: estou lendo a sua tradução da biografia do Van Gogh, embevecido, e é uma grande honra receber um comentário seu aqui. (Uma dessas coisas que me faz adorar a net.)

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    3. "Os editores deveriam oferecer essa honestidade aos leitores."

      É, meu amigo, fiquei numa dúvida cruel. Compro? Não compro, a coleção inteira? À epoca, acabara de chegar ao ES, sem mulher, sem amigo, sem papagaio...
      Levei quatro dias para tomar a decisão. Decidi. Dosto seria o meu único amigo, por longo tempo, nessas terras capixabas: comprei! Uma salgada nota!!
      E percebo agora pelos comentários, que fui enganado.

      Meeeeerda!

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  7. Eu li uma tradução do Kafka (posso estar enganado, mas ACHO que era da Ediouroç era um livro com capa vermelha e impresso em papel higiênico lixa grossa) que o tradutor não sabia escrever nem português.

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    1. Esses livrinhos fizeram parte da minha adolescência de leitor. Li A Metamorfose e boa parte do Nietzsche através deles. Que bom que o mercado livresco nacional tenha evoluído. Mesmo na época minha intuição apontava para coisas variadas que não cheiravam bem nesses livros.

      Aliás, um dos sites da Denise é um verdadeiro documento sobre a história da tradução e da adulteração dos livros no país:

      http://naogostodeplagio.blogspot.com.br/

      E não é que, ESPANTOSA E HISTRIONICAMENTE, a tradução da Martin Fontes para os Irmãos Karamazov é uma versão direto do russo, mas por a editora ter, simplesmente, pirateado uma tradução histórica de 70 anos atrás?

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    2. Eu odeio uma outra editora Martin, a Martin Claret. Além de quase tudo dela ser meio pirateado ou plagiado, quando tu pegas QUALQUER livro da mesma TU SENTES QUE TEM ALGO ERRADO.

      https://lh6.googleusercontent.com/-uJbfhioCRdA/TYuw6SrlFtI/AAAAAAAAAiM/mg4BiyehjFs/s1600/dostoievski.jpg

      Só a capa indica que não está certo.

      E poxa, se procurares, verás que quase todo livro que existe a Claret tem também hahaha É BIZARRO. Faça um teste na estante virtual, chega a ser cômico.

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    3. COPIARAM A CAPA DO FILME E A DEIXARAM PIORADA

      http://www.lendo.org/wp-content/uploads/2008/02/plagio-capa-martin-claret.jpg

      Jabuti pra eles. Merecem.

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    4. Matheus, está replicado abaixo. Mas vai aqui de novo: eu me referi à Martin Fontes (que é uma editora séria e conceituada, tenho dela aqui os ensaios de Montaigne), mas quis dizer Martin Claret, que é um crime em todos os sentidos no mundo editorial brasileiro.

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    5. Imaginei que talvez estivesse enganado.

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  8. Sobrou uma cedilha ali em cima e faltou a assinatura do Fábio Carvalho.

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  9. Fiz meu TCC sobre esse assunto. No meu caso, o foco foi uma tradução que Machado de Assis fez do Oliver Twist a partir duma versão francesa.

    Sobre o sujeito que desejava estudar Mann, eu o conheço. Na verdade eu que lhe apresentei seu blog. É da mesma região que eu. Leitor apaixonadíssimo por Mann. Nunca vi ninguém gostar mais. Provavelmente sairia alguma coisa boa.

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    1. Ele me falou de você. Espero que ele não demore muito a contestar seus mestres acadêmicos, e exercer sua própria voz. Ele tem um espírito dionisíaco amante do belo que se casa milimetricamente com Mann.

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  10. Pois é. O pesquisador precisa descobrir e desenvolver suas afinidades reais, e não seguir padrões. Reconhecia entre meus colegas de academia uma multidão de ovelhas, que idolatravam Foucault e seus pares franceses, mesmo sem tê-los lido, porque os professores sempre falavam deles. Uma vez um colega ficou indignado com minha citação de Borges num paper, porque não estava na bibliografia da matéria. Seguem modas. Não dou muito tempo para os mesmos professores começarem a falar mal desses autores, assim como hoje falam dos estruturalistas que antes idolatravam.

    P. S. Sei de suas inclinações francófobas, mas antes de tudo eu sou francófilo, mas da França de Dumas, Montaigne, Proust, Baudelaire, Monet, Truffaut e Malle, não a desses chatíssimos teóricos, Derrida, Deleuze e os romancistas que foram na leva deles etc...

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    1. Tenho alguns franceses indispensáveis, Paulo, caso do Stendhal, Montaigne, Céline, Camus (me refiro à língua). Basicamente estes_ François Mauriac, na minha adolescência. Li muito Foucault no curso de história, gostei demais de História da Loucura, mas tenho minhas reservas quanto ao autor.

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    2. Eita, nem tinha me lembrado do Stendhal. Gostei bastante de O Vermelho e o Negro e depois comprei mais dois livros dele que ainda não li.

      Em cinema, você gosta de algum francês?

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    3. Não gosto muito de cinema, Paulo, tirando Tarkovski, Bergman e, principalmente, Fellini. Mas cada vez mais me falta paciência para ficar por duas horas ou mais diante a tela, assistindo a um filme. Gosto do bom cinema hollywoodiano, como Beleza Americana, Clube da Luta, Os Imperdoáveis. E às vezes me deparo com agradáveis surpresas, como os curtas sobre Glenn Gould, o qual há um post por aqui.

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  11. Paulo,

    Lamento contestá-lo, mas nós não nos conhecemos pessoalmente, embora sejamos Dourado - eu mais do que você.

    Sou apaixonado por Mann, e minha monografia tece um paralelo entre "A hora e vez de Augusto Matraga" e "A morte em Veneza". Eu adoro autores focados no tempo, na decadência, na morte, embora eu seja amante do meu tempo.

    Outro dia estive lendo um texto seu, mas não tive paciência de ir até o fim... Então, fiquei no primeiro parágrafo, em que você se compara a Milton Ribeiro e Charlles de Campos e, nessa ordem, a Machado de Assis... Divertido. Também li o seu continho publicado por uma revista, tudo encaixadinho, como sói acontecer com os bons alunos de Letras que se julgam escritores.(Estou livre dessa pretensão.)

    Charlles, o seu texto veio a calhar. Agora entendo por que tive dificuldade de ler "Humilhados e Ofendidos" nas primeiras quarenta páginas. A tradução é que não era boa. E, sim, acredito muito no poder da tradução. É o caso, por exemplo, da tradução de "Orlando" feita por Cecília Meireles. A de Mário Quintana para "Mrs. Dallway" é chata demais. Mas acredito: o tradutor tem inteira liberdade na tradução. Concordo com você. Às vezes, supera o original.

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  12. Charlles, outro professor meu agradou-se da ideia do paralelo feito entre Mann e Rosa - e estou trabalhando nisso, e acredito que esteja saindo muita coisa boa, tanto, que vou seguir aquele conselho de Graciliano Ramos, torcer e torcer o texto como fazem as lavadeiras com seus panos lá em Alagoas.

    Eu queria me manter "elegantemente impávido", mas não dá: tenho aprendido muito com seus textos. Seguido as pistas de livros maravilhosamente resenhados por você, caso de "O arco-íris da gravidade" (pudera!), umas das melhores traduções já lidas por mim. Toda vez que você cita um autor e, caso eu o tenha lido, eu faço questão de voltar a ele e relê-lo. O seu blog e a Revista Piauí é o que mais leio na internet, atualmente.

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  13. Errata: eu quis dizer a MARTIN CLARET, não a Martin Fontes. A MARTIN CLARET é que pirateia e a qual a Denise se refere em seu blog.

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  14. Gostei do post. Acompanho o seu blog há mais ou menos um mês, quando encontrei por um acaso (?) o link num comentário lá no blog da companhia das letras (encotro tanta coisa boa nos comentários!). Até o momento ainda não me deparei com uma tradução de Dosta (esse apelido carinhosoque encontrei em "Minhas tudo" do Mário Prata sempre me pareceu melhor do que Dostô)que me causasse estranheza. Em "Os habitantes da aldeia de Stiepantchikov" da editora Nova Alexandria me deparei com uma boa tradução e por vezes parava e me perguntava "será que no original há mais Dosta do que nessa tradução?" e me lembrava em muitas passagens "Ana, você está lendo uma tradução".
    E por falar em boas traduções, o Paulo Leminski traduziu "Ask the Dust" do Fantão que poxa... sem palvras para agradecê-lo por isso. Depois que li uma tradução horrenda de "Pan" do Knut Hamsun pela Martins Editora e uma de "Dombey & Filho" do Dickens pela Paulinas tive maior noção de como o trabalho do Leminski traduzindo Ask the Dust foi primoroso.

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    1. Pergunte ao Pó de Leminski? Vou atrás. Li a do Roberto Muggiati. O livro é tão envolvente e ótimo que pouco liguei para a tradução (o que comprova a qualidade da tradução).

      Obrigado pelo comentário, Ana (Ana, né?).

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  15. Após navegar por esse périblo descumunal de comentários sobre o Dosto. Vou deixar aqui, algo que, aparentemente, não tem nada a ver.
    Como você bem sabe, Charlles, minhas participações nos comentários não seguem uma linha racional, mas ao contrário outra... Bem, chega de papo...


    STATUS QUO
    by Ramiro Conceição
    .
    .
    A escória?
    Sem duvida, é a Classe Média!
    Esses repugnáveis seres
    dos degraus quase superiores
    ou do caos dos degraus quase
    inferiores.
    .

    Sim, a escória social é a Classe Média,
    essa escada onde se dá a transição
    do chiqueiro: pra cima ou pra baixo
    do status quo:
    .

    nos degraus superiores, senta - a obesa,
    feroz e voraz “intelligentsia”, a esconder
    a gordura… oriunda de alguma falcatrua;
    e, portanto, é uma anta, um paquiderme,
    um baluarte, hipócrita, à continuidade da manha
    a fritar na banha a continuidade… do status quo;
    nos degraus inferiores… é onde fica aquela
    gentalha que se considera…dona de gentes:
    assessores de vereadores, de deputados,
    ou aqueles magros mefistofélicos de ONGS…
    .

    A Classe Média dá nojo... Magros
    ou gorduchos – empanturrando-se:
    enquanto a injustiça é possível!
    Isso é o Brasil!

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  16. http://bochabraba.com/estatuas-de-dostoievski/

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  17. Olá, gostaria de comprar a obra completa de Dostoiévski traduzido do russo. Qual qual tradutor e editora vocês indicam?

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    1. Sem dúvida a da Editora 34, Isabel.

      Abraços.

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  18. Estou lendo Os Irmãos Karamázov, tradução do Paulo Bezerra, pela 34; achei um problema terrível de tradução na página vinte; é só vir lendo o finalzinho da dezenove, que vem falando do personagem masculino e de repente encontrar uma frase que fala da morte da personagem, mas o texto continua com ELA
    , assim, sem mais nem menos. Tive que reler a frase para entender o contexto e entender que quem morreu não foi o personagem masculino. Um simples 'desta, da mulher, esclareceria o período e daria fluidez e entendimento ao texto.'Quando temos que reler uma frase pelo seu problema de entendimento, algo está errado com a tradução, não?

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    1. Peguei agora e reli as páginas, anônimo, e não vi nenhuma incorreção nelas. Eu sublinho os erros de edição nos livros que leio, e digo que essa edição da 34 eu não vi qualquer erro nesse sentido, ou que fosse perceptível no tocante a deslizes na tradução.

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  19. Relendo esse teu texto, acabei me lembrando que existe uma segunda tradução do "crime e castigo" traduzida direto do russo, pelo Oleg de Almeida, tens ideia se é uma boa tradução Charlles?

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    1. Trata-se de uma nova edição da Martin Claret, creio que date de 2014. Eu também queria muito saber se essa é uma boa edição, pois, o acabamento, pelo menos, é muito bom, com direito à capa dura e tudo.

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  20. A edição é bem bonita em capa dura, e o preço é quase o mesmo.

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