sexta-feira, 20 de junho de 2014

Enquanto Seu Lobo não vem: monólogos furados sobre Kubrick e as capas da Hipgnosis



Sou apaixonado pelo Kubrick. Sem o mínimo exagero, digo que 2001 é o melhor filme que assisti e transformou minha vida de forma profunda. A primeira vez que o vi foi na sessão dupla (de dois dias), em que passou pela rede Globo, quando eu tinha lá os meus 10 anos. Fiquei maravilhado com o filme, sem entende-lo nada, atravessando a madrugada. Passei anos da minha juventude lembrando cada cena dessa única audiência com absoluta precisão. Precisava entendê-lo urgentemente. Não é um filme para qualquer um, apesar do que, como as grandes obras primas, o próprio espanto da não-compreensão já é um levante para o sublime. Assisti-o várias e várias vezes, e a cada vez percebo algo novo, uma revelação magnífica nova_ não é, definitivamente, uma simples revelação estética, mas espiritual, filosófica, daí que nego o rótulo simplista de dizer de 2001 que seja “ficção científica”.
Por exemplo, após várias interpretações, da última vez que o re-assisti_ semana passada_, descobri algo que não tinha atentado antes: a luz do quarto do último-homem da escala evolutiva vem de baixo, não mais de cima. Que símbolo! Que eloquência de pensamento! Para o homem imunizado de todos os conflitos, a tal ponto que a simples queda de uma taça o faz ficar segundos a olhando, não há razão nenhuma para que exista a simples reverência ou consolo de uma luz vinda do alto. Essa luz do chão representa tanto o sucesso de uma evolução de bilhões de anos no aperfeiçoamento da técnica, quanto o fracasso inexorável do empreendimento da espécie. Nada por temer, nada para rezar, nem futebol nem deus, uma raça de seres assexuados naufragados no gigantismo asséptico de sua própria suficiência. Uma luz que vem de baixo, daria um bom título de romance.
Minha filha ontem mesmo pediu: “vamos assistir 2001?”. Sério mesmo, sem esnobismo. Ela só tem três anos, e adora a cena dos macacos. A filha do Milton assiste Laranja Mecânica junto ao pai, também.
Comprei a caixa de blue-rays do Kubrick numa promoção pela LC, e já assisti-os todos. Barry Lyndon, com sua frase final de que “a semelhança entre eles é nós, é que todos estaremos mortos um dia”, ou algo assim. Um bom filme, acima dos padrões. Assim como O iluminado, um filme de fotografia magnífica, mas com muitos defeitos que impossibilitam que ele seja mais que mediano_ seu final é preguiçoso, e a loucura de Jack Torrance é explorada de maneira apressada.
Os dois grandes filmes de K. são 2001 e Laranja Mecânica. Digo, GRANDES MESMO, grandes a um nível tarkovskiano.
Laranja Mecânica, que o reassisti há dois meses. Um adolescente atacado por todos os lados, maciçamente, por uma mídia espúria em último grau. Sexo ruim, música ruim, bebidas ruins, nível de proficiência na língua ruim. Não; aquelas cenas aberrantes de cor eram ruins mesmo na época em que o filme foi feito. Não se trata de defasagem temporal. O pênis de porcelana recurvo e grande, que Alex usa para matar a esposa do escritor, é uma abominação estética mesmo no final dos 60 e começo dos 1970. Os quadros da casa da massagista que Alex invade com seus asseclas, com ar de moderníssimos pendurados nas paredes, não passam de gosto medíocre de uma sociedade boçal sem profundidade, sem ideias, vivendo de aparências recíprocas. Quadros com mulheres e homens trepando.
O idioma que Alex fala é uma espécie de novilingua, recheada e sustentada por gírias vagabundas e vazias, sem revoltas e sem personalidade. Não é de se espantar que a violência seja a coisa mais natural do mundo. Traz uma semelhança com a luz do chão de 2001, em uma proporção mais rasteira: em vez da evolução da técnica, a sociedade alternativa de Alex se estancou na visão proletária clássica marxiana: uma sociedade de seres servilizados pela propaganda e a indústria de consumo. Uma sociedade ridícula, palhaçal, que atingiu um nível tão alto de caricatura que o tédio sem escape reverte para o massacre. O vestidinho curto, na altura da virilha, da velha mãe de Alex causa uma gargalhada imediata, sem auto-reconhecimento da plateia, sem a catarse da descoberta da própria vergonha da cretinice em que o espectador está inserido. Não sobra mais nada para uma sociedade alienada senão a implosão, como se a natureza humana tivesse um botão de auto-destruição diante tanto desvirtuamento da busca de suas qualidades intrínsecas.
E o ponto genial que Kubrick acha para finalizar essa sua monumental crítica é a Nona de Ludwick, que Alex tanto ama. A mais elevada obra do espírito só é consumida por Alex na tela de sua imaginação em que a Ode à Alegria serve como trilha de cenas celestiais de estupros e assassinatos. E aqui há a velha astúcia das incríveis coincidências: o filme é muito semelhante com o que Anthony Burguess escreveu: um Burguess que em sua auto-biografia revela a doença de espermorréia que tinha, e do estupro e espancamento que levaram ele e sua esposa à beira da morte, perpetrados por um grupo de adolescentes nazistas. O sexo e a violência já eram temas que extrapolavam o mero abuso de suas configurações coloridas que a mídia sempre fez, para um escritor que não parava de expelir esperma 24 horas por dia e que viu a esposa sendo violentada várias vezes por brutamontes de espinhas.
E a crítica de K. vai mais além: contra os auto-proclamados salvadores dos oprimidos da sociedade: ele bebe de Marx, e ataca os mercadores do templo de Marx. O escritor que denuncia Alex e o prende em sua casa, após o experimento que “cura” Alex, só o faz para que chegue à mídia (a grande e deística Mídia, como o Tubo em Vineland, de Pynchon), a comprovação do fracasso do partido governista quanto à tal cura. O intelectual não é movido por vingança nem altruísmos, mas simplesmente pela guerra partidária.
Agora me digam: Laranja Mecânica foi lançado em 1971, ou fala sobre o Brasil de hoje?

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Alguém deveria fazer um estudo sobre o por que simplesmente não existem capas bonitas na MPB. Não há uma só capa da discografia de Chico que seja sequer razoável; são todas horríveis. O mais próximo que consigo pensar aqui de capas apresentáveis são umas duas só de álbuns do Milton Nascimento, e olha lá. As do Caetano são torpes, as do Raul contribuíram muito para restringi-lo um tempo na seara do brega; as dos Mutantes são os plágios costumeiros do Sgt. peppers, e até na fase pós-Rita Lee, em que eles deveriam ao menos beber da linha sofisticada de capas do rock progressivo e do estúdio Hipgnosis, as capas parecem propagandas de xampu da década de 70. Não é um assunto pequeno esse. As capas do Sinatra e de outros artistas populares norte-americanos são muito bonitas, mesmo que a maioria se limite a estampa do cantor, mas são fotos soberbas. Assim também com as fabulosas capas do jazz americano: um simples rosto focado de Miles Davis ou Donald Byrd são obras-primas. Agora, esses rostos do Chico apresentam sempre uma pessoa meio retraída, meio bairrista, visivelmente desconfortável. Talvez seja uma intuição precoce ele ter colocado suas fotos do registro policial de sua época de playboy delinquente na capa de um álbum como auto-crítica a essa limitação_ ou subestimação do público_ da estética fonográfica nacional. Essa vilania puramente mercadológica, sem preocupação de gosto, das capas da MPB refletem bem naquele disco “ao vivo” do Chico e do Caetano em que a mesma onda de palmas da platéia é acionada mecanicamente durante todas as músicas, num brutal artificialismo.


19 comentários:

  1. Sobre capas da MPB, todas as do Elifas Andreato são lindas, inclusive as que ele fez pro Chico. Mas realmente capas não era o forte da MPB.

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    1. Desconheço essas, Cassioney. Pegue pelas capas de rock nacional, p. ex., há alguma que preste? Mesmo as da contracultura, como Os mulheres negras (que eu gosto bastante do som), são tímidas, como se ninguém quisesse ofender com um mínimo de ousadia as doutrinas paupérrimas dos executivos. Daí, por esse ponto de vista, acabo vendo o valor que tem aquelas capas do two virgins do Lennon. É uma pequenez covarde dos músicos nacionais.

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    2. Procura Elifas Andreato no Google imagens que tu vais reconhecer. Pode ser que não goste, mas eu acho bonitas. Do rock, gosto de algumas dos Engenheiros, têm uma proposta estética. Questiono às vezes por que o Renato Russo também não explorou as capas.

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    3. Conheço as do Engenheiros, mas não vejo muita coisa; houve uma estética meio de cartazes muralistas naqueles álbuns em que eles assinavam cada um com seu sobrenome, mas as outras capas são simplesmente fotos caseiras da banda andando pelo campo, ou_ uma que é pobre pelo seu umbiguismo regionalista_ aquela com a estátua de um estancieiro ou seja lá quem da história sulista.

      A melhorzinha da Legião foi justo a que eles declaradamente fizeram referência ao álbum do Crimson Lark´s tongues in aspic, o V. Mesmo para os anos 80, as capas do rock nacional são horríveis, se pensarmos nas capas dos The Smiths, ou nas distorções e caras de atitude do Echo & The Bunnymen e The Cure e The Fall, etc. As do rock nacional apresentam apenas as mais comezinhas fotos da banda, com um 3x4 mais ampliado.

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  2. João Antonio Guerra20 de junho de 2014 21:23

    Das capas, me vieram três à mente. São capas muito queridas minhas, e realmente não consigo pensar em melhores do que elas por aqui:

    Verde que te quero rosa, do Cartola: http://g.glbimg.com/og/gs/gsat2/f/original/2012/10/10/cartola_capa_disco.jpg

    Sampa midnight - Isso não vai ficar assim, do Itamar Assumpção:http://1.bp.blogspot.com/_vV6KYvnGMp0/TKzFDxjjD5I/AAAAAAAABtI/bWAFbGJ-eGc/s1600/capa.jpg

    Lagoa da Canoa Município de Arapiraca, do Hermeto Pascoal, que acho uma capa sensacional, mesmo a figura do Hermeto tendo que lutar contra a cafonice da margem e da fonte escolhida para o título, veja:
    http://bocafechada.files.wordpress.com/2013/08/lpcapa.jpg

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    1. João Antonio Guerra20 de junho de 2014 21:29

      Brinde: digo logo que não há capas que eu ame mais no mundo do que um punhadinho daquelas do Monk quando ele assinava com a Columbia. Underground!, Solo Monk!, Criss-cross!, e a sensacional Straight, No Chaser!

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    2. João Antonio Guerra20 de junho de 2014 21:37

      Não tenho tanto amor pelo Laranja Mecânica, ou ao menos nada comparável com o que senti assistindo 2001. Preciso rever o Laranja.

      Quanto a 2001, é um dos dois filmes com os quais sonho de vez em quando -- imagine dormir dentro daquele túnel de luzes e terá algo próximo --, o outro é Kagemusha, do Akira Kurosawa.

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    3. Escrevi esse post com Underground na cabeça.

      Me nego a usar o tão xaropado termo "complexo de vira-latas", mas o primeiro álbum de uma das bandas nacionais que mais me impressionaram, o Teatro Mágico, nem chega a ter uma capa. Pretendi comprar, na época de seu lançamento, o original pelo site da banda, mas tal original não passava de um cd sem capa, gravado artesanalmente nos mesmo conformes que um bom download.

      Esse desmazelo cobra muito da minha síntese sobre o grande abismo de nossa mídia cultural. Se um desses álbuns tivesse uma boa capa, teria vendido substancialmente mais do que vendeu.

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    4. Meus melhores filmes (não sou muito chegado em cinema, mas...):

      1- 2001

      2- Stalker

      3- Nostalghia

      4- Amarcord

      5- Todos do Monty Python

      6- Verão de 42

      7- Lawrence da Arábia

      8- Um sonho de liberdade

      9- Luzes da cidade

      10- Através das oliveiras

      11- Beleza Americana.

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    5. João Antonio Guerra20 de junho de 2014 22:35

      É sempre um descaso enorme. O Hermeto Pascoal, quando perguntado sobre pirataria digital, respondeu implorando que o pirateassem, porque assim ouviriam suas músicas. Você vai no site oficial do Hermeto e, clicando em "Licenciamento", é direcionado para um documento feito à mão por ele mesmo, dando permissão para qualquer um executar qualquer uma de suas músicas sem precisar pagar... e o documento é feito de giz de cera, é claro, todo pintado e desenhado, porque o Hermeto é um anjo.

      É tão, mas tão triste esse homem não ser ouvido...

      Quanto aos filmes preferidos... bem, a minha arte é a literatura. A música sempre pega parte dos meus dias, mas é uma porcentagem bem pequena. As artes plásticas sempre me encantam, sou um rato de galeria aqui no Rio (inclusive tenho que te escrever sobre algo que me aconteceu semana retrasada: fui no Centro ver a mega exposição do Dalí, e encontrei um quadro do Anselm Kiefer!, quase caí de joelhos!). O cinema é com o que menos convivo.

      Tarkovski é um santo que nunca me decepcionou, e o mesmo vale pro Fellini; costumava dizer o mesmo de Bergman, mas depois de mergulhar de cabeça na filmografia dele, desenterrei uma série de filmes horríveis, que não matam A Hora do Lobo mas certamente diminuiriam a posição dele se eu estivesse propondo uma listagem; do Kubrick eu já falei, e só adiciono que no momento gosto mais do Barry Lyndon do que do Laranja; Kurosawa tem uma filmografia enorme, com muita coisa até mediana, mas é o cara que fez os filmes mais importantes da minha vida; descobri recentemente Alejandro Jodorowsky, e num dia só vi todos os seus filmes disponíveis pra download no piratebay, absolutamente encantado*; e tem o Orson Welles, o cineasta mais injustiçado do século XX.

      São os que passam pela minha mente assim que penso em cinema. Deixei de foram qualquer nome que eu tive que forçar a vir.

      *- Comentei mais tarde com uns amigos que, há anos, estou tentando convencer a lerem Pynchon, que o cinema de Jodorowsky é a coisa mais próxima do que sinto quando leio Pynchon -- não é uma proximidade que os irmane totalmente, não, ainda deixa quilômetros de distância entre os dois, mas é a mais próxima.

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    6. Não gosto nem um pouco de cinema, João. Fui um consumidor compulsório do cinema americano na adolescência_ lembro dos cinemas do centro da cidade, naquelas tardes de solidão pré-puberdade que parecem vir em preto-e-branco. Assisti aos Indiana Jones e aos Cobras lá. Cara, Indiana Jones é lixo da pior espécie: alguém tem mesmo que fazer por aqui um inventário erudito convincente sobre o quanto somos vítimas de estelionato cultural com todo essa merda que vem dos EUA, quando somos jovens, e o quanto procuramos repetir esse vilipêndio querendo ver nos produtos nacionais algo assim tão glamoroso_ Glauber Rocha e Chico, que são dois lixos sem tamanho também.

      Mas esses filmes assinalados são muito mais que filmes, são experiências religiosas. Beleza Americana é arte sublime, atemporal. Concordo com Caetano: ninguém mais que os americanos entendem sobre diversão de primeiro nível. Há muitos filmes americanos dos quais poderia falar muito bem aqui, alguns bastante comezinhos e que são raquíticos se comparados à pretensão de nível literário não de todo involuntária que leitores profissionais como eu cometem. Mas cinema é uma arte menor.

      Não assisti nem a 10% dos grandes filmes cult. Não conheço nada de cinema japonês. E não tenho nenhum saco para ficar diante a tela obtendo male male o que os livros me oferecem com uma grau de recolhimento muito mais eficaz.

      Kiefer!!

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    7. João Antonio Guerra20 de junho de 2014 23:19

      Kiefer!

      Compartilho da sua preferência pela leitura. E falando em leitura (e lembrando da sua experiência com a literatura brasileira), pelo amor de Borges, leia Osman Lins. Ao menos guarde o nome pra depois, bem mais tarde, Moby Dick já terminado e devidamente vivido. Arranje A Rainha dos Cárceres da Grécia ou Avalovara e descubra (como estou descobrindo agora) mais um imenso escritor que o Brasil esqueceu.

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  3. Você voltou! Ufa \o/

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    1. Intuição:
      será que a Caminhante voltou a estar entre nós?...

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  4. “Uma luz que vem debaixo”…
    Sem dúvida, é a metáfora dessa transição que, para além da qual, sabemos praticamente quase nada.
    Uma luz que vem debaixo poderia estar associada, por que não?, àquela que vem de dentro e que sai, redundantemente, pra fora, em ascensão ao celeste de onde viemos.
    Não seria isso que está lá, registrado metaforicamente, na “Divina Comédia”: o inferno, o purgatório e o céu? Haveria outra maneira de compreender o celeste sem antes, as fogueiras terrestres? Creio que não…
    *
    *
    PLANTADOR DE BATATAS
    by ramiro conceição
    *
    *
    O ato de criação é plantar batatas
    porém ensinando aos pequeninos
    a alegria da batatinha quando nasce
    e a dor - d’Os Comedores de Batatas.
    Por isso o poeta deve cavar e colher o óbvio
    que plantou e, qual Dante com o seu Mentor,
    deve ir até o inferno em busca da luz porque
    é no interior do ser que rebenta o esplendor.

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  5. errata: você está correto, Charlles, é " de baixo", " de onde", e não tal qual escrevi, automaticamente "debaixo".

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  6. De fato, as capas nacionais não são muito boas. Não me ocorreu uma sensacional. Talvez a melhor seja mesmo a dos meninos do Clube da Esquina. Também parece haver autenticidade naquela mesa de jantar do Secos e Molhados com cabeças.

    Fiquei aqui pensando e gosto de algumas dos Titãs (por baixo das letras de Õ Blésq Blom parece ter uma arte distorcida de pontas de cigarros de maconha coladas; eu conheci uma menina que fazia colagens assim e era bem parecido), da Marisa Monte (o grafismo de Cor de Rosa e Carvão é doce e feminino como o álbum), Barão Vermelho (o peixe no liquidificador de Carne Crua sempre me incomodou, embora não seja uma obra prima). Com o CD, essa arte de capas precisou se reinventar e Pirata, da Bethânia, é belíssimo, todo "bordado".

    Mas tem um zilhão de capas hediondas por aí. Não é só do Caetano, não.

    Dos álbuns que têm fotos fantásticas, nunca me esqueci de Island Life da Grace Jones: uma pose fantástica fez uma capa sublime.

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    1. As próximas do meu agrado são as capas do Elomar (esse artista fantástico praticamente desconhecido), que tem uma estética autoral própria. Procurei da memória aqui alguma do rock nacional, e só me veio o Calango, do Skank, que é bem mais ou menos.

      Ainda conservo o resíduo de uma análise sociológica de que essa limitação é uma das características de um baixo amor próprio nacional e uma impotência de se ver com mais ousadia, que em menor grau pode se restringir apenas a um mercado artístico deficitário em estratégias de vendas. Olha só a capa do Barret: de uma simplicidade e sinceridade comovente, nem um pouco auto-indulgente como ocorre com os nossos artistas; assimila a loucura e a exclusão do músico como sequelas de sua auto-biografia. Uma obra de arte.

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    2. Pegue uma situação similar a do Barrett; o álbum Loki, do Arnaldo Baptista, um cara que pirou e tem toda uma história que deriva disso. Olha a capa do Barret e a capa do Baptista. Quanta diferença! Olha a sutileza do Barret, suas referências futuras na influência dos álbuns do Pink Floyd, a meia luz_ algo que pode-se viajar mais dizendo sobre sua atmosfera rembrandtiana. É uma capa que, o mínimo que se pode falar dela é que é adulta.

      Olha o Loki. Constrangedor. É de 1974 mas com estrela ao fundo e uma defasada marcação anos 60, hiponga quando todo mundo já antagonizava a geração hippie. Uma capa infantil; ouço os empresários do disco, com sua pouca inteligência, reunindo o que achavam que o público de Arnaldo pensava, e inserindo todo esse reducionismo na capa.

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