quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Enclausurado



Enfim, Ian McEwan escreveu sua obra-prima. Enclausurado é genial do começo ao fim. McEwan foge do clichê e da tendência a transformar o romance em séries televisivas de comédia de erros, como vem fazendo em seus últimos trabalhos, e compõe um livro original, instigante, altamente inteligente, belíssimo, cheio de páginas sublimes em que os problemas da modernidade entram nelas com uma legitimidade profunda, e, além disso, engraçado e terno. As últimas três páginas estão entre as coisas mais lindas e emocionantes que eu já li. Confesso que nunca levei McEwan muito a sério, apenas um entretenimento superior; mas com essa obra, ele entra para a galeria dos grandes. Não adianta falar aqui para pessoas que ainda não leram Enclausurado. Minha recomendação é que o leem o mais rápido possível. Façam esse favor ao deslumbramento. (Ouso dizer que com esse romance, McEwan alcançou o patamar de um Dostoiévski: é, de longe, a melhor coisa que ele já escreveu, e a melhor coisa surgida em inglês nos últimos anos.)

7 comentários:

  1. Charlles, que comentário é esse! Se desdobrando em elogios como em seus textos sobre Marías, Mann e outros... o jeito é ir atrás do livro, que você acaba de fazer passar da lista de "talvez um dia" para a "ler em breve"

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    1. Merece uma leitura, João Pedro. E se trata de um texto fluido, rápido e bom de se ler.

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  2. Não sei se está traduzido em Portugal e se preserva o mesmo título, mas anotei-o para eventuais próximas aquisições e leituras, já há muito tempo que não leio McEwan, talvez mesmo por me ter divertido em Solar e o ter apreciado em Amsterdam mas não o levar a sério como disse no post.

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    1. Deve de ter uma tradução para Portugal, afinal é um McEwan. Muito pouco provável que o título seja esse, que é uma liberdade bem arranjada do tradutor brasileiro. (Rapaz, você mora no paraíso! Que cidade linda!)

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  3. Pelo nome será o Charlles Campos que mora numa cidade do paraíso. Sim, a ilha do Faial e as outras todas dos Açores são de uma beleza paradisíaca e tem o verde do Brasil, pois o clima é muito húmido (daí só conheço o Estado do RJ) aqui ao menos não há grande risco se nos esquecermos de fechar a porta da rua durante a noite ou se sair de casa e isto também é paradisíaco, mas os sismos já são de outra esfera dantesca, como por cá se diz: "não há bela sem senão"
    Suspeito que Enclausurado será o último livro traduzido por cá que descobri ser "Numa casca de noz" no original Nutshell, se for a mesma obra fica já na minha lista de compra.

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  4. Poxa, fiquei com "vontade de comprar o novo do McEwan". Enfim disse isso. Esse Charlles...

    Mas ó: puxaste tanto o saco, ousando ainda em dizer que o inglês agora senta na mesma fileira do czarista favorito de todos, que se não chegar a um naco disso tudo assumirei ser jabá (o banner!!!).

    Péra aí, nem se do que se trata, péra aí, péra aí.

    (Google)

    Po, meu, um feto? Hum... parece ter humor. Ok. Nao deve ser como aquele livro de contos incestuosos e pedofilia e etc. Ok, ok, comprarei.

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    1. Dostoiévski era mesmo czarista.

      A tradução do título desse McEwan é que é uma merda.

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