quinta-feira, 23 de julho de 2015

Meu twitter

Que me desculpe o meu amigo Luiz Ribeiro, mas sinto que meus dias de twitter mal começaram e já estão para serem encerrados definitivamente. A coisa é uma praga em diversos sentidos. O mais imediato agora é que ao escrever esse post a tecla interna de policiamento me aponta a concisão exasperante dos 140 caracteres. Escrevo sobrecarregado da culpa do twitter. Como se não bastasse as tantas herdadas da nomenclatura freudiana. Como tudo na net, o twitter deveria ser genial e sua proposta é altamente sofisticada. Mas como nossa espécie sofre uma colossal carência de gênios, o twitter descamba para a balbúrdia e o frenesi. Talvez o mais significativo dessa rede é a prova de que mesmo no laconismo nossa espécie é tendente à balbúrdia; um estridente voto de silêncio (outra praga inercial do twitter: contar os espaços dessa minha última frase e detectar que ela daria um ótimo tweet; peraí que vou escrevê-la lá). Por isso, minha despedida do twitter e minha postagem de toda a minha obra fechada lá. Segue:

Talvez o mais significativo do twitter é a prova de que mesmo no laconismo nossa espécie é tendente à balbúrdia. Estridente voto de silêncio

Puta que pariu, tenho que parar com essa merda. Meus "seguidores" caíram de 10 para 9 e me bateu uma tremenda depré. Noite desestabilizada.

Uma cabeça enterrada na areia foi o personagem mais radical de Beckett. Imagino o verbo indigente e incorpóreo do twitter seu sucessor.

Para minha voz depreciativa do twitter minha imaginação argumentativa rebate: Beckett teria atingido o minimalismo máximo disso com gênio.

Aqueles que jamais dariam certo no twitter: Faulkner, Proust, Musil. Prováveis surpresas: Joyce, Rosa, Beckett. Quem teria escolha: Jay Z.

Brincando de recortar as palavras me veio a certeza de que o estilo índio-macho lacônico do Hemingway também daria muito certo no twitter.

O twitter é um entorpecente brutal. Não há aforismas sagazes o suficiente aqui que dispense o discurso elaborado. Toma-nos a preguiça feroz.

Trump nos Eua, Cunha no Brasil.Como a falta de imaginação da História aposta na repetitividade de enganoso caráter inofensivo a cada século!

O último sucesso das reivindicações da cerebral classe estudantil brasileira? Deixe-me ver... Ah, retirar a PM da universidade. Péra...

Kafka tinha um vocabulário básico de 300 palavras. O rapper Jay Z usa 6899. É óbvio: Jay Z é melhor que Kafka. Logica à lá pesquisas Veja.

Eminem tem um vocabulário superior não só ao de Bob Dylan, mas ao de Kafka. Logo, Eminem é melhor que Kafka. Simples assim, bordalengo.

Achar O livro do desassossego por 2 reais na Fnarc me fez tremer diante a intimação cósmica de que, finalmente, tenho que ler Pessoa.

Rendo loas pela primeira vez a uma maravilha tecnológica. Os fones de ouvido do iphone são esteticamente perfeitos e de uma qualidade única.

Chegar a frase decorrente para mais próximo do ponto no twitter afim de ter mais espaço me enquadra no perfil de corrupção nacional?

Twittar causa um inegável derrame de serotonina. Lembrar de pesquisar, porém, se há casos de despedidas suicidas nessa rede. Tudo é possível

Na crise a utopia mais requerida é a de Diógenes, que se masturbava nas praças lamentando não ter o mesmo resultado se esfregasse a barriga.

O autor perfeito no twitter deve ser uma mistura de Jerry Lewis e Emil Cioran. O demodê é matematicamente proposital.

. Podem seguir que esse é fera: "Pensar só, eis sabedoria. Cantar só seria estúpido."

Será que a famosa frase do Cioran de que um solo de saxofone é superior a toda teologia desbancaria a esposa do Zezé no top trends?

Twitters do Além. Imaginando aqui o quanto gente como Emil Cioran e Nietzsche teriam botado pra quebrar em 140 caracteres.

Ia escrever mais sobre o Cunha. Daí entrei na página inicial do twitter, com fotos de futebol, carnaval e um programa da Globo. Precisa?


Cunha é um urubuzinho. Basta olhar. Pescoço recolhido, desamparo retalhativo.O aleijado sedento por vingança. Evidente parábola nacional.

Toda vez que vejo a figura espúria do Cunha sinto enorme vontade de acreditar: em quem, quem?

Não há como não fazer paralelos desabonadores quando se lê Grass: cadê o deleite adulto em vez da juvenília descolada das nossas letras?

É uma identificação religiosa quando deparo com escritores que reafirmam a literatura como um dos poderes espirituais do homem: lendo Grass.

36 comentários:

  1. Charlles,

    Recebi com tristeza sua adesão ao Twitter. Por um momento, pensei, cá com meus botões: "Poxa, mas e o Blog? Os textos ficarão relegados a um segundo plano? Quem sabe mesmo não seja uma sinalização de que o Blog vai acabar?" Será que Charlles finalmente se rendeu à velocidade e concisão dessa ferramenta moderna e absolutamente indispensável para manifestação do pensamento?" Fiquei meio estarrecido com o anúncio. Era difícil aceitar a ideia de supostamente trocar os prazeres de seus textos por aforismas de...140 caracteres! Como emitir uma opinião sobre um livro ou qualquer assunto, como expressar um sentimento, contar uma história, coisas que você faz tão bem por aqui e com tanta verve se limitando a malditos 140 caracteres?

    Hoje li com júbilo sua obra fechada. Especialmente, por ser "fechada". Concordo com você quando diz que a "coisa é uma praga em diversos sentidos"(outra repetição nada incomum). Aliás, é incomum é encontrar escritos interessantes e originais em 140 caracteres na Internet. Se bem que sou suspeito a falar disso, nunca me interessei por Twitter porque se é uma forma bastante limitada para informar, imagine para outros fins.

    Aliás, "Seguidores" é uma palavra que se encaixa perfeitamente ao Twitter. Lembra-me uma seita satânica daqueles filmes de terror de quinta categoria com sustos calculados e finais óbvios, dos quais depois de algum tempo bocejamos e adormecemos entediados e vazios.

    Obrigado por desistir! Aguardo seu próximo texto por aqui.

    Marcos

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    1. Devo confessar meu sincero susto ao ver que recebi alguns e-mails de pessoas que nunca comentaram aqui, e por conseguinte eu não conhecia, me admoestando por aderir ao twitter. Cheguei MESMO a ficar emocionado. Minha esposa sempre brinca que eu sou o cara mais desligadão que ela conhece, de forma que me dei conta, não sem medo, de que com esse blog eu possa estar fazendo algo que seja importante para alguém. Foi muito legal sentir isso.

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  2. Vou discordar dos dois aí em cima. Não há ou-ou nessa história, nem capitulação. A conta de twitter por exemplo poderia servir para dar mais visibilidade ao blog, visibilidade que poderia ser inclusive seletiva caso o Charlles circunscrevesse os seus seguidores ao mínimo necessário. Muita gente boa está lá no twitter. Muito formador de opinião. E a velocidade, meus amigos, sinto ser aquele que vai estourar a sua bolha, mas a velocidade é simplesmente inevitável. Nossa tragédia. Nosso Puccini em um milhão de atos fragmentados.
    Penso que se vai mesmo seguir pelo Waldenianismo, que se faça-o, mas não pela metade. Desliguem os seus smartphones, coloquem a toca de cone de papel alumínio na cabeça e vamos ao mato.
    Não dá pra ser Waldeniano e ter blog. Enfim, o Sannyasa, o Waldeniano original da Índia, que renuncia o mundo frívolo pela vida do espírito, não deixa rastros atrás de si de trishna (attachment). Jack Kerouac se meteu na cabine de Lawrence Ferlinghetti em Big Sur e foi quase vítima de uma síncope entediante. Depois de um determinado momento o bosque, o riacho, não lhe falavam mais nada a não ser o "Go Fetch your friend, Neal Cassady". Big Sur, de paraíso Waldeniano se tornou um festim dionisíaco. A invasão da techne a physis. Natureza capitulada pela cultura.
    Essa minha réplica é mais que uma objeção ao Charlles abandonar o twitter. É mais uma refutação mesmo ao monaquismo do meu amigo. O que temo seja um tanto ofensivo. Mas vá lá. Sinto-me próximo o suficiente para apontar as contradições internas, e tirar o cisco do olho. Ainda mais se esse cisco é uma teimosa rejeição da cultura que poderia potencialmente ser veículo para que se fizesse conhecido o mundo fascinante que é Charlles Campos.

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    1. Sim, Mateus. Chore de forma mais pontuada pra a gente entender o choro.

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    2. Estás certo, Luís. Certo sobre tudo: a visibilidade perdida, a rapidez de comunicação e, claro, a falsa clausura do nosso querido quase monge. As vezes acho que não quer se expor mais para que nao o tomem (ou que nao se torne) como algum desses outros que desgosta pela internet.

      Voa, borboletinha! (Ou é passarinho? Sim, sim, acho que é um passarinho.)

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    3. Cadê, Matheus, o botão metafísico do like para eu apertar.

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  5. Concordo com o Marcos e discordo do Luiz (e do Matheus).
    E estou no twitter. Mas é isso, é uma velocidade louca - tem muita coisa q se aproveita, mas por um preço muito caro, tempo. Isso se tu te despõe a dar atenção e eventualmente estabelecer algum tipo de diálogo - porque entrar numa dessas simplesmente pra falar ao vento (pra mim mesmo) ou receber palavras alheias como se fossem esses folhetos com q nos entopem nas ruas do centro (nunca lidas, sempre direto pro lixo): isso seria apenas um exercício viciante de deixar de ser.
    no começo eu não entendia nada, por um bom tempo tive a conta e apenas via o turbilhão passar à minha frente, tantas cores, sem entender. Aos poucos fui entrando no movimento (coisa desse ano) e aí é difícil parar (mas pratiquei o "coito interrompido" semanalmente - pq é tanta besteira tbm, não quero fazer parte disso).
    Enfim, tbm não "recebi bem" a notícia do charlles por lá, mas quem sou eu... óbvio que SE LO aproveitaria muito por lá, mas inevitavelmente perderíamos aqui... ou acolá.
    Há um ano q digo q vou sair do facebook, q uso bem mais q o twitter (que acabei destinando a comentários de jogo de futebol, basicamente (ou seja, bobagem). só q política tbm tá nesse campo agora.
    mas vou sair, vou sair. pra ganhar tempo de leitura, tempo de vida.
    a seguidora q te deixou, charlles, acho q foi a primeira. qq coisa de pornô. um desses algoritmos com peitos.
    hahahha

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    1. dEspõe o "despõe" e põe "dispõe" lá em cima, por favor

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    2. Vou fazer o diplomata mesquinho aqui dizendo que concordo COM TODOS, e estou sendo honesto. Pela conversa sempre rápida que tive com o Luíz por e-mail, ele deixou perceber que o twitter, agora, neste instante, está sendo uma espécie de terapia de suporte para ele. Vejo que ele_ você, meu caro Luiz_ está feliz no twitter. É absolutamente válido. Como disse a você, e reitero aqui, queira ou não queira, o twitter é uma mediocrização extrema da linguagem e do pensamento, o que se torna ainda mais grave para alguém do porte intelectual do Luiz.

      Após assistir o monumental O substituto, indicado pelo Cassionei, comprei uma coletânea da Cia das letras de contos de Poe. Já os li há anos e várias vezes, mas não tinha tal livro. No prefácio, um anúncio assustador, e para o qual nunca havia me atentado apesar de sua obviedade: os anos em que Poe teve que viver à míngua escrevendo jornalismo sensacionalista destruíram o grande talento de Poe. De forma que Poe nunca foi o grande escritor que deveria ter sido, o que seu talento resquicial serviu para imprimir em seus moldes adaptados à literatura rasteira que o mutilou contos ainda assim soberbos como A casa de Usher, O barril de Amontillado, além dos sensacionais e irrepetíveis poemas. Isso me deixou espantado. É a mesma coisa da qual diz Hemingway: se o escritor não abandonar em tempo as formas prosaicas de expressão imediatista, ele estará destruído. Usei tais exemplos, não fazendo comparações com meu caso pessoal em termos de qualidade literária; porém, o aviso é taxativo.

      Sim Luiz, o twitter é viciante. E sim, arbo, aquilo lá é como falar ao deserto. Se vc não entrar de cabeça em uma rotina martirizante, que te toma todo seu tempo, em interagir com os outros usuários, a impressão de onanismo intelectual joão batistino (sic; ou não, já que o corretor de texto não deu o alarme) é massacrante. E eu descobri que tenho a mesma leviandade solta para me corromper no twitter quanto eu tenho para provocar aquelas discussões mirabolantes que nunca levaram a lugar algum nos comentários no blog do Milton Ribeiro. Em dois dias, escrevi 31 tweets, e tive que exercer uma grande força de vontade para parar com a coisa. Eu poderia escrever 100 tweets de uma levada só; 100 besteiras abomináveis que contudo fariam rir, algumas, e enganar que minha possível força espiritual estava em plena forma saindo pelas brechas da eventualidade virtual.

      Twitter seria um passo para facebook, instagram, e mais mil outras porcarias. E daí eu pararia com o blog, com a escrita, e com a leitura. Me espanta muito a total imersão do Luiz nisso, ao que penso que ela a usa tal qual eu passei dois meses lendo revistas do superhomem e homem aranha quando estive de cama certo tempo. Temos que tomar cuidado com essas coisas e nos colocarmos em guarda. O Luiz me disse, ou insinuou, que o twitter o está fazendo sair de certa coisa perniciosa e nefasta, o que, torno a dizer, se tem seu potencial terapêutico, vá me frente, mas para mim eu estava notando o contrário: eu previ uma depressão circunstancial se eu me atolasse na rede. Não é o tipo de lenitivo à solidão que eu almejo. Aliás, como disse aqui em algum lugar, a solidão nunca foi um problema para mim; aliás, ela sempre foi maravilhosa para mim. E o twitter é, PARA MIM, dar vários passos atrás e simular um tempo paralelo e inconcluso em que eu julgava que a solidão era o que poderia me destruir.

      O twitter é matar a escrita. O Saramago estava certíssimo.

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    3. mais do q isso. matar interações.
      sei q teu foco maior é a escrita, tbm me importa. mas eu tenho esse lance com as interações sociais. me ANGUSTIA q tanta gente boa interaja por ali (e talvez isso me provoque a participar; pq largar de mão seria largar os outros; besteira). fica isso mesmo: um mundo paralelo q, por supremacia, acaba com paralelismos. Inclusive de pensamentos e outras formas de linguagem.
      então, como tu, tbm entendo ser viável o bom uso do twitter, pontualmente. mas não há um horizonte.
      (minha ânsia com interações - uso inclusive a palavra errada - vem de uma timidez ultrapassada, já falsa, com a vaidade estando bem decantada, exposta. daí que o virtual sempre me foi um tubo de ensaio, química com q me acostumei. pelo menos à linha de produção a gente tem q tentar não se submeter...)

      fico imaginando visitar o charlles numa tarde nada a ver de um mês qq (depois de ganhar uns pilas na loteria, como se precisasse), mas nunca tomei um mate com o milton. ok, já joguei uma bola com ele. pouco.

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    4. Tem muito de pose no que se escreve. Faz parte da personalidade literária de quem escreve mostrar-se bastante diferente do que se é no dia a dia. Não que seja mentira. Se eu quisesse escrever sobre o Charlles prosaico, cumpridor de horários, pai de família, ninguém se interessaria. Até a mão que escreve se negaria a cumprir tal ultimato. Há mesmo um demônio interior que aparece na verbalização impressa. Analisei a fundo as relações do twitter nestes dois dias. Do meu lado, talvez eu esteja desprezando a terapêutica, achando que eu não me beneficio com ela, que eu estou acima dela, ao falar da escolha do Luiz. Vejo que esse blog exerce pontualmente um forte caráter terapêutico para mim, sempre exerceu. Há vários textos aqui em que eu me revelo e me desnudo bem mais do que determinadas regras de conduta recomendariam para uma boa imagem social; sei que impregno nestes textos minha verve literária e meu hipotético talento para a escrita, e a arte, essa minha arte, serve como salvo conduto, serve como desculpa e álibi.

      Também imagino isso. Inclusive nas mesmas hipóteses da loteria, para logo pensar que não somos tão pobres assim.

      Gostaria que o Matheus ou o Luiz ganhassem na loteria e nos pagasse uma boa semana tudo grátis no Canadá ou na Alemanha.

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    5. (Há, claro, momentos geniais no twitter, como sua frase millõriana:

      "Cunha rompeu, a lógica é que muita gente co-rompa agora... ")

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    7. millôriana ahahaha.
      no fim, esse papo todo serviu pra uma decisão bombástica: vou colocar meu nome pelo avesso no twitter. olumôr

      contando os dias pra viagem ao canadá/germânia

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  6. Pô, e eu não sou monge nem Thoreau coisa nenhuma. Só sou reservado como acho que todo leitor devoto é. Há um paradoxo quando um blog de literatura como esse aqui publica comentários que falam de uma necessidade de velocidade e visibilidade imperativa inadiável (com fins não sei quais). Para quem ama os livros, como eu, o recolhimento é a situação mais normalmente e lógica possível, sem espanto algum.

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    1. Charlles,
      Uma tréplica menos sanguínea.
      Já esperava que você fosse se aproximar da experiência do twitter já desistido. Insistência minha. Aprendizado meu.
      Algumas diferenciações importantes que precisam ser feitas.
      1. Não estou argumentando que twitter é ou comporta literatura. Não é um mundo de Montaignes. Nunca disse isso. Mas tampouco é um mundo só feito de slogans monossilábicos de publicidade. Meu ponto é o de que não é um ou-ou.
      2. Já passado o afã de te convencer a usar do twitter para divulgação, vai meu segundo contraponto (um pouco inútil, é verdade, dado que não há mais convencimento). Muita gente interessada em literatura, e até já engajada até o pescoço no ofício, usa do twitter de forma estratégica para se aproximar do seu leitor, e até fazer conhecido ao seu leitor o que produz. Cito de cabeça o Galera (exemplo ruim), mas há também Salman Rushdie e nossa contenporânea Samanta Schweblin. Rushdie por exemplo usa do twitter para fazer as vezes de intelectual público (coisa que não pode na sua atividade de novelista) e para o seu playground da escrita. Não substitui o Versos Satânicos. Mas meu ponto é o de que não precisa contrapor ou substituí-lo. De novo, sem ou-ou. Ah, você sabe que o Milton tem e usa o twitter. Pergunta pra ele depois se não foi ferramenta útil para o blog. Acho que vai dizer que sim.
      3. Mas o meu ponto mais contundente é o de que percebo nessa sua recusa de tentar o twitter (experimentar de fato, pelo menos durante umas semanas) é o de que percebo o mesmo movimento de reclusão e apequenamento do seu leitor que vejo na sua escrita (e aqui no blog). Não vou citar aqui os muitos exemplos. Você os conhece bem.
      Em vez disso, uma pergunta. Qual foi a última vez que conversou seriamente sobre um projeto seu com um editor?
      4. Último ponto e bem rapidamente. (E digo esse ponto com a maior tranquilidade) Não se experimenta o twitter com uma dezena de seguidores.

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    2. " Analisei a fundo as relações do twitter nestes dois dias."

      Ah, bom...


      Assino embaixo do que Luiz disse, de novo. Choverá. (O que não é incomum por aqui - o verão foi uma semana muito bonita e suada. Estao todos convidados a pagarem suas próprias passagens e estadias em hoteis no centro da cidade. Um quarto aqui. Desculpa. De nada.)
      J. Marias no twitter (tá, sua "equipe", mas é uma presença). Acho que o Roger Scruton também.

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    3. Eu nem vou insistir mais se ele acha que pode ser um ingrediante alienante e viciante. Mas de fato, dois dias de exposição, seguindo apenas 23 pessoas, não dá mesmo a dimensão da potencialidade do twitter.
      Gostaria de ouvir a posição do Cassioney sobre o assunto já que ele tem conta de twitter e tuíta com frequência.

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    4. Pois estamos de acordo. Eu já tava planejando uma série de tweets plagiando frases de autores famosos, etc. A coisa é viciante, eu sei.

      Convenha que chega uma etapa do twitter para esses usuários citados em que as frases se transformam em pura e solilóquio propaganda. Tipo: lançamento do livro tal dia. Ou leia meu texto em tal link.

      O processo de se tornar um escritor é muito pessoal. Para o meu processo, pelo menos por agora o recolhimento das redes sociais afora esse blog é importante. Se algum dia eu escrever meu Filhos da meia noite e meu Amanhã na batalha pense em mim, o twitter e o facebook serão um complemento lógico vantajoso. Para mim, não vejo qualquer partida do porto do twitter.

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    5. https://www.youtube.com/watch?v=3p4aWJ3c__8

      YOU CAN'T SPEED THE LITERATURE

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    6. Isso!

      E a declaração do Eco sobre a burrice geral que domina a net.

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    7. Pois Luiz, estamos dizendo a mesma coisa. Veja bem: não se vivencia a experiência do twitter com apenas 10 seguidores, você diz. É aí que a coisa pega, pois uma vez que você tem vários seguidores no twitter, você sustenta um processo vampiresco de retroalimentação constante, e o meu temor é que a percepção de quem está dentro se torna comprometida demais para saber que se trata de um castelo de areia e uma perda de tempo. O vídeo do grass_ muitíssimo obrigado, anônimo_ é exemplar.

      E eu só vou publicar quando eu tiver absoluta convicção própria de que o trabalho realizado merece ser publicado. Não perco um fio de cabelo dos já poucos que me restam em saber de editor e editoras. Se estiver bom o suficiente para meus padrões, presumo que essa questão irá se resolver adequadamente. Aprendi bem o conselho do Rilke, adquirindo uma profissão que me garante viver sem que eu tenha que retorcer a literatura atrás de um caldinho de sobrevivência.

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    8. Para os que pensam em me criticar de esnobe ao dizer "para meus padrões elevados", eu tenho padrões de exigência bastante apurados realmente. O fato de que não tenha publicado nada até agora antes me abona da falta de modéstia do que me condena.

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  7. Ramiro Conceição25 de julho de 2015 08:58

    Charlles, não perca tempo com aquilo… Infelizmente, andei a perder o meu… Não faço mais… Se é pra fazer um pastiche, então é melhor um sanduiche com patê apimentado de atum. (Cuidado pra não engordar… O bicho é bom demais…).

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    1. Ramiro, era meia noite e meia ontem, eu estava em minha biblioteca e tinha vários livros no chão, como de costume, pois minha filha faz castelos e brinca com eles, e coube do seu Vagalúmen estar acima no monte. O reli de cabo a rabo. Que bela apresentação fez o Hamilton Faria.

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  9. Charlles e demais.
    Peço desculpas pelo comentário de mais cedo.
    A intenção era a das melhores, creia. Mas a execução foi uma lástima.

    Sinceramente,

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  10. Bom saber que meus textos servem para alguma coisa. A propósito, o twitter é não é bom. O mal necessário nos dias de hoje, assim como o Facebook. Só não vou aderir ao Watsapp, que não serve aos meus propósitos.

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  11. Ramiro Conceição2 de agosto de 2015 19:27

    Certamente,
    isso a seguir
    não caberia
    num twitter…

    MENINO DE CAMBURI
    by Ramiro Conceição

    Preciso caminhar por questão de saúde. Sou um dos milhões de diabéticos desse país. Fora isso, sou um privilegiado, tal qual constataria qualquer estudo sociológico: um professor concursado, em nível de pós-doutorado, a ministrar aulas e pesquisas em um Instituto Federal.

    A 400m do meu apartamento, está a Praia de Camburi… Acordo às cinco… Banho… Café… Escova de dente… Desodorante… Qualquer bermuda… Qualquer camiseta… Tenis… Uma pequena lágrima… Uma pequena oração… Beijos? Não… Vivo só… Mas mando-me ao mundo… É uma rotina paulatinamente planejada: 2h de caminhada em qualquer direção…

    Mas hoje foi diferente porque era sábado; e tudo aconteceu mais tarde… Quando voltava do roteiro trilhado, cruzei com alguém interessante, na barraca d’água de coco:

    - E aí patrão, o que vai?...

    - Um copo de R$ 1,50 (300mml).

    Enquanto bebericava, seguia de longe, na areia, aquela que se distanciava, mas me agradara… Bebi rápido!… Fui atrás… Tal qual predador… Todavia, a caça, além de desacelerar o passo, mudou de direção… Fiz o mesmo… Meu objetivo era chegar perto… Mas… A mulher que eu desejara tanto, com tanta inocência, se aproximara de um grupo de jovens brancos desesperados no entorno de algo…: um menino preto, pobre, sujo - e morto.

    Ali, sobre a areia de Camburi… Alí, sob o benigno sol… Ali, entregue ao caminho das formigas e também ao distanciamento covarde de meus passos… Ali, como resumo da tragédia… Ali, como a impossibilidade da parábola do bom samaritano.
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    P.S.: https://www.youtube.com/watch?v=S12B4aAIjWs






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    1. Ótimo e triste texto, Ramiro. Entre os seus melhores.

      E que música soberba essa do link. De queixo caído...

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    2. Ramiro Conceição2 de agosto de 2015 20:35

      Charlles, que tudo isso seja aos nossos filhos...

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