segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Michel Houellebecq e suas tentativas de relevância



A leitura desse fenômeno de vendas, chamado Michel Houellebecq, suscita muitas cogitações sobre o que vem a ser carisma na literatura contemporânea. Houellebecq é retorcido com certa insistência pelos seus leitores bem intencionados para caber no molde de um Jonathan Swift e de um Albert Camus, e mesmo em suas primeiras obras ele tendo demonstrado não ter nenhum propósito de se equivaler a esses modelos, já em seus romances mais recentes vem reagindo passivamente à essa necessidade de entendimento talvez de forma inconsciente. Em seu romance Plataforma, quando a temática das novas investiduras da dominação global através do turismo sexual dos antigos dominadores nas ex-colônias se junta à repercussão de um polêmica criada e exagerada pelos jornais, o carisma com muitas lacunas do autor sofre uma espécie de eufemização na tentativa de ver sarcasmo sofisticado no que aparentemente é apenas um niilismo grosseiro e uma astuta adequação ao que o público ávido por comprar livros requer. Tudo não passa de uma estratégia mercantil: o mercado encontra um escritor que polemiza dentro do gosto do freguês, e a mídia se apressa a potencializar o escândalo de uma elegante má reputação também ela com olhos raposinos nos lucros. É o par com sintonia perfeita para alimentar a fama e a glória para ambos os lados_ quantos jornalistas e formadores de opinião não passaram a se beneficiar largamente com documentários, reportagens e livros sobre Houellebecq?_: Houellebecq escreve Plataforma, um romance que só com muita credulidade poderia matizar delicadezas pontuais da política moderna como o turismo sexual e o islamismo, e a mídia ecoa com uma sensibilidade simuladamente ultrajada que realmente o autor brutaliza tanto o turismo sexual quanto o islamismo. Talvez o que satisfaz em primeiro plano o leitor nem seja a controversa, mas os mobiliários de cena os quais Houellebecq é pródigo em oferecer_ como paisagens, o tédio dos aeroportos e os apartamentos aquecidos de Paris_, mas a premissa sustentada pela propaganda feita para as sublimidades de sua escrita passa a dar a impressão ao leitor de que ele está ganhando algo mais profundo do que um simples hedonismo de viagem: há ali uma sarcasmo político, um humanismo às avessas, uma fina experiência filosófica. Quando Houellebecq escreve todo um romance sobre turismo sexual, que qualquer um levemente bem informado sabe ser uma característica de todos os países, algo notório e incapaz de provocar surpresas, o imaginário criado como áurea à sua mensagem secreta é que quando ele aparenta defender a exploração de meninas em países subdesenvolvidos ele está, na verdade, emulando Swift quando este satiriza que a solução para conter a desigualdade social da Irlanda é comer os filhos dos irlandeses pobres. E no seguimento dessa colaboração entre escritor e mídia publicitária, Houellebecq encerra Plataforma com um massacre provocado por islamitas, o que dá à obra uma segunda vertente de incorreção. Se o leitor tiver ânimo para uma segunda leitura de Plataforma, verá que sua primeira impressão é a certa, de que tal romance tem 400 páginas dedicadas a descrições sexuais de uma insensibilização fisiológica (com uma repetição da frase, que é uma assinatura do autor em todos os seus livros: "ejaculei violentamente"), e uma longa e morosa catalogação sobre a burocracia de como funciona uma agencia de turismo internacional. Não que Houellebecq seja mal escritor, mas a questão é que ele parece ter perdido a mão, parece que seu excepcional talento demonstrado nesta que é sua única grande obra, Partículas elementares, se limita agora apenas a um bom cenógrafo. 

Uma recente pesquisa apontou que as crianças mais bem educadas do mundo são as francesas. Elas não fazem bagunça em aviões, elas não gritam, elas não pulam, elas não atravessam os assuntos dos adultos, elas não dão birra: uma criança francesa, pelo que enalteceu as revistas que ensinam as etiquetas do bom comportamento para famílias abastadas, para todos os efeitos do bem público, simplesmente não existe. Elas estão lá como composição do ambiente, mas são esvaziadas desde muito pequenas de qualquer potencial de perturbação. O segredo para se obter uma criança destas, reproduz por nossa terras virtuais o site da revista Veja, é porque os franceses não as tratam como crianças, os franceses deixam bem claro que as vidas dos pais estão desvinculadas das vidas de seus filhos, no tocante a tudo que esteja externo à manutenção financeira de seus estudos, alimentação e saúde. O carinho é algo protocolar, biológico, como deve ser entre bons conviventes de idades diametralmente opostas e que só por um acaso envolve detalhes escatológicos triviais como a gravidez e amamentação. Eu sempre achei que a excepcional assepsia da educação parental dos franceses determinou toda a literatura francesa. Determinou que seja algo impossível para a literatura francesa gerar um escritor como Kafka, por exemplo; e determinou que a atmosfera de abandono cósmico pretendido por Beckett para seus romances tenha levado Beckett a optar escrevê-los em francês. Nenhum escritor francês jamais teria a capacidade idiossincrática de centrar a figura do pai em sua obra, como fez Kafka, nem nas complexas identificações deístas do pai como em O processo e O castelo, nem mesmo no mais pungente debate com a tirania caseira do pai em Carta ao pai. Para um escritor francês, a figura do pai é meramente um assombro muito bem estancado em eras passadas a ponto de se tornar um reminiscente sem nenhum apelo filosófico em seus genes; o pai na literatura francesa tem um peso bovino, de animal associado a ilesas características reprodutoras, de uma figura que aparece nas fotos com uma seca intranscendência que é visto pelo seu filho com a falta de qualquer necessidade de esgotamento racional; o pai poupou o filho de especulações esotéricas, de nostalgias emocionalmente pouco econômicas e desgastantes; o pai oferece ao filho o dever de devolver no final da vida do pai a mesma polidez de ausência de toques desnecessários que este outorgou ao filho, na infância. Mesmo Camus, o menos francês dos escritores em francês, fracassou diante o abismo de tentar escrever uma elegia mais ocidental a seu pai, em O primeiro homem, quando todas as suas pretendidas observações sobre o túmulo do pai se transformam no mesmo ruído proximal e sem fôlego, expirado com pressa. E por isso o mais próximo do afeto paternal que se encontra na expressão francesa seja o da eutanásia do pai: seja no filme As invasões bárbaras, ou no romance de Houellebecq, O mapa e o território. Mas algo tão reativo para a arte como a figura do pai não é extirpado sem sérias consequências estéticas e significantes: a literatura francesa moderna é incapaz de se beneficiar da riqueza do tema da paternidade (temos aqui a mais gritante das exceções à regra na figura de Proust, principalmente na tocante e belíssima relação de paternidade entre o sr. Vinteuil e sua filha, que se acentua e perde todos os atenuantes regidos na educação da filha somente após a morte do pai, e na relação peculiar e terna do narrador com sua mãe).

Isso é amplamente visto nos romances de Houellebecq. Para nós, leitores sul-americanos, a assepsia da importância do pai é ainda mais implacável, nós que sempre fomos muito mau criados em nossos mimos de compensações supersticiosas e nossas balanças de afeto católicas, o que para o leitor francês de Houellebcq não passa de pedantismo circunstancial. Essa ausência de esoterismo afeta muito a qualidade da mais ambiciosa obra de Houellebecq, O mapa e o território. Esse romance é a prova de força do que sobra do carisma do autor quando ele tenta dar-se autonomia de escritor relevante negando-se a manter um contrato tão evidente de recíprocas garantias com a mídia polemista. Neste romance Houllebecq abre mão do sexo (há poucas cenas, e a usual frase "ejaculou violentamente"), não o colocando como um dos pés da obra; e aqui ele não recorre ao escândalo ou à maledicência. Sua tentativa de autonomia é respeitável, mas o que ele pretende ser a aproximação ao patamar sério de um Camus, acaba mostrando vários defeitos na obra. O defeito recorrente é o unidimensionalismo dos personagens: o herói da trama é bonzinho demais, racional demais, se permitindo um arroubo de violência moderada no final para ganhar legitimidade. As mulheres ainda são as sacerdotisas agradecidas dos desejos dos machos, que muito tem colaborado para as feministas verem no autor a encarnação do demônio, mas com menos disposição ao sacerdócio do que aparecem nos outros romances: elas arvoram uma inédita independência, sendo que a namorada do herói o deixa pela carreira profissional_ aqui, pela primeira vez, Houllebecq permite que uma de suas mulheres tenha humor, na figura da promotora de exposições do herói. O segundo e mais grave erro foi a técnica mal sucedida do próprio autor se pôr como um personagem no livo: na verdade é o que o livro tem de melhor, um Houellebecq pouco higiênico e com abstrusões de humor, mas o sentido da coisa fica incompreensível e a brutalidade da resolução dada ao artifício dá a impressão de uma mera comicidade gratuita.

A parte genuína da obra, a que parece capaz de alçar Houellebecq para um novo patamar, é a relação entre o pintor e herói da narrativa, Jed Martin, com seu pai. Martin é um recente milionário das artes, e seu pai é um profissional do ramo da arquitetura que está prestes a enfrentar o vazio de uma aposentadoria sem os vícios urbanos do excesso benemérito de trabalho. A convivência entre os dois, como não haveria de deixar de ser, é fria, distanciada, monologal, mecânica. Todo o peso da excepcional educação pragmática é visto na vida de Martin: seu determinismo ao sucesso, seu apartamento de alto luxo sem mobília em que ele dorme em um colchonete suportando o ronco do aquecedor sempre estragado, seus meses em que fica trancado em casa pintando, sem falar com ninguém, ao ponto de um simples pedido em uma padaria ser um esforço de desatrofiamento das cordas vocais. Martin vive a angústia de sua mãe ter suicidado antes que sua memória infantil pudesse perpetuar uma imagem dela. Martin é muito francês em seu polimento e suas reservas, em seu humanismo embutido aquém da racionalização. É o mais humano dos personagens de Houllebecq, em uma bibliografia recheada de personagens que estão situados além do bem e do mal, o mais próximo a um desentronamento de seu casulo para ser aquecido por uma impressão de alteridade. Uma vez, sem motivo algum, ele desce de seu apartamento e vai até o escritório do pai, apenas para estar diante dele, sabendo que a mesma inexorável falta de assunto vai abater sobre eles. O pai o recebe esbaforido, em pleno meio de um dia hipertensivo, e o repreende por assustá-lo e pelo nonsense da visita. Tempos depois, o próprio pai o visita, e eles bebem junto, num clima de intimidade desconcertante de uma primeira vez, e com o laconismo de sempre o pai lhe diz que vai recorrer à eutanásia em uma clínica suíça, porque se nega suportar o tratamento de um câncer de reto. É a última vez que se veem. Martin, em um novo arroubo, parte para procurar a clínica suíça para saber sobre os últimos momentos do pai, e encontra um prédio branco límpido e com a pureza sem exaltação dos muito ricos e muito civilizados. Lá, ele é atendido por uma mulher insípida e crua, avessa sem a mínima paciência a atender à vontade de Martin de saber o que seu pai viu e falou em seus momentos finais. Ele a soca e a espanca violentamente, a deixando atirada em evidente coma no chão, e sai diligentemente até o aeroporto, contando ser preso a qualquer hora. Neste momento, se fosse um filme, a plateia do cinema com certeza teria se regozijado em gritos e batido palmas. Martin vê que uma clínica destinada a multi-milionários jamais iria procurar os noticiários com algo uma denúncia de espancamento, e ele chega de volta à Paris. Quando ele estava procurando a clínica, um erro de interpretação idiomática faz com que o taxista o leve a um bordel de luxo. Houellebcq faz um novo esforço em adstringir o peso da vida com comparações do quanto seria melhor se o pai de Martin tivesse recorrido ao hedonismo do braço daquelas moças, no final da vida, em vez da solução da clínica. Inconscientemente ele acabou transformando todo o bem engendrado mobiliário de cena apto para reflexões mais profundas no mesmo clichê dessa vez sexualmente ponderado de seus outros livros. O único alcance obtido foi esse: a figura do pai fracassa em produzir algo substancial e vira uma decantada comédia. O que é revelado como mais diagnóstico desse fracasso é que o pai de Martin, na juventude, sonhou ser também um artista.

O vazio da paternidade é o tema de O mapa e o território. O personagem mais interessante, um chefe de polícia que é lamentavelmente aposentado da narrativa sem qualquer explicação próximo ao término do romance, é um pai fracassado por causa de sua oligoespermia, a quase nula produção de esperma. Isso que ele considera a maior dor da sua vida é contornada com o lenitivo da criação de um cachorrinho e de uma vida atenções sanitárias recíprocas com a sua esposa. O próprio Houellebecq que aparece no livro é um órfão sedimentado, um órfão insofismável. O órfão padrão francês, com selo de qualidade. E tudo passa. A vida deles todos passa e é descrita até o fim a decomposição rumo à velhice e à morte de Martin. E o romance termina com a tristeza cada vez mais plástica e vazia de Houellebecq, que o conclui com o carisma típico de um escritor famoso que se sustenta pelo comedimento chique e pela competência de mobiliar bem a narrativa. Há uma tentativa de criticar a sociedade de consumo num novo coisismo em que Houllebecq faz de seu livro uma repetição da obra consumida, descrevendo manuais de funcionamento de carros e outros utensílios do desejo do homem moderno comum.

É impossível não se questionar por que Houellebecq é um dos escritores que mais se vendem no panorama atual das letras. Seus leitores são como ele? Ele fala o que pensa? Ele é uma forma ultra-moderna de sátiro? O que eu acho é que Houellebecq expressa muito mais sobre o que realmente é em seus livros, e o fato de ser brutalmente assassinado em O mapa e o território revela uma catarse auto-crítica que talvez aponta para uma nova exploração pessoal nas próximas obras. Ele se fez morrer talvez como forma de mea culpa. O que eu acho é que sua intranscendência é um espelho da mesma característica do homem consumidor de cultura do alto desse século XXI, bem localizado em sua falta de necessidade do autêntico e refestelado com o que a bijuteria fina da aparência do autêntico lhe dá de garantias de sofisticação e conteúdo. Uma leitura rarefeita e dentro de certos parâmetros válida, com a precisão de oferecer a matéria hercúlea de 400 páginas com a fluidez de leituras de revista. Uma leitura, no final das contas, inofensiva em toda sua comburência de coisa perigosa, fechada em seu círculo de validade ao ter como polo receptor um consumidor exatamente igual a ela.

88 comentários:

  1. Ramiro Conceição6 de janeiro de 2015 17:19

    “Tudo não passa de uma estratégia mercantil: o mercado encontra um escritor que polemiza dentro do gosto do freguês, e a mídia se apressa a potencializar o escândalo de uma elegante má reputação também ela com olhos raposinos nos lucros.”
    *
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    CÃO DO MATO
    by Ramiro Conceição

    Nunca dormiu cedo.
    Foi pó pra todo lado.
    Era “Cão do Mato” na relva,
    o Maiquil Jackson da Silva:

    aos quinze matou cinco;
    aos dezesseis mais seis;
    aos dezessete foi tatuado
    com o calor de 10 balaços;
    e latiu… Pela última vez.

    Mas… Quem foi o culpado?

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  2. João Antonio Guerra6 de janeiro de 2015 19:49

    Depois que descobri e amei Naipaul (falei várias vezes: descobri aqui, muito obrigado), empurrei o homem pra alguns amigos; de volta, bem depois, me empurraram o Houellebecq. Eu supostamente gostaria da escrita polemizante do francês, que seria semelhante ao Naipaul e tal. Tentei muito gostar, juro, mas logo vi que não havia um pingo de Naipaul ali: achei justamente ortodoxo demais, fraseados de best-seller (bem, ele tem motivo pra isso: é best-seller, afinal de contas), confiança demais na imagem que o leitor de Houellebecq tem do autor antes mesmo de abrir o livro e se tornar, de fato, leitor de Houllebecq -- enfim, Publicidade & Propaganda, a duplinha sempre pronta pra falsificar a capacidade dos escritores (e cineastas e músicos etc.) da-moda. O Matheus adora, e você ainda conseguiu gostar até certo ponto; no meu caso, passei pelo Partículas Elementares e pelo O Mapa e o Território, e nadinha ainda.

    O Matheus postou algumas entrevistas do Houellebecq por aqui, e eu tive a impressão de que ele é mais interessante do que seus livros, mas os franceses já tem Godard e sua ojeriza pynchoniana ao jornalismo -- só que sem a força de vontade do Pynchon de sequer se aproximar de jornalistas -- que rende sempre excelentes entrevistas fracassadas. Daí dá pra alfinetar uma última vez e dizer que o Houellebecq é irrelevante até como francês irascível.

    Apesar de tudo: ainda pego e leio Plataforma, e quero ler o Submissão depois que sair e traduzirem. Sei lá. Teima.

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    1. João Antonio Guerra6 de janeiro de 2015 20:02

      Peguei a primeira parte do teu Anamnese, Charlles, e abandonei poucos parágrafos texto adentro, com receio de alguma informação indesejada sobre o romance. Acredito que não seja pra tanto, é só um receio bobo meu, mas ainda assim vou ler Anamnese só depois do VALIS. Pelo pouquinho que li, você abriu o ano de uma maneira sensacional. Fico muito feliz.

      Em tempo: uma amiga minha achou num sebo Ermos e Gerais, Caminhos e Descaminhos e Veranico de Janeiro, todos livros de contos daquele Bernardo Élis esquecido lá. Contou que dois deles eram primeiras edições (não disse quais), e que os três estavam autografados. Pagou um real por cada. Deu uma pena do Bernardo Élis.

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    2. Obrigado, João. Não creio que haja spoilers nestes três textos. Segue o padrão "falar do que o livro me causou sem falar do livro". Acho que um dos únicos textos meus que contêm spoilers é justamente este sobre Houellebecq. Contudo, não posso afirmar com certeza sobre os Anamneses pois ainda não tive coragem de relê-los.

      Fico muito triste com essa informação sobre os livros de Élis, João, você não sabe o quanto. Um real por uma primeira edição autografada. Por favor, se puder, confirme se é realmente verdade. Isso daria um conto; daria um romance, desses médio europeus do entre guerras, bem triste e cheio de símbolos, e ao mesmo tempos seria puramente a história de um país chamado Brasil, com sua cultura e a falência visceral de um dos que seria seu grande escritor.

      Naipaul e Houellebecq? Nada a ver. Naipaul é um dos maiores escritores em inglês dos últimos 50 anos _ em algumas listas, fica em primeiro lugar, acima de Bellow_, e mesmo o tema dele em nada toca o tema de Houellebecq. Fraseado de best-seller é uma ótima definição. Eu sou um leitor voraz, e continuarei lendo Houellebecq. Matheus me mandou um e-mail bem humorada sobre essa resenha. Aliás preciso respondê-lo. Tem sempre o escritor herói nos ciclos da vida de um leitor: nunca connfessei isso aqui, mas minha primeira paixão entre os escritores, antes de sequer conhecer Faulkner, foi, por anos, Hermann Hesse. Li tudo dele, em uma época em que todos falavam mal de Hesse e não havia nenhuma revista que o citava senão para lascar o pau. Não estou comparando com Matheus. Houellebecq é muito bem visto entre a mídia cultural, pode ser que daqui algumas décadas se torne nada, ou se revele um clássico.

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  3. João Antonio Guerra7 de janeiro de 2015 12:21

    Rápido, sem nem checar muito os dados, que a situação é insana:
    hoje é o lançamento do Submissão do Houellebecq;
    a capa da revista Charlie Hebdo (a que satirizou Maomé um tempo atrás) desta semana é sobre o Submissão do Houellebecq;
    o Submissão é aparentemente uma espécie de distopia em que a França se torna um estado muçulmano;
    um grupo homens identificados até agora como muçulmanos atacou os escritórios da Charlie Hebdo em Paris, matando 12 e ferindo mais de uma dezena.

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    1. Michel Houellebecq escreveu, no livro "Partículas Elementares", em 1998, que o islamismo "é a mais estúpida das religiões". Foi processado por duas associações islâmicas na França. Ganhou ambos. No livro "Plataforma", de 2001, resolveu repetir a mesma frase. O livro termina com um atentado terrorista. Para mostrar que não concordavam com o autor, os seus próprios editores resolveram ir a uma mesquita numa manhã para serem fotografados. Era a manhã do dia 11 de setembro de 2001. Alguns nascem para serem profetas de verdade. Outros nascem para colocarem uma toalha na cabeça e criar uma religião que só trouxe miséria, morte e destruição para o mundo.

      Flavio Morgenstern


      E agora esse ataque. justamente à revista Hebdo, justamente na semana em que Submissão é o chamariz. Vai vender pra caralho de novo. Se Houellebecq é best-seller, deve-se pensar honestamente porquê. "Ah é reacionário", "é polemista barato", "um Paulo Coelho pretensamente intelectual", "racista, xenófobo, do malll" (viram como foi ridícula a atitude doe entrevistador naquele link?), etc. Ou talvez porque seja o que mete o dedo na ferida. Por que nota melhor que a maioria o tempo em que vive.

      Ainda não li teu texto, como te expliquei, Charlie Campô, mas o farei agora. Ela está melhor e agora tem um notebook e internet a disposição. Tensão diminuiu. Ufa.

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    2. Latuff anos atrás culpou a própria revista, vítima de ataque. E agora?
      https://pbs.twimg.com/media/B6wPl8cIcAAxePA.jpg:large

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    3. “Esse jornal deveria compreender que isso não se faz, é atrair problema”, disse, ao vivo na Globonews, a professora Arlene Clemesha, da USP. “É claro que não estou defendendo os ataques, mas não se deve fazer humor com o outro.” A professora ainda chamou a revista de sensacionalista. O Charlie Hebdo não é sensacionalista – é uma revista satírica parecida com O Pasquim, que a professora deve adorar.

      Pouco antes, o professor William Gonçalves, da UERJ, foi mais constrangedor. Culpou os próprios jornalistas pelos ataques, disse que as charges foram um ato de irresponsabilidade e perguntou qual é a graça de se fazer charges com Maomé. “Quem faz uma provocação dessa não poderia esperar coisa muito diferente”, diz ele.

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    4. Eu escrevi um comentário longo aqui e a internet saiu fora do ar.

      Mas vamos lá de novo. (Desânimo.)

      A questão é que Hou não é esse polêmico que querem vender. Que contestação tem Plataforma? nenhuma. são 350 páginas de uma chatice sem fim, que tenta a compensação nas últimas páginas que parecem mais terem sido escritas por Stephen King. Cenas de mutilação de filme b. Onde está a acidez e a ferocidade que apontam nele? Qd fui ler plataforma, eu estava preparado pela imprensa a ler algo afrontoso, irritante, que iria provocar um ódio em mim apaixonado pelo cara. E só tive tédio e a visão de que H. era um cara comum.

      E o efeito colateral da cena dos terroristas? Os terroristas saem como heróis na mente do leitor. O que eles fizeram? reagiram a europeus hedonistas ricos que estavam promovendo turismo sexual e exploração sexual com as mulheres e adolescentes dos países subdesenvolvidos. Europeus que tentaram fazer a mesma coisa em países ricos mais foram rechaçados e postos a correr pelas leis civilizatórias. E o que fazem os terroristas? Um limpa nessa intenção pérfida. Ou seja, o que H estava querendo dizer? na minha interpretação, ele estava dando aval aos terroristas, como única força contestatória real em prol dos oprimidos, mesmo as intenções políticas e o horror verdadeiro que subjaz nisso. A mesma coisa que fez em partículas elementares, um dos melhores livros que li nos últimos 5 anos, em que usa o excesso de sexo para falar que o sexo é o responsável pela violência e barbárie humanas. Lembrando que a promessa desses terroristas suicidas (não foi o caso em Paris, pois eles saíram fugindo, vivos), são as virgens que os esperam no paraíso.

      Espero que H, se cuide. O ocidente não tem mais peito para lidar com o islã. Até com um ataque cibernético da Coréia do Norte, que tem um exército artesanal ridículo, o ocidente se curva em covardia, imagine com o islã. Leia a autobiografia do Rusdhie e verá o quanto o ocidente é despreparado e acovardado para enfrentar o islã.

      Latuff só dá tiro no pé.

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    5. Fico feliz que esteja tudo bem com vocês.

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    6. Um detalhe interessante: por que esses terroristas de Paris não são suicidas? Há algo eloquente nisso. Para um inimigo que se mostra fraco cada vez mais, não merece mais que eles sacrifiquem suas vidas.

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    7. Espero que não demorem a traduzir o livro no Houellebecq para o Brasil. Quando abrirem a fila de espera, estarei lá.

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    8. Não há o que fazer, então? Devemos aguardar a chegada dos toalhas-na-cabeça e apresentar nenhuma resistência, desistir do legado civilizatório (o pouco do que ainda não destruímos ou abandonamos)?

      Há o que fazer. É possível reverter. Agarrar-se na única Fé, abandonar o politicamente correto, tomar consciência do grande abismo que foi colocado à nossa frente com a modernidade e seu 'progresso' laicizante e secular. É preciso que se entenda: eles não são as vítimas.

      Talvez só nos resta esperança e fé - e talvez só precisemos delas, principalmente de fé.

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    9. Soumission é alvo de uma primeira edição de 150 mil exemplares e está já no topo da lista de best-sellers da Amazon francesa, algo pouco surpreendente tendo em conta o estatuto do autor de As Partículas Elementares, que acumula os títulos de mais polémico e mais célebre romancista francês da actualidade. Soumission, porém, parece estar a ultrapassar polémicas anteriores. A AFP escreve que a “avalanche de comentários” gerados pela obra na imprensa e nas redes sociais é, “segundo vários peritos”, algo “nunca visto em França a propósito de um romance”.

      http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/michel-houellebecq-defendese-das-acusacoes-de-islamofobia-no-dia-em-e-publicado-o-seu-novo-romance-1681428

      --

      Estou pensando em pegar emprestado um porco com meus familiares e amarrá-lo numa obra aqui em Porto Alegre na Oscar Pereira. Já tem muçulmano em excesso em Chui, Serafina Correa, Porto Alegre mesmo. Um já é demais.

      Acertou Rushdie, pois quem apareceu a Maomé não foi Gabriel, mas aquele que havia tentado o Filho, e uma vez mais no deserto. Mas Rushdie se acovardou e voltou a se ajoelhar no tapetinho, orando ao Diabo.

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    10. O que me mantem leitor de H é sua ambiguidade. Parte considerável da imprensa e de seus leitores o elogiam pela mensagem errada. Plataforma é uma defesa ao islã, e não uma condenação. O leitor chega a se compadecer do narrador trista que perde a namorada e sua felicidade graças a uma turma brutal de terroristas, mas quem é o narrador de H.? Um típico personagem hedonista, egoísta, eugenista e preconceituoso de H, sem a mínima capacidade para a alteridade. Alguém imune à noção do outro. Ou seja, H é astuto o suficiente para levar o leitor a se compadecer de um animal, no sentido de um ser biológico sem racionalidade e vivendo pela manutenção de seus instintos. O próprio narrador tem um arroubo de auto-lucidez e diz que seres como ele determinariam o fim da humanidade. Homo consumens flácidos e sem alma que o Nietzsche profetizou para o fim da história. E parte mais lírica de Plataforma, que justifica o título e que se assemelha muito à parte que justifica o título em O apanhador no campo de centeio, o narrador lembra de seu momento mais feliz, quando era criança e sobe em uma plataforma de comunicação no campo, e sente a felicidade de estar apartado do mundo lá em cima, longe da humanidade.

      Os verdadeiros heróis de H em plataforma são os terroristas islâmicos, os que ainda são promotores da transformação da história. Não que H esteja com eles, mas através deles ele diz o quanto o humanidade e o homem ocidental já assinou a sua morte, e espera a sentença que se cumpre divagar em meio a seus carros de luxo, seus celulares, sua tv (o Houellebecq de o Território fica o dia inteiro trancado em casa assistindo à Discovery Kids), espera que seja substituído e extinguido. E o que aponta como elementos dessa substituição são os fortes homens ainda investidos da sanguinária moral do princípio da história. E H, faz pensar quem são os verdadeiros bárbaros do mundo: o europeu e congêneres (nós e os americanos_ uma das vítimas no atentado de Plataforma é um americano simpático, alcoólatra e inútil) refestelados em sua omissão homicida e exploratória do novo colonialismo à distância, ainda vivendo em cima da morte de asiáticos e africanos e indonésios, ou são bárbaros os entre esses explorados que tem a coragem de contra-atacar?

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    11. Plataforma como defesa ao islam? Perdão, brother, mas discordo. Sim, mais um personagem francês hedonista, egoísta, eugenista, um simples homem semi-desalmado (um fiapo de alma ainda restava nele, ao menos até a morte da namorada) incapaz de modificar a si mesmo e as pessoas ao seu redor, o resultado da modernidade, com uma única vontade: deixar de existir.

      Mas daí pressupor que está se fazendo uma defesa do islam e de seus soldados submissos às palavras do suposto profeta, por ainda encontrarem forças para combater o ocidente, o inimigo, de maneira bárbara e 'corajosa', de que eles sejam HERÓIS como escreveste, nossa, vai muito longe.

      Isso é o teu lado esquerdista hobsbawniano falando mais alto, misturado com a tua aversão à religião institucionalizada ocidental (pois não tens nada contra o cristianismo primitivo, que disseste ser the real thing ou o mais próximo disso, e não por acaso gostas do Tolstoi dos últimos dias que excomungado foi), com uma pitada de assombro ao orientalismo místico por qual tens uma quedinha, e então enxergas o islam e seus membros dessa forma romantizada, irreal. Parece até que caíste no conto daqueles muçulmanos sufis, como René Guenon, aceitando que somente o Islam é capaz de restaurar a Ordem, que o ocidente e a Igreja Católica perderam seu tempo, entreguem-se, não há escapatória, apenas aceitem, submetam-se, vai ser melhor assim, deixa eu te amansar...

      Não, de jeito nenhum eles são os heróis em Plataforma. Não há heróis, nem vítimas.

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    12. Matheus, tente interpretar sem o lado pessoal. Eu jamais estou do lado do islã. Onde eu disse isso, meu chapa? Eu repudio tudo relacionado ao islã, seu tratamento com as mulheres, sua hipocrisia político-manipuladora com o verniz de misticismo puro, sua condenação à toda forma de arte, sua completa falta de sutileza no entendimento, etc. Aí você está recaindo nessa sua mania tola de achar que todo mundo é bipartidário, aliás uma coisa bem de brasileiro, o tipo de brasileiro do qual você não quer se ver relacionado. O brasileiro cordial do Buarque de Hollanda, que não consegue afastar a pessoalidade de sua compreensão restringida ao coração. Fica difícil debater com você se você só fica no ataque pessoal.

      Tem uma coisa que o Ferguson diz que é muito clarificante: uma coisa é entender a história como ela deveria ser, outra é ver como ela é, com seu enorme caos e sua lógica muitas vezes a-moral, que parece atender ao darwinismo. O que H faz, a meu ver_ e é importante que cada um tenha a sua interpretação da obra de arte, aqui eu dou a minha_, é se identificar como esse último homem das teorias de Niet, e anunciar a irreversibilidade da extinção desse homem para a qual a história aponta, e ao mesmo tempo apontar o que vem substituí-lo. H. insinua que a ausência da fase do iluminismo para o islã, que todo professor de história do segundo grau diagnosticou como a causa por essas sociedades terem ficado técnica e civilizatoriamente atrasadas em relação ao ocidente, irá ser recompensada agora, com a sobreposição paulatina do islã à Europa agonizante. Lembra que o narrador de Plataforma mais seu grupo de empresários de turismo almeja levar o turismo sexual para os países atrasados, que depois da Indonésia seu próximo passo era a África, o Brasil e a Àsia? Se vc entender isso ao pé da letra, vai estar repetindo a falta de sutileza do islã. Não que H defenda a legitimidade do islã, mas ele diz que o emaciamento total do homem ocidental, através da lógica fergusiana da história, dá lugar à ascensão do islã. A mesma coisa que o próprio Ferguson diz em "Ocidente-oriente". Claro que eu gostaria de uma retaliação eficaz à todas as formas de barbáries, principalmente às de patriarcado religioso, mas eu querer isso é me colocar no entendimento raso de meus desejos pessoais de um mundo ideal, o que não colabora absolutamente nada para o discurso.

      Mesmo sem saber do que realmente se trata Submissão, mas a informação de que se trata da história sob um presidente muçulmano na França, já dá uma direção para quem H, acha que pende a balança do poder atual.

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    13. P.S.: Ferguson, em Ocidente-oriente, diz que agora será a vez da China no cenário mundial, e, em decorrência, das forças orientais que ficaram durante séculos fomentando debaixo da sucessiva decadência do polo detentor de poder do ocidente.

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    14. Outra coisa: Houellebecq relaciona o sexo à causa de toda violência do ser-humano em Partículas elementares. Fazendo uma linha de coerência entre as mensagens dos livros de Hoeullebecq, em Plataforma os europeus projetam levar o sexo livre e hedonista para todos os países subdesenvolvidos que conseguissem; logo, levarem a causa da violência e da perpetuação do atraso, através desse turismo sexual altamente predatório. O que resta ao ocidente levar para as antigas colônias?, apenas a desforra de seus traumas e de suas insatisfações como cidadães vazios pela opulência na última figura exploratória que sobrou da estrutura vilipendiadora do colonizador: o sexo. O abuso das mulheres indonésias, africanas, asiáticas e brasileiras, sustentado pelo ambiente histórico de fome e miséria que esses mesmos europeus ajudaram firmemente a promover durante séculos. A única coisa que os europeus de Houellebecq levam para as antigas colônias é só mais uma terrível forma final da morte através do sexo, o sexo que um dos irmãos de Partículas elementares extinguiu cientificamente para o melhoramento da espécie. Aqui Houellebecq diz o mesmo que Pynchon sobre os suicídio étnico dos herero em Arco-iris da Gravidade, e mesma compensação que sobra para a consciência pesada do europeu em aceitar levar até o fim a gravidez provinda do estupro de um africano, em Desonra, do Coetzee.

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    15. Não posso comentar a contento hoje. Por agora passo para lamentar a Islamophobia solta na caixa de comentários. Uma pena.

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    16. O que o islã enquanto religião e dogmas aplicáveis tem de bom, Luiz? Sinceramente. Fico tão longe desse islã quanto fico da religião de Moisés e do cristianismo pentecostal. Só vejo barbárie, usura, aberração e tudo mais que existe de terrível, prepotente e atrasado. Meu islã é a Malala. Vai falar para ela sobre a necessidade de correção política.

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    17. Apesar de toda a cansativa tentativa de eufemização (o mundo do discurso moderno se limita apenas a isso: eufemização), o islã é aquele mundo que deu um tiro na cabeça de uma menina porque ela queria apenas ter direito a educação formal e porque ela escrevia em um blog.

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    18. Quando seria que eu iria defender uma religião que julga seu deus sério demais para decretar a morte de cartunistas. Mas assim como Niet diz, no célebre texto em Além do bem e do mal (número 251) em que ele diz que o povo judeu é muito mais forte do que o alemão justamente por ser inflexível e adepto à se moldar aos sofrimento, o islã que ora se vê é muito mais forte como povo do que os europeus e ocidentais de modo geral. O máximo que um ocidental pode dar a vida seria para um i-phone 6.

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    19. E essas opiniões, da minha parte, nada tem de islamofobia. É um posicionamento. Canetti em Massa e poder foi um dos primeiros intelectuais que teve a honestidade de escrever o que pensava ao dizer que era uma religião cujo preceito era o assassinato. Na verdade, não difere da grande maioria das religiões.

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    20. Não quis levar para o pessoal, Charlles. Acredito que certos autores e ideiás influenciam demais nosso pensamento, formando uma sombra atrás de nós, seja quem for.
      Nem pensei que estivesse ao lado do Islã. Muito menos enxerguei isso como um jogo de 'nós x eles'.

      Também compreendo a obra dele assim, do homem que não tem mais história para contar e menos vontade ainda para viver, exaurida pela Modernidade e pelo Iluminismo (e a democriacia, e o ateismo, e o liberalismo, e o laicismo, e o socialismo, e a liberdade sexual etc.), e, sim, esse Homem será extinto, e aqueles que não possuem crença em divindade alguma, entediados por reprises de programas de televisão e regradas punhetas diárias, ou mulheres que dizem ser feministas apenas para não sofrer repreensão das trOO feministas mas que estão cansados de lutar (no trabalho, nas ruas, na cama), essa gente não terá dificuldade em aceitar uma nova ordenação a partir do islam e de suas leis. Mais ou menos como o Império Romano...

      Não foi o católico gordinho Chesterton que disse "quando se deixa de acreditar em Deus, passa-se a acreditar em qualquer coisa"? Pois então, acreditou-se na ciência, na natureza (retorno do paganismo), no diabo...e agora no Islam e em seu profeta. Ou seja, isso que Houellebecq escreve é nada novo, já cistaste mesmo Nieztche, e passou-se um século assistindo tudo passivamente, todas as instituições, a não ser a Igreja Católica até o famigerado Concílio Vaticano II, que a colocou de joelhos ante tudo e todos que querem sua destruição e do que ela representa - Ele. E o que me deixou uma ARARA contigo (usando uma terminologia do meu pai, auhsausa que coisa) foi esse aparente "ah, não dá mais; já era, negão!" teu.

      Se fui grosso - e fui - foi por quedar-me angustiado com teu desalento e com uma possível compreensão superior tua das coisas que estão acontecendo no mundo, de que é irreversível.

      E isso é assombroso.

      Abraços, cara.

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    21. 'Jogo de nós x eles' e você estando do lado deles, óbvio que não. Isso que quis dizer.

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    22. O "desânimo" ao qual me referi acima foi quanto a escrever tudo de novo de um longo comentário apagado pela porcaria de internet (cara) que temos por aqui.

      Infelizmente_ não conto como superior a minha visão do mundo_ eu acho que a decadência do homem moderno é irreversível. Creio mesmo que 99% dos meus textos aqui expressam isso (esse meu pavor, esse meu horror profundo).

      Costumo tentar diagnosticar o que se passa comigo através dos meus pesadelos noturnos. E o que anda vindo do fundo de mim_ esta última noite mesmo_ é uma impressão angustiante de solidão. Sonho que eu estou absolutamente sozinho no meio da multidão, sem ninguém. Isso é muito ruim, cara. Acordo com um amor desesperado e renovado pela minha família. E penso que essa tensão é algo disseminado para todo mundo. Todo mundo vive hoje um pesadelo de solidão, um abismo não solucionável, uma certeza camuflada de falta de sentido. Somos cada vez mais o hollow man do T. S. Eliot, "com o elmo cheio de nada".

      E o que é isso diante a sustentação ativa da crença morticínio?

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    23. E o desânimo ao qual me referi foi em relação a isso que agora escreveste - pavor, horror profundo, processo irreversível.
      Eu nem ando dormindo também, desesperado para abraçá-la, para não sair mais de seu lado, para dizer "vai ficar tudo bem", mas tudo indicando que não, nada ficará bem.
      Te mandei emails.
      Abração, brother.

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    24. Sobre Houellebecq e sexo e afins: sim, assino embaixo o que escreveste. Há quinhentos anos europeus pisaram nas colônias e muitos deles carregavam consigo somente a torpeza e obscenidade de seus desejos mais baixos, escondidas no Velho Mundo, mas libertas no Novo. Logo após as missões religiosas começaram, mas nunca conseguiram eliminar o barbarismo que primeiro se apoderou de porções quase eternas desta terra. (Os muçulmanos também não foram bonzinhos em sua expansão, sua escravidão é conhecida, mas talvez seja islamofobia minha).
      O que os colonizadores, quinhentos, quatrocentos, trezentos, duzentos ou cem anos depois, sem o temor a Deus; com a busca de liberdade e mais liberdade; com a necessidade insana de satisfazer todos os desejos e vontades, de mais e mais comida e vinho pela boca, de mais e mais bugigangas brilhantes e caras para adornar seus corpos vazios, de gozar a todo momento e em todos os lugares, para todo mundo ver o quanto são sexuais, felizes e libertos; o que esses colonizadores poderiam fazer com as ex-colônias senão levá-las, uma vez mais, seu modelo de vida, seu CREDO? Se anteriormente, na praia, desembarcou civilização, agora nos aeroportos não poderia atravessar pelo check-in de passaporte outra coisa. Do que adiantou libertar-se sexualmente, tornando-se escravo do prazer? Do que adiantou destruir o patriarcado, se homens e mulheres não encontram rumo e sentido em vidas solitárias e infelizes? Do que adiantou desenvolver tanto a ciência, se é possível destruir-se num piscar de olhos? (e nessas partes até lembra, um pouquinho, só um pouquinho, um escritor judeu) Sim, Charlie, é isso mesmo, não estamos em desacordo nisso.
      Mas sem Iluminismo e suas crias, que sobra? Cristandade? Mas essa foi destruída - ou pixada, esculhambada, defenestrada - pelo primeiro. O que sobra pra dar um sentido ao homem, algo estável, perene, que dure, talvez, mil anos? Islã. É nesta parte que discordamos: não creio que ele, Houelle... Hum... Hum. Hummmmm...acho que estou te entendendo.

      Obs:lembrei agora que conversava semanalmente com um colega sobre assuntos variados, islamização, imigração, UKIP, etc. Parecia a última pessoa a querer o Islã. Uma hora ele simplesmente disse: "Matheus: eu não me importo. Se tiver de ser islã, que seja". Não entendi no momento. Acho que agora o estou entendendo também. Mas daí a concordar...

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    25. O islamismo é uma religião intransigentemente desprovida de humor. Isso revela seu alto grau de perigo. No judaísmo temos escritores cômicos, como o Singer, e declaradamente satíricos, como Sholem Asch. No cristianismo, no budismo, no hinduísmo temos a mesma presença de meta-linguagem (nem sempre feito apenas por hereges) e aceitação da contestação e do humor. E essa intocabilidade do islã contamina os adeptos do politicamente correto. Pode-se generalizar como demonstração do quanto o cristianismo é socialmente danoso notícias de que Testemunhas de Jeová se negam a aceitar transfusão de sangue que salvaria um filho doente, mas já com o islã, se eles matam caricaturistas em nome de seu deus, é andar sobre cascas de ovos tecer qualquer comentário mais contundente.

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    26. "Existem regimes com senso de humor. E regimes que fazem censo do humor. C'est la différence. "

      "Está comprovado que os dinossauros não conseguiram se proteger do extermínio provocado pelo meteorito porque ficaram debatendo se o meteorito iria prejudicar a esquerda ou a direita ou a xenofobia ou a imigração e não repararam que ele iria causar o extermínio dos dinossauros." (do facebook do publicitário goiano Nelson Moraes).

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    27. Olha. Eu não vou nem sugerir a leitura de um Talal Asad ou de uma Saba Mahmood pra vocês dois não afim de ampliar o horizonte de vocês sobre a diversidade do Islã. Vou do canastrão do Ben Affleck e seu liberalismo "chic" mesmo.
      https://www.youtube.com/watch?v=vln9D81eO60
      Se o Matheus pode falar em Marxismo cultural eu me dou o direito de apontar o dedo pra essa formação cultural no Ocidente "civilizado" que "pigeonholes" um complexo histórico que data um milênio e que perpassa um cem número de nações na África, Oriente Médio, Ásia e Diasporas a uma minoria de grupelhos radicais Wahabistas. Não, senhores, sinto discordar, mas Jihadistas não compreendem a totalidade do que é o Islam e fazer essa equação simplificante equivale à essa tal da cultura Islamofóbica que tomou a nossa mídia e vários dos mais informados formadores de opinião da América. O Islamismo militante jihadista (Isis, Hamas, Talibã, Al Qaeda) figura como um problema para o Ocidente. Esse radicalismo religioso é arcáico, violento por natureza, sisudo, e tantas outras coisas mais que não foram mencionadas por vocês dois. Mas Jihadismo não comporta a diversidade do que é o Islam.
      Segue abaixo um vídeo do articulado Prof. Reza Aslam na sua mais última cruzada de bom senso contra a mídia norte-americana pós-911.
      https://www.youtube.com/watch?v=PzusSqcotDw
      Aslam é contundente em desmontar alguns mitos estabelecidos sobre o Islam.
      1. O Islam em sua essência não fomenta sociedades fundamentalmente desiguais em questões de gênero.
      2. O Islam tem menos relação com a repressão dos nossos desejos do que a tradição Judaico-Cristã.
      3. O Islam não é essencialmente uma religião beligerante. Na verdade o Islam não é nem uma religião violenta, nem pacífica.
      4. A prática de mutilação genital feminina não figura como um problema essencialmente Muçulmano. É um problema Africano, presente inclusive em países cristãos da África.

      Acho que é mais ou menos por aí.

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    28. Esse lado comedido tem que existir para todas as questões, Luiz, e te agradeço pelo racionalismo. Ainda não consigo ver com bons olhos uma religião na qual as mulheres são escondidas na vida social com uma burca grotesca, e na raiz da qual o profeta proíbe a música. Essas duas características são difíceis de racionalizar. Hoje mesmo assisti pela tv Cult o filme "Sonho de Wadjda" que apura a indignidade dessas coisas.

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    29. http://www.cartacapital.com.br/internacional/charlie-hebdo-a-culpa-da-arabia-saudita-3209.html

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    30. Charlles,
      Essas simplificações culturais prêt-à-porter não servem a ninguém, caro. Nem a "nós" modernos ocidentais (a quem serve esse binarismo Ocidente-Oriente? Você é melhor leitor de Said do que eu, então não vou nem te aborrecer com um longo parágrafo sobre a influência do Orientalismo nesse tipo de maniqueísmo cultural), nem a esse outro lado do hemisfério que de repente precisa comportar todas as demais tradições culturais e étnicas não-liberais e não-burguesas.
      E não pense que eu me excluo de cometer esse tipo de deslize. Esse outro lado feio do Orientalismo, a Islamofobia, parece estar no DNA de qualquer pessoa que professa mais ou menos fé nos princípios liberais.
      Não se engane então. Eu rejeito essa farofa ideológica que lê o Islamismo radical como um marxismo em potencial (uma espécie de política revolucionária espiritual como escreveu muito equivocadamente Michel Foucault nos seus textos sobre a Revolução Iraniana). A esquerda que faz esse tipo de confluência entre mundos de outro modo tão compatíveis como água e óleo (Marxismo e Jihadismo ou mesmo Marxismo e Xiismo) troca os pés pelas mãos e se embanana em seus escrúpulos multiculturais e discurso anti-imperialista. Nisso eu concordo piamente com vocês. O discurso anti-imperialista Muçulmano não é o mesmo em absoluto daquele discurso da New Left. Isso ficou bastante claro na Revolução Iraniana, onde o horroroso império Americano foi trocado por outro horroroso projeto político, a teocracia dos Ulama. Então eu estou de acordo que o Islam não está acima ou além do bem e do mal. Nem muito pouco faço uso da farofa ideológica da Nova Esquerda que levanta o Islam como uma espécie de terceira onda da Internacional Comunista.
      Mas veja bem, Charlles, acho saudável tentar escapar dos dois lados dessa antípoda de simplismo cultural.
      O argumento de que o Islam é essencialmente uma religião beligerante é uma grande falácia. De princípio e falácia política também (Orientalista). Esse tipo de simplismos equivale por exemplo a fazer cruzada contra uma religião inteira como o Cristianismo por causa de uma minoria barulhenta como a Westboro Baptist Church, ou satanizar o Catolicismo inteiro por conta da Opus Dei.
      Olha, diferente de você e do Matheus, eu convivo diariamente com o cotidiano de uma comunidade Muçulmana. O Islam da maioria não é nem Malala, nem os assassinos do Charlie Hebdo. Nem a releitura liberal-secular de uma feminista Muçulmana que luta contra a misoginia religiosa dessa menina extraordinária, nem a luta por um espaço teocrático absolutamente esvaziado da presença de valores Ocidentais como nos terroristas Franceses.

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    31. Na realidade, o cotidiano de um Muçulmano médio, Sunita de Diáspora por exemplo, é tão aborrecido e tão burguês quanto o cotidiano de um Protestante médio branco Ocidental. Leitura do Alcorão cedo de manhã, orações (cinco vezes ao dia como comanda o princípio do Salat), modéstia no aparato pessoa (higiene, vestimenta), e outras restrições de usos e costumes. Há as periódicas restrições dietárias (o mês de jejum) e a exigência de repetição da vida do Profeta, mas nada que se diferencie em absoluto da Quaresma cristã ou do princípio ético da Emulatio Christi. Enfim, a vida cotidiana do Muçulmano médio é banal como a vida de um protestante médio. Nada de delírios com orgias celestes regada a virgens, ou Jihadismo, ou ódio aos princípios liberais. Submissão, que é o sentido do Árabe Islam, para esse Muçulmano médio significa submissão ética. Não há aí em absoluto a idéia de que deve se submeter o outro, o infiel, a Alah, muito menos à força. O que incomoda, na minha experiência, o muçulmano médio no seu desconforto com princípios ocidentais são coisas muita mais mundanas, de usos e costumes, do que questões geopolíticas ou guerras santas. Eles se incomodam se não se dá espaço para a sua liberdade religiosa de orar o Salat cinco vezes ao dia (por exemplo no contexto da universidade ou do escritório de trabalho). Ele se aborrece com menus de restaurante que não oferecem comida pura (Halal). Ele se choca e se aborrece com o erotismo na televisão. Quer dizer, banalidades. O mesmo banal da moralidade Judaico-Cristã.
      Sendo bastante honesto com você, de todas as centenas de alunos Muçulmanos que eu tive aqui em Toronto - e olha que eu dei aula para muitos, para alunas vestindo o mais comedido dos véus (hijab) e para alunas de burka, alunos homens que saíam no meio da minha aula para rezar o Salat e Marxistas árabes pró-Palestina - digo com toda tranquilidade que esses alunos nunca me deram nem perto do trabalho que certos alunos evangélicos e protestantes deram, com a sua intolerância, discurso raivoso e ressentido e sobretudo dificuldade de dialogar num espaço aberto e democrático.

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    32. Outra coisa, Charlles. Essa discussão da burka anda bem batida. A burka, essa vestimenta que cobre o corpo inteiro da mulher no Islam exceto os olhos, não é nem de perto a idumentária majoritária das mulheres Muçulmanas. Isso aí são coisas comuns apenas no Islam Wahabita da Península Arábica e em mulheres (ainda assim só as bem piedosas) do Xiismo típico do Irã. Eu me autorizo a dizer que em via de regra o princípio Islâmico da modéstia sexual se traduz normalmente num leve (e muitas vezes vaidoso, delicado, estampado) véu do hijab.
      https://www.google.ca/search?q=Floral+Hijab&espv=2&biw=1280&bih=685&tbm=isch&imgil=m-zHImtJO60NKM%253A%253BNG9zUaU523I4dM%253Bhttp%25253A%25252F%25252Fhashtaghijab.com%25252Fthis-falls-color-burgundy%25252F&source=iu&pf=m&fir=m-zHImtJO60NKM%253A%252CNG9zUaU523I4dM%252C_&usg=__NonNUTxSBV050T0HyarVu1DrHkg%3D&ved=0CCwQyjc&ei=sziwVJ7mG5GayQTu5IGgBA#imgdii=_&imgrc=m-zHImtJO60NKM%253A%3BNG9zUaU523I4dM%3Bhttp%253A%252F%252Fhashtaghijab.com%252Fwp-content%252Fuploads%252F2013%252F10%252FBurgundy-and-floral-Hashtag-Hijab.jpg%3Bhttp%253A%252F%252Fhashtaghijab.com%252Fthis-falls-color-burgundy%252F%3B400%3B415
      E veja só que as feministas mesmo já se curaram da crítica ao Hijab. Feminista criticando o hijab como estratégia essencialmente patriarcal é coisa de 1980.
      Tem muita muçulmana, feminista, liberal (e tradicional tambem) apontando e insistindo que um percentual longe do negligenciável das mulheres muçulmanas de países como o Egito, Palestina, Indonésia e Turquia, usam o hijab liberalmente (por força das suas próprias convicções) e como estampa da sua própria identidade feminina. Leia qualquer coisa por exemplo da Saba Mahmood, que escreve um ótimo livro sobre movimentos de mulheres do Islam piedoso do Egito.
      Se as mulher Muçulmana mesmo quer o hijab, faz questão da idumentária, qual é mesmo o lugar desse homem branco, "ocidental", em clamar pela sua liberação?

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    33. Fico tocado com a coerência de seu relato, Luiz. Obrigado por ter o ânimo de gastar um conhecimento profundo sobre o assunto com alguém como eu que tenho uma opinião generalizada sobre religião. Tenho inúmeros conhecidos que são excelentes e meigas pessoas, mas quando professam suas religiões, demonstram um grau de susceptibilidade à manobra fora do comum, a um nível opressivo. Tenho um amigo de trabalho, o qual respeito muito, que é da mesma igreja que minha esposa e filha, a presbiteriana. Me dou muito bem com ele desde que eu aprendi a suportar calado a expressão de suas crenças: um anti-darwinismo totalmente ferrenho, uma série de atitudes de puro preconceito elitista quanto aos que não acreditam nas mesmas coisas que ele, a certeza de que a história do homem se restringe a ridículos 7 mil anos precisos (de Adão a ele). É um homem muito bom e generoso, deu provas cabais de que gosta de mim, e eu mantenho a recíproca. Mas fora essa estampa social, é simplesmente um obtuso que em condições de pressão eu o imagino capaz de todas as loucuras. Vejo constantemente aqui pessoas que chegam a mim, quando estou em praça pública ou seja lá onde com um livro nas mãos, e me perguntam se o que leio é a Bíblia, o que segue uma chatíssima sessão de repúdio ao verem que eu perco tempo com outros livros, e uma tentativa de me converterem. Eu sou um bruto com essas pessoas.

      E isso é referente a uma religião que passou por reformas, contra-reformas, relativismos, inserção científica. Imagine uma religião como o islamismo que está praticamente intacta em seu dogma desde que foi criada? Orientalismos à parte, curto e grosso, trata-se de uma religião da qual eu me mantenho à distância e a qual seria enormemente necessário que passasse por um iluminismo.

      Não vejo a questão da burca com essa relativização soft. Não mesmo.

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    34. Eu fui criado, na primeira parte da minha infância, em um ambiente pentecostal altamente repressivo. O demônio prevalecia por detrás de tudo. Era uma espécie de arianismo. Nós eramos os seres superiores, e os demais eram Satanás. Acho que o primeiro livrinho que li foi uma edição de perguntas e respostas da Assembléia de Deus que me incutiu um terror inominável por vários meses, ao descrever os sofrimentos do inferno. Me recordo com precisão dessa tarde, e de como aquele conhecimento me esmagava o peito. Tudo isso vinha da parte menos letrada da família, da minha avó-madrasta, a sucessora por ramos da infidelidade da minha avó biológica. Ela e os outros tantos filhos que deu a meu avô eram cristãos fundamentalistas, pessoas de bom coração e perfeitos vizinhos, mas que não viam o quanto daquele inferno traziam na verdade no profundo de seus caráteres. Não vou me alongar mais. Não sou islamofóbico nem cristianofóbico (ou cristão-fóbico), pois suponho enxergar o ser humano por detrás da lobotomização igrejista; mas sou bastante contrário ao que a religião é capaz de fazer com essas pessoas, e não as desculpo em suas convicções eugenistas de que elas que são salvas e elas as escolhidas por Deus. Eu mesmo sou cristão, e às vezes sinto a necessidade idiossincrática de pertencer a algum grupo religioso. Tentei voltar para o catolicismo, minha esposa se predispôs a ver como era, mas a falta de disciplina e a hipocrisia do "fiéis" no desfile de moda para mastigar a hóstia nos desmotivou. A igreja presbiteriana daqui é esclarecida dentro de padrões a mim aceitáveis, para que minha esposa e minha filha possam ir sem que isso se transforme em atritos familiares, mas eu mesmo não me vejo ali. A Dani mesmo ri quando eu brinco dizendo que penso em ir um dia no culto, e ela diz para eu não fazer isso, pois terá comoção geral e um espanto sem limites por parte de todos, e talvez esse dia entre atravessado para a história do pequeno templo. Minha filha de 4 anos faz pregações no quintal, e eu rio muito com isso, e a incentivo, porque sei que ela cai nas minhas palhaçadas de parodiar as letras dos hinos (tem um que ela faz coro comigo quando eu digo que se chama "Jesus em seu barzinho", e cuja parte mais festiva para ambos é quando cantamos "Jesus traga mais um mé"). E ela também ouve a melhor música e tem à disposição desde quando estava sendo gestada a melhor literatura, para ser independente (prepotência minha não; trabalhei a vida toda para pragmatizar esses anos cultivados no imaginário).

      Mas o que falar de uma religião que não aceita a música, e não tem humor? Para mim pouco importa se empalam Jesus. Se eu me importasse com isso, recorreria ao código penal, legitimamente. As questões de crença são muitíssimas perigosas, não é brincadeira. E o deus deles é o deus condenado pelo Niet, o que não sabe dançar.

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    35. Não estou relativizando a burka. Digo apenas que não é representativo do Islam majoritário. Salvo algum exagero, seria como criticar o masculinismo do Cristianismo por causa da vestimenta feminina oitocentista quacker ou o véu da Congregação Cristã do Brasil.
      Meu ponto é o de que ele não é assim representativo. Representativo é o hijab, que tem muito mais da identidade feminina que o homem médio ocidental branco gosta de crer.
      E grosso modo não tenho ressalvas nenhuma a fazer sobre criticar a religião como um todo, em todo o seu obscurantismo.
      Mas o Islam não é o símbolo maior desse obscurantismo. Não o Islam como um todo. Nem de longe.

      Salvadas as devidas proporções, houve sim Iluminismo entre a tradição Islâmica. E a Turquia, por que todos esquecem da Turquia (ressaltando Paquistão, Afeganistão, o Irã tardio) quando se trata de falar dessa irreparável relação do Islam com a Modernidade?
      E o Islam da península Ibérica de Al-Andalus?

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    36. Isso para não falar do Islam que preservou Aristóteles, que sem ele o Ocidente teria hoje cópias incompletas e mutiladas de Ética a Nicômaco, da Política, etc.

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    37. Sem música? Não sei se é para tanto. É claro que não se trata de uma civilização que criou Mozart. Mas diga que não há música no Islam para um Sufi, ou, longe de ser o meu gosto, diga que não há música no Islam de um desses artistas de Hip Hop de nome árabe. Há muitos desses pelas várias diásporas muçulmanas.
      Que a civilização muçulmana não teve lá grandes contribuições à produção musical da humanidade não significa muita coisa. Pra mim vale mais que ela não é uma tradição contrária à arte literária. Ao verso e à prosa. E há toda a beleza oriental da caligrafia árabe, etc. De novo, nada comparado à arte cristã Florentina. Mas a que serve mesmo essas comparações?

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    38. Isso é show-business de professor de história que quer dar uma de revisionista de conceitos, no estilo de que a Idade Média foi salva das sombras por Tomás de Aquino. Você sabe de qual iluminismo eu me refiro, aquele que retirou o homem do centro do universo e garantiu ao ente supremo uma riqueza de comportamentos e intensões muito mais complexas que a necessidade tirânica de bajulação.

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    39. Maomé proíbe taxativamente a música, pois a considera fator de dissipação inútil. Essas comparações não servem mesmo a nada para nossa discussão. Mas a falta da música e do humor em uma religião é algo catastrófico.

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    40. E Platão expulsou os artistas e poetas de sua República ideal. Jesus num de seus sermões prega o ostracismo familiar e um tipo de radicalismo itinerante incompatível com qualquer ideal burguês moderno de família. Jesus disse coisas bem mais embaraçosas que essas...
      Assim como o cristão coerente sabe que a espada divisora de Deus não deve fazer divisão na estrutura familiar, entre pai e filho, mãe e filha, "por causa do Reino" como diz o texto evangélico, o muçulmano médio de diáspora vai tomar para si a sua Suna (ou seja, o exemplo de vida, das ações e palavras do profeta, como regra de imitação de ética e costume) naquilo que é compatível com a sua identidade de alguém pertencente ao mundo moderno. Música incluso. A juventude muçulmana da universidade vive a música como qualquer jovem médio branco. Ou seja, através de música barulhenta e de péssima qualidade. :)
      Grosso modo a praxis no Islam não é tão simples assim como na equação o Profeta assentiu ou não assentiu.
      A Shariah, ou discussão jurídica-ética a partir da Suna (da praxis do Profeta) é coisa bem complexa e não se resume a loucuras de regimes teocráticos.

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    41. Lendo meus comentários acima, acho que não escrevi que: um religião sem música e sem humor é perigosa.

      Uma puta de uma covardia do Luiz. O Luiz é um dos maiores entendidos de religião do Brasil. Uma vez vi o cara sendo entrevistado sobre o Santo Sudário, ou outro desses assuntos enigmáticos religiosos, em uma revista dos Civita.

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    42. E ainda sobre a arte e a música.
      O estoicismo Greco-Romano também tinha a música como dissapadora, assim como o teatro, e todas as demais artes. A música e o teatro eram elementos danosos a alma porque burlavam com o preceito de ataraxia, tranquilidade/isonomia do ser através do assalto às emoções básicas humanas. O nome dessa postura, anti-emotiva, anti-rítmica, anti-música, que você cita não segue por nenhuma alcunha oriental ou arábica. Eu chamo isso de asceticismo. Postura de vida que grassou tal capim no Cristianismo e que por um sem número de variáveis históricas não vingou, não moldou a nossa modernidade.
      Praticamente todos os pais da igreja falaram contra a arte, contra o teatro e contra os perigos da música.
      Tertuliano, o mestre do Cristianismo antigo latino escreveu um tratado contra o teatro (e toda forma de arte performativa, música incluso) chamado de De Spectaculis. Ali ele chama a música performativa de Pompa Diaboli. Traduzindo mal e porcamente, a procição do diabo.

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    43. Mas quando Platão fala isso, ele é a própria Poesia e a Arte suprema, e sua negação tanto pode ser vista como um ataque ao empolamento estético vazio dos sofistas, quanto uma metalinguagem que enriquece em negativo uma visão dualista da poesia e da arte. E quando Jesus prega a liberdade total, anárquica e impossível, ele antecipa em quase dois milênios a dialética do Adorno que diz que o último estágio do esclarecimento é justamente uma ambiguidade que parece retornar à raiz das coisas que foram superadas, esperando uma inédita e inimaginável superação. (Adorno dizendo que combater os matadouros de gado e o massacre de animais para consumo humano, com suas inter-relações com a violência conivente de Auschwitz, não é necessariamente descartar uma possibilidade revolucionária do consumo de uma nova carne).

      Sei, sei. O islã me parece sem matizes, sem meios-tons, sem mediocridades, um símile do puro-visível. Algo que não pode jamais ser contradito.

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    44. Como assim, Charlles, se é justamente a minha petição que se coloque matizes no Islam sangrento que começou essa série de comentários?

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    45. O primeiro milagre de Jesus foi transformar água em vinho, em uma festa de bodas em que é descrito que Jesus dançava. Imagine a suavidade disso.

      No hinduísmo tem um deus dançarino, além da veneração do transgenerismo. Imagine algo assim no islã, mas só imagine, não o diga em voz alta pois pode ser perigoso para sua sobrevivência.

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    46. Tanto Jesus quanto o Profeta era doidos de atirar pedra. Quando perguntado quem eu gostaria de entrevistar, de dialogar, se pudesse voltar no tempo, num desses questionários típicos de gente burra, nunca respondi, Jesus.
      Adorno e Jesus? Puffftt! :)

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    47. Viajei nessa do Adorno. O note estava em meu colo e meu saco estava começando a ferver, acho que foi por causa disso. Mas para mim continua tendo lógica. Não estou defendendo o Jesus bíblico, que aliás o próprio Islã respeita. Podemos dizer que Jesus era doido de atirar pedras. Podemos até conceber que sua grandiosidade seja justamente esta: é o que faz Bulgákhov em Mestre e Margarida: o Jesus desse livro magistral é um Jeca que, com sua simploriedade, constrange o poder instituído. Em qual obra sequer pode ser mencionado isso a respeito de Maomé? Essa a diferença. E meu cristo bebe muito mais da possibilidade de Bulgákhov do que do das visões instituídas.

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    48. Eu não vou cometer o crime de advogado de certo cerne misógino do Islam (que vem do ramo das tradições Abrâamicas, na minha opinião). É claro que o Islam preserva muito do patriarcalismo.
      Mas você se surpreenderia se lesse de como o Islam (do norte da África por exemplo) é tolerante (no sentido de aceitar veladamente) a sodomia entre homens "heterosexuais" casados e outras
      masculinidades alternativas como essa.
      Li sobre isso no ótimo capítulo do livro Foucault and the Iranian Revolution de Janet Afary and Kevin B. Anderson que trata também da vida amorosa gay de Foucault quando ele viveu no Norte da África.
      Não há espaço algum, fique claro, para o lesbianismo no Islam como é de praxe em estruturas patriarcais.

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    49. Charlles de Menezes (chutei um sobrenome bem brasileiro).
      Profissão: escritor e blogueiro.
      Crime: francofobia e islamofobia.
      :)

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    50. Você sabe que eu não sou. Gostei muito do debate, apesar das tantas carteiradas eruditas de vossa parte. :-) Ainda não sei o que fazer com o Adorno. O que eu quis dizer é que o conhecimento crístico é algo bem acima do meramente estampado nos evangélicos. Certeza que eu estou influenciado pelo multifatorismo viajandão de VALIS. Zizék escreveu com uma perspicácia incrível que Cristo foi o derradeiro elemento diabólico. E Philip K. Dick diz que o peixe provavelmente desenhado por Jesus na areia, é o modelo de dupla hélice de dna.

      Mas esse não é o assunto. Termino aqui, pois vou tomar meu vinho e ouvir Van Morrison, mas o bom da religião é sua transcendência, sua insustentabilidade apenas na superfície. Tomara que eu esteja errado_ e abro ampla margem para isso_, e o islã tenha espaço para essas cogitações, para o absurdo.

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    51. Sobre Jesus ainda.
      Albert Schweitzer estava absolutamente certo quando disse que a Igreja deveria esquecer o Jesus da História. Que o Jesus Histórico era tão estranho às concepções e acepções e sensibilidades modernas quanto é um desses doidos barbudos a gritar que o fim do mundo é próximo.
      Albert Schweitzer disse isso no fechamento do seu grande livro Von Reimarus zu Wrede, lacrou a porta do escritório universitário e foi praticar a medicina caridosa na África.
      Sobre a religião, é mais ou menos por aí.

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    52. Peço desculpas por qualquer exceço e se houve porventura falácia de autoridade em algum momento.
      Carteiradas eruditas = informação? :)
      Eu no seu lugar já teria abandonado essa conversa em troca de Van Morrison e vinho. Isso mostra o quão melhor ser humano você é do que euzinho.
      Transcrevi o início dessa conversa, só com a minha réplica inicial, no Milton. Espero que não se importe.
      Conste que eu faço troça quando te chamo de islamofóbico. Acho só que seu comentário transitou liberalmente pelo discurso islamofóbico em parte do início dessa conversa.

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    53. Albert Schweitzer é o que fazia o Charles Citrine ficar literalmente de ponta cabeça para o sangue irrigar melhor o cérebro_ ou, talvez, o que fez o Henderson desistir da medicina e tentar se tornar o rei da chuva na África. Acho que foi o segundo.

      Estava brincando sobre as carteiradas. É sempre um prazer ter você aqui, meu caro. Ás vezes dá vontade de abrir mão de vez do medo da redundância e do pieguismo e ficar repetindo isso nos comentários, não só os seus mais em um monte de tanta gente.

      É o efeito do vinho_ um copo só, até agora. Mas não menos verdadeiro.

      Estou bebendo hoje em honra de um dos maiores poetas e um dos mais lindos seres humanos a andar por essa nossa terrinha às vezes incendiado aqui e ali em sua tristeza por fagulhas intensas de luz: Omar Khayyam (não é populismo; um dos primeiros post desse blog foi sobre ele, que eu amo incondicionalmente, ele e o Bandeira).

      "Fecha o Corão,
      contemple livremente o céu e a terra;
      a quem te pedir algo, dê-lhe tudo que tem,
      e quando sorrir, se esconda." (Algo muito menos tosco que essa minha lembrança.)

      E o Adorno... o Adorno que vá para a puta que pariu.

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    54. "Fecha o Corão,
      contemple livremente o céu e a terra;
      a quem te pedir algo, dê-lhe tudo que tem,
      e quando sorrir, se esconda." (Algo muito menos tosco que essa minha lembrança.)

      Belíssimo isso aqui! Muito obrigado!!!
      Estou fechando agora os meus livros e esse Note(book) e saindo ao céu aberto e frio Canadense. Uma longa caminhada na neve do meu escritório até em casa.
      Vou tentar sorver desse céu gelado graças ao seu Omar Khayyam.
      Cheers!

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    55. Vamos com a resposta ao vídeo do Affleck e Maher =)
      https://www.youtube.com/watch?v=g7TAAw3oQvg

      Não lembro quando e onde falei em Marxismo Cultural aqui.
      'Jihadistas não compreendem a totadalide do que é o Islam', mas e daí, Luiz? Compreendendo ou não, são um problema grave pois causam o medo a partir do terror. E não querer a presença cada vez maior de muçulmanos, mesmo os 'moderados', os muçulmanos 'comuns', não significa islamofobia ou coisa que valha, pois a maior presença de
      muçulmanos dificulta a diferenciação entre 'bons' e 'maus', pois estes podem se esconder entre aqueles, e receber sua proteção - na base do 'não sei, não vi, não quero saber', o silêncio - e a segurança da sociedade fica comprometida. Ok, sempre há um número de imams que se colocam contra o terrorismo, que isso não é o verdadeiro islam, que estão deturpando as escrituras, mas e os que fomentam, e os que os contradizem, e os que estão por trás dos grupos terroristas e ganham mais e mais público? Se o Islam é diverso, e sabemos que é, não interessa: com milhões espalhados em diversas cidades de diversos países, é natural preocupar-se se na mesquita perto de sua casa estão rezando os bons ou os maus. Em Hamburgo, numa mesquita á algumas centenas próxima de uma Igreja, muçulmanos aparentemente normais rezavam e, quando voltavam ao seu apartamento, preparavam atos de terrorismo internacional, 9/11. Volta e meia, os muçulmanos 'que não compreendem a totalidade do islam', misturados nos mais de 250 mil muçulmanos da região, provocam o terror em hospitais, aeroportos, prédios.

      Além do mais, as características do país, sua cultura, seus costumes, serão alterados conforme a chegada de mais muçulmanos (ou qualquer grupo imigrante de tamanho considerável, certo), e no 'ocidente' nenhum pais (estado, nação, povo) deixou de sofrer influências externas e internas que cambiaram paulatinamente seus costumes, sua cultura, mas, ainda assim, o núcleo permaneceu. Com o islam crescendo e tomando espaços e gentes, isso torna-se cada vez mais complicado e prejudicial. Sabemos que muçulmanos devem seguir os passos de Maomé, ele é um exemplo de homem submisso ao deus que ele diz adorar, e o sujeito com o passar do tempo - as práticas diárias, a convivência com aqueles que o converteram - fica arabizado. (É engraçado e apavorante - ainda ficarei muito assustado com isso - ver um europeu do tamanho do Dirk Nowitzki, louro e branquelo como ele, vestido como árabe, com barba de árabe, só falando com outros muçulmanos, renegando toda sua herança cultural, toda uma história supostamente decaída, ultrapassada, por essa nova superior, verdadeira, divina).

      Tu sabes muito mais que eu que há grupos diferentes de judeus que, embora tenham em comum a religião, suas características visíveis são díspares. O mesmo com os cristãos (até por que para nós o que Cristo deixou serve apenas para a Salvação, para o espírito, para a alma, não falou nada de leis de Estado ou algo parecido). Um imigrante de, sei lá, de outro lugar do mundo que compartilha ainda minimamente dessa herança europeia (= Igreja, Roma, ou ainda Iluminismos etc.) e queira se integrar, digamos, na França, Itália ou Alemanha não irá corroer a Ordem, a sociedade e a cultura, como um muçulmanos que se recusa a se integrar. Como tempo é possível que se integre perfeitamente. Mesmo os judeus, sabes, se integraram relativamente bem na Alemanha até o Mal dar as caras a partir do final do século XIX. (Moyses Mendelssohn, Einstein, Michelson, Henriqueta Hertz, Husserl, Durkheim, etc. a lista é looonga). Muitos se integraram tão que abandonaram a fé na lei mosaica e tornaram-se cristãos! (Felix Mendelssohn, Heine) Shylock deveria ter ficado feliz! =)
      (c a l m a, n ã o s o u a n t i s s e m i t a, s e m a c u s a ç õ e s, é b r i n c a d e i r a, o k!)

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    56. O islam carrega consigo a cultura de sua gente formadora, não? (Cristianismo também, não?). São patriarcais, assim como o ocidente cristão, mas certas relações são muito diferentes e, talvez, incompatíveis. Se a Igreja na Alta Idade Média deu um basta ao casamento com primos imediatos, de 2º grau e estendendo-se até a 4º geração ao longo do tempo (foi difícil obrigar aos germanos a isso, e ainda hoje pululam de vez em quando casos de primos e irmãos; herança genética?), forçando a casarem com outros grupos, de outras cidades e regiões, no mundo muçulmano TODO MUNDO SE CASA COM PRIMO. É BIZARRO, todos são primos, é irmão casando com a filha do irmão, é criança com deficiência de aprendizagem... São sociedade de clãs, de família x resto. (Máfia? Sicília? São mais europeus ou mais árabes e/ou africanos?) Há quem pense que tais são fatores-chave pelos estados serem fracos (golpes, mudanças de regimes) e não existir um sentimento de nação. Creio não estarem errados.


      Que o Islam tem menos relação com a repressão de nossos desejos é claro, haja vista a idéia de paraíso, a poligamia...

      https://www.youtube.com/watch?v=9MpnpcCLvtM

      "Ah, mas na Igreja os padres e meninos etc." Ai que sono. Padre que faz é homossexual e foi fraco em conter seus desejos (além de abusar de um menor). Há um porquê da Igreja reprimir os desejos e está correta (fico no sexual pois, né).

      Ah o islam não é beligerante nem pacífico? Cristianismo também, Budismo também. Mas muçulmanos invadiram a Europa, Cristão devolveram com as Cruzadas, Muçulmanos explodem gente hoje em dia, e Budistas descem o cacete em muçulmanos no extremo oriente. Se algupem ataca, o outro tem o direito de revidar.

      A esquerda que apoia o islam e confude tudo (obs: quantos líderes mulçamanos, militares, religiosos e políticos eram esquerdistas? Muitos.) e esquece-se que nada mais imperialista que a expansão muçulmana. E sobre os EUA ser Império, Luz... é e não é, né. URSS também foi tanto ou mais, mas ninguém...ah, deixa.

      E que tem a Opus Dei? Opus deis tem soldados matando gente por aí? Tem centros de treinamento de guerirlheiros, de homem-bomba? Opus dei trata de catolicismo para católicos. Não entendi por qual razão citaste a OD.

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    57. Certo, Luiz, a vida de um muçulmano médio no Canadá não difere tanto de um cristão protestante médio. Ok. Mas isso não importa. Não há delírios de virgens taradas e incansáveis num coito eterno, não tem vontade de explodir ninguém...mas incomodam-se com algumas coisas, como disseste. Querem ter o direito de orar cinco vezes durante o trabalho sem serem repreendidos; querem obrigar aos restaurantes e às redes de alimentação a venderem carne à sua maneira; querem controlar a programação televisiva (não somente o sexo, mas muitas outras coisas, até ficar igual às de seus países: oração e vídeos de guerras e guerras, oração e guerras e guerras); próximo passo é declarar "SHARIA ZONE" em certas ruas, bairros, cidades...país. De pouco a pouco, mudando de coisa mínima e banal a mudar TODO o entorno, tudo o que os e nos cerca. Esse é o problema. Integralização? Por favor... não existe, não querem. Nem a conversão é possível, pois serão caçados e mortos. É uma visão ingenuamente acadêmica-liberal essa a que professas, assim como muitos outros participantes do programa do Maher (que anda meio estranho para um liberal, mas continua arrombado) (Espero que tenha lido esses 'liberal' como se fosse o Bill O'Reilly, todo puto da vida).

      Tem muita mulher muçulmana que pisa na Europa e sai distribiundo o que deveria guardar =). Mas do que adianta mulheres liberadas, feministas e independentes. Não tem força. Não possuem nem o mesmo patamar para orar como os homens, não podem nem participar no mesmo local, não podem conviver com outros.

      Charlles foi criado num ambiente pentecostal. Levarei um tempo para processar essa informação, para mim, inédita e marcante. Assembleia de Deus. Imagino o Charllinho, ouvindo uma pregação muito da arretada, com um ainda jovem Silas Malafaia ao seu lado, adolescente mas já de bigode Olívio Dutra, os dois orando e dizendo AMÉM IRMÃO, tá amarrrrrrraaado. Com razão é assim hoje ahsuhasuahu de ficar sentadinho no carro, lendo Dick enquanto esposa e filho vão lá quase se salvar. É difícil achar uma Igreja Católica com um bom padre, Charlles. Os últimos 50 anos de Igreja no Brasil, olha... Mesmo na PUC, na missa de formatura, fiquei puto da cara com a missa estilo TV Aparecida. Mas isso é culpa de nós católicos que deixamos chegar a isso, mas tenho fé que mudará, por vontade nossa. É repreender o padre, como eu faço toda semana, que ele já não faz mais gracinha, faz uma missa mais sériazinha. #matheusrepressorreaçaultracatolicovoltalafebvre Em certos horários a missa é RAPTADA pelo pessoal do violão e gritedo da Renovação Carismática, mas na missa DOS IDOSOS, domingo às 8h da manhã, eu rumo à igreja, contrastando demais com o resto dos fiéis. Virei mascote. E há canto correto, como dessa forma: https://www.youtube.com/watch?v=9QMOogdMbTk Lindo.

      Sobre Aristóteles e gregos e traduções, também havia aprendido o que disseste (padrão, creio). Mas veja isso, achei interessantíssimo e penso que será para ti também, Luiz:

      http://oleniski.blogspot.com.br/2014/11/cristaos-islamicos-e-heranca-do-saber.html
      http://oleniski.blogspot.com.br/2014/11/islamicos-cristaos-e-as-traducoes.html



      Charlles: Cristo do Cristianismo muito diferente dos ismaelitas. São João de Damasco, som na faixa: http://orthodoxinfo.com/general/stjohn_islam.aspx (ooooh, site ortodoxo)

      Bem, se alguém ficou muito puto e ofendido (LUIZ), não foi a intenção. Tirando o Charlles, que ignora meus emails e ainda faz ameaças, não odeio ninguém aqui ainda. =) Abraços.

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    58. Luiz, aqui está, não na tradução insuperável do Manuel Bandeira (que não achei nas estantes), mas na tradução de Octávio Tarqüinio de Souza:

      "
      Fecha o teu
      Corão.
      Pensa livremente
      e livremente encara
      o Céu e a Terra.
      Ao pobre que passa,
      dá a metade do que possuis.
      Perdoa a todos os culpados.
      Não entristeças ninguém.
      E esconde-te para sorrir "

      http://charllescampos.blogspot.com.br/search/label/Omar%20Khayyam

      Matheus, está sendo injusto. Respondo sempre seus e-mails, mesmo que às vezes demore algum tempo.

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    59. Única maneira de responder: =P

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    60. Foi esclarecedor esse debate! Luiz realmente entende do assunto. Desde que li a fascinante biografia de Sir Richard Burton, que hoje é um de meus heróis, tenho muito interesse na cultura islâmica.

      Sobre Humboldt, alguém aí sabia que ele foi inspirado num escritor judeu chamado Delmore Schwarz? Pelo menos é o que diz na minibiografia dele, no conto publicado na Serrote. E descobri que o cara que inspirou o Coleman Silk de Roth dividiu apartamento com Bellow em sua juventude.

      Tenho cá essa tradução dos Rubaiyat por Bandeira, que li há muito tempo. Me chama a atenção umas citações (ou antecipações?) literais de Shakespeare e Calderón de la Barca. Aqui vai as rubaiyat 128:

      Fecha teu Corão. Pensa livremente,
      E encara livremente o Céu e a Terra.
      Ao pobre que passar, pedir-te esmola,
      Dá-lhe metade do que possuires.

      Perdoa sempre a todos os culpados.
      Não concorra jamais para a tristeza
      De nenhuma criatura. Se tiveres
      Vontade de sorrir, esconde-te.

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    61. http://noblat.oglobo.globo.com/geral/noticia/2015/01/quatro-perguntas-para-maha-abdelaziz-professora-do-centro-islamico-de-brasilia.html

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    62. "'Jihadistas não compreendem a totadalide do que é o Islam', mas e daí, Luiz? Compreendendo ou não, são um problema grave pois causam o medo a partir do terror. E não querer a presença cada vez maior de muçulmanos, mesmo os 'moderados', os muçulmanos 'comuns', não significa islamofobia ou coisa que valha, pois a maior presença de
      muçulmanos dificulta a diferenciação entre 'bons' e 'maus', pois estes podem se esconder entre aqueles, e receber sua proteção - na base do 'não sei, não vi, não quero saber', o silêncio - e a segurança da sociedade fica comprometida."
      Matheus, eu sou capaz de respeitar que muita gente sente dessa mesma forma aí de cima. Mas se essa não for a ilustração clássica do que estamos chamando de Islamofobia, não sei o que mais seria.
      Desculpe a sinceridade. Mas esse tipo de opinião vem da total falta de contato (física mesmo, de proximidade) com muçulmanos (como acredito ser mesmo o caso do Rio Grande do Sul) e com o dia-a-dia de uma comunidade islâmica de Diáspora. Acho um pouco feio que um intelectual como você participe desse medo coletivo. Eu consigo aceitar bem que o populacho tenha problemas em fazer essas diferenciações. Em aplicar esses matizes (bem, mas bem fáceis) entre 'bons' e 'maus' muçulmanos, como você coloca. Não se preocupe. Há já muita gente nos aparatos de segurança das grandes nações fazendo esse tipo de peneiragem, de social profiling e screening. Pode sentar tranquilo então tomando a sua cerveja em Berlin, que o Dirk Nowitzky que passa barbado e trajado como um imam não é ameaça alguma à sua identidade pessoal ou à identidade cultural da Europa. Não são hordas bárbaras se apropriando de novo do velho mundo ou uma islamização reddux, tardia, dos seus espaços dante ocupados no mundo pré-moderno. Por favor, tente dar uma passada na Turquia quando estiveres na Europa para entender o quanto o Islam pode ser compatível com a sua modernidade.
      Você desconhece mesmo a questão de integralização dessas diásporas árabes no Novo e Velho mundo. Excetuando aí a França que criou o seu próprio problema com as suas leis que registrem as mulheres a usaram o hijab em público, os obstáculos a integralização são colocados justamente pelo lado do europeu branco.
      Qual é o grande problema de abrir espaço para o Halal nessas nações, por exemplo? Por que agride tanto que certas pessoas querem se vestir e comer diferente de você? E que importa se diferente de você, que é Católico e quer rezar em latim com o Padre na missa, ela reza cinco vez ao dia (acompanhado de uma certa ritualística corporal)? Sabe quanto tempo dura um rakah e que fazer "acomodação cultural" (como eles dizem aqui) para essa necessidade espiritual do muçulmano médio não atrapalha o negócio de escritório nenhum? Somente dois salats diários de um muçulmano pediriam que ele se ausentasse por um pouquinho do seu trabalho para rezar e isso dura não mais tempo que uma típica conversa de water cooler de escritório. E se você tem problema em aceitar questões relacionadas às restrições dietárias de um muçulmano, prepara-se para fazer o mesmo com o kosher judaico...

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    63. Quanto à transmissão de Aristóteles por scholars muçulmanos na Idade Média, não vou fingir ser autoridade sobre assunto.
      Mas fiz uma rápida pesquisa sobre o livro que você indica no blog acima, Sylvain Gouguenheim. Aristote au Mont‐Saint‐Michel: Les racines grecques de l'Europe chrétienne. (L'Univers Historique.) e me parece que o livro não só causou um alvoroço na França na sua edição como a sua principal tese de um Europa cristã autóctone e independente das contribuições da inteligentsia de Al-Andaluz foi largamente rejeitada por uma série de medievalistas e historiadores da ciência no mundo todo. Parece-me que o livro do historiador acima é motivo de piada no meio.
      Cito três resenhas.
      Trecho da resenha de Steven J. Livesey, Professor at the University of Oklahoma Department of the History of Science,
      This short book, published in spring 2008, has inspired a heated debate both in France and in Europe generally. Le Figaro and Le Monde both reviewed it enthusiastically, while Sylvain Gouguenheim's colleagues at the Ecole Normale Supérieure (Lyon) circulated a petition condemning his ideological polemic and an international group of fifty‐six scholars denounced the book in Libération. So what is all the fuss about?Gouguenheim's book is, by his own admission, rooted in contemporary policy, for in both his introduction (p. 15) and his first appendix (p. 205) he calls attention to the 2002 Conseil de l'Europe report that appealed for revisions to the views of Islam in history texts (http://assembly.coe.int/mainf.asp?Link=/documents/workingdocs/doc02/fdoc9626.htm;... One hardly knows where to begin in criticizing the content and method of Aristote au Mont‐Saint‐Michel. There are numerous errors of fact, the most egregious being the assertion without evidence that James of Venice prepared his translations at Mont‐Saint‐Michel (pp. 106 ff.). More serious is the author's tendency to “correct” previous positions that are in fact straw men: historians of transmission will be surprised to learn that no one recognized the existence of Greek–Latin translations before the onslaught of Arabic–Latin translations of Aristotle (pp. 12–13) or that James of Venice has been ignored by most historical accounts (pp. 106–109)..."
      Trecho da resenha de Sylvain Piron, da École des hautes études en sciences sociales (E.H.E.S.S., Groupe d’anthropologie scolastique),
      "Aristote au Mont-Saint-Michel est un essai tendancieux, mal construit et mal informé, qui ne mériterait pas d’être signalé et discuté dans une revue scientifique, n’était le retentissement qu’il a provoqué dès sa parution en mars 2008. En quelques semaines, le livre a bénéficié de recensions favorables dans la presse quotidienne, suscité l’indignation de la presque totalité des spécialistes concernés, mais surtout rencontré un large public. Différents facteurs peuvent expliquer ce succès de librairie, le principal d’entre eux étant assurément le fait que cet ouvrage donne un semblant de respectabilité savante à de très vieux préjugés revenus dans l’air du temps: l’islam est incompatible avec les valeurs occidentales et d’ailleurs, nous dit Gouguenheim, il l’a toujours été. Sous des dehors érudits, son travail n’est en réalité qu’une tentative de fournir un argumentaire historique à l’appui d’une thèse politique qui perçoit l’islam contemporain comme un danger pour l’identité occidentale..."

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    64. Trecho de Román, Alberto. "Sylvain Gouguenheim revisa." Nexos: Sociedad, Ciencia, Literatura June 2008:
      "La última parte de su estudio Gouguenheim la dedica a reflexionar sobre el papel de la herencia griega en el proceso de autonomización de la inteligencia con respecto a la religión. No satisfecho con reiterar la temprana y afortunada vuelta hacia la razón de Occidente y la triste apuesta islámica, se entrega a un "juicio comparativo de dos civilizaciones utilizando el criterio de la helenización del saber, procedimiento que el propio autor denuncia en las últimas páginas como una deriva etnocéntrica que 'desnaturaliza la civilización musulmana' ", tal y como lo afirma Jean-Yves Grenier en Libération. La mesurada reseña de Grenier no basta, sin embargo, para dar cuenta de un escándalo que ha ocupado los principales diarios franceses así como las tribunas universitarias, donde varias decenas de académicos denuncian la impostura de un libro que se ofrece como producto de un trabajo serio y en realidad sólo hace papel de ideologia, presentando como inéditos otros tantos saberes conocidos desde hace tiempo, confundiendo "musulmán" e "islámico" ("Los cristianos de Oriente no son ciertamente musulmanes, pero son islámicos en tanto forman parte activa de la sociedad del Islam y están estrechamente integrados al funcionamiento del Estado"), equivocando datos esenciales (como el periodo que Jacques de Venise pasó en Saint-Michel), pero sobre todo haciendo una apologia del cristianismo y de una imaginaria Europa eterna bajo la sombra benévola de la cruz, a cuenta de la islamofobia más pedestre negadora de cualquier deuda cultural con el universo de la media luna.El problema crece si se piensa en el prestigio de la calificación del autor, maestro de historia medioeval en la Normal Superior de Lyon, en la importancia del sello editorial del libro, y en el hecho de que varios fragmentos de éste se adelantaron en un sitio internet de ultraderecha, orientación a la que pertenece una de las principales influencias reconocidas por Gouguenheim, a quien también dedica su trabajo. Entre tanto, las autoridades universitarias han nombrado ya una comisión académica independiente para investigar el caso."
      Não é de estranhar que autoridade que você flexiona afim de suspeitar da possível compatibilidade entre o mundo muçulmano e o Ocidente cristão seja também relacionado a tendências islamofóbicas na Europa (vide resenha acima).

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    65. Segue o que eu aprendi sobre o assunto e que, ao que tudo indica, segue sendo o status quaestionis sobre a dívida do Ocidente para com o Islam, no que diz respeito à preservação, não só de Aristóteles no árabe, mas também Galeno, Ptolomeu et al.
      Trecho de The Islamization of Rhetoric: Ibn Rushd and the
      Reintroduction of Aristotle into Medieval Europe de Shane Borrowmen:
      "Centuries before the First Crusade, Christian knights launched the
      Reconquista—a long, laborious pushing of Muslim control off the Iberian
      Peninsula that began as soon as the Muslim army made landfall on European soil in 711 CE (92 AH) and did not end until the fall of Grenada in 1492 (897 AH). Behind the knights of Christendom in this seven-century struggle “marched its clergy . . . Europe’s only literate class” (Rubenstein 13–14). What these reconquering heroes found in al-Andalus was a land free from the centuries of poverty and warfare that had plagued Europe. In the great libraries of Toledo and Cordoba, European scholars came upon works they knew often only as legends—Ptolemey’s writings on astronomy and astrology, Galen’s medical textbooks, Euclid’s works on geometry and Archimedes’ on engineering. “Most remarkably,” writes Rubenstein, “the Christian scholar-priests discovered that their new subjects were in possession of the vast corpus of Aristotle’s works—not just the few books on logic that a sixth-century scholar named Boethius had translated into Latin but the mother lode” (16). As this more complete set of the works of Aristotle came once more into European hands, an equally important body of scholarship was also acquired: the works of Muslim scholars such as al-Kindi, al-Farabi, and Ibn Rushd—“all of whom,” writes F. E. Peters, “came to the Latins as fully accredited interpreters of Aristotle” (222). The Aristotle that re-entered European scholarship was, however, “an Arabic Aristotle . . . that threw the Latin European community into a spin in the twelfth century” (Menocal, Arabic 36). It is not my purpose here to detail every nuance and narrative sideline of this fascinating story of Middle East and West. Instead, I focus upon a single figure of significance in the reintroduction of Aristotle into the Western rhetorical tradition, Ibn Rushd (1126–1198 CE, 520–594 AH). Largely unknown and unstudied by scholars of rhetoric, Ibn Rushd was a scholastic superstar for centuries, one so popularly known that Dante Alighieri placed him in Limbo along with such notables as Socrates, Plato, and Hippocrates—referred to, in most translations of The Divine Comedy, as “Averroes, who made the Commentary” (144). The Commentary was a fundamental part of the reintroduction and revitalization of The Philosopher into European medieval thought—and for the struggle between Faith and Reason that ensued"

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    66. Sobre a poligamia no Islam, você também está desinformado, Matheus.
      Que esse é um costume subalterno e marginal nas diásporas Muçulmanas é coisa clara e patente a qualquer um que visite Londres, ou Toronto, ou New York, por exemplo.
      Mas não só nas diásporas é assim. A poligamia foi ou abolida ou proibida por Shariah em vários países majoritariamente Islâmicos. Segue um trecho do assunto da Encyclopaedia Islâmica. Verbete Marriage:

      "Reforms aimed at consolidating monogamy restrict polygamy to the extent of complete abolition. Polygamy has been totally abolished as yet only in Turkey. In ʿIrāḳ it was first abolished (1959), only to be reduced to prohibition (1963). Complementary measures taken concerning polygamy are:

      (1) Stipulation in the marriage contract (see above, vii). Ottoman family law allows a woman to stipulate in her marriage contract that her husband shall not marry another wife and that should he do so, either she or the polygamous wife will be divorced. Jordan followed suit, though the first wife may dissolve only her own marriage, not that of the co-wife."

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    67. Corrigindo. A fonte é Encyclopaedia of Islam. Editado pela Brill (antes que se sugira que a fonte é espúria)

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    68. http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/01/eua-condenam-ataques-do-boko-haram-e-pedem-acoes-da-nigeria.html

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    69. Cansei de certo amigo blogueiro. Segui-o por anos, mas agora dei um basta. Não foi bem eu que dei um basta, ele já o fez para todo mundo que tinha liberdade de comentar lá ao passar a censurar descaradamente comentários e a manter um silêncio quase total na caixa de comentários. Não sei mesmo o que aconteceu com ele. Se alguém comparar o que ele era há, vamos dizer, três anos, e o que é agora, se depara com uma extrema contradição, como se trata-se de duas pessoas completamente diferentes. Nada contra a pessoa rever seus conceitos, o que demonstra maturidade, mas ali houve uma espécie de degeneração, de mediocrização voluntária e assumida. A gota d`àgua foi vê-lo, junto a seu cartunista anão, relativizando o massacre na Charlie Hebdo. "Eles fizeram aqueles cartuns ofensivos e sem graça, então aguentem as consequências", neste estilo. Acho mesmo que estou sendo o último a abandonar o barco, pois no face dele, naquelas teclazinhas de avaliar a aprovação das amizades sintéticas, vê-se pouco compartilhamentos e poucas curtidas. Meu último comentário lá foi justamente a acusação dessa amnésia por parte dele, ele que em muitos posts foi tão ofensivo ao catolicismo e ao cristianismo em geral (em um desses posts antigos eu cheguei a dizer lá: "queria ver vc fazer essas piadinhas com o islã"), com um humor tão capenga e uma provocação tão infantil quanto os da revista francesa. E ele aparece condenando, agora, que essas coisas não devem ser feitas a Cristo e a Maomé. A questão, a absurda questão, é que pouco importa se a Charlie Hebdo tinha a estatura de um Monty Python ou de um bullying medíocre de escola, a questão é que nada, nada disso, justifica a matança em Paris. Colocar essa balança de causa e efeito, e aceitá-la, é, claramente, ficar do lado dos terroristas. Os argumentos críticos desse blogueiro se deterioraram tanto que, no caso do professor El Guapo, ele o defendeu dizendo que, ao hospedá-lo em sua casa, ele não assedio as mulheres presentes. Eu lamento esse maniqueísmo estúpido praticado lá, seguindo a rebarba do dogma de opinião dessa esquerda vestigial e sem mais foco que temos nesse segundo governo da Dilma, pois aprendi muito com esse cara, conheci importantes escritores, tive espaço para desenvolver minha escrita na época em que o blog dele era o melhor do Brasil por ser genialmente anárquico e permissivo. A última aquisição que obtive lá foi conhecer o Nelson Moraes, um cara que eu ignorei durante muito tempo nas propagandas de seu blog extinto, e que agora vejo o quanto ele beira à genialidade em seus comentários no facebook. E o Nelson parece dizer diretamente a ele, em sua publicação de hoje:

      "Sim. Este silêncio ensurdecedor que você ouve agora vem da mesma militância relativizadora da condenação ao massacre na Charlie Hebdo, em Paris ("Ai, humor tem que ter limite", blablabla), mas que agora, mediante a chacina perpetrada pela milícia islâmica Boko Haram na Nigéria - que resultou na morte de dois mil civis -, vira pro lado e, né, então. "

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    70. E foi o Nelson que me apresentou a uma das descobertas mais importantes desse ano: a Paçoquinha Cremosa. Justiça seja feita.

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    71. Charlles, pensei nisso esses dias. Não comentava muito no Milton, mas descobri um monte de coisas lá. Filmes, músicos, muitos livros que só vim ler por agora. Esses dias fui lá atrás de um texto de 2009 sobre Tchekhov, cujas peças li não tem muito tempo, e vi a farra que era a caixa de comentários do cara. Ele respondia a tudo. Pensei imediatamente: "por que esse blog não é mais assim?"

      Não sabia da censura descarada, mas hoje me lembrei de um comentário seu num post sobre crítica de música lá. Você mostrava como ele tinha feito o mesmo antes com um comentário de Marcos Nunes sobre bares e salas de concerto. Ah, dá uma olhada nisso e compara com os posts recentes:
      http://miltonribeiro.sul21.com.br/2010/07/10/porque-hoje-e-sabado-a-playboy-portuguesa/
      "Mantenha ao menos um pingo de desrespeito". Hoje ele me parece mais feliz, mas dá pra mudar tanto em quatro anos?

      P.S. Você tem face é?

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    72. Era muito bom. Eu sempre digo que eu renovei meu propósito em ser escritor com o blog dele. Passei muito tempo absolutamente descrente com a literatura, principalmente a literatura nacional, e abortei todos meus projetos literários. Estava há tanto tempo sem escrever quando conheci esse blog, que ao reiniciar a escrever senti uma poderosa atrofia, Meus primeiros comentários lá são incertos, temerosos. Até meu português estava seriamente defasado, eu escrevia com tantos erros que não diferia em nada da massa do analfabetismo funcional do facebook. Passei a acreditar que o mal da literatura brasileira é que muitas vezes não se tem o ambiente de incentivo necessário para impulsionar a fé de quem escreve. Por isso um dos mais fundamentais livros para mim são os dois volumes de "Textos do Caribe" do Garcia Marquez de 20 anos, onde em várias crônicas o autor fala de sua turma de amigos loucos pela literatura e absolutamente devotos da escrita. Isso na Colômbia da metade do século passado, que pelo fervor dos textos não perde muito para os grandes ambientes de amizades europeus e americanos (dos de Javier Marías, Virginia Woolf, e Jack Kerouac). Claro que sempre aquela voz da auto-crítica às devidas proporções de um mundo virtual me soava na cabeça, o que tem ficado cada vez mais fraca diante a importância que as relações pela net vem assumindo em tão poucos anos.

      Vou ser bem maldoso agora, mas é o que me passa pela cabeça: não pretendo envelhecer dessa forma. O descontentamento e a descompostura e a irreverência e o não-partidarismo a nada serão sempre meu moto contínuo de vida. Se eu perder alguma dessas coisas, perco o felicidade. Ele deve ter, claro, seus motivos, mas do ângulo em que vejo não me parecem muito legais.

      Não tenho face. Minha esposa tem um puramente funcional para mandar fotos de minha filha, esporadicamente, para as avós.

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    73. Aliás minha vida toda tem sido a negação à literatura. Optei por me formar em veterinária porque não queria morrer de fome com a escrita, seguindo o conselho do Rilke. Fiz um mestrado e me tornei um especialista titularizado em ciências do capim, porque achava mais válido para um país como esse do que se me dedicasse a Thomas Mann. Durante um longo período, me afundei no campo, conforme já narrei aqui, e me tornei voluntariamente um matuto, porque me enchia de terror ter que viver à míngua num país como esse se me voltasse profissionalmente para a cultura. Lembro que levei para ler, em um exílio rural a que me submeti por um ano, apenas o Jogo da Amarelinha, e o lia nos finais da tarde já sentindo a dor se amaneirando de aceitar ficar distante de tudo aquilo. Não nego que fui feliz nessa época, e aprendi muito em negativo sobre literatura ao voltar as costas para ela.

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    74. Posso não ter contato diário com muçulmanos em Porto Alegre e no Rio Grande (apesar da chegada de muitos em Chuí, em algumas cidades do interior como Serafina Correa, Caxias, e da mesquita em Porto Alegre - estão fazendo outra - e os vídeos de seu Sheikh local no youtube) e, também, tive pouco contato nos noventa dias que estive na Europa, mas obviamente levo em consideração o que dizem pessoas que residem na Europa há um bom tempo, fora a dos nativos. A opinião minha não difere muito da opinião deles, sejam do populacho sejam intelectuais. Dessa forma, por que estariam errados em relação ao que dizes por default?
      Utilizei de aspas em 'bons e maus' justamente por ser ridículo e redutor, sendo necessário apenas para explicar para um público grande algo complexo - o mesmo que fazemos na escola com 'esquerda e direita'.
      Mesmo outros grupos de imigrantes compartilham dessa visão, da falta de integração dos muçulmanos em geral - excetuando-se turcos e argenlinos.
      Que comam o que quiserem, que vistam o que quiserem, oras! Mas fazer pressão para restaurantes servirem seus pratos, abordarem mulheres impuras nas ruas pelas roupas que vestem - e nem compare com as carolas católicas -, transformarem setores das cidades em 'condomínios fechados', não é respeitar o país que abriu suas portas.
      O livro citado foi criticado e elogiado. Quando alguma obra é 'motivo de piada' na academia geralmente é por um desses três motivos: ser realmente ruim; feito por alguém de fora dela e ,portanto, deve ser massacrado; ou de alguém de dentro da academia que deveser combatido pois vai contra as tendências políticas de quem critica (pois o contrário do que disseste também pode ser verdadeiro, ou é mão única?)
      Serafín Fanjul (un des plus prestigieux arabistes espagnols. Ancien directeur du Centre culturel hispanique du Caire, professeur de littérature arabe à l’Université autonome de Madrid, membre de l’Académie Royale d’Histoire depuis 2011 (*) il a consacré sa vie à l’étude de l’Islam comme phénomène religieux, sociologique, économique et politique.) disse que 'Le livre de Gougenheim est excellent, bien structuré, magnifiquement documenté, et c’est ça qui fait mal. Comme il est difficile de le contredire, avec des arguments historiques, on a recours à l’attaque personnelle. Une vieille méthode ! Il fait preuve d’un grand courage (d’ailleurs indispensable à l’heure actuelle) en remettant en cause des tabous et des routines sacralisées. L’étude et la pensée doivent être libres ; elles ne sauraient être soumis à la tyrannie du politiquement correct, ce complexe qui nous est venu de l’Université nord-américaine, et qui asphyxie jusqu’à la liberté d’expression. C’est un comble!'

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  4. Uma ocasião brutal para ressaltar a diferença de Naipaul. Este escreveu dois livros de viagens maravilhosos em que dá uma visão realista e límpida sobre o islã e as tantas pessoas que sucumbem em uma vida regida por tantos atrasos impostos por isso que convenciona-se chamar de religião. Os livros: Entre os fiéis, e Além da fé. Causou muita polêmica também. Para quem conhece Naipaul, sabe o quanto de acidez e idoneidade de exilado livre contêm estes livros.

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    1. João Antonio Guerra7 de janeiro de 2015 14:53

      Na hora, me arrependi um pouquinho de ter recomendado o Naipaul praquele pessoal. Confundiram demais as coisas. É facílimo condenar o Naipaul -- ele mesmo se condena, aliás, é só lembrar do caso da primeira esposa, aquela que ele torturou por décadas, e por agora assumiu sim que foi como se a assassinasse e não embarreirou chico-buarquemente (& cia.) biografia nenhuma que contasse o caso -- por causa da incisividade de tudo aquilo que ele escreveu. Há mesmo até uma crueldade nos escritos do Naipaul, sim, mas ele não escreve para satisfazer quem quer um espetáculo de crueldade à maneira dos freakshows, um mais-ou-menos longo corredor de texto que você percorre sem se aperceber de nada além das atrações atrás das grades, não há nada que lhe capte o olho além das aberrações -- lembro da mulher do homem que adquiriu uma certa riqueza vendendo fast-food lá em A Bend in the River, do Naipaul, especificamente de quando ela volta da visita à família com o rosto marcado a ácido: Naipaul cutuca várias vezes a possibilidade da vingança a ácido por parte da família da mulher, de modo que o leitor que sabe das estórias dos rostos derretidos já prevê a cena, mas quando Salim se inclina sobre a mulher ele vê que é uma marquinha mínima, quase imperceptível. Naipaul não dá nunca esse tipo de satisfação sádica. Ele tem um impulso só, e não larga. O leitor hipotético que vai até Naipaul procurar pela polêmica acaba se entediando com a leitura, achando arrastada ou chata ou outro adjetivo desses, e depois migra pra algo mais confortável.

      Charlles, o caso do Élis é muito triste mesmo. Minha amiga contou que achou tudo num sebo só em Juiz de Fora. O Brasil coleciona autores esquecidos, alguns literalmente esquecidos (Augusto dos Anjos, Bernardo Élis, Lima Barreto, João Antônio, etc.), e alguns de tão deturpadas que são as nossas leituras de suas obras (Rosa e Machado, pra ficar só por aqui).

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    2. João então essa tua amiga teve sorte porque olha o preço da primeira edição do "ermos e gerais" autografado.http://www.estantevirtual.com.br/buquineiro/Bernardo-Elis-Ermos-e-Gerais-Autografado-103404012

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    3. João Antonio Guerra8 de janeiro de 2015 13:59

      Muita, Tiago, muita. Ela depois me passou que o único dos três que não é primeira edição é o Ermos e Gerais. Aí na Estante refinei a busca por "bernardo élis" pra mostrar só os livros que valessem mais de cem reais, entre autografados e primeiras edições: cinco resultados, sendo que dele-dele são só quatro (um é um tal O Centro Oeste, em que aparentemente o Bernardo só introduz, e desse livro há quatro exemplares, sendo que dos outros só tem um pra cada). Uma primeira edição do Caminhos e Descaminhos custa R$ 180, e dá pra imaginar o valor do Veranico de Janeiro que ela encontrou, porque só autografado já vale R$ 100. Ela teve uma sorte muito boa, mas é bem triste.

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  5. Depois desse atentado, fui reler os ensaios sobre terrorismo que Mário Vargas Llosa escreveu no Sabres e Utopias (recomendação do Matheus e impulsionado pela sua resenha) e não tem como não concordar com o Peruano.

    Um resposta do ocidente, com as mesmas táticas usadas pelos radicais, só irá reafirmar a vitória deles.

    A resposta deve vir de forma de toda legalidade e acima de tudo na lei. Se exceder isso, perdemos a razão, mas poderemos - pra alegrar de alguns - matar três terroristas.

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    1. De nada adiantarão as leis, caro anônimo que sei quem é. O conflito é de religião e cultura e só será 'resolvido' nesses campos. Não é possível contar nem com os arsenal militar superior do 'ocidente' - as próprias leis e o uso excessivo da razão e do bom mocismo ocidental impedirão medidas necessárias. O coitadismo, a frouxidão, o medo de parecer intolerante instalaram-se na mente das pessoas que comandam as instituições. Poxa, olha o que é a Igreja.
      Profetizando mesmo. MtII - 1, 1.

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  6. Ramiro Conceição7 de janeiro de 2015 21:11

    Vou aproveitar o comentário do Anônimo.

    “Uma resposta do ocidente, com as mesmas táticas usadas pelos radicais, só irá reafirmar a vitória deles. A resposta deve vir de forma de toda legalidade e ACIMA DE TUDO NA LEI. SE EXCEDER ISSO, PERDEMOS A RAZÃO, mas poderemos - PRA ALEGRIA DE ALGUNS - matar três terroristas.”

    Creio que seja isso, muito provavelmente. O Anônimo cita uma obra-prima de Llosa (a qual li devido a você, Charlles…). Após “Sabres e Utopias” cheguei a uma paráfrase de Marx: O ENTRETENIMENTO É O ÓPIO DA MEDIOCRIDADE.

    Creio que H. e Coelho, por exemplo, são autores que fomentam tal entretenimento, isto é, polemizar sempre, superficialmente, o complexo. Isso dá audiência, isso vende jornal, isso vende livro durante um certo tempo… Até que seja criada uma nova pseudopolêmica, sobre a qual se terá uma nova audiência, nova venda de jornais e livros… É um ciclo maldito… O mercado macabro deseja só a manutenção do status quo.

    Não é isso que faz o paquidérmico, denominado Datena, na Band, quando, durante mais de 20 minutos, em rede nacional, fica a repetir um vídeo dum assassinato e, concomitantemente, alimentado pelo “ponto”, controla o nível de audiência?

    Qual é a diferença ética entre os efetivos assassinos e o efetivo jornalista que fatura sobre assassinatos, sem qualquer escrúpulo, e que, após análise estatística de sua audiência, calcula o preço comercial da exposição de seu cu, por minuto, em rede nacional?

    Qual o traço demoníaco comum entre H., Coelho, Datena e os rola-bostas da grande mídia? Ora, meus amigos de literatura: o entretenimento, o ópio da mediocridade!

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    1. Ramiro Conceição7 de janeiro de 2015 21:51

      A complementar o poema
      “Cão do Mato”, deixo outro…
      *
      *
      *
      ALUMÍNIO
      by Ramiro Conceição


      Não! Não era possível que fosse a Estatua da Liberdade.
      Nem, muito menos, o Redentor… da Baia de Guanabara.
      Nem com certeza a fria Mãe pedregosa... de Stalingrado.
      De certo jeito, poderia ser até a Pietá… de Michelangelo.

      Porém eu estava às 6 da tarde… em Vitória,
      em pleno XXI, a buscar meu filho na creche.
      O que seria tal monumento… que se movia?

      Sim, ela estava alí com o seu filhote ao colo:
      bem à frente do preconceito de meus olhos.
      Era negra!… Orgulhosamente…. Negra!

      Competentemente, se dobrava… sobre o lixo,
      a catar as latinhas de alumínio… ao sustento;
      mas extraordinariamente erguia seu filho ereto.

      Acima da nuca.
      Acima…da rua!




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    2. Acaba que é isso mesmo, Ramiro. Curto e grosso.

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