segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Assim...

Eu tenho um grande amigo que lê de tudo, o que me causa uma certa inveja. Basta qualquer sujeito mencionar determinado título, mesmo erraticamente, que uma semana depois esse amigo dá um jeito de aparecer com o livro citado. Na época em que eu dava aula no mesmo colégio que ele, ele me ouviu falar em classe do calhamaço para mim ilegível de Sartre, O ser e o nada, para então se lançar a um dos seus fetiches frenéticos de procura em sebos e entre amigos leitores pelos quais lhe pudesse chegar em mãos o objeto em cima do qual exerceria sua paciência inexpugnável. Pois assim me parece: os livros para ele são objetos puros, de uso inevitável e absurdamente fácil, que não lhe causam asco espiritual nem tédios mercurianos: uma vez cheguei em sua casa e o flagrei com um desses livros em mãos e tive a apreensível sensação de que sua relação com ele era equivalente a alguém que se senta em um puf, um desses almofadões de couro que se amoldam à forma de seu usuário_ era tão singelo, tão osmótico. Esse amigo é um debulhador, um processador inercial de páginas, o que às vezes sinceramente me espanta. Me faz lembrar um personagem de um outro volume de Sartre, de leitura sofrível, A náusea, que se dispôs a ler todos os livros de uma biblioteca pública parisiense.

Por exemplo: ele leu tudo de Paulo Coelho, de Dan Brown; leu os sete ou oito livros daquele bruxinho inglês que virou moda; mas não só essas leituras ligeiras, claro, como também pesados tomos de filosofia contemporânea que ninguém consegue ler e indefassáveis tratados de sociologia por inteiro que os leitores obrigados a ler só consultam resumos. Não tem como pô-lo à prova sobre tais leituras, já que ele é um espécime único entre os poucos amigos aqui do bando, mas meu resquício de fé na humanidade sofreria um baque terrível se eu viesse a descobrir que por detrás de sua placidez de devorador minucioso se esconde um falsário. Existem livros que eu morro de vontade de ler mas, apesar das inúmeras tentativas, não consigo, e ele simples e disciplinadamente os . É o caso de Declínio e queda do Império Romano, de Edward Gibbon, que comprei em edição de bolso, após anos sonhando com o prazer que me causaria entrar na história de Roma através de conceituadíssimo autor clássico, e que, ao chegar o momento de desfrutá-lo, olha o que acontece, o marasmo do texto ultra-detalhista, o empacamento em questões introdutórias absolutamente descartáveis, me mostra a realidade assombrosa de que eu jamais conseguirei passar da página 46. E esse meu amigo, cujas circunstâncias devastadoras resolveram que nós dois encomendaríamos juntos o Gibbon, um livro para mim e outro livro para ele, através de meu cartão de crédito, após umas três semanas em que não o via e o encontro assim assim na praça num passeio com a família, me diz com a candura de quem passou horas na terapia de recolhimento em seu puf pessoal, que havia lido Gibbon, 50 páginas por noite, após o jantar e antes de dormir. Engulo em seco, meio desesperado pela insegurança de ter que reanalisar anos de uma vida de leitor incompleto diante aquele portento, e não falo nada sobre a minha desistência irrevogável, passo para outros assuntos.

Há muitos exemplos. De Umberto Eco, que eu amei O nome da rosa, mas que O pêndulo de Foucault se entalou em algum lugar entre as amígdalas e a traqueia e se recusa a se mover para sempre, ele leu a bibliografia completa, incluso aí o impossível livrinho sobre como escrever uma monografia (leu-o décadas após ele próprio ter concluído sua monografia, sendo então inútil perder-se tempo com isso, mas ele o leu, Deus pai, o que me faz pensar às vezes que se trata de uma doença real da leitura, um TOC, uma esquizofrenia ebuliente aquecida em um agoniante fogo baixo). Há uns três Paul Auster que me são Everests intransponíveis, mas que ele os atravessa com uma passada de pés, com a singeleza cantarolante daquele personagem de Hitchcock que anda pelas charnecas inglesas com um livro diante os olhos saltando pequenas pedrinhas e corpos assassinados sem que nada lhe perturbe. Como esse amigo é o único para o qual empresto livros, sendo que constantemente nos vemos permutando nossas bibliotecas, eu já ajo com inconsciente malícia quando me pergunta o que eu sugeriria para suas leituras. Dou-lhe algum dos volumes para mim intragáveis, e espero o dia crepuscular em que ele atravessará a soleira da porta em retorno, pacatamente radiante com seu ostensivo estômago de avestruz. A última pedra que lhe joguei para assistir ao espetáculo de sua digestão foi um de mil páginas de Daniel J. Boorstin. Prevejo com uma satisfação masoquista sua opinião ao me responder à pergunta "E aí, o que achou", ao que me dirá, conciso e inalterável: "Muito louco".

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Os intelectuais da esquerda nacional deram por repudiar em uníssono o filósofo esloveno Slavoj Zizek. Virou moda. Um dos sinais da incontinência descerebrada, principalmente em nosso país, é quando se organizam bolsões de ódio tendo como alvo algum súbito desafeto das ideias contrárias ao que pensa um certo grupo organizado. Aqui cabe um adendo explicativo: apesar de não ter Facebook e não visitar o Facebook de quem os tem, às vezes caio na estultície de cometer exceção à regra. Assim, me vi visitando o terreno virtual de Idelber Avelar, um ex-blogueiro que, tudo indica, voltará a abrir algum blog de "política" nesse ano eleitoral, em que o governo pode dispensar generosas compensações a cabos eleitorais cibernéticos_ como também deve retornar ao exercício coaptado da propaganda partidária gente como o dono do extinto blog NPTO.

Assim, me lembro o quanto é divertido vislumbrar o que anda pensando os próceres do partidarismo brasileiro, na forma lapidar e soliloquia de comentários ligeiros do Facebook. Antes, Idelber gastava laudas e laudas em um texto para expressar o que para ele e seus seguidores eram pedras fundamentais do que seria a verdade incontestável da situação brasileira, agora, basta ele soltar umas poucas palavras, como algo assim "Zizek anda falando cada vez mais bobagens", ou "mais uma do idiota do Zizek", e a mensagem jogada se prolifera como chuchu na serra. Cansa-se menos o autor na arte de escrever, e se cansam menos os tantos que repetem em eco e aplausos o que o autor pensa. Assim, gente que nunca leu uma linha de Zizek, mas são doutores honoris causa em observação panorâmica googlelesca e tem como aquisição de conteúdo programas de televisão relativamente distintos como o Roda Viva e o Jornal da Cultura, aceitam que Zizek é o idiota da vez, o que o líder da opinião descolada manda execrar.

E essa execração vem, pelo que inferi do Planeta Idelber Avelar, de um texto que Zizek escreveu depois da morte de Mandela, afirmando que Mandela passou por um lento e astuciosamente trabalhado processo de decantação, até que os poderes instituídos da África do Sul conseguiram transformar o antigo revolucionário bombástico em um fantoche querido por todo mundo, um santo disneyiano sem conteúdo, cuja essência foi-lhe retirada pela bajulação e pelos anos de sua longevidade abençoada, de forma tal que ele se prestou a ser uma grife louvada por cantores de rock e por empresários e que cuja ação prática se resume apenas a manter a opressão, a segregação racial e o atraso através da preservação do status quo de dominação sul-africana. Algo como desenhou o artista gráfico Bansky, um camundongo Mickey sorridente de mãos dadas com a menina queimada com napalm da famosa foto da guerra do Vietnã. Baseado nesse texto de Zizek, que para leitores de Zizek como é esse que agora escreve não se trata de nenhuma polêmica nem tampouco necessidade de escandalizar por parte do esloveno, sendo que o escopo de todos os seus livros sempre foi o de mostrar que todas as revoluções sociais fracassam pelo advento adstringente do dia seguinte, em que os heróis tiram os uniformes e se congratulam com o inimigo, baseado nesse texto, como ia dizendo, Idelber julgou que o filósofo do Occupy Wall Street é um medíocre ideológico e fraco da cabeça que deve ser imediatamente avacalhado. E seguem trinta comentários descolados dos seguidores canoros do ilustre professor de não sei qual universidade estadunidense que recebem a comida pré-deglutida do bico do Idelber e vão repetindo o quanto idiota é Zizek.

E basta ter um pouquinho só de visão, olhar pelo ângulo certo das lentes que corrigem a miopia, para ver que Mandela casa com desassombrada perfeição com o que Zizek escreve, na cerimônia da escolha dos grupos dos times que jogarão a Copa do mundo, em que mesmo alguém tão ubiquamente afundado na lama quanto Joseph Blatter reproduz a lisonja a Mandela_ ou quem não consegue esse resquício de visão, se tiver uma audição mediana também serve, se ouviu que o minuto de silêncio conclamado pela presidente Dilma Roussef foi interrompido aos vinte segundos pelo Blatter, pois cada segundo no horário nobre daquela exibição não poderia ter seus milhões de patrocínio desperdiçados com alguém que já havia sido escoado e coaptado aos esquemas. Mandela merecia só 20 segundos e vamos acabar logo com isso. E há outras pérolas no Facebook do professor, como a apologia aos arrastões em shopping centers, que para ele são manifestações revolucionárias do calibre dos Black Blocs e legítimos como contestação dos "desprivilegiados" e "despossuídos" da sociedade. Lembremos que para o professor, exímio doutor em literatura, o grupo de pagode pornochanchada É o Tchan é melhor que Julio Cortazar (não é bom perguntar do por quê um pode ser comparado ao outro), e que funk ostentação equivale em qualidade (e até potencial educacional para as massas juvenis) a qualquer outro tipo superior de música, seja erudita, jazz, MPB ou rock. Assim vai. E me fez lembrar de um post do professor em seu antigo blog, Biscoito Fino e as Massas, em que, após um texto típico em que ele esbravejava pelo direito de seja qual minoria da hora, e condenava a classe alta paulista, e louvava a ascensão na nova classe média, no final dos comentários, o Hércules socialista avisa que agora ia descansar com alguns amigos em determinado barzinho, para uma rodada de cerveja; convida quem quiser participar a comparecer no local, mas salienta: tem que ter dinheiro, pois a degustação das cervejas é cara.

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Há livros que falam por si mesmos. Transcendem o que gostariam que dissessem de si e de suas crenças e ideias seus autores, e se tornam corpos independentes com todas as idiossincrasias de movimentos pessoais e cheiros orgânicos próprios. Assim que um antigo professor de filosofia defendeu a sua certeza de que na escala progressiva de niilismos de Nietzsche há uma derradeira e combalida entidade universal postada em sua inalcançável solidão plenipotenciária, e de uma saudade cósmica sem tamanho, assim como há os que digam com a voz segura que Machiavel não escreveu um tratado para a dominação, mas uma cartilha pormenorizada para se prevenir da estultície cega do poder que todos que a seguirem ficam imunes à alienação dos bezerros de ouro. Assim também é que me parece muitas vezes, de maneira gritante, que no fundo dos livros de Céline exista um incômodo e sobrenatural eco clamando pelo fim de todas as massacrantes desigualdades sociais, ainda que Céline mesmo não tenha dito isso deliberadamente. (E é só a mim que a delicada música de redenção canta por entre as afiadas páginas anêmicas de Esperando Godot, à revelia da amargura profunda de quem pensava que estava escrevendo com domínio pleno essas páginas?)

Por que por várias vezes, por detrás das apostas solares da existência de uma lógica justa no universo por parte de Tolstói, o livro em sua voz independente desmente tudo dizendo: a única coisa que esse velho pensava era "Tó ferrado"? E não é no mínimo estranho que o livro que mais me despertou um alívio para com a vida, nas minhas leituras dos últimos dois anos, seja justamente Partículas elementares, cujo materialismo de pureza intransponível de seu autor, Houellebecq, é por natureza contra todos os haustos possíveis da vida?

123 comentários:

  1. Eu fico dependurado entre o escrúpulo de não pegar pesado com o Idelber - quando comparo a minha incipiente carreira com o currículo aparentemente bem sucedido dele - e o ímpeto de descascar o cara toda vez que ele oferece aos seus leitores os seus exercícios de sacrificium intellectus.
    Mas não dá. Honestamente, e não que não se possa objetar quaisquer dos pontos de vista mais polêmicos do Zizek, quem é o Idelber para pichar o nome daquele que é sem sombra de dúvida o filósofo mais relevante da atualidade? Ele chega a achincalhar o Zizek de idiota mesmo? Às vezes me parece que o Idelber não tem senso nenhum de preservação profissional. Ou é isso, ou ele confia demais que seus pares não tem acesso nenhum ao português.
    Há quem critique o Zizek porque ele se insinua demais em analizar cada cenário político e cultural no momento mesmo em que esses acontecem. Mas é forçoso, cara, muito forçoso, manter que ele não é um filósofo sério depois do calhamaço recente que ele escreveu que tergiversa só sobre Hegel.

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    1. Passei mais de meia hora agora procurando o referido post contra o Zizék no Facebook dele e, não encontrei. Ele deve ter retirado. Mas juro que estava lá.

      Mas catei essa pérola:

      "O rolezinho é dos fenômenos mais interessantes dos últimos tempos no Brasil e ele merece ser expandido para além dos shoppings: universidades, repartições, lojas. Tá tudo aí pra ser ocupado. Galera da perifa, aliados, 'bora ocupar geral. "

      Eu rio muito com essa necessidade de silogizar em cima do nada.

      Claro que Zizek tem muitos pontos discutíveis (inclusive esse agora, de SÓ agora, eu ver que não tem acento no "e"!!), e oferece uma grande gama de discussões interessantes, mas resumir tudo nessa linguagem jovial de Facebook e decretá-lo de persona non grata, é ridículo.

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    2. Matheus Todeschini14 de janeiro de 2014 14:49

      Pobre vai a Shopping desde: SEMPRE. Gurizada marginal, arruaceira, vai desde: SEMPRE.

      A esquerda que ama pobre desde-que-nao-cheguem-perto descobriu agora e falam esses absurdos.

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    3. Confesso que não li sistematicamente Zizet (ou Zizét). Li coisas esparsas aqui e acolá…Portanto, não tenho pedigree para julgá-lo… Do que li, principalmente, associado ao movimento de ocupação, lá nos states, não gostei ou melhor - não me atraiu filosoficamente… Um caso parecido, a meu ver, parece ser de Boaventura, esse, sim, li mais concretamente: o que ficou foi um vazio, um conjunto de conceitos apresentados como inovadores, mas que no fundo, no fundo, são apenas superficiais…
      *
      Quanto ao “rolezinho de Idelber - é lastimável… Lembrou- me de Caetano quando diante do grupelho de tartarugas ninjas que, tal como apareceram, já desapareceram do contexto como qualquer novidade social, isto é, não passaram do que realmente foram: marginais-filhinhos-e-filhinhas-de-papais-e-mamães. Aliás, o que sobrou concretamente da dita revolução de Junho no Brasil? NADA!!!!!!!!!
      *
      Todavia, o fato que mais me assustou, ideologicamente, foi o Idelber assinar seus textos, após um dado momento de sua existência, como se fosse pertencente a uma etnia indígena… Como é possível tal absurdo… Seria algo parecido como, por exemplo, eu assinar meus poemas, por ser a favor das cotas, durante um certo período histórico, qual Ramiro Conceição (+ um termo iorubá)… Seria ridículo, para não dizer, ou dizendo logo, claramente: seria piegas!

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    4. Só vi seu comentário hoje, Ramiro. Concordamos em um assunto, finalmente!

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  2. Queria ser como esse seu amigo.
    Quanto ao Idelber, depois de ele elogiar o Paulo Coelho e falar mal do Cortázar, e depois fui ridicularizado por ele por pensar diferente, deixei de acompanhar sua escrita.

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    1. Eu sinceramente gostaria de ver o exercício involuntariamente histriônico de uma palestra dele sobre Borges.

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  3. Depois de Spielberg e Woody Allen, Hitchcock é o diretor o qual eu mais vi filmes. Tenho cá em minha memória esta imagem de um cara saltando cadáveres distraidamente, mas não me lembro de que filme é. Você sabe me dizer?

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    1. Se não me engano é O terceiro tiro. Adoro esse filme.

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    2. Antes tinha quase certeza que tinha visto algo assim em Frenesi ou 39 Steps. Devo ter visto o trecho em algum programa sobre ele, porque era igual ao que eu imaginava, apesar de só hoje ter assistido a O Terceiro Tiro. Me diverti bastante, como sempre.

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  4. nunca mais tinha lido o Idelber até esse teu post, q me remeteu a uma entrevista. segundo as posições sustentadas nela, o apoio à Dilma não será aquele, de palanque, como foi com o Lula.
    http://www.pedromigao.com.br/ourodetolo/2013/06/jogo-misto-idelber-avelar/

    mas tbm, sei lá.

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    1. Tentei ler, mas parei no curriculum. Em qual outro país do mundo um intelectual se identifica primeiramente pelo time que torce? "Idelber Avelar, atleticano, professor de línguas e literatura". Me parece que a vida intelectual do Brasil é um Banco Imobiliário, onde nenhum produto e valores é de verdade.

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    2. Estou pensando me passar a, modestamente, me identificar nos mesmos termos:

      Charlles Campos, fã do King Crimson, médico veterinário e formado em História;

      Charlles Campos, gosta de arroz com pequi, é médico veterinário, formado em História, pretenso escritor e dono de um blog homônimo;

      Charlles Campos, sapato 43, é médico veterinário, ...

      Charlles Campos, tem crediário nas Lojas Centro, é médico veterinário...

      Charlles Campos, medalha de ouro em dama de 5ª série ginasial do colégio Marista, é médico veterinário, formado em...

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    3. Matheus Todeschini14 de janeiro de 2014 14:43

      Deixa de ser elitista-conservador, caro Carlos (seus pais foram alienados pelo imperialismo, coitado), e apoie os rolezinhos contra a classe-média burgesa:

      https://www.youtube.com/watch?v=H4oRqmLGDd8

      Que bonito, o povo da perifa invadindo esses centros malignos do consumo!!!! Ah, que pena! Aposto que se o Idelber nao estivesse há milhares de quilometros de distancia tomando cervejas DE NOME curtindo o sul do Império, rumaria ao primeiro shopping para confraternizar com essa juventude funkeira mas consciente liberta pelo PT.

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    4. É muita besteira, né, Matheus. É por isso que a direita anda escrevendo coisas muito mais interessantes e significativas, como aquele texto do Magnoli sobre os índios. Eu me incomodo de dizer isso, pois não tenho nenhuma simpatia pela direita formalizada, mas é ela que vem mantendo o discurso em um certo nível e polemizando. Tenho uma amigo que trabalhava na Funai, fazia História comigo mas acabou jubilado por que tinha que atravessar longas distâncias vindo do extremo norte do estado para poder assistir às aulas, mas sempre chegava já no final. Uma vez dei carona para ele até Goiânia, para ele renovar a assinatura de seu contrato com a empresa pública. Ele já me contava várias coisas escabrosas que os "índios" faziam, além de cobrança de propina em pedágios inventados para se poder transitar pelas estradas federais, envolvimento em estupros e assassinatos. Eles são inimputáveis, né. Claro que o assunto é muito profundo e eu sou pelos direitos razoáveis para essas povos, mas como tudo que é feito aqui visa a superfície da aquisição dos votos, o próprio governo petista criou um barril de pólvora pavoroso para si, ao tratar os índios como santos politizáveis, como moedas de troca do politicamente correto. Vamos ver o que vai dar. Concordo com você, é fácil aprovar um Brasil fictício quando não se tem que viver nele.

      A propósito, não vai voltar mais da Alemanha?

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    5. SÓ SAIO DAQUI DEPOIS DE VER NEVE hehehehe inverno mais quente dos últimos anos, que coisa (boa). Fico mais um mes. Tudo funciona. Onibus nao atrasa. Nao tenho medo de ser assaltado, nem encontrar um rolezinho de bone pelo caminho (um grupo de muslims faz tocar meu sinal de alerta, porem. Ainda chocado com a primeira mulher coberta, só de olhos tímidos à vista). Vai dar depressao quando voltar.

      Indios: assunto proibido. Todos coitadinhos, seres puros, verdadeiros donos da terra, bons selvagens, corrompidos pela sociedade crista e pelo capital.

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    6. Diferente de você, Charlles, eu não vejo nada fresh ou notável da parte da direita brasileira.
      O Idelber faz um enorme desserviço ao diálogo entre os polos ideológicos. Porque ele é justamente a epítome daquele arremedo citado por direitecas do intelectual de esquerda.
      Não me recordo de uma ínfima parte de imprevisibilidade nos posicionamentos dele. Até vestir-se com batas africanas e adotar um sobrenome índigena por razão da luta em Belo Monte tá lá no checklist ideológico dele.

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  5. Eu tinha pulado essa parte, q acho q foi tirada ipsis litteris do biscoito fino.
    Tava buscando algo mais recente dele, quem sabe ele já tinha lançado o tal provável novo blog.
    Deixei de frequentar o biscoito fino antes de ti, acredito. Foi cansando. Mas uma posição q ele "revê" nessa entrevista é em relação ao "ativismo ateu". Claro q a revisão não vem com toda aquela pompa q era usada naquela apologia do ateísmo (q era uma das coisas q cansava), mas, ué, não foi melhor, então, q ele tenha se enfurnado no facebook e no twitter? Fala para quem o quer escutar.

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    1. Tá certo. O errado sou eu de ser enxerido. Reconheço. Mas os prazeres da maledicência sempre me corromperam.

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    2. O problema desse sujeito é a enorme vontade de fazer num intelectual público. Ficasse ele restrito a escrever sobre música popular brasileira ou literatura contemporânea Argentina, tava tudo muito bem. Tudo muito bom. O cara passa a juventude sob a sombra de gente como Deleuze ou Sartre e na pós-graduação é fascinado pela polivência de um Habermas e cria para si essas fantasias irrealizáveis de intelectual público de esquerda americo-brasileiro: comenta sobre os percalços da liberdade na internet e as promessas das novas mídias, se intromete a falar sobre Belo Monte, cai no velho clichê do ativismo de esquerda dos abaixo-assinados e das assinaturas. Caras como o Idelber pensam que o seu gabinete da universidade é o mundo.
      É claro que eu vejo a coisa toda com uma certa ternura. Mas a linha entre o terno e o risível é bem tênue.

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    3. se sempre te corromperam, não sei por que não estás no facebook hahaha

      aliás (lembrei dela, pelo episódio aquele), tua esposa está bem recuperada?

      [para comentar aqui, além de não ser um computador, deve-se ter sorte. na verdade, um computador teria mais paciência]

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    4. Estou rindo aqui, Luiz. Definistes com perfeição essa turma. É uma grande ciranda, um reino de Óz. Penso que o Idelber não aguentou manter o blog porque o excesso de acusações de suas fantasias hipócritas estava tomando a caixa de comentários. Eu pouco lia os posts escritos por ele, pois a maravilha estava na caixa de comentários. Aquela trilogia sobre seu salvamento em um aeroporto norte-americano de uma família de emergentes sociais nordestinos do ataque de esnobes paulistanos foi de matar de rir de tanta falsidade. Acho que foi esse texto, somado mais tarde às suas elucubrações delirantes sobre Cortazar, que fez com que ele parasse de apostar na idiotice do aceita tudo do brasileiro medianamente pensante. Fez ver que sua unanimidade pretendida se restringe apenas entre seus alunos bajuladores por notas de fim de semestre, e só. Também percebo essa ternura em mim quando eu me deparo com esses caras.

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    5. Minha esposa está bem, arbo. Já está me ajudando a limpar a casa. Ontem mesmo limpamos a casa por umas três horas, ao som da discografia do The Police. É uma terapia.

      Pô, tá com problema de novo esse blogspot. Lamento.

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    6. Ah, o horror! Aquela série da Classe D parda vingada no aeroporto de Miami pelo intelectual branco merece canonização. Merece reprodução e a nossa memória. Uma peça involuntária de comédia política. Podia colar ela aqui para o nosso divertimento.

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    7. Escrevi um longo-longo comentário de resposta ao que vc falou bem acima, mas não sei por que o note desligou sozinho e apagou tudo.

      Resumo: na carência de relevância do discurso político do Brasil atual, é a direita que tá dando as cartas da melhoria pragmática: ela que vem falando contra os recém reacionários censores Chico e escambau; ela que vem defendendo a redução urgente da maioridade penal; ela que vem acusando o trujillismo e o papadoc-quismo do clã dos Sarney no Maranhão, o Sarney amigão do Lula e da Dilma.

      Oportunismo filistino? Nem sempre, vamos ser sinceros. Mas, para o bem ou para o mal, as palavras estão partindo deles.

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    8. http://www.youtube.com/watch?v=8IgW_-7Y-rc

      Respeitem o Sarney!!!

      "A direita", que não passa de um punhado professores, intelectuais e jornalistas na midia, sem qualquer representação política, vale lembrar.

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  6. Toda vez que a pauta é o Idelber sou tomado por uma profunda melancolia. Porque inevitavelmente ele me remete ao ocaso da figura do intelectual. Da triste polarização entre atomização do conhecimento de um lado - essa legião de burocratas nas ciências humanas incapazes de escrever uma linha fora de seus estudos de caso - e esse exército de farsantes que se põe a tecer comentários sobre tudo.
    Daí o desencanto geral da pessoa média quanto ao intelectual. E multiplicação do anti-clericalismo, às vezes merecido, às vezes vazio, dirigido à academia.
    A America do Norte tem ainda fugazes exceções. Por exemplo, Judith Butler. E para citar ainda outra mulher, mas de um polo político distinto da primeira, Martha Nussbaum e seu estoicismo moderno.
    Correndo grande risco citaria ainda Noah Chomsky como outro legítimo e sério intelectual público.
    Mas o panorama, visto do alto, é bem desanimador.

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    1. O Chomsky sim é muito relevante. Boa época_ dez anos atrás_ em que havia Said, e Judt há pouco, e um pouco mais para trás no tempo havia Bródski. Said já previa esse marasmo do intelectual através da excessiva especialização, que lhe tirou a paixão sincera pela opinião sobre a realidade, pelas desavenças_ leia as conferências Reith de 1993, cara, leia!!!

      O Brasil é tão circense que os que se prestam a papel de intelectuais são âncoras da tv, como a Rachel Sheherazade, e o cantor Lobão, ou filósofos cujas obras mais contundentes são compilações de crônicas de revista, como o Olavo.

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    2. Uma personagem do Mil e uma Noites como a voz crítica do país, porta-voz da classe conservadora suprimida? Só no Brasil.

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    3. Eu sei. Eu sei. Said. Mas é que preciso primeiro passar da página 30 de Orientalismo.

      Said pode, Matheus? Ou está entre os títulos do index librorum prohibitorum do Marxismo cultural?
      Pergunta séria agora. Você leva a sério essa parada do all-embracing Marxismo cultural?

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    4. Pode, mas tem de lavar as maos e os olhos depois de ler. =) Brincadeira.

      Ó http://pt.scribd.com/doc/96483430/SAID-Edward-W-Representacoes-do-Intelectual Baixei, li o comecinho, gostei. Lerei.

      Nao, Luiz. Tem gente que se passa, como o Battista Chiesa enxergando demonios em todos os lugares, no trabalho do Giovanni Levi.

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  7. sobre as biografias
    https://www.youtube.com/watch?v=0t6c1IshS9Y

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  8. Herança Imaterial do Levi é bom. Um pouco maçante, mas um livro sério de historiografia. Aliás aquela turma toda da Microstorie italiana é sensacional. Queria ter tempo para ler o Galileu Herético também daquela série de Micro-História. Aliás, aquela turminha toda, encabeçada pelo Ginzburg, entraria no index librorum prohibitorum Olaviano.
    Você é historiador?

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    1. É uma turma respeitável de historiadores mesmo. Pena a Cia. cagar nas edicoes portateis alegrinhas (todo livro de historia deles é lancado assim agora, poxa!).

      Se entra no Index do Olavo eu ja não sei, mas no meu não.

      Estou cursando historia. Acho que termino licenciatura este ano.

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  9. e como esse vai ser o assunto da semana:
    http://rosanapinheiromachado.wordpress.com/2013/12/30/etngrafia-do-rolezinho/

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    1. O texto da Rosana Pinheiro Machado é bem menos reducionista que a panfletagem do Idelber. Mas me parece menos uma análise etnológica do que ideológica da coisa. Sobram as referências aos teóricos do post-colonial studies. Ainda assim, pouco desses aparecem na trama mesma do texto. A idéia do mimetismo cultural de Homi Bhaba, daquele livrinho encarnado de difícil, o The Location of Culture, dá as caras para ser usado de forma bem tímida na análise do gosto das periferias pelos produtos de mercado da classe média.

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    2. A doutora cientista social e antropóloga, da cadeira confortável de seu gabinete em Oxford, não sabe o que esta falando, não sabe o que esta se passando, não tem a menor ideia de qual é o problema.

      ". A classe media disciplinada vê os jovens vestindo as marcas do mercado hegemônico para qual ela serve. A classe media vê os sujeitos vestindo as mesmas marcas que ela veste (ou ainda mais caras), mas não se reconhece nos jovens cujos corpos parecem precisar ser domados. A classe media não se reconhece no Outro e sente um distúrbio profundo e perturbador por isso. Não adianta não gostar de ver a periferia no shopping. Se há poesia da política do rolezinho é que ela é um ato fruto da violência estrutural (aquela que é fruto da negação dos direitos humanos e fundamentais): ela bate e volta."

      A classe-media nao se incomoda com pobre indo ao shopping, fazendo compras com dinheiro vivo (descobri que sou pobre, quero cotas de alguma coisa!!!), se vestindo dos pés à cabeca, dos pisantes ao cap, de Nike, Adidas, Rbk ou qualquer outra marca esportiva que o brasileiro comum usa o tempo inteiro para todas ocasioes (obs: brasileiro nao se veste, se uniformiza).

      O problema dos rolezinhos é que não são rolezinhos. Sao ARRASTÕES, são encontros de jovens descerebrados, despiritualizados, com o objetivo de fazer zoeira, de ouvir música que nao é musica a todo volume, são passarelas de exibição do mais tosco e primitivo materialismo. Quem nao se sente intimidado ao passar por bandos inconsequentes, que cantam as rimas imbecis mas violentas dos mcs, que só querem causar pois sabem que com eles nao acontecerá nada?

      Porra, cambada de doutorzinho intelectual de esquerda. Nao ficam 1 minuto no meio desses bandos sem chamar a policia fascista. Aquela frase última ali do paragrafo é bem a mentalidade estupida dessa gente.

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  10. Meu Deus... https://pbs.twimg.com/media/BeBXR_4CIAAggJR.png:large

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  11. João Antonio Guerra15 de janeiro de 2014 11:37

    Tive um professor -- um dos poucos bons professores desta vida, Antonio Jardim, músico, lá do departamento de Poética da Ufrj -- que só se apresentava assim: "Antonio Jardim, torcedor apaixonado pelo Fluminense F.C." O caminho dele por dentro da academia foi marcado por alguns embates que, acumulados, resultaram em duas sessões tremendamente desonestas para a deliberação do novo ocupante da cadeira de Poética lá na Letras, em que a banca descartou com monossílabos e desvios de olhares cada um dos anos em que ele se dedicou a cadeira, e cada um de seus trabalhos. Acabou com a banca cedendo alegremente a cadeira a uma mulher que nunca tinha trabalhado com Poética, e que inclusive descreveu o cargo nos termos extremamente ultrapassados daquele manualzinho de Aristóteles que qualquer um conhece, para os risos de escárnio de nós que assistíamos a sessão apoiando nosso professor, escárnio que deu de encontro com indiferença com que a banca tratava a todos nós e a ele próprio, exposta lado a lado com a camaradagem desonesta com que respondiam a fala da outra candidata -- as duas, indiferença e camaradagem, irmanadas em cada um daqueles dentes branquíssimos de dentaduras bem mantidas, sempre solícitos para a agora ocupante da cadeira de Poética, mas não para nós. Desconheço tenho desinteresse de saber os motivos do Idelber; os do Jardim eu até entendo: simplesmente não vale a pena se apresentar de outra forma por aqui.

    E vamos combinar que nada neste mundo dá mais credibilidade do que se apresentar como Fulano Sicrano dos Santos, fã de King Crimson...

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    1. João Antonio Guerra15 de janeiro de 2014 11:37

      Quanto aos rolezinhos -- esse seu texto aí em cima tem muita coisa mais interessante que esse assunto, que era mero detalhe, mas enfim: quanto aos rolezinhos... -- na noite em que aconteceram, todos os jornais instantaneamente publicaram chamadas com a palavra "arrastão"; baixada a poeira, depois de verificado que não houve roubos nem nada significativo, os mesmos jornais trocaram cada "arrastão" por "tumulto", "algazarra" etc. Umas semanas atrás, acho que em SP, a polícia realizou uma operação num baile funk que acabou em porrada ou tiro, e alguns frequentadores, fugindo da confusão, se refugiaram num shopping -- e lá já tivemos um gostinho do que aconteceria semanas mais tarde com os rolezinhos, pois a entrada deles no tal shopping também foi noticiada como um arrastão e essas notícias também foram "corrigidas" mais tarde. Uma lógica parecida foi a que aconteceu nas manifestações de 2013, lembra?, as marchas eram formadas primeiro por "vândalos" e, depois que os jornalistas paulistas tomaram porrada da PM, por "manifestantes, para novamente serem formadas por "vândalos" depois que os hematomas da Folha e do Estadão sararam. Me lembrei também do massacre de Realengo, aquele em que um jovem, Wellington Menezes da Costa, entrou numa escola e passou de sala em sala executando as crianças: as primeiras notícias traziam fotografias em que Wellington posava com suas armas e uma longa barba, e apontavam o filho da puta como um terrorista islâmico! Na época eu nem me toquei, estava chocado com o massacre e tal, mas agora estou gargalhando de tamanha burrice e preguiça.

      Vou terminar agora com uma estória minha, mais uma do meu tempo de estagiário, que postei como resposta a um texto dum amigo sobre os rolezinhos no Facebook. Aviso logo que lá eu tomo ainda menos cuidado que aqui, escrevo mais rápido ainda e sem maiúsculas, o que fica bom na formatação estreita dos posts do Facebook, mas uma merda aqui. Toma:

      "lembrei de quando recebi a notícia da segunda convulsão do meu irmão: eu estava sozinho no meu estágio, lendo numa sala de aula, aguardando as professoras chegarem e os alunos subirem a rampa; desci aos prantos, passei pelo portão, alguns dos meus alunos me viram e tentaram falar comigo em vão, dispensei todos, segui caminho praça adentro até o ponto de ônibus. de lá, vejo dois daqueles meus alunos sendo abordados aos berros por um guarda municipal -- eles tinham me assaltado, era óbvio pro guarda,mesmo depois de anos trabalhando ali, conhecendo a mim e aos mesmos alunos, e mesmo depois que eu corri até ele para explicar toda aquela cagada.

      e o pior de tudo, por incrível que pareça, foi o fato de que eu corri para ajudar, sem nem piscar os olhos. só corri porque, escutando a gritaria e, míope, divisando mais ou menos aquelas formas, automaticamente passou pela minha cabeça um eu-fiz-merda: sabia que tinha posto aqueles alunos em perigo. aconteceu comigo o mesmo processo mental que aconteceu com o guarda, e ambos foram igualmente horrorosos."

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    2. João Antonio Guerra15 de janeiro de 2014 11:52

      Quero ler esse texto do Zizek, Charlles, tem o link aí? O Mandela sofreu, como muita gente grande, aquele processo de esterilização decorrente de louros demais, pedestais altos demais. O cara morreu agora agora e já tem abutres aproveitando o espetáculo: aquela Maya Angelou publicou um péssimo poema sobre Mandela, His day is done, disponível aqui: http://www.nelsonmandela.org/news/entry/dr.-maya-angelou-his-day-is-done-a-tribute-poem-for-nelson-mandela; a qualidade me lembrou aquele "poema" do Gunther Gräss sobre as armas nucleares em Israel -- aliás, tristeza: o Gräss anunciou sua possível aposentadoria. Nem o Coetzee escapou de comentar pifiamente a morte de Mandela, e isso pra mim foi o mais chato de tudo: http://www.nybooks.com/articles/archives/2014/jan/09/nelson-mandela-1918-2013/

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    3. O que eu defendo, João, é uma leitura detalhada e não pautada por clichês absolutistas. Estou meio sem tempo agora para desenvolver melhor a ideia, mas, por exemplo: a Caros Amigos repercutia a visão da esquerda de que a polícia militar deveria ser extinguida. E não haviam debates sobre o por quê, a razão disso, o que haveria no lugar da PM, quais as consequências de se acabar com ela. Dizem isso apenas por que soa bonito, como um vingança de far-west, e pega bem pra caralho, para as mentes rasas, alguém defender o que é supostamente uma justiça, assim como o Idelber se vestindo de pantalonas e colocando como sobrenome uma etnia indígena depauperada. É tudo 8 ou 80 e enlevada de uma inconsequente burrice. Imagine um país como o nosso, entre os mais violentos do mundo, sem uma polícia ostensiva aos moldes da PM? Seria bom que o debate incorresse nas melhoras que se deveria fazer para diminuir a truculência da PM, melhorar a remuneração do policial que, praticamente, é forçado a se corromper com um salário abaixo dos dois mil reais e que tem que subir morro para confrontar traficantes. E os culpados, então, são os policiais. Coloca uma tropa de 30 policiais para enfrentar 12 mil manifestantes encapuzados e enfurecidos, e se os 30 jogam bombas de gás lacrimogênio, aí os caras é que se fodem nos direitos humanos. É até de rir, parece uma comédia pastelão, os Stanleys e Larrys da segurança pública, que sempre serão achincalhados para a graça da platéia investida de senso de correção política. Eu sou absolutamente a favor dos Black Blocs, mas a situação deveria ser pensada com extrema perspicácia. Todos nós somos vítimas, todos nós devemos ser salvaguardados.

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    4. Mas sou contra esse rolezinho estúpido. A esquerda é má-intencionada quando politiza esse crime como manifestação social; eles sabem que não é; eles jamais gostariam de estar em um shopping durante tais "manifestações dos excluídos". Eles, quando edulcoram isso, fazem como o pastor ateu que chora diante as câmeras para que os fies lhe enviem a pulseira de ouro e os mil reais, porque extorque em nome de um deus que ele sabe não existir.

      Sou realmente fã ardoroso do Crimson. Os caras são demais.


      Não tenho o link. Mas digita no Google: Zizék Mandela, que vai encontrar facilmente. Se não me engano, está no site Vi o mundo, também.

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    5. O do Coetzee eu não conhecia. Grass se aposentou, eu vi. Mas sua contribuição foi imensa. Anos de cão é um de meus melhores romances.

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    6. a tradução é ruim, mas dá pra sacar
      http://www.esquerda.net/artigo/o-fracasso-socialista-de-mandela-por-slavoj-%C5%BEi%C5%BEek/30604

      Eu soube da morte do chávez pela boca do zizëk. Ele estava em Porto Alegre pra lançar seu último livro, Menos que nada...
      Na palestra q deu na Câmera de Vereadores lotada, o rápido comentário q ele fez sobre o venezuelano foi nessa mesma linha de dessacralização de ídolo (como alguns políticos do psol q o cercavam poderiam tomar chávez) /desestigmação de monstro, para chegar aos fatos concretos q sua emergência no cenário político daquele país provocou.
      Gosto desse estilo q quer ver as coisas em camadas, graus e não apenas superficialmente.
      Por isso acho reducionista não apenas a evocada manifestação do idelber mas também esta q lê os fatos a la facebook, sem demora. Como demonstrou o João Guerra, isso não é prejudicial apenas ao jornalismo.

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    7. João Antonio Guerra15 de janeiro de 2014 13:30

      Tinha escrito uma resposta aqui, mas ao mesmo tempo estou fazendo a faxina na casa e quando dei enter já tinha dado uma topada do modem, a internet caída comeu meu comentário.

      Entendo sua preocupação, Charlles. Das briguinhas entre direita e esquerda, digo sempre que, se nossa única ocupação é a punheta, tanto faz se somos destros ou canhotos. Mesmo assim, não posso deixar de admitir: o leitor duma Carta Capital é tremendamente mais horroroso do que duma Veja. A Veja é honesta com seus leitores, dá a eles o que eles querem, sim, um prato de burrice truculente -- mas o mesmo prato de burrice truculenta, sempre, de modo que o leitor fiel se torna uma criatura quase dócil de tão incapaz. Já a Carta mente o tempo todo sobre si, e seus leitores fieis não percebem; acabam confundindo inteligência com a capacidade de se locomover entre suas amizades.

      Ano passado, Fripp resolveu deixar a aposentadoria, e anunciou uma nova formação para o King Crimson em 2014 -- dois bateristas! -- e estou com um priapismo fodido até agora.

      O Zizek que conheço é dos entrevistas, li pouco pouco dele, quase nada. Do que conheço, gosto. Achei dois textos pós-Mandela no The Guardian, e gostei dos dois, não deixando de ler na voz do Zizek and so on and so on, inclusive coçando meu nariz carcomido de cocaína a cada cinco segundos. Gostei especialmente deste aqui, http://www.theguardian.com/commentisfree/2013/dec/16/fake-mandela-memorial-interpreter-schizophrenia-signing, cujo título me deu um ataque de risos. Zizek consegue ser extremamente escroto e, ao mesmo tempo, muito amável.

      Não li Anos de cão ainda. Estou no fim de Mason & Dixon, e partirei para a releitura Inherent Vice logo depois -- na verdade não é releitura, que até agora só li na tradução do Galindo. Anotei Anos de cão aqui para ler assim que terminar Inherent Vice... ah, irei para Inherent Vice porque este ano sai a adaptação dele, dirigida pelo Paul Thomas Anderson, que não sei se você conhece; se não conhece, pelo amor de Kubrick, veja There Will be Blood.

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    8. João Antonio Guerra15 de janeiro de 2014 13:47

      Foi esse texto que li, arbo, mas tirado daqui: http://www.theguardian.com/commentisfree/2013/dec/09/if-nelson-mandela-really-had-won

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    9. Tomara q o PTA volte a fazer um filme legal. Sempre espero os filmes dele com ansiosidade, mas O Mestre não "me pegou".

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    10. e se aquele texto do zizek tinha sido bom, este do tradutor esquizo é a cereja do bolo.

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  12. Gosto tanto do Paul Thomas Anderson que penso até em ler o Pynchon recente. Segundo entrevista, a cinematografia do PTA foi muito influenciada pelo Pynchon.
    Os dez primeiros minutos de The Master, mostrando Freddie Quell em alguma ilha do Pacífico na Segunda Guerra, sem diálogos, tem a cinematografia quase tão exquisite quanto os quinze minutos iniciais de There Will Be Blood.

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    1. O Joaquim Phoenix (vi q estará no próximo tb!) dá um relevo ao filme, e no começo até me empolgou, mas como um todo achei q não deu liga, o q é uma pena pra quem já fez verossímil uma chuva de sapos e colocou até o Adam Sandler a fazer algo q prestasse.

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    2. Eu tenho pra mim que Freddie Quell foi a atuação da vida do Joaquim Phoenix.
      Não vi Her ainda, do Spike Jonze. Mas embora me gusta muito as coisas do Spike Jonze (especialmente as de parceria com o Charlie Kaufman - no panteão do cinema americano com PTA), algo me diz que algo de MTV, de video-clipe nesse último do Jonze. O bigode do Phoenix nesse último do Jonze me enerva um pouco. Meso hipster, meso bow tie meets mustache.

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    3. I (heart) Charlie Kaufman.

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    4. João Antonio Guerra15 de janeiro de 2014 15:52

      O Mestre foi meu filme favorito do ano passado. E Paul Thomas Anderson, com aquele garotinho de Magnólia olhando pela janela e dizendo This is a thing that happens, me convenceu de que é o melhor diretor para filmar algo do Pynchon. Aquela cena foi profundamente parecido com Tenebrae, os gêmeos e seus primos, todos sentados ouvindo as estórias de Wicks Cherrycoke.

      Sim, Joaquim Phoenix estará lá em Inherent Vice. Tem fotos dele no set aqui: http://variety.com/2013/film/news/joaquin-phoenix-set-photos-inherent-vice-1200491971/

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    5. João Antonio Guerra15 de janeiro de 2014 15:58

      Charlie Kaufman é brilhante! A maldita Hollywood não dá espaço pra ele, que está há anos com um novo projeto de filme sendo constantemente barrado por produtores amedrontados por suas ideias. Synecdoque foi sensacional, mas Kaufman está pagando o preço até hoje...

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    6. tbm gosto muito dos 3. mas já q tu falou em videoclipe, achei q aquele dos monstros absolutamente lindo no trailer. a música do arcade fire tbm contribuiu pra me tomar totalmente. depois, vendo o filme no cinema... claro, continuou sendo uma bela metáfora e tudo (ele é bom com metáforas) e o filme é sublime para crianças, acredito.
      quero ver him no her. e her no her né. é a scarlett, afinal. (tenho um amigo q diz q tem uma scarlett johanson em cada esquina de Picada Cafés aqui pelo interior, mas ok)

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  13. Eu fiquei muito impressionado com Sangue Negro. Aquelas cenas finais do confronto entre o pastor e o magnata enlouquecido é de uma crueza escatológica. É como se Estragon e Vladimir tivessem enlouquecido e se tornado psicopatas assassinos em luta corporal. O filme me pareceu_ e só pude avaliar isso tardiamente e em retrospecto, já que só li Esperando Godot anos depois_ um Beckett com mais riqueza de cenários e uma dimensão filosófica sem abstracionismos, um Beckett afundado na terra e com as mãos cheias de sangue. Mas o niilismo é o mesmo de Beckett ali, só disfarçado com uma falsa saúde no início, como se os personagens mesmos não soubessem que eram loucos homicidas. Como se eles encenassem uma última radiância solar e não soubessem que a mesma encenação trazia o germe da destruição, já que um se fundamentava no dinheiro, e o outro no poder imanado pela religião. A ternura do magnata pela criança surda é, progressivamente, algo atroz, a ternura de gavião predador por um filhote de passarinho sem raça definida. A ternura dele fazia reverência apenas à sua imensa vaidade. É realmente um filme espetacular. E a trilha sonora de um dos guitarristas do Radiohead define bem o teor do filme.

    Mas há anos não pensava nesse filme, só fui pensar agora lembrado por vocês. E não vi O mestre. E não sabia que O mestre é de PTA. Tenho-o em meu HD externo, mas nunca dei muita bola para ele.

    Mas será que vai funcionar com Vício Inerente? Ele dará-se bem com comédia? VI é uma comédia, com lastros de tragédia grega, mas uma comédia. Vai ser uma grande tarefa transformar em imagens aquelas palavras da última página do romance, em que o personagem principal imagina como seria se o mundo conhecido desaparecesse e desse lugar a algo melhor.

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    1. Eu sou fundamentalista. Depois de assistir Nostalghia e Stalker, nenhum filme mais é possível de mexer comigo. Depois de Tarkóvski, só perco tempo com cinema quando ele me oferece a segurança de que me dará boa diversão ao estilo de Homem Aranha 3. Por isso o Triers novo, de 5 horas de duração, é algo que jamais me prontificarei e assistir. E não tenho a mínima curiosidade com versões para cinema de Pynchon. Virou cinema, deixou de ser Pynchon.

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    2. João Antonio Guerra15 de janeiro de 2014 17:39

      Paul Thomas Anderson se dá bem com comédia sim, é só ver Boogie Nights, Punch-Drunk Love e o próprio Magnólia, sua obra prima. There will be blood é que é especialmente pesado -- e mesmo lá temos uma comédia sutil, "I'm finished!", lembra?

      Recomendo com força que você veja Magnólia, Charlles. E é claro que se virou cinema deixou de ser Pynchon: se tornou Paul Thomas Anderson. Como o conto de Arthur C Clarke deixou de ser o que era para se tornar um filme de Kubrick, igual aos livro do Burgess e King e Nabokov; ou o livro Solaris se tornou o filme Solaris, do teu Tarkovski. Aliás, é por isso que os grandes autores estarão sempre sãos e salvos das más adaptações. Os livros sempre permanecerão intactos. A recente vergonha que foi o As I lay dying dirigido pelo James Franco (que aqui ganhou o título de O Último Desejo, Charlles, O Último Desejo, que coisa idiota!) nem trincou o livro, e a adaptação futura que Franco prometeu fazer de The Sound and the Fury também será uma porcaria inofensiva.

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    3. Eu vi o Magnólia, com a Tom Cruise em papel falastrão. Gostei, mas se esqueci a ponto de só me lembrar do Cruise é porque não me disse muita coisa.

      Eu discordo um pouco disso da transubstanciação total a ponto de se tornar a adaptação uma obra independente. Eu li o Laranja Mecânica e O Iluminado, no primeiro caso equivale ao filme, e no segundo supera (King aqui é muito melhor que o mediano filme de Kubrick), e ambas são bastante fiéis aos livros, de forma que é lógico que nos filmes tem muito dos romancistas. O final do livro de Burguess tem duas soluções, uma para o mercado editorial dos EUA, outra para a Grã Bretanha. A da Inglaterra é moralista, e não é a usada no filme.

      Adaptação de livros fracos que se tornam grandes filmes, a exemplo de Psicose, é uma coisa; agora releituras cinematográficas de grandes autores se torna impossível que o diretor fuja ao respeito aos tons e às idiossincrasias do ficcionista. (Arthur Clarke, ao contrário de Asimov, nunca foi além de um mediano escritor. 2001 de Kubrick é infinitamente superior ao livro que, aliás, por estranha curiosidade, veio depois do filme_ a ideia veio antes, mas o livro consumado veio na cola do espanto do filme.)

      Por isso que os filmes sobre Joyce são uma porcaria, e idem com Faulkner. E por isso, apesar de se falar muito, pouca gente ainda assista ao Karamazov do cinema. E por isso que Woody Allen, que é um cara inteligentíssimo e com um gosto apurado, fez uma adaptação aberta e infiel no mobiliário a Crime e Castigo com Match Point.

      O Lolita de Kubrick é muito mediano, e fica bem abaixo do livro. Escritores cujo mérito maior é o estilo, como Faulkner, Nabokov e Pynchon, as adaptações para o cinema são inócuas, sem sentido. Praticamente a história de Vício Inerente está nas nuances linguísticas, e como reproduzir isso na película?

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    4. E há aí uma desistência de PTA incutida no fato dele escolher logo o livro tido como o "mais fácil" de Pynchon. Tipo, se eu falhar, ninguém vai ligar muito. Seria muito mais ousadia dele se ele adaptasse o Leilão do Lote 49 que já é um clássico icônico. Mas imagine se se cumprisse os 99% de chances da coisa dar errado, aí é uma mancha na carreira. Uma coisa é brincar com as Novelas Exemplares, outra é tentar equilibrar a estricnina de um Quixote. E tem um elemento comburente ainda mais delicado: o enredo do livro, importantíssimo, se passa no final dos anos 60; há uma miríade de relações aqui com a história da degeneração política, moral e espiritual dos EUA; ao menos aqui o PTA vai ter muita dor de cabeça e se arrepender de não ter se mirado no Vineland, por exemplo (com sua pegada de dinossauro em pleno centro de uma megalópole americana, e espiões pulando de helicópteros). Geralmente os filmes que tratam do final dos anos 60 incorrem em uma maldição de caírem no ridículo, veja lá o Doors do Stone, e aquele filminho nota 6 dos Quase Famosos.

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    5. Mas aí vc pergunta: mas não sera isso que o PTA quer, velho?, tratar das nunces sessentistas do romance de Pynchon?

      O que eu acho é que PTA deve adorar Pynchon e quis fazer uma homenagem a ele. Mas é esperto e gosta muito do seu courinho (para parafrasear João Grilo) para ficar na beira da praia.

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    6. João Antonio Guerra15 de janeiro de 2014 18:57

      Não tinha imaginado um PTA desistente, nem ouvido falar que Inherent Vice é o mais fácil de Pynchon. Bem pensado. Com que cabeça, aliás, foram concluir que esse romance é o mais "fácil" dele? Talvez a mesma que considera Solaris o mais "acessível" do Tarkóvski. Sua ideia da exploração dos anos sessenta faz sim sentido, Charlles; a crítica provavelmente vai adorar comparar essa exploração com a de Boogie Nights, que se passa nos setenta.

      Acredito que já falei aqui que, para mim, mesmo traduções já configuram obras de arte independentes... acho que o assunto era o Caetano Gallindo, não me lembro ao certo.

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    7. Mas o Vício Inerente me parece ser o mais acessível do Pynchon também, Paulo. A gente sente que ele o escreveu com uma levada mais solta do que a que usou com os outros. Não que seja o mais fraco. Acho que é o, digamos, O complexo de Portnoy dele, um livro divertido que vai além disso, mas que foi escrito com a tecla "diversão".

      Eu já não tenho esse sofisma quanto a traduções. Não as julgo obras de arte independente, no maior número de casos_ o único caso que foge à regra são as traduções de As mil e uma noites, conforme escreveu Borges. Eu leio em três línguas, e se eu fosse cair nessa nóia falsa, a maioria dos livros se perderiam para mim. Os franceses, russos, italianos, eslovenos, alemães, etc... Traduções são traduções e só, nada de mutações artísticas e parapsicoses do gênero. Nesse aspecto sou um saramaguiano, sempre falo em minha língua, mesmo que Sangre Negro nada tenha a ver com o título original do filme. Acho que isso são resquícios persistentes da vontade de emancipação colonial dos meus tempos de universidade. Eu ainda prefiro ler tudo em português, sempre em português, a não ser que não tenha recurso.

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    8. João Antonio Guerra16 de janeiro de 2014 10:01

      Apóstolo João, câmbio.

      Da trilha de There will be blood, sim, quem fez foi o cara do Radiohead, e quase levou o grammy de trilha sonora original. Só que houve uma confusão na época, porque parte da trilha não era "original", e sim trabalhos mais antigos do Greenwood, além de algo do Pärt e Strauss. Lembra da explosão? Arvo Pärt.

      As traduções continuam configurando obras novas para mim. Nem nóia nem nada -- a maioria esmagadora das obras será inevitavelmente perdida por nós e, portanto, caso eu possuísse qualquer tipo de pressa, me sentiria perigosamente próximo do Peter Kien de Canetti -- apenas uma aceitação que veio com a leitura do Caeiro que, como Whitman, o único que ele considerava seu mestre, também não usava rimas: "Não me importo com as rimas. Raras vezes/ Há duas árvores iguais, uma ao lado da outra." Você pensar diferente não me ofende nem um pouco, claro que não, não se preocupe. E sua opção pelo português sempre é a mesma do meu Manoel de Barros.

      Sobre usar os títulos originais, depende (eu acho) da minha experiência com as obras. Das línguas estrangeiras, tenho de longe mais familiaridade com o inglês, e geralmente mantenho os títulos originais. Há casos em que troco o título original por outro... da mesma língua!, assim: nunca Wild Palms, mas sim If I forget thee, Jerusalem. Me dou bem com o espanhol e me viro com o grego, mas mas não sinto que os originais são suficientemente meus para mencionar seus nomes. Enfim, não são regras bem definidas.

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    9. É porque eu percebo uma brusquidão e uma bronquice em meu modo de escreveu, João, que pode parecer falta de educação.

      Acho legal o modo como o Marías trata o espanhol e o inglês em sua obra. Ele mesmo um excelente tradutor (sua versão de Sterne para o espanhol é primorosa), sempre opta por falar os termos em sua língua pátria, analisando em minúcias (muitas vezes deliciosamente bem humoradas) os anglicismos infiltrados na língua. Marías domina muito bem a gramática espanhola_ coisa que eu pelejo para repetir em português, ainda sem conseguir_, e recentemente ele escreveu um artigo sobre o quanto os movimentos politicamente corretos vem distorcendo o idioma. E há também a antológica parte em que seu personagem de Coração tão branco, um tradutor da ONU, domina uma importante conversa entre dois dos maiores representantes políticos do mundo levando as interpretações que dá ao descaminho de uma paquera inusitada_ ele, sentado no meio de ambos, enfastiado com os jogos políticos, começa a dar novos significados para o diálogo. Essa é a forma que eu invejo muito em tratar com livre respeito o idioma de um escritor, com metalinguagem que coloca o espanhol (a quinta língua mais falada do globo) no mesmo nível que o inglês imperial. Saramago fazia isso também.

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  14. http://www.oene.com.br/rolezinho-e-desumanizacao-dos-pobres/
    deve ter chegadoa vcs essa reflexào mais demorada e embasada, mas colo aqui
    Leiam

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  15. Charlles, não li Vício Inerente (acho que você confundiu João comigo). Mas já vi todos os longas de PTA, e penso que sua carreira é ascendente até Sangue Negro, essa obra monstruosa. Aquela trilha de Arvo Part é de matar! Obviamente, não estou dizendo que O Mestre é ruim... Me lembro de ter lido um comentário interessante do crítico Martim Vasques em que ele faz alguma comparação entre os dois (aqui: http://www.blogdoims.com.br/ims/o-corpo-estranho-de-joaquin-phoenix/). Por falar no Martim, o que vocês acham de Terrence Malick?

    Ainda sobre Martim: decidi ouvir uns 10 minutos desta entrevista, e acabei por ouvi-la toda, apesar de ser bem longa: http://www.youtube.com/watch?v=8VXo7MDXpj8

    Para finalizar esse comentário cheio de links, uma tirinha divertida com aparição do Zizek: http://dinamicadebruto.wordpress.com/2013/03/27/o-brasileiro-e-um-feriado/

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    1. Pô, Paulo. Embaralhei mais uma vez os nomes do apóstolos. Me desculpe, João. Era com você que eu estava falando.

      Mas, Paulo (agora o Paulo mesmo), a trilha sonora do Sangue Negro não é do Jonny Greenwood? Assim como a trilha de O Mestre?

      E devo pedir desculpas pelo meu último comentário. Foi meio ofensivo, apesar de não ser meu intento. Nada contra quem queira escrever anglicismo e se remeter a títulos originais em inglês. Acho legal o modo como o Luiz Ribeiro faz isso, ele que tem a vida entre três idiomas e inventou ainda de aprender o grego.

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  16. Ih, nem sei de quem é a trilha. Na verdade, me referia a essa música somente (e lá vai mais um link, mas vale a pena): http://www.youtube.com/watch?v=5vO92REraUo

    Sobre anglicismos, eu alterno. Geralmente falo em português, mas não dá pra falar algo como "Noivo neurótico, noiva nervosa", esse título trava-papo, em vez do rápido "Annie Hall". E por aí vai.

    Ah, sobre traduções como obras independentes, o próprio Borges fala algo sobre o Rubayiat de Omar Khayyam traduzido por Edward Fitzgerald. O ensaio está em Outras Inquisições.

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    1. Claro, esse caso do Allen é notório. Mas há compensações, como o Sobre meninos e lobos, que é melhor que Mistic River.

      O que eu disse acima vale para tradução de prosa. Poesia rimada não deveria ser traduzida nunca, em contrapartida. Se bem que meu Rubayiat sempre vai ser o do Manuel Bandeira, pouco me importando se Khayyam escreveu melhor que isso (o que duvido).

      A tradução de Auden e Seymas Heaney, por exemplo, que são dois dos poetas que gosto, são absurdamente incorretas. Mas nesse caso a obra não se torna uma nova obra, mas sim uma falsificação aguda. Um dos motivos que não me interesso por poesias cifradas é que são muito fechadas por serem intraduzíveis, pouco democráticas, me perdoe dizer assim, em suas fidelidades à língua e à nacionalidade. (Por isso nunca li Finnegans Wake, Goethe, e só leio nessa seara os poetas de versos brancos, como Eliot, Whitman_ esse reconheceu a unidade entre os povos em seu ato consciente de não fazer rimas_ e Montale, e mais alguns.) O mais correto que se poderia fazer seria uma tradução direta sem rimas, conservando o sentido, como as traduções dos evangelhos.

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    2. Copio um comentário meu lá do blog do Ssó:

      Tradutores são bichos exóticos mesmo. No volume recém lançado pela Cia das Letras, bilíngue, aparece a seguinte tradução para versos de “Rimbaud”, de Auden:

      “A mentira retórica, qual chaminé, o
      Queimava em criança: do frio nascera a poesia.”

      É uma tradução de José Paulo Paes. No final do livro, há um ensaio excepcional sobre Auden, escrito por Joseph Bródski. E vem os mesmos versos, dessa vez sob a tradução de Sèrgio Flaksman:

      “Mas naquela criança a mentira da retórica
      Estourou como um cano: o frio produzira um poeta.”

      E os versos originais, são estes:

      “But in that child the rhetorician`s lie
      Burts like a pipe: the cold had made a poet.”

      Para fugir da aproximação quase perfeita que um tradutor anterior havia feito dos versos, Paes engendra essa corrupção que distorce a eufonia e o sentido do poema (“chaminé”?). Mas será que não avisaram ao Paes que seria uma edição bilígue, que o leitor poderia ter a curiosidade de conferir a qualidade da tradução? Ou é natural de alguns tradutores subestimar a inteligência dos leitores?

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    3. Me instigaram a assistir O Mestre, coisa que estou fazendo agora. Realmente, a interpretação do Phoenix é magistral!

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  17. O Rubayiat de Bandeira é magnífico, mas tem duas expressões que me fazem querer aprender farsi (ou seja lá o que for) pra pra fazer um cotejo entre essas traduções (o que Borges fez com As mil e uma noites). As expressões: "ser ou não ser" e "A vida é sonho", que todos conhecemos por outros autores.

    Do Allen, acho Para Roma com Amor melhor, pois tem esse anagrama legal. Há outros títulos melhores, mas não me lembro. De qualquer forma, geralmente falo em português, para os outros saberem a que filme me refiro (na internet nem sempre).

    No poema "Melville", de Auden, há um erro pior, que parece até que estava sendo narrado a um digitador desatento. "False" é traduzido como "fácil". Aí é difícil confiar. Minha edição de Heaney é ruim de ler a versão em inglês (como nota de rodapé não dá).

    Pô, Eliot tem uns poemas metrificados e rimados que são belíssimos. "A Lyric" (que tem uma versão chamada "A Song", ou vice-versa), um dos poemas de sua juventude, é também uma das coisas mais bonitas que ele escreveu, daquelas que você tem vontade de decorar toda vez que relê.

    Me parece que o Chaucer da Cia não é bilíngue, e ainda assim tou doido pra comprar.

    P.S. Agora estou sem meus livros de poesia ou minhas anotações. Se quiser, posso te indicar as páginas depois (especialmente no caso da tradução de Bandeira).

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  18. Não li o catatau de comentários, de forma que posso estar repetindo alguém aí de cima, mas fico num ponto só. O artigo de Zizek repaginando e revisando o fenômeno Mandela.

    Depois de algum tempo e uma serenidade obrigatória devido a décadas de prisão, talvez a questão não seja uma "decantação", mas um medo compatível àquele que teve João Goulart quando instado a resistir ao golpe: valeria a pena um banho de sangue que envolveria a ação direta no exército norte-americano, transformando o país em uma terra arrasada, ou seria melhor colocar o galho dentro e ficar à margem do processo, aguardando por melhor oportunidade, preservando o país e a vida da sua população?

    Se Mandela viesse quente, disposto a ser o revolucionário que foi em sua juventude, onde estaria a ´África do Sul hoje?

    Não faço ideia do que o Idelber escreveu para contestar Zizek; não faço ideia se Idelber voltará para fazer campanha política (o que é um direito dele) nem se ele receberá patrocínio estatal para isso (pergunta, aliás, que você não faz quanto àqueles que fazem campanha apriorística contra o governo e são religiosamente pagos pelos EUA, ainda que ocupando funções de escrevedores na mídia brasileira, sempre tão democrática).

    Mas sei que Zizek não é um oráculo e também comete erros, embora eu tenha simpatia por ele por sua radicalidade neurastênica.

    Em meio a tudo isso, fico na velha via dos céticos, desesperançados e distanciados da política partidária, esperando que tudo se resolve pela mágica de uma ação soberana de um povo ciente de sua representatividade cidadã.

    O que é, claro, ironia.

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    1. Há um ensaio muito esclarecedor sobre a segregação que os próprios negros ricos fazem contra a maioria de negros pobres na África do Sul, em um número antigo da Piauí. Vou ver se acho aqui na pilha de revistas e te digo. Mostra o quanto a África do Sul pós-Apartheid é um engodo, o quanto os mesmos crimes políticos e sociais e a ultra-violência ainda continuam a acontecer. Como bem previa Ralph Ellison, no Homem Invisível, houve uma segmentação entre os próprios negros que se tornou ainda mais discriminante, ainda mais atroz, não em termos de choque histórico que se via no martírio sofrido pelos negros quanto à opressão dos brancos, mas por ter acontecido aquilo que não só Zizék sabe mas todos nós: a coaptação. Enriqueceu-se e se formou uma nova classe de negros ricos, como tática para silenciar o assunto e dar um desvio na opinião pública e na história, mas, repetindo outra vez aquela frase maravilhosa de o Gattopardo, mudou-se tudo para preservar as coisas exatamente como estavam.

      Eu acho vil todo tipo de compra ideológica para manter ou ganhar o poder, Marcos. Isso é o retrato da prostituição da classe intelectual cafetinada pela política. Se houvesse mesmo uma esquerda moralista, preocupada com a melhoria do Brasil, uma esquerda auto-crítica e sem eufemismos como quer o "radical" Zizék (pedir isso em um país como o nosso soa violentamente radical mesmo), não se precisaria pagar para se defender uma ideia. Quando você recebe para expor o que milhões de seus compatriotas precisam para sair de um indigência mascarada pelo crediário a longo prazo, é porque a ideia que você julgava defender apodreceu, vc não crê mais nela, e vc é uma puta.

      A questão é que o ceticismo e o cinismo estão tão entranhados tantos nas suas palavras quanto em meu modo de ver a realidade das coisas, Marcos, que eu entendo bem. Como querer que o Mandela realmente ascendesse de sua condição formalizada de boneco apascentado pela elite política que combatia, e se transformasse de chaveirinho na BMW do Bono Vox para o transformador social legítimo. Mas quem foi transformador social legítimo? Simon Bolívar? Aí está. E o Mandela foi mesmo um homem diferenciado, que fugiu da hipocrisia. Ele foi o primeiro a dizer que não se transformaria em mártir. Viver até os 90 deixou de ser obsceno no mundo de hoje.

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    2. Vou ajudar a preservar a imagem cool e impávida do Charlie e soltar gritinhos de tietagem incontidos pelo retorno (efêmero?) do Marcos Nunes.
      Não tenho nada a acrescentar sobre o Mandela.
      Nem tenho ab origine algo contra a que intelectuais sejam remunerados dentro de campanhas políticas. Foi assim com Sêneca e com tantos outros filósofos de fala Grega que serviram os primeiros imperadores Romanos. Não há portanto porquê do espanto com isso hoje.
      A minha certa irritação com o caso do Idelber é que se configura lá uma relação de intelectual de aluguel. Uma versão de mercenarismo do espírito onde o Idelber atrelado ao PT, engajado em campanha ao Lula, ou mais desavergonhadamente a Dilma, amolece o seu instrumento crítico, pensante, para dar maior elasticidade ao real-politik. Daí uma série de agendas que seriam (e são) caríssimas ao Idelber sabatizado da campanha política - o ateísmo engajado, a agenda anti-ruralista, a defesa dos direitos GLBTS - dá lugar à hipocrisia e ao mutismo diante dos conchavos de governabilidade que o PT tem que lançar mão junto a ruralistas, líderes evangélicos desavergonhados e outros quetais.

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    3. Conheço o cabra mimado do Marcos Nunes. Tem-se que manter uma simulada empáfia com ele para que ele não faça biquinho e venha com essa de desaparecer para dar um tempo. Espero que ele continue a comparecer aqui e no Milton, pois afinal a vida consiste e nisso mesmo, há coisas das quais não se pode fugir.

      Comparar a remuneração de pensadores gregos e romanos e elisabetanos por mecenas da arte não se encaixa muito com a exigência de independência dos intelectuais dos regimes democráticos_ ou pós-democráticos ou o que seja. Para cada um Shakespeare e um Sêneca que era mantido por um poderoso, havia mil dos quais não se tem mais notícia na memória da espécie. Imagine um Camus escrevendo sob a necessidade hagiográfica de algum patrão, ou Said, ou Céline.

      Mas na mesma resposta você apresentou a realidade alternativa, a em que realmente estamos. Imagine alguém ser pago para defender candidatos que se apresentam ao lado de facínoras como Sarnhey e Malluffe?

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    4. Não vejo diferença sobre a ocupação do intelectual junto ao poder que se faça aparecer entre o mundo pré-democrático e democrático.
      A grande divergência talvez esteja no fato de que não se tolera mais hoje as hagiografias de poder como antes. As hagiografias de hoje se dão de forma mais mesquinha, onde a canonização do santo é via de regra seguida pelo seu sacrifício imolatório, nos periódicos de fofoca e editais fotográficos de celebridades. É certo que algo como a Écloga de Virgílio, tecendo laudas à natividade do Salvador do mundo que era o bêbe César Otávio Augusto, não cabe hoje.
      Mas há formas menos incidiosas e menos populistas do intelectual se fazer aliado ao poder. Especialmente se o intelectual realmente crê que fala pelo Poder, se há de fato uma relação honesta entre o intelectual e o intelectual que fala em nome do poder.

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  19. Não li todos os comentários, não deu. Mas, como Deus ajuda quem cedo madruga, e eu acordei por volta das 6h30 nesta sexta-feira desterrada da minha finita existência, o João Antonio Guerra apareceu na caixa para recuperar alguns fatos e leituras, para além de opiniões, sobre o que aconteceu até o dia 13 de junho de 2013 no lance dos 20 centavos. Obrigado, João.

    Foi esse o dia que eu que eu me preparava para uma viagem e, sim, eu me lembro da cobertura da Folha e do Estadão reclamando a Avenida Paulista de volta. Era não só um aval, mas uma exigência para mais pau da PM, talvez um pouco mais elaborado que o editorial da Raquel Sheherazade ao defender "rigor" contra os tais rolezinhos. Daí seguiu-se o tiro no olho de uma repórter.

    É claro que os tais rolezinhos não surgiram de uma pauta política minimamente rabiscada, como eram os 20 centavos denunciados, inicialmente, pelo PSOL e PSTU, e não pelo PT (ao menos em Porto Alegre, onde essa brincadeira começou), mas que depois fez o tal gigante acordar e gritar por uma tal causa sem partidos. Mas é, sim, triste a aspiração social por uma calça da Adidas dessa trupe do rolezinho que não vislumbra o que a Naomi Klein descreveu em Sem Logo.

    O João Antonio, corretamente, também recupera uma ação da PM que disparou tiros de bala de borracha e esguichou gás lacrimogêneo no percurso entre uma estação do Metrô de São Paulo e um Shopping onde haveria uma nova edição do tal rolezinho. Não há nenhuma imagem de quebra-quebra, saques a lojas ou outro CRIME nas incursões até então havidas. Nenhuma. Nós sabemos que shoppings têm câmeras e o acesso a essas imagens, se existissem, seria imediatamente franqueado a um Jornal Nacional, ou talvez até a um Cidade Alerta.

    Aí eu leio na caixa a atribuição de crimes onde crime não houve, Charlie. Arrastão? Vai ver que o Matheus leu isso na Der Spiegel, porque eu não vi nada. Aí a Justiça (sic) paulista concede uma liminar para aprovar a "triagem" de frequentadores dos shoppings paulistas. Coisa mais querida. E um rolezinho é agendado para o Shopping Leblon, no Rio, o que faz a zona sul tremer. Vai ouvir a Secretaria de Segurança Pública? "Não houve crime", sustenta José Mariano Beltrame. "Se crime houver, a PM vai atuar", completa.

    Depois disso, o secretário paulista fala a mesma coisa do Beltrame. "Rolezinho não é ilícito penal". E o Alckmin já começa a de descolar dessa coisa de colocar PM no shopping, porque ali "a segurança é privada", isto é, se houver ocorrência para a segurança pública é outro papo. Será possível que vocês não observam a semelhança havida entre junho (os vândalos baderneiros) e agora (os pobres alienados pelo consumo) no que diz respeito às idas e vindas da ação policial contra o, hum, crime?

    Não, Charlles, eu não quero baixar a maioridade penal e, na minha opinião, essa não é a melhor agenda da direita, embora seja a que mais votos possa render. Não, a ideia de desmilitarizar a PM não é de agora, não é novidade e não pressupõe o fim do policiamento ostensivo. Nós temos um sistema policial dividido em duas competências (civil e militar), espraiado na autonomia de 27 estados Temos, como regra, delegados e oficiais mais ou menos bem remunerados e um contingente de praças e agentes que ganham mal. Eu não sei o que fazer com o artigo 144 da Constituição Federal, mas qualquer ideia que não ataque essa questão estará fadada ao malogro. Sim, muitos países têm policiais militares. Mas o policiamento nos EUA e Inglaterra é civil. A divisão existente no Brasil, que é o único país do mundo que ainda tem o inquérito como pré-processo penal, é uma jabuticaba. Eu não sei o que fazer, mas agrada-me a ideia de desmiltarizar o policiamento ostensivo, atribuir ciclo completo à força policial, e atacar o artigo 144, enfrentando as naturais resistências de delegados e oficiais da PM. Os delegados não querem perder o inquérito, não seja trouxa, é ali que eles têm poder. Logo, é preciso reformar também o Código de Processo Penal.

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  20. Ah, eu também não vou entrar na discussão do Zizek, do Idelber, do NPTO etc. Nem acompanho muito o que eles andam escrevendo. Acho que todos podem merecer seus paus ou defesas. Mas eu acho que o Idelber está bem mais afastado da defesa incondicional da Dilma que você pensa. E eu não estou seguro (você está?) de que ele ou o Celso trabalhem a soldo de partidos políticos. Eles não podem escrever bobagens porque são bobos: têm que ser vendidos?

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    1. Fabio, como é mesmo aquela história da fumaça do direito (sic)? Aquilo que fala que a pressuposição de que se está sob a ameaça de um crime por parte da vítima já é passível de que se tipifique a ação do possível ofensor? Por exemplo: por mais que meu cão Miles seja grande e com cara de mau, ele é um doce fã do Joseph Sebastian Bach, o que faz com que eu só passeie com ele à noite, e em locais isolados, ou colocando uma incômoda focinheira nele, pois se alguém supor que pode ser mordido por ele e der queixa contra mim, tô no pau da goiaba, como dizem por aqui: incitamento de cão perigoso contra uma pessoa. O mesmo acontece se um civil com porte de arma erguer a camisa e deixar ver a 380 na cintura, mesmo que rapidamente: ameaça, se algum popular que esteja passando dar queixa contra ele. E vc está em um shopping center, com sua família, e, de repente, uma multidão de jovens (independente de qual área geográfica ou sociológica eles venham), parte para cima de vc em velocidade de manada; isso não seria ao menos passível de perturbação da ordem pública?, formação de quadrilha?, ameaça?

      Mesmo que eles não roubem nada. Não é porque tal ministro ou tal sumidade de carteirinha que aparece a soldo nos jornais nacionais disse que não é crime que a coisa realmente não seja crime. É crime! A desgraça da fumaça do bom direito que eu não me lembro o nome. Onde há fumaça há fogo. E não é o caso: vi vídeos no youtube desses rolezinhos, e há assaltos neles, há roubos, há pancadaria. Essa torpeza banal não é cabível de qualquer silogismo para que a enquadremos como revolução social. Isso é piada de mau gosto, não importa se foi a belíssima Sheherazade quem falou (sério, não é machismo não, mas eu adoro ver uma mulher tão bela fechando a cara e falando brava na tv, o que pega bem demais para o SBT, que fica à frente da Globo quando coloca aquela beldade que veio do Fantástico para ser âncora com cara de mau humorada, mulher rancorosa que não ri, mulher mau comida), não importa se foi a Rachel que falou isso ou se foi aquela filósofo petista que falou que em 2014 torcia para que a Rachel fosse estuprada falou aquilo outro...

      continuo...

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    2. E se é crime, a polícia militar tem sim que entrar na história, é ela que é paga pelos impostos e aqueles argumentos cansativos todos de que se pagamos queremos ter. Rolezinho, meu irmão, é baixaria, você quer mesmo discutir isso no mesmo nível das manifestações de junho e dos Black Blocs? O que me deixa pasmado é essa sociologia raivosa de boteco querendo tratar disso como possíveis guevarismos. O mundo mais uma vez a rir de nós... chega de dar motivos.

      Sobre a desmilitarização da PM. Nem vc que é muito esclarecido, nem eu que também tenho minha parcela de pó de pirlimpimpim cerebral, sabemos bem o que é isso, o que se propõe, o que querem os que defendem isso. Dentro da minha utopia, eu também gostaria que a PM fosse desmilitarizada. Mas aí vem o filho da puta do Niall Ferguson, que nada tem a ver com o caso, que deve estar em seu apartamento em Londres acordando com os olhos remelentos e as orelhas um pouco só avermelhadas por estar aqui um tupiniquim falando dele, mas que eu estou lendo seus livros com certo frenetismo sequenciado e me deparei com uma frase no seu A era da degeneração, que é mais ou menos... assim:

      Eu gostaria de sempre defender as boas causas e as boas intenções da história, mas infelizmente tenho que pensar dentro da realidade do mundo em que vivemos._ disse Ferguson, talvez, pelo que me lembro, tratando sobre a inevitabilidade da existência dos Bancos e como ajudá-los com dinheiro público nas épocas das grandes bancarrotas, ainda que imoral, é o menos devastador a ser feito para todos.

      Pois bem, retorno: como acabar com a PM, meu chapa. Eu queria muito que o Brasil fosse igualzinho à Suécia, aqueles policiais papaisnoélicos de tanta simpatia, desarmados e com a voz treinada para ter o guturalismo pomposo dos grandes conselheiros do espírito; vc pergunta para eles qual o melhor caminho para se chegar a Sergels torg e eles além da informação nos falam sobre os princípios da boa vizinha e do bem querer universal. Mas não dá, cara. O Brasil é o Brasil, e, se houvesse mesmo um estado forte, ou melhor, se ainda existisse um estado brasileiro para impor essas questões, a coisa deveria ser realizada com extremo melindre. E creia no que eu digo, gafanhoto: se a dita esquerda petista (redundância, eu sei) tivesse me mãos poder para realizar a extinção da PM, faria uma gigantesca cagada, tudo para parecer bem na foto e contabilizar audiência com os paladinos do algodão doce do politicamente correto.

      Sobre a maioridade penal: é um dos poucos assuntos sobre o qual estou absolutamente convencido, o que me faz não discutir com ninguém. Uma discussão tem o propósito de vc se submeter a se deixar ser convencido por quem tem uma opinião oposta à sua, blábláblá, por isso, me nego a falar muito, já que sou fundamentalista nessa questão. A idade certa para mim deveria ser 14 anos. Olha lá o Champinha, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, ad infinitum...

      Sobre os delegados, eu acho que eles pouco estão aí. Aqui em Goiás ganham 17 mil reais como salário, e a delegada da minha cidade pouco dá as caras na delegacia. Trabalhando ou não, o dinheiro está na conta. A questão é que o Brasil é tão encravado na burocracia, que jamais desmilitarizarão a PM: o que farão com os milhares de policiais da alta patente, os velhos generais de famílias poderosas? Em um país em que, para se financiar uma casa, exigem que, entre tantos e tantos papéis, o comprador apresenta o recibo do pedreiro (para uma casa construída 20 anos atrás, e cujo pedreiro hoje já deve ter se reencarnado em alguma comunidade superior em Alfa Centúria, pois juram que ele era um ser muito bom e de coração generoso), como acontece com um amigo meu, querer mutabilizar uma instituição histórica e tão encerrada na memória nacional, é impossível.

      continua...

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    3. Quem dizia que transformou o site de 90 mil visualizações dia em comitê eleitoral foi o próprio Idelber, no Biscoito Fino. E o cara do NPTO só aparece para das as caras quando é eleição, e depois desaparece? E sabendo o que sabemos sobre o quanto Lula e cia torram dinheiro em campanhas as mais caras da história recente, e sabendo que a net está em franca substituição como formadora de opinião ubíqua, tomando frente aos jornais impressos e à tv?

      Tá bom. Eu acho que você tem bom coração de sobra para ser policial na Suécia.

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  21. Fumus boni juris. Não consigo pensar na fumaça do bom direito quando o juiz paulista concede liminar para que shoppings promovam a "triagem" de pessoas, tal como aconteceu. Estou razoavelmente seguro de que outros vários direitos serão negligenciados com essa liminar contra quem, de fato, já está acostumado a não ter direitos, ainda que nenhum crime cometa.

    Eu não vi nenhum vídeo desses que você afirma ter visto, com assaltos, ou roubos, e pancadaria dos jovens contra lojistas e consumidores. Tem link? Não vi mesmo, não sei em que mundo estou vivendo, posso estar enganado. Ante esses vídeos que você viu, seria impossível, ou irresponsável, um secretário de Segurança Pública afirmar não haver crime, seja ele o Beltrame, seja ele o Varella. A Sheherazade não iria perdoar uma coisa dessas, no que teria absoluta razão.

    Vi imagens de jovens correndo, sobretudo depois da chegada da PM, lojistas fechando portas, mas não a violência (pancadaria e roubo) que você afirma ter visto. Vi as cenas da PM disparando balas de borracha e bombas de efeito moral, seguida de correria e pânico. Nesse dia, quatro jovens acusados de furto foram levados até a delegacia, mas com eles não foi encontrado nada. Um adolescente foi apreendido do lado de fora do shopping com um celular furtado. Ou seja, toda essa suposta quadrilha organizada, no registro formal das ocorrências criminais, rendeu um celular furtado. Repito: não vi os vídeos que você diz ter visto.

    Quando a PM chega e tenta enquadrar um grupo, em qualquer lugar, sem individualizar conduta, como se quadrilha organizada fosse, é comovente. Fato. No início de dezembro, muito antes dos rolezinhos paulistas, num domingo, havia um baile funk nas imediações do Shopping Vitória, em Vitória (ES). Houve uma briga no baile. Com medo, vários jovens saíram de lá correndo e buscaram no shopping. A PM foi chamada.

    Nada foi furtado ou roubado. A PM cercou todos os jovens negros ou quase negros na praça de alimentação. Todos tiveram que tirar a camisa. Nada havia com eles, nem coisa roubada, nem arma. Eles ficaram sentados no chão, com as mãos na cabeça, durante um tempo. Há fotos (posso te mandar, se quiser). Não satisfeita com isso, até porque nem ocorreu a PM verificar a alegação dos jovens de que teria havido uma briga no baile ali perto, todos saem em fila indiana. Todos foram levados à delegacia, para "averiguação", de onde foram liberados sem o registro de nenhum crime.

    E como será que os consumidores naturais do shopping viram isso? Com aplausos, Charlles! Eles aplaudiram o que a PM fez. Um vídeo foi parar na internet com o título de "Arrastão" (daí o meu espanto com o emprego dessa palavra, que denota crime) no YouTube. Está aqui, https://www.youtube.com/watch?v=4nnztJMYtP4

    Sei dessa história com um pouco de detalhes - e inclusive tenho a apuração posterior de que não houve nenhum crime nas plagas capixabas - porque uma amiga minha de faculdade é editora de um jornal de Vitória. Ela me contou que a repercussão de seu repórter, ao questionar o secretário de Segurança Pública sobre os crimes havidos, foi a ÚNICA que levantou a questão em toda a imprensa da capital do Espírito Santo.


    Não é porque tal ou qual sumidade falou ou deixou de falar que penso não ter havido crime, embora seja um bom indício. Não é do meu conhecimento nenhum registro formal de nenhum crime de lesão corporal, ou de roubo (com coação da vítima; o que se diferencia do tipo penal furto) nos tais rolezinhos paulistas. É claro que, se houver, a ação repressora da PM é legítima, jamais neguei legitimidade à PM, tampouco jogo pedra em Leviatã.

    O fato de você afirmar que é crime, sinto muito, não torna sua leitura correta. Todos estamos sujeitos a ter uma falsa leitura da situação, como aconteceu ao sujeito que postou o vídeo de Vitória.

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    1. Há um vídeo no site da Veja filmado durante um rolezinho em um shopping, é só procurar lá, foi onde vi. E creia, vc não gostaria de estar lá, assim como eu também não. Mostra pessoas sendo empurradas na escola rolante por uma fila de "manifestantes", quase despencando lá de cima. E assisti a um enquete no jornal do SBT em que aparecem testemunhas e supostas vítimas, dizendo que houve assalto e agressão. Há um depoimento de um casal de namorados que tiveram os celulares e uma correntinha de ouro roubadas.

      Em um texto meu aqui do blog falo sobre um rolezinho que presenciei no dia da cirurgia cardíaca da minha esposa, em Goiânia. Foi há 4 meses e não havia ainda o termo "rolezinho", mas hoje, iria se enquadrar no rótulo de manifestação dos excluídos. Aconteceu o seguinte: ao lado do hospital fica o estádio do Goiás Esporte Clube, e havia lá a troca de quilos de alimentos por ingresso de jogo. Quando informaram que não havia mais ingressos, que as trocas foram feitas e os ingressos acabaram, a turba de torcedores que tomavam a calçada (em frente ao prédio da Polícia Federal, diga-se só por curiosidade inócua), saiu correndo pelos quarteirões depredando carros e subindo pelas balaustradas dos prédios, jogando pedras e cuspindo nas pessoas. Eles passaram por mim em fúria desabalada, e julguei mesmo que iriam partir para cima de mim e chutar meu carro, mas passaram direto por mim sem me ver, e subiram pela marquise do prédio ao lado, para o terror dos que estavam no pátio interno (escutei gritos e correrias lá dentro, diante a iminência do terror).

      Sobre baculejos da PM. Todo mundo é passível disso, em casos de perigo suposto. Eu mesmo já fui "vítima" disso: pararam duas viaturas de frente à mesa do bar onde estávamos sentados eu e mais dois amigos, nos encostaram à parede e nos revistaram, sob a mira das pistolas. Depois que descobrimos que a grande empresa da cidade havia sofrido um assalto hollywoodiano há uma semana, e eles então abordavam todas as pessoas forasteiras. Claro que eu fiquei puto de vida e indignadíssimo, mas logo o sangue esfriou. Um procurador amigo meu também passou por um baculejo em uma rodovia federal. Houve aquele episódio de padres sendo revistados por debaixo das batinas na visita do Papa. Ou seja, não é um procedimento discriminatório na origem, digamos assim (não excluo o fato de preconceito racial aqui, embora, pelo que vejo, a média de negros na polícia é alta). E sou contra isso que vejo por ser excessos da polícia, e isso deveria ser mudado.

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    2. estou meio embasbacado com a opinião do charlles. eu pensei q era coisa sabida, mas o joão guerra e o fábio carvalho fizeram uma boa retrospectiva. esse caso de vitória foi altamente divulgado, foi uma coisa absurda. Fica parecendo uma teimosia, ou só uma "simulada empáfia", como se quisesse provocar um marcos nunes. Em qualquer análise é saudável separar ação de reação, proceder com diferenciações, ponderações e etc. Como, por exemplo, aquela junção de estudantes (bixos?) de economia que foram em bando (não "invadiram") num shopping e obviamente não aconteceu nada que não deveria acontecer. Existem um monte de bobagem sendo faladas a priori (preconceitos) e a posteriori (teses e aproveitamento aproveitamento), quando a realidade, me parece, é sim uma espécie de mais do mesmo como demonstrou o Fábio.
      Posto de novo o link do texto que mais me colocou perto de tudo:
      http://www.oene.com.br/rolezinho-e-desumanizacao-dos-pobres/

      (aquela parte da sherazade meio que destoou de tudo. fica soando como puro machismo mesmo; nada q esteja longe de mim, verdade. mas qdo a gente escreve a gente pensa)

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    3. Qualé, arbo. Vai me dizer que aquela mulher que apresenta o JN junto ao William Bonner não tem cara de mau comida? Você quer um termo politicamente correto? Uma mulher cujo intercurso carnal e troca de fluídos com seu cônjuge esteja em assimétrica proporção à sua satisfação libidinal biológica. Ou seja lá o que seja.

      Cara, eu não vou teorizar sobre rolezinhos, Não vou cair nessa armadilha armadilha. Eu também me assombro que esse clichê seja tão poderoso que pega até mesmo alguém como você e coloca em lugar confortável de uma acusação maniqueísta. Já dei aula como o João, durante mais anos que ele, em escola pública na periferia. Isso consolidou em mim outra das minhas poucas certezas: eu jamais retornarei à sala de aula de uma escola brasileira. Jamais!

      Se passarem a esperar correção política e maneirismos da minha parte aqui, estarão visitando o site errado.

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  22. Uai, se transformo minha casa em comitê (deusmelivre).... estou recebendo dinheiro do partido? Você faz uma assertiva peremptória de que ambos trabalham a soldo de candidaturas. Não estou discutindo o mérito do que disseram ou fizeram. Apenas questionando se houve a venda de sua(s) pena(s) sem que isso tenha sido informado (eu suponho) aos seus leitores ou seguidores.

    Juro que eu conheço gente que faz (havia mais pessoas no passado, reconheço) isso sem receber nada. Recebem apenas material de campanha (adesivo, broche, bandeirinha etc), ou talvez, no caso, informações que as candidaturas têm interesse em repercutir.

    Minha mãe colou a foto de um vereador na casa dela no interior de Minas na eleição de 2012. Não ganhou nada, não está a soldo. Declarou seu voto e fazia campanha para ele sempre que podia, emprestando inclusive seu carisma (dela) a um sujeito que, eu acho, ao menos não parece ser falcatrua.

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    1. Nossas experiências são diferentes, Fabio. Já meu vizinho de esquina ganhou mil pilas para ostentar um cartaz em sua casa, de um candidato local.

      Aceitando que eles não ganhem em cash, não visem dinheiro imediato. Mas depois percebemos uma curiosa linha de privilégios após o pleito e a eleição consumada do candidato para o qual venderam suas "penas". Escrever para uma revista patrocinada pelo governo, ter um parente empregado aqui e outro lá, ter uma cátedra acadêmica, participar daquela lista tripartida honestíssima em que o mandatário escolhe o futuro reitor.

      Eu já não acredito que a assertiva "escrevem bobagem por serem, simplesmente, bobos" seja válida.

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  23. QUEM VIVER VERÁ
    by Ramiro Conceição
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    Bem, é verão… Passaram-se os festejos de final de ano… E tudo é um bocejo que terminará depois do carnaval que se aproxima… Depois? Ora, será o início das reuniões revolucionárias do Dce da Usp… Ah, quantas toneladas de minhoquinas estarão a ser geradas naquelas privilegiadas cabecinhas?
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    Invasão da reitoria: não deu certo; puxar um fuminho em horário de aula: não deu certo; passeatas em espaços públicos: não deram certo; criação da Ninja-Tv: não deu certo; Caetano virar black bloc desde criancinha: não deu certo; fazer da PM bicho papão: não deu certo; prender os petistas em 15 de Novembro: não deu certo; o aumento do tomate: não deu certo; descer o pau na Petrobras: não deu certo; achincalhar a criação de institutos federais de tecnologia: não deu certo; avacalhar a copa, depois de, a priori, ter silenciado sobre a escolha do Brasil como sede: não deu certo; virar guarani kaiowá no teclado: não deu certo; virar budista de Ipanema: não deu certo; choramingar as pitangas no psiquiatra: não deu certo; dar o cu pra ver se dava certo: não deu certo; posar na playboy: não deu certo; virar bbb: SEMPRE não DÁ certo; ler Boaventura: não deu certo; ler Paulo Coelho, por elipse, não; votar no Aécio: não; votar na ET dos seringais:não; não votar: não; ser comentarista de blog amigos: quase sempre não dá certo; escrever poesia: não dá certo; matar-se não dá certo, pois mesmo se desse não tem sentido pra quem morreu…
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    Então o que fazer (aquela famosinha do velho Vladimir)? Ora, organizar uns rolezinhos políticos nos shoppings a partir de Março… Mas não esquecer das mochilinhas e nem das camisetinhas… Recomendação final: filmar tudo nos smarts para ser revisto na velhice…
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    Afinal, três filósofos já disseram mais ou menos o seguinte: “… Os fatos na história ocorrem duas vezes: a primeira como tragédia, a segunda como farsa; pois existe o eterno retorno…”.

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    1. Ramiro, essa é sua obra-prima! Essa exaustão esgotada, no limite máximo do estoicismo, essa descrença sem retorno e esse senso de desapiedada certeza de que jamais teremos nossa redenção como povo, é a mesma coisa que eu sinto, meu chapa. Queria te dar um beijo agora, cara, justo agora depois que nós dois quase fomos à turras e desejamos reciprocamente, ainda que calados, que cada um fosse para as respectivas putas que nos pariram.

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  24. Bem, Charlles, eu não vídeo com cena de assaltos (shoppings têm câmeras, repito), vítimas sendo coagidas ou roubadas, além de pancadaria e quebra-quebra, tal como foi descrito por ti mais acima. Talvez não exista esse vídeo. Se houvesse, não tenho dúvida, estaria sendo repetido ad nauseam no noticiário mondo cane que por aqui abunda.

    Não sei do vídeo da Veja ao qual você se refere. Preguiça de ir chafurdar lá. Mas tem um, semelhante ao que você descreve, que eu vi. Depois que a PM chega e encurrala pessoas na escada rolante, é um jovem negro, tudo indica ser um do rolezinho, quem escapa pulando para a escada rolante. Ora, tocar pânico num jovem negro a ponto de ele pular da escada rolante é lícito, afinal foi ele, o jovem, quem foi lá tocar pânico nos habitués do centro comercial com sua música ruim e com sua poluição visual.

    Eu não vi crime, mas você diz ter visto (e que haveria farta documentação desses crimes em vídeo). Outras pessoas que ocupam-se de verificar a ocorrência de crime, e até são pagas para isso, suponho terem expertise, também não viram.

    Não sei o que rolou em Goiânia, mas, a julgar pela turba de torcedores que cometem crimes porque o adversário é feio ou viado, alguns deles filmados, não duvido da tua descrição. Sobre sacolejos da PM, faz-me rir, Charlles. Todos nós somos passíveis de tomar um? Acontece o seguinte, mon ami: alguns, não sei por que diabos (não estão a cometer crimes), tomam mais sacolejos que outros.

    Eu já fui abordado, mas nunca nem tomei geral com mão na parede. Sou branco, tenho dentição completa, comunico-me na norma culta, possivelmente sou mais culto que os PMs que me abordaram. Eu já frequentei os endereços mais quentes (embora hoje esteja numa quase modorrenta vidinha em que finais de semana não rimam mais com baladas, álcool e, nos dias de sorte, sexo) e nunca tomei um sacolejo.

    Por fim, quer dizer que o indício de que alguém alugou a pena numa campanha eleitoral é ser convidado para depois, sei lá, uma vez por mês, publicar um artigo numa revista de tiragem pequena e, talvez (talvez mesmo), receber uns trocados pela colaboração? Nossa. Eu pensei em grana grossa, sabe? Daquelas que o PT joga pela janela para a esgotosfera, patati, patatá. Talvez, e eu posso estar equivocado, os seus critérios de cobrança de honestidade não sejam muito isonômicos com outras turmas. Há até aquele que funda revista, que fecha depois que o padrinho sai do governo, né? (Mas nem por isso vou dizer que o cara se vende, tal como você afirmou contra aqueles que você formula, ao que parece, boa crítica).

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    1. Esses caras tomam conta da cidade onde eu moro, que de um mês para cá teve 5 assassinatos, e 4 mortes no trânsito. As praças e locais de saída das famílias aqui estão dominadas pelo tráfico de drogas. Se agora mesmo eu for à praça Castelo Branco (é, o nome é esse), vou ver no mínimo 5 traficantezinhos parados lá, fumando e vendendo pedra e maconha.

      O que quero dizer é que a PM trabalha pra caramba, os agentes sofrem na pior categoria de emprego do país, e ganham muito mal, e ainda, como se não bastasse, são alvo do pior tipo de preconceito que existe na nossa sociedade. Por isso, entre os baderneiros dos shoppings e os PM, meu caro, eu definitivamente fico do lado dos PMs.

      A critica à PM os vê como coisas, como robôs ou, outro clichê miserável, cães do governo. E o que eles são? O outro extremo dos tais pobres excluídos que a esquerda santifica no funk ostentação e nos guevaristas dos rolezinho (ô nome tosco, em um país que transforma em sacramento o funk e a pirigete, a prostituição, o futebol e o samba, que nem samba mais é). São, a meu ver, o extremo digno, a pobreza digna. Sim, acredito mesmo nisso, não é poesia. Tenho muitos amigos policiais, e não cola essa de dizer que são todos corruptos. Eu acho que um corrupto é um intelectualóide que ensina a seus alunos a xingar policiais militares, a louvar a música de favela que faz apologia a assassinatos de policiais, e que não sabe o que é um pobre, porque vive nos EUA ou fechado em seu condomínio restrito, e elege como pobres dignos gente como essa que vc acha que deve ser defendida. Entenda isso como uma defesa da truculência policial, se vc quiser. Interpretação de texto nesse calor escruciante da tarde não rende boa digestão.

      Quanto ao seu último parágrafo. Que bom, que bom... Tem um caso aqui na minha cidade de um professor que ficou no final da lista de excedentes do último concurso, mas foi chamado para tomar posse, e, inclusive, empossado também como diretor. Somados salário e gratificação, doze mil reais. Um dos que estavam à sua frente na lista de espera entrou na justiça. Isso é bagatela para você?

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    2. Um professor que trabalhou na campanha, esqueci de dizer...

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    3. Acho q tu não tá entendendo o tom da conversa, charlles, essa frase parece um sintoma disso: "Isso não é mais uma das minhas mentiras, Fabio, basta um dia com paciência procurar tais dados no Google."

      fora trolls, acho q não faz sentido vir ao blog e duvidar de qq coisa q tu diga. mas o q disseste em nada muda o diagnóstico todo.
      eu achei algo menor, mas já q foi tocado, tbm me soou um-pouco-além a história do idelber ser patrocinado e tal. não q não venha a ser. a questão é q é uma afirmação q (não por ser apenas suposta) não se vincula a qq argumento q tu trouxe. como dizer aquilo q pensei ter falado sobre a sherazade (agora não sei se tá falando da patrícia poeta ou sei lá, mas não importa). tu escreve o q quiser aqui (imagina!), inclusive gratuitamente. só q terá sido gratuito, apenas isso.
      como tbm não me convence a simples constatação de fatos, tu ter tido tais experiências com pms. ok. e aí? eu não vi isto mudar uma vírgula do q o Fábio Carvalho escreveu. aliás, se fores ver, acaba por revalidar aquilo, já q a Corporação PM é q foi atacada, não os indivíduos q, destreinados, a compõem.

      [falo tudo isso do alto da minha larga inexperiência, arriscando mais uma vez ser mal entendido, apenas pq valorizo mto tudo q até hj tu já escreveu por acá]

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    4. Bah, q confuso o q eu escrevi. Vou mudar meu estilo, e escrever com maiúsculas aqui tbm. Perdão.

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    5. Patrícia Poeta!! Procurei no site da Globo por essa mulher e não achei. Talvez vc tenha entendido errado ou eu escrevi errado: eu gosto de ver mulheres iguais à Sheherazade e a incrível Salete Lemos falando, com braveza, ironia, incisividade. São lindas e inteligentes. Já a Poeta, enzumbizada pela Globo, que é lindíssima, ficou com a cara que vai ter daqui a trinta anos. Perceba a próxima vez que assistir ao JN. Ela fala tudo com uma empáfia, lembra uma colega de escola patricinha que eu odiava.

      Cara, chega! Cansei. Tá bom, tá bom. Os rolezinhos são dez, eles são os caras.

      (Maldita mega-sena que não saiu para mim; e eu aqui criticando a tinta das barras da minha cela. Me espere Escócia, um dia mora aí!)

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    6. hahaha, que má escolha, pintar a tua ideia de libertdade com tinta seca de prisão.
      Periga gastar uma forturna pra pintar nosso auto-retrato por lá (Escócia), e viver nele.

      Cara, q bom que cansamos juntos (que coisa meiga!). É verdade q malentendi a parte da Poeta (q, tal Verissimo, não consigo ver, de qq maneira, com olhos q não sejam de deslumbramento. ok, consigo, sim).
      Eu q não vejo mta graça nessa irritação e braveza pq são, a la alegriaveranil da globo, igualmente fakes. Desses extremos é q eu fugia.

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    7. A referência das barras da cela não é ao blog, arbo, mas ao Brasil. Eu me abraço a esse clichê: a única saída do Brasil é pela porta do aeroporto.

      Disso tudo, a conclusão que eu tiro é que existe um ódio gigantesco tomando conta do país, esperando por explosão. E não haverá ganhadores, todos são vítimas manipuladas.

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    8. Eu entendi q era um clichê, entendi q era do brasil q falava. E por isso q falei o q falei (até referi a Escócia).

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  25. Charlles, pelamor, para que essa peroração? Você está redondamente equivocado sobre o que eu penso a respeito de policiais. E, não, eu não estou em defesa de "bandidos", ou seja lá o que você, grossíssimo modo, considera serem essas centenas de jovens do rolezinho.

    Chutar segurança é agressão, Charlles. É crime. Ponto. Precisa ser coibida, reprimida, punida.

    Durante dez anos, entre 2003 e 2012, eu trabalhei com policiais (num sindicato com alto índice de filiação). Conheço muitos deles, tenho dezenas de amigos lá. Depois de trabalhar com policiais por dez anos, você realmente acredita que eu possa ser um militonto dos direitos humanos?

    Mas mudemos a perspectiva. Você acredita que todos os policiais, notadamente os melhores, aplaudem em unanimidade o que a PM paulista fez em junho? Ou contra os professores? Você sinceramente acredita que esses policiais não sabem julgar quando o Estado os coloca como cadela de guarda das elites e solta bomba de gás na saída do metrô? Sim, se a PM está lá e fez isso é porque houve ORDEM.

    Eu bem sei que uma das questões centrais na sua rotina (deles), para além de estar exposto a níveis variados de violência, é a arbitrariedade dos chefes, que se traveste como "respeito à disciplina". No passado, não faz muito tempo, havia até prisão administrativa (ainda existe para a PM). Ainda hoje, existem remoções para a "conveniência do serviço". Traduzindo: mandam o cara para a Conchinchina e isso é LEGAL. Você deve pensar que alguma coisa séria o cara aprontou. Que nada. Basta que o agente se recuse a lavrar flagrantes em conformidade com a lei ("presente a autoridade policial"), não realizar oitivas determinadas pelo delegado (é o delegado quem deve formular as questões, o escrivão o assessora, auxilia, deve reduzir a termo, tal como no fórum) ou simplesmente não elaborar o tal relatório de inquérito (dever de delegado).

    Isso é pior na PM, que também frequentava o sindicato para tratar de pautas conjuntas da segurança pública. A hierarquia militar é coisa que não imaginamos. Descumprir uma ordem de superior, ainda que sabidamente ilegal, enseja punição mais dura e mais imediata que usar excessivamente a força contra um civil desarmado. Manda quem pode e obedece quem tem juízo.

    Um soldado, ainda que estude e se prepare, nunca vai chegar a coronel. Há desprezo pela experiência. Em segurança pública, o Brasil faz concurso para... chefes! Sim, um chefe que nunca pegou numa arma direito vai orientar policiamento ou inquéritos de um sujeito com mais de 20 anos de experiência.

    Na Inglaterra, quem começa apitando trânsito na rua, se estudar e cumprir com outras exigências, pode chegar a Chefe de Polícia. Entende a merda do artigo 144 da nossa gloriosa CF?

    Não acho que existe nenhuma revolução social no rolezinho. Mas, ao contrário de você, eu não entendo o fenômeno rolezinho como um caso de segurança pública por excelência (pode haver a necessidade pontual, é claro, onde há gente, sempre existe o risco), onde choque e força são empregados sem nenhuma inteligência e preparo. Políticas públicas de segurança podem evitar que muitos casos evoluam para ocorrências de segurança pública: até iluminação pública na pracinha Castelo Branco.

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    1. (Desculpe as frases soltas ai de cima, esqueci de apagar, são rascunhos das retrancas do seu comment.)

      A classe dos professores públicos brasileiros, infelizmente, é uma das mais burras e alienadas. Os caras só falam de BBB, novela das nove, e Jesus Cristo (da pior maneira, rezando antes das aulas com os alunos, e esse evangelismo piegas), e são gente de pouquíssima leitura. Grande parte da pasmaceira da profissão se deve a eles mesmos, e nisso vai em consequência os péssimos resultados da educação e a mutilação criminosa que ocorre com a aquisição de gosto da juventude. A coisa acontece assim: o governo elege como diretores e chefes administrativos aqueles professores que mostraram propícios a controlar a insatisfação dos outros professores com salários e condições de trabalho. Traições e dedo-durismos clássicos, enredos de capa-espada. Transferência de professores, ameaças e pesos burocráticos cruéis. (Nada existe de mais atrasado e torpe que os tais "diários" que martirizam a vida dos professores.)

      Claro que não estou a dizer que a PM tem que cair em cima deles por causa disso. Contra MESMO a violência.

      A greve dos professores aqui no meu estado é tão intermitente e inocuamente recorrente, que já virou piada. Ninguém se importa mais. De tal forma que, de umas trezentas escolas, só umas 10 aderem à greve. É escorpião picando escorpião.

      Ha um texto muito bom do Gustavo Ioschpe (sic?), da semana passada, em que ele execra a posição filistina do ministro da educação em dar parabéns (!!!!) ao Brasil por ter "alcançado" o 55º lugar, entre 65, na lista dos países cuja faixa etária estudantil dominam bem a interpretação textual e a matemática. Parabéns!! Como disse Ioschpe (sic??), o ministro não mentiu, pois para quem está no fundo do poço, um pulo é uma evolução.

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  26. Matheus Todeschini17 de janeiro de 2014 15:05

    Nao te mete, arbo hehe (obrigado por usar maiúsculas) o tom da conversa é essa mesmo, o Charlles foi até manso se comparado com o que comecei a escrever e deletei. Ninguém gosta de ser chamado de mentiroso.

    Nao esperava por essa. Muitos relatos no facebook, twitter e afins sobre assaltos e violência -- inclusive quem havia organizado um rolezinho pelo facebook foi assaltado.

    Desculpa se não tem vídeo dos acontecimentos. Depois eu peco encarecidamente para que as pessoas filmem enquanto acontece, que permaneçam no lugar ao invés de saírem correndo. Sem corpo, sem assassinato, é isso?

    Ai “triagem”, ui “apartheid” etc. Como se a maioria das pessoas que frequentam esses Shoppings não fossem pobres, pretos e pardos, que entram sem problema algum. Mas, sim, as roupas, o estilo de uma pessoa, já a define mais ou menos nos olhos dos outros, e todos sabem a que o funk remete, então não adianta fazer beicinho. Lembro quando estava no ultimo ano do colégio, dois amigos vestidos de MANOS, eu ~ normal ~ e o segurança do shopping os barrou e eu passei tranquilo. Certos preconceitos te livram de ser assaltado, estuprada, de ter uma indigestão, etc. Nao precisa se sentir culpado por ser branco, nem chamar os outros de mentirosos se você não viu: outros viram e relataram e não-brancos não precisamos da tua piedade e do teu ativismo de bom moco na internet.

    Por que sera que os consumidores do shopping gostam da reação à baderna? Porque não gostam de baderna, porra. Parece que você analisa isso tudo como se fossem ratinhos de laboratorio. Nao é só um rolezinho sussa, não é só um passeio maneiro com a galera. Apelando agora: adota uns e faca rolezinho onde você mora. E aproveita e pega uns anjinhos assassinos e ressocializa os coitadinhos.

    É todo um apanhado de problemas: educação precária em casa e em sala de aula, é coitadismo, é mãozinha na cabeça, é drogas a vontade, é falta de rumo e perspectiva, são ideias de merda em cabeças de vento, são corpos vazios que não procuram alma -- os que procuram são achincalhados e mal-vistos.

    ---
    Todo o dinheiro sujo que a esquerda ganha tem que virar legal de alguma forma, e nada melhor que usa-lo nessa blogosfera progressista e partidária, e de outras maneiras como o Charlles escreveu.
    ---

    Acho que essa coisa chamada Brasil nao tem jeito, mesmo. Charlles: devias conhecer Hamburgo. Que cidade...

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  27. "Certos preconceitos te livram de ser assaltado, estuprada, de ter uma indigestão, etc"... e, no entanto, isso não diz nada em favor dos preconceitos.
    "Afinal, uma dessas maricas q pulam pelas ruas cheias de graça deveria saber em q mundo vivem. Depois não diga q não avisei"
    E etc. Cara, muito ZZZzzzzZZz esse teu post (não q os meus não sejam extremamente soníferos). Já que o "tom é esse", vai tomar no teu scocco.

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    1. Matheus Todeschini18 de janeiro de 2014 06:35

      Nao te faz. Nao é a mesma coisa e jamais diria algo assim.

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  28. Matheus, sério, não é assim. Talvez haja uma semente de preconceito perigoso no que você diz.

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    1. E eu, como sou bom moço ativista da internet (daqui a pouco estarei a soldo do PCC, porque PT é para os fracos), apenas temo que ele acredite que isso seja uma boa ou incisiva argumentação. Vou ali ressocializar uns coitadinhos assassinos. Se eu não voltar, já sabem o que aconteceu: virei letra de funk proibidão.

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    2. Matheus Todeschini18 de janeiro de 2014 06:40

      Já conversamos no email, Charlles. Voce me entendeu, acho.

      Fabio: proibidao com seu sobrenome é fácil, até demais.

      Agora, com sua licenca, o pardinho aqui vai no Penny abastecer a geladeira.

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  29. (O João falou de professores, eu falei que já fui; o Fabio falou dos policiais, eu falei que já fui. Espero que ninguém fale das putas...)

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  30. Charlles,

    Primeiro, eu não te chamei de mentiroso. Disse não ter visto os tais vídeos com cenas inequívocas de crime que você viu. Como eu meio que tento acompanhar esse assunto, pedi o link. Vou ser bem breve na réplica aqui, não sem antes enviar o cheque para o Arbo pela lembrança da "baderna" dos estudantes da USP. Pois é, Matheus, a reação é diferente quando o barulho é feito por outros - e, olha, nem é crime.

    Não me espanta você, Charlles, nunca ter visto um delegado realizar flagrantes ou estar presente nas oitivas na delegacia. Mas o que eu sustentei não é "uma falácia". É a lei. Existem outros pontos legais, mas veja o que dispõe o artigo 6o do Código de Processo Penal [autoridade policial é delegado; comento alguns itens entre parênteses]:

    Art. 6o Logo que tiver conhecimento da prática da infração penal, a autoridade policial deverá: ("deverá" significa "tem o dever" segundo praticamente todos os comentários feitos por juristas ao CPP)

    I - dirigir-se ao local, providenciando para que não se alterem o estado e conservação das coisas, até a chegada dos peritos criminais.

    (Risos. Delegado fazendo local de crime, faz-me rir. Sei de caso em que o agente, ante uma dúvida razoável numa ocorrência, ligou para o delegado. Ouviu um esporro por tê-lo acordado e que aquilo não mais se repetisse.)

    II - apreender os objetos que tiverem relação com o fato, após liberados pelos peritos criminais.(Praticamente todos os termos de apreensão são feitos por agentes, que também decidem pelo que deve ou não ser apreendido; os delegados chegam depois e assinam.)

    III - colher todas as provas que servirem para o esclarecimento do fato e suas circunstâncias (idem item II)

    IV - ouvir o ofendido (Isso é oitiva, ora pois! Volte ao caput do artigo, Charlles. Quem deve realizar a oitiva? Ademais, por que a oitiva começa sempre com um "presente a autoridade policial"? Será apenas vício de redação ou um imperativo legal?).

    V - ouvir o indiciado, com observância, no que for aplicável, do disposto no Capítulo III do Título Vll, deste Livro, devendo o respectivo termo ser assinado por duas testemunhas que Ihe tenham ouvido a leitura (Isso é oitiva também).

    (...)

    Conclusão apenas nesses trechos comentados: se a lei fosse cumprida, o escrivão que lavra "presente a autoridade policial", bem como o delegado que assina depois, incorrem em falsidade ideológica se a autoridade não está presente. A rigor, o agente que realiza oitivas sem a presença do delegado incorre em crime de usurpação de função pública. Também em tese, o delegado que determina que o agente faça isso prevarica: deixa de cumprir função que a lei determina que ele faça. Agora... pergunte para os delegados se eles topam, ante a inexorável realidade, alterar o CPP e franquear aos agentes a condução de inquéritos. Afinal, por que seriam necessários os chefes? Repito: o inquérito é uma coisa absurda, burocratiza a Polícia que deveria investigar. Todas, rigorosamente todas, as oitivas feitas no inquérito precisam ser refeitas em juízo em caso de denúncia criminal.

    Eu não disse não haver progressão na carreira para soldados. Eu disse, e repito, que soldados não vão ser oficiais nunca, ainda que estudem e se preparem no exercício da função. Quer ser oficial? Faça concurso para chefe. O teu amigo é Tenente? Parabéns para ele. É o final de carreira. Nunca ele chegará a Capitão, o primeiro posto de oficial na PM. Do mesmo modo, um escrivão nunca chegará a delegado. Ah, existem 27 PMs no Brasil, outro problema do artigo 144 da CF. Nem todas exigem curso superior para soldado: o Rio Grande do Sul não exige.

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    1. Fabio, seus comentários às vezes servem para eu perceber que há uma imensa diferença institucional entre os estados do Brasil. Aqui em Goiás, um tenente chega sim a capitão. É muito frequente isso. O capitão daqui era tenente (um cara negro, diga-se).

      E, na boa mesmo, aqui em Goiás só se vê prisões em flagrantes lavradas sem a presença da autoridade policial. Quando vc diz que é ilegal (e é mesmo) e que não deveria ser feita, me faz pensar que talvez vc, assim como o Matheus, tenha ficado demais na Europa. É ilegal, cara, mas é o que SEMPRE ACONTECE. E não adianta pensar que algum advogado irá tentar soltar seu cliente legando isso (ele tem todo o direito por lei; aliás o próprio detido tem esse direito, de exigir sua liberdade se o delegado não estiver presente), pois o advogado ganha em cima da arbitrariedade_ cozinhar seu cliente na cadeia é muito mais lucrativo que soltá-lo de imediato. O flagrante se faz dias depois, quando o delegado não está de folga, principalmente se o cara foi preso na sexta à noite e o delegado plantonista só estará livre de suas cachaças na segunda feira da ressaca após as dez da manhã.

      Eu já falei aqui que tem um grande amigo meu que é professor mas que quer deixar por tudo a sala de aula, mesmo se isso resultar em ser um policial militar. Pois bem, ele prestou concurso para PM de Minas Gerais, Goiás, Tocantins e Mato Grosso. Todos os concursos aí exigem diploma em curso superior. Se o Rio Grande do Sul ainda é ensino médio, pô, que atraso! Basta ver no site do PCIconcursos, essa é fácil.

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  31. Olha, Charlles,

    A Polícia Federal fazia essas gracinhas com o CPP, mas tenho informação de que as coisas têm mudado, até porque os agentes ganham bem, não se "vendem" por uma viatura discreta, por uma diária em operação, ou por uma promoção na carreira (há interstícios definidos em lei: com 20 anos em atividade policial, todo agente ou delegado chegará ao final da carreira). Não que hoje seja um mar de rosas entre agentes e delegados federais, mas, noves fora exceções aqui e ali, agente não toma depoimento mais. Relatório de inquérito? Nem pensar. Delegado vai em operação.

    Mas insisto (ai, como sou chato) no ponto nevrálgico, até porque um monte de gente que estuda segurança pública diz isso. O inquérito policial é um atraso de vida. Nenhum país do mundo tem isso. Nenhum. Burocratiza a atividade investigativa, há uma enormidade de inquéritos sem conclusão - até que, um belo dia, é feito um mutirão, que "soluciona" aqueles que têm autoria conhecida e arquiva as bagatelas. Mezzo maquiagem para diminuir a quantidade de "inquéritos em andamento".

    Os inquéritos que demandam investigação de autoria? Pfffff. É ridícula a taxa de solução no Brasil. Há um bom estudo feito em cinco capitais: Rio, São Paulo, Brasília, Recife e Porto Alegre. A Polícia Civil é um fiasco nesse quesito.

    Eu realmente não sei da PM de Goiás. Não estou te chamando de mentiroso, veja bem, mas sua informação me intriga muito mesmo. Talvez o Tenente, em Goiás, já seja oficial, daí ascende a Capitão. O teu amigo entrou como Soldado, hoje é Tenente e vai ascender a Capitão? Olha, eu ficaria (positivamente) perplexo com isso.

    De todo modo, também confirma um problema: temos 54 polícias diferentes. São 27 PMs e 27 PCs. Elas têm salários diferentes, leis orgânicas diferentes, denominações diferentes. A única coisa comum é o fato de haver disputa entre elas em todos os Estados. Sim, porque o Brasil tem essa coisa de duas polícias diferentes, com atribuições diferentes definidas na CONSTITUIÇÃO. E o resultado disso é bem filho da puta.

    Pronto. Citei a puta. Libera aí sobre os teus tempos de intimidade com a bolsinha.

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    1. Fabio, eu juro que estou falando a verdade, cara. Juro! Esse amigo meu, era sargento, e ascendeu a tenente. O capitão da minha cidade não era oficial, chegou a essa patente através de promoções. Não sei se vc acompanhou o caso, mas veja isso:

      http://www.estacaodanoticia.com/index/comentarios/id/29571

      Inclusive um grupo de outros PMs que estava aguardando a promoção para tenente, na escala programada antes desse meu amigo, entrou na justiça contra ele e outros que foram promovidos antes.

      Pesquise mais, Fabio. Não acredito que isso, a promoção entre policiais e não só entre oficiais, aconteça apenas em Goiás.

      Concordo plenamente com vc sobre a estúpida e classista burocracia dos inquéritos policiais. O cerne da briga entre delegados e ministério público está nisso.

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  32. Vou procurar saber mais sobre as PMs, sim. Aqui no RS, eu tenho certeza, praça não ascende a oficial por promoção nunca. Nunca mesmo. Imagina o "sonho" de um Soldado chegar a Coronel (ok, Capitão estava valendo, o salário muda muito). Fiquei intrigado mesmo.

    Ai, eu tinha jurado para mim mesmo que não iria mais comentar e, pior, para inventar mais uma "polêmica". Eu nunca caí nessa história de PEC 37, empurrada goela abaixo depois do vendaval de junho, porque o Ministério Público quer "investigar poderosos" (e isso colou!). A casta do MP, ultra superior, como sabemos, quis outra coisa - e levou. Mais poder. Eu não gosto de inquérito, nem de castas, mas eu defendo firmemente a necessidade e a competência de uma Polícia Judiciária. Vejamos:

    1) Legalmente, o Ministério Público é o autor da ação penal. É o responsável pela acusação. É tão difícil acreditar que a parte autora da ação pode, sei lá, esconder uma "coisinha" na investigação que facilite a vida da defesa? É um erro achar que o Direito Penal existe para "proteger a sociedade". Na-na-ni-na-não. No tal Estado Democrático de Direito, o Direito Penal existe, fundamentalmente, para oportunizar a um acusado o direito de se defender - não estou viajando, estou citando juristas "conservadores" como Ives Gandra, que nem criminalista é . E eu acho, sim, que o direito de defesa fica prejudicado se o autor da ação penal também investiga. Eu acho que quem investiga é, ou deveria ser, a Polícia. Ponto.

    2) A Constituição Federal, no artigo 144, estabelece como atribuição da Polícia Judiciária (Civil, nos estados; Federal, na União) a investigação criminal. A PEC 37 foi o drible da vaca que o MP conseguiu dar para engendrar uma antiga aspiração da classe. Sim, todas as "investigações" que eles sempre fizeram, à revelia da lei Maior, mas diziam que tinham poder para tal (os promotores, enquanto categoria, têm uma empáfia que não deixa juiz nenhum para traz; delegado é fichinha), caíram, uma a uma, nos tribunais superiores, observadas alegações de defesa. Por isso, era necessário inserir uma emenda à CF para que eles tivesses também essa prerrogativa. Esse poder de investigar, eu acho, continuará sendo questionado pelos bons criminalistas (leia-se: bons processualistas), embora agora com mais dificuldades.

    3) O Ministério Público, se não ficar "satisfeito" com a investigação policial, tem o poder de determinar a realização de novas diligências. Pode, inclusive, pautar o que deve ser feito: ouça fulano, cheque os dados de beltrano, pesquise isso, confronte aquilo. O Ministério Público, enfim, tem o poder constitucional de fazer o controle externo da atividade da Polícia Judiciária (Civil). Eu pergunto: a que controle externo se submete o Ministério Público? Isso é bom?

    4) O MP pode escolher o que vai investigar, é? Ui, que delícia. Tipo assim: acusação de roubo de energia elétrica em Itaquera, ou no Complexo do Alemão, fica com a Polícia Civil, que tem o dever de investigar. Eu, gostosão, escolho. Por óbvio, vou escolher o filé. Quando um delegado pede quebra de sigilo telefônico, o MP ACOMPANHA, e a Justiça defere (ou não). Perguntinha básica: o que vai acontecer se a Polícia Judiciária começar uma investigação em Itaquera e chegar na suspeita de um figurão que, porventura, já esteja sendo investigado há teeeeeeeeeeeempos (e sem resultados) pelo MP. Muda a competência? Olha, sinceramente, não acho isso bom mesmo.

    Enfim, o MP não fez nada para mudar o CPP, nem o inquérito. Mudou a CF para ele mesmo ter mais poder. É isso.

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  33. * Nenhum juiz para TRÁS. (Traz ficou horrível)

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  34. Charlles, caríssimo,

    Não é uma pesquisa profunda, mas, ao que parece, Soldado não chega a Capitão em Goiás, não. Acho que não chega nem a Tenente, se bem entendi na minha leitura dinâmica, depois de uma googlada básica.

    Na lei 15.704/06, lemos a seguinte expressão: "Institui o Plano de Carreira de PRAÇAS da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Goiás e dá outras providências".

    http://www.gabinetecivil.goias.gov.br/leis_ordinarias/2006/lei_15704.htm

    No artigo 14, temos a definição de interstício para a promoção para cabo, 3o Sargento, 2o. Sargento, 1o Sargento e Subtenente. Essa lei foi alterada recentemente, em dezembro de 2013, mas apenas reduziu o tempo de interstício e fez outras alterações na carreira de PRAÇAS.

    Não há nem referência à Tenente nessa lei (eu não pesquisei a fundo, posso estar errado). Muito menos a Capitão, Major, Tenente Coronel e Coronel: essas patentes não são citadas mesmo na carreira de Praças.

    Não pesquisei, mas aposto que existe outra lei que institui a carreira de Oficiais da PM e do Corpo de Bombeiros de Goiás. Mas, sim, você está certo quanto à exigência de nível superior para ingresso de Soldados.

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    1. Fabio, vc é um cara de teimosia incorrigível. Mas se eu estou falando para vc que os caras são meus amigos e eu TENHO ABSOLUTA CERTEZA DO QUE EU ESTOU FALANDO.

      De novo, Fabio: EU TENHO ABSOLUTA CERTEZA DO QUE EU ESTOU DIZENDO, CARA, ABSOLUTA CERTEZA.

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  35. Fabio, com todo respeito, mas deve ser por mentalidades cimentadas assim que os veterinários ganharam aqui uma causa contra o sindicato, que achou que devia cobrar compulsoriamente anuidade dos veterinários (já tratei disso aqui com vc anteriormente). O sindicato parou de mandar para mim o boleto de anuidade que o sindicato achava, coercitivamente, que os veterinários deveriam pagar para exercer a profissão. Nós só pagamos a anuidade do CRMV, o conselho, assim como todas as demais classes profissionais pagam cada qual seus correspondentes. Com mentalidades assim como a sua de que só vocês dominam a verdade, é que eu paguei, sob processo judicial, a anuidade de 5 anos para o sindicato. O CRMV disse que eu posso recorrer e cobrar na justiça a restituição desse pagamento indevido, dessa extorsão, mas eu vou deixar de lado. Não quero nenhum contato mais com sindicatos, quero completa distância disso.

    O que me espanta é que vc ache que uma categoria profissional exista no mundo legalizado de hoje sem Plano de Cargo e Salário (PCS). Você acha mesmo que o sujeito entra na categoria de soldado, aos 17 anos, e morre nela aos 60 (na aposentadoria especial da PM) com os mesmos provimentos? Sério, cara? Sem promoções, sem aumentos de salários. Até serviços administrativos mais simples do funcionarismo municipal tem PCS, e vc acha que a PM não tem. Pelamor, né!



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  36. É chatice, reconheço. Mas não estou errado, Charlles.

    Os praças têm, sim, uma carreira em Goiás. O ingresso é como Soldado com exigência de nível superior, diz a lei 15.704/06. Essa lei estabelece interstícios (intervalos de tempo) para promoção. Por óbvio, uma promoção aumenta o salário. Depois de X anos, o Soldado ascende a Cabo. Depois de X anos, a 3o Sargento. E assim sucessivamente até a patente, creio eu, de Subtenente.

    Em diversos estados, não sei se é o caso de Goiás, além da ascensão vertical (promoção na carreira), também existem adicionais por tempo de serviço (a PM gaúcha tem isso). Ou seja, é a chamada ascensão horizontal, que também impacta proventos. Mas, não, Charlles, um praça não ascende a oficial da PM em Goiás. Veja a lei.

    Há concurso específico, sim, para Oficial da PM. É uma carreira distinta. A formação demora três anos, período no qual o aluno já é considerado policial militar e recebe proventos superiores a 3 mil reais em Goiás. Depois de formado, o salário inicial é de cerca de 6,5 mil reais. Sim, o oficial pode chegar a Coronel. Não, o oficial não ingressa como Soldado. No caso de oficiais da saúde (médico, dentista etc) o ingresso é como 2o Tenente (ou seja, o Tenente é oficial em Goiás; no RS não é). Os demais ingressam como cadetes. Segue o edital do último concurso.

    http://www.sgc.goias.gov.br/upload/arquivos/2012-10/edital-concurso-publico---oficial-e-cadete-pm-2012---fina

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    1. Independente do que vc encontrou pela net, Fabio, o tenente Reginaldo, que atua aqui na minha cidade, foi promovido a Capitão ano passado, e o cara não tem curso superior e ingressou na carreira como soldado. Da mesma forma, o sargento Ferreira, o que odeia chá mate, foi promovido a tenente ano passado, e foi transferido de uma pequena cidade próxima para cá. Aqui tem outro capitão, aposentado, cujo nome não sei mas o povo chama de "Cheiro", que mal deve ter o segundo grau completo. Na minha cidade, ainda, tem um major aposentado, de nome Chavez, que também não tem curso superior e, assim como os outros, entrou na carreira como soldado. Todos negros, por coincidência.

      Talvez tenha a categoria oficial-tenente e tenente, não sei. Mas minha cidade tem 20 mil habitantes, e é algo fácil demais encontrar essa gente e saber que o que estou falando é de conhecimento de todos. Por esse amigo meu professor estar na justiça para ser chamado no concurso (o MP decretou que todos do cadastro de reserva até determinado limite devem ser chamados), ele sempre me mantêm à par do assunto: um oficial ganha, no início de carreira, 7 mil e quinhentos, e um tenente promovido, como o Ferreira, tem o salário de 5 mil reais e 300, e o salário inicial do soldado é de 3 mil e 200 (veja edital de 2013). Então, há algo incompatível aí pelo que vcs sulistas entendem ser tenente aí e o que eu entendo ser aqui.
      Após esse concurso que vc achou o edital, já houve mais dois outros concursos em 2013, e há a previsão de mais um para esse ano.

      Pouco me importa se vc acredita ou não. Só não vejo muita lógica ficarmos aqui trocando essa queda de braço, ainda mais sobre um assunto que nem sei como surgiu aqui.

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    2. Fabio,

      consultei sobre o assunto aqui. Um soldado pode ascender à patente máxima de sargento, depois disso, se quiser chegar a tenente, tem que fazer um concurso interno. Passando no concurso, ele segue adiante para capitão e major, dessa vez por promoção e não por provas internas, como um oficial.

      Há uma máfia de influências que gerou uma série de acusações na justiça de venda de patentes. Basta ler aquele link lá em cima que eu te passei.

      É isso.

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  37. Matheus Todeschini18 de janeiro de 2014 06:32

    No RS quem entra soldado chega no máximo (meio raro) à tenente se tiver padrinho bom na polícia e na política. Se para subir a sargento já demora um tempao e com muito esforco - sei de vários que são soldados a quase duas décadas e estão esperando uma ajudinha do ParTido para subir um degrauzinho mixuruco; e dá-lhe puxa-saquismo a deputado, secretários, coronéis que nem dão bom dia...

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