segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Do porque estamos bem com a Carol Bensimon como romancista: estaríamos pior se ela fosse socióloga



 É verdade que o norte e o nordeste têm temas mais “brasileiros” (ou talvez o que se entenda por “temas brasileiros”). Eles parecem mais fechados em sua cultura, enquanto, no sul, há realmente uma tendência à internacionalização (do Nirvana de Michel Laub às minhas personagens que viveram em Paris e Montreal). Parte disso se explicaria por uma questão econômica: talvez os escritores do sul tenham tido mais oportunidades de sair do país, experiências essas que acabam entrando, de uma maneira ou outra, em sua literatura. A influência da cultura pop internacional, por sua vez, seria explicada por uma falta de marcas regionais? (Carol Bensimon, daqui)

22 comentários:

  1. João Antonio Guerra11 de novembro de 2013 14:28

    Gargalhando, Charlles. Quando vi o texto no blog da Companhia, fiquei esperando pelo seu comentário.

    Pega a Piauí deste mês, Laub falando de Frankfurt: uma prosa melhor e uma preguiça igual configuram duas burrices diferentes.

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    1. Eu fiquei numa preguiça gigantesca de responder qualquer coisa, mas acabou que tem dois comentários lá que dão a devida medida da "pensadora" Bensimon. Postei um comentário só fazendo minhas as palavras desses dois comentaristas.

      Eu pensei, será que a Bensimon só fala besteira? E, como sempre, sua defesa é que "isso é só um blog, escrevi às pressas". Vindo de alguém que vive das palavras, diz muito dela.

      Estou lendo o ensaio do Franzen sobre internet. Tive que parar na quarta coluna, e até agora a única coisa que me motivou foi o título. Falta gás. Mas pode ser que ele venha na metade final.

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    2. João Antonio Guerra11 de novembro de 2013 15:08

      Pois o título do ensaio não é o original, Charlles. Li esse ensaio na época que saiu no Guardian ( http://www.theguardian.com/books/2013/sep/13/jonathan-franzen-wrong-modern-world ) e digo que não virá gás nenhum não.

      O Franzen é motivo de certa chacota no jornalismo literário ianque a cada novo ensaio contra o digital. Um de seus ensaios recentes fazia um luto pelo Salman Rushdie, um escritor de quem gostava muito, ter aderido ao twitter, e mais tarde o próprio Salman Rushdie respondeu (pelo twitter) que ele, a Atwood e o Gary Shteyngart usavam twitter sim, muito obrigado.

      Discordo bastante do Franzen, mas acho importantíssimo, para o hoje, que ele continue escrevendo esses ensaios.

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  2. João Antonio Guerra11 de novembro de 2013 15:16

    Errata ramiresca: o ensaio que cita o Rushdie "sucumbindo" ao twitter é esse aí mesmo.

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    1. É neste mesmo. Tinha visto lá.

      Vamos ser sincero_ já tinha lido outro ensaio do Franzen, não me lembro qual, também na Piauí_, mas o Franzen é muito fraco como ensaísta. Esse artigo parece mais uma propaganda truncada do departamento de designer da Apple. Ele começa com uma comparação entre Windows e Apple, na linha de que o produto genuíno é melhor por ser sem disfarces mas que é renegado por sua ausência de fetiche, e substituído pela insuficiente mas suculenta ideia de luxo que vem com os aparelhos do falecido Jobs. Mas para por aí. Nem o menor sinal de Bauman, ou Zizék, ou Baudrillard. Fica só uma inodora reclamação de usuário, e a lembrança de que Liberdade foi um dos piores romances que nos últimos dez anos, junto com A visita cruel do tempo. Talvez nisso a Bensimon finalmente tenha dito algo de valor: todos esses são bem medianos.

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    2. João Antonio Guerra12 de novembro de 2013 14:33

      Franzen gamou no Karl Kraus, esse do ensaio. Lançou um livro em que traduz e comenta o austríaco: The Kraus Project. Aparentemente, as previsões apocalípticas do KK caíram para o Franzen como a prova de que suas próprias previsões estão certas; daí manobras estranhas como essa de partir do jogo Alemanha/Paris para Windows/Mac, que é só lermos de novo o trecho do Kraus e veremos que a ode ao Windows não tem nada com o comentário sobre a Alemanha.

      Só que o Franzen é contra algumas malandragens e preguiças modernas, como literatura sendo confundida com mercado literário - confusão que é o berço do middlebrow, hibrow, lowbrow, essas palavrinhas, que nada tem com a obra em si, e sim com o lugar em que ficam nas estantes das livrarias, nas abas dos websites - e tem importância haver gente assim, ainda que umas criaturas barulhentas e caricatas parecidas demais com aqules personagens do Monty Python que se levam a sério com seus silly walks.

      Mas ó: li um livreco de ensaios do Franzen chamado How to be alone, e gostei, não tanto quanto um do Naipaul* que estou terminando agora, mas gostei. Abre com o melhor da coleção: chama-se My father's brain, e é o Franzen partindo do alzheimer de seu pai até o tema da Memória; ele chega a questionar a própria dor que sentimos por esses enfermos, chamando-a vaidade, porque os doentes mesmos na maior parte do tempo não têm consciência de que sofrem. Esse livro vale a leitura. mas este parágrafo não: foi só uma desculpa involuntária pra botar aquele asterisco ali em cima, ele mesmo mais uma desculpa, para mais um parágrafo, este aqui:

      * - O tal livro é Literary Occasions. Nele, tem um ensaio maravilhosos chamado Conrad's Darkness and Mine, e o primeiríssimo parágrafo pinta o Conrad amado pelo pai de Naipaul, o pai que queria ele mesmo ser escritor e não obteve sucesso; para ele, Conrad era the stylist, but more than that, Conrad the late starter, holding out hope. Aí me alembro daqueles seus comentários sobre o Saramago, sobre o seu tardio... Escreva logo livros.

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    3. Conheço este ensaio. Tem um outro dele sobre Mailer que é muito bom. Conrad é influência direta de Naipaul.

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    4. É... Estou a fazer escola: pelo menos nas erratas!

      (Não existem perguntas idiotas,
      mas... respostas idiotas.)

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  3. A primeira frase dela está parcialmente correta (RS, SC e PR são parte da família, mas não aparecem no retrato exportado do Brasil, que é basicamente RJ + BA + NE, ou seja, um NORDESTÃO), mas o resto...

    Desculpa, tchê, não posso explicar direito, pois estou ocupado passando frio em novembro, comendo chimia, cuca e gróstoli, porque aqui é um pedacinho da Europa!!


    * Brasil = Regina Casé + amigos do Exxxquenta.

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  4. bá, mas q horrível. mas ela se entregou, teoria da sangria. digo, a sangria foi q entregou a guria. nunca li nada q preste dela (tbm não fui atrás). creio q o milton meio q se enamorou em algum nível, só pode. outro dia ela escreveu uma crônica na zero hora q deu grande polêmica por aqui, brincando com os estereótipos da classe média - senso comum profundo.
    agora parece ter isso de q RIR DE SI MESMO (q nós sabemos o qto é bom, charlles) é só uma maneira de defender-se, de RIR ANTES QUE OS OUTROS RIAM DE MIM - algo assim. Mas não é o riso verdadeiro. Um humor superficial, portanto - claramente de quem se preocupa mesmo é com a imagem de si. ("meus personagens que viajam a paris e montreal", what the fuck?, me admira q ela tenha uma coluna na Cia. Quer dizer, não. Esse mau humor está generalizado entre nós (já falei aqui, qdo linkei aquele texto sobre a ironia nos dias de hoje, q a Dani disse q tu não tinha como entender, algo do tipo. Aliás, depois daquele texto do N. fiquei curioso sobre o q a Dani andou dizendo pelo facebook, mas vá procurar por Daniela Campos pra tu ver... wrong search, certamente. / Falando em facebook, e do mesmo modo q acho q dá pra ter uma ideia da potência de um romance da Bensimon só de ler essas coisas q ela escreve por aí, fiquei a fim de ler um tal de José Francisco Botelho, q "conheci" ao ler alguns comentários seus no facebook, até ver q trata-se de um jovem escritor de acá. lançou um romance agora, A árvore q falava aramaico, mas certamente chovo no molhado, pois creio q vi seu nome por aqui no teu blog).

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    1. Essa GERAÇÃO JOVEM da literatura brasileira é bobinha, levianamente irônica por default. Viaja à Paris e Montreal, tem berço, mas adora abraçar - de leve, sem encostar muito - e falar ao que pensam ser o povo, e zombar do que possibilitou suas viagens, cursos no Goethe Institute e Pós numa universidade hype da Europa.

      Cambada de filhos da puta.

      (A vida é foda, só o que falta hoje eu chegar na aula e encontrar um JOVEM ESCRITOR & EDITOR na aula como na semana passada -- mas aquele achei maneiro, fundador da Não Editora e Dublinense).

      Também tentei stalkear (no bom sentido!) o entrave Sra. Campos x Sra. Primª Dama e não deu. Perdemos.

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    2. arbo, não conheço esse Botelho. Nesta semana pesquisei sobre um escritor que eu folheei seu livro Quadrilátero com certo interesse há anos, o Adolfo Bool Júnior.

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    3. Hahaha. Cês são umas figuras. O Facebook da Dani só serve para ela se comunicar com as avós e as tias. Receitas de bolo e os necessários cute-cutes sem muito interesse externo.

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    4. vi agora q o Botelho tbm tem uma coluna no site da Cia. e depois lembrei onde ele me conquistou. só poderia: um texto "sobre" futebol de quem se diz um não-entendedor. vale a pena:
      http://impedimento.org/meu-rito-de-passagem-no-estrela-dalva/

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    5. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Da nova geração de romancistas brasileiras que se outorgam universais por dar nomes como "pinball" ou coisa que o valha aos seus livros, a Carol Bensimon é a única que eu efetivamente COMERIA.

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    1. Tamo mal de escritoras. Só pode: machinho, hipster blasé, black-power-bahia-axé-makumba-100%-negra-mas-meu-pai-é-branco-though

      (Lola e Feministas não aprovam esses comentários).

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    2. Hipster blasé cabe. Mas "machinho"? Não nessa foto, pelo menos. Tenho certeza que o Charlles pegaria. Eu não me esqueço do comentário que ele outrora fez... de que comeria a Dilma Rousseff.

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    3. Meu gosto por mulheres é muito pessoal. (Não me lembre desses meus momentos de estranha ambiguidade libidinal-petista.) A Carol é uma moça bonita. Ela tá um charme na foto com a camiseta do Cortázar. Mas não me impressionaria em nenhuma das minhas fases (garota com olheiras, garota amiga-descolada, a loira frágil com ar sereno, a intelectual modestamente segura de estar acima da realidade cotidiana, etc).

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    4. Tem outras por aí que são bem "machinho", Luiz.

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  6. Autores mediozinhos como a Bensimon já temos para os dias de hoje. Falta aparecer o Escritor Monstro.

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