segunda-feira, 17 de junho de 2013

Sentindo um imenso orgulho do Brasil, hoje!



Cem mil brasileiros na Rio Branco. Um cartaz diz: "Lutamos por você, enquanto você não acorda." Todos gritam: "Sem partido". Pela liberdade de expressão, mas, fundamentalmente, pelo respeito. As ruas das principais cidades brasileiras tomadas por manifestantes de todas as idades. Todos pedindo que sejam respeitados, porque são brasileiros. Agora mesmo vi o inacreditável, no Jornal da Globo, da âncora se explicando ao país, em rede nacional, porque os manifestantes estavam gritando palavras de ordem contra a emissora. Tomaram o teto do congresso. Pode ser que isso não dure, mas hoje, me deixem aqui com o meu enorme orgulho de ser brasileiro, algo que em 40 anos de vida eu jamais imaginaria sentir. Experimento agora a suprema alegria que é se sentir espiritualmente integrado em uma nação, em um povo e em uma língua.

113 comentários:

  1. Satisfação grande de aparentemente estar errado em relação à geração i-phone. Mesmo porque o sentimento de insatisfação parece não se limitar a uma geração só.

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    1. Estou pensando no Zizék e no Espirito Santo (não o estado, mas aquela entidade mais misteriosa de Deus), quando Zizék disse, em seu discurso aos manifestantes em Wall Street, que o Espirito Santo estava com eles. Incrível como me veio a percepção do que é o Espírito Santo, e como me vejo mais enternecido com esse filósofo esloveno. Sério: estou sentindo o Espírito Santo aqui. E ele é uma coisa que está além do contexto de deus. É a coisa que move a História. Quem sou para sentir isso e ousar estragar a coisa definindo-a. Cem mil pessoas na Avenida Rio Branco_ a contagem oficial da polícia foi de dez mil (hahaha), mas a própria Globo, diante a estupidificação das imagens, disse que contratou um especialista que retificou o número: CEM MIL.

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    2. E a estupefação geral da cobertura da Globo quanto não só a dimensão, mas a busca por uma motivação histórica catalizadora do que eles estão vendo? Haha. Serão mesmos os tais vinte centavos? Será a inflação?
      Amanhã estarei na Dundas Square aqui em Toronto. No momento já há quase 2 mil pessoas confirmadas.

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    3. Quem sabem, quem sabe... Não me envergonho da esperança.

      (Lembrei de uma errática citação do seu amado Jung: "A tentativa é muito dolorosa, mas é a única coisa que temos".)

      Vem cá e conta depois o que viu lá, pelo amor de deus.

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    4. Estou tentando me situar aqui. Acabo de acordar (haha) de um soninho vespertino. A Globonews dá notícia que já há alguma movimentação aqui em Toronto. Mas o Facebook da minha esposa dá conta de um movimento mais articulado apenas amanhã.

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    5. A Globonews momentaneamente tentando mudar a narrativa da cobertura, sobre-enfatizando o vandalismo na ALERJ e fazendo a usual expiação de nossos pecados em rede nacional.

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  2. E a nossa presidente emitindo uma nota oficial que pretende, em sua ingenuidade assustada de tia-avó falando ao afilhado que demonstra saudáveis e esperados sinais de rebeldia: "É da natureza dos jovens manifestarem-se". Que frase torpe, covarde, despreparada. Querendo resumir a indignação geral como meros sintomas hormonais da idade.

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    1. Belo comentário, Charlles. Salve pela sua perspicácia, meu amigo. É por isso que estou sempre aqui.

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    2. Gentileza sua, amigo Luiz.

      (Amanhã retorno, que quem tem que repor sono atrasado sou eu agora.)

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    3. P.S.: Gostaria mesmo de prosseguir a conversa, mas tive que acordar de madrugada para trabalhar.

      Uma noite que promete ser de sonhos bons :-))

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Pude ver daqui o brilho dos teus olhos (hétero) mirando a TV, incrédulo e esperançoso. Mas também pode ter sido o vinho...

    Vocês são muito esperançosos. Tenho esperança por muita coisa quase impossível, mas por uma mudança no Brasil e nos brasileiros a partir de um movimento do psol e pstu (pt real) que usará a população como massa de manobra partidária, é demais para mim.

    Deixo este vídeo, para o delírio do Luiz.

    http://youtu.be/G9R4kwKlwMM

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    1. PSOL e PSTU são agregados minoritários. Quem tenta fazer o movimento de massa de manobra é a mídia, Rede Globo à frente.

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    2. Matheus, considere: brasileiros protestando CONTRA O FUTEBOL !!!! E NA HORA DA NOVELA!!!!!!!!!!!

      Não tem direcionamento partidário que faça acontecer isso, meu caro. Para ISSO acontecer, só pode ser um milagre. Acredite: é a chama do Espírito Santo. Estejamos nós preparados à altura para aproveitar a graça, e queimarmos. Uma grande fogueira!

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    3. Olha, Matheus. De um recluso digital a outro recluso digital.
      Acho que o teu afastamento das redes sociais te leva a negligenciar o aspecto generalista e sem bandeiras partidárias desse movimento.

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    4. Well, Charlie, então está na hora de reaprender o que me fora ensinado anos atrás: em nome do pai, do filho e do espírito santo, Amém. (tentei fazer aqui o Sinal da Cruz e ME PERDI TODO. Acho que fiz a CRUZ CABALÍSTICA e o RMP http://www.youtube.com/watch?v=qQWsnAUCcmw , pra meu espanto).

      Luiz: eu stou ligado, eu compreendo muito bem o apartidarismo que também faz parte desses protetos (leia meu comentário mais abaixo). Mas, ne, isso tudo tem dois lados, dois grupos, e um usará o outro para conseguir o que quer.

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    5. "Não tem direcionamento partidário que faça acontecer isso, meu caro. Para ISSO acontecer, só pode ser um milagre. Acredite: é a chama do Espírito Santo. Estejamos nós preparados à altura para aproveitar a graça, e queimarmos. Uma grande fogueira!"

      Charlles, creio que vou visitá-lo... Preciso duns golinhos do seu "porto"...

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  5. Ramiro Conceição18 de junho de 2013 07:46

    “Incrível como me veio a percepção do que é o Espírito Santo, e como me vejo mais enternecido com esse filósofo esloveno. Sério: ESTOU SENTINDO O ESPÍRITO SANTO AQUI. E ELE É UMA COISA QUE ESTÁ ALÉM DO CONTEXTO DE DEUS. É A COISA QUE MOVE A HISTÓRIA. Quem sou para sentir isso e OUSAR ESTRAGAR A COISA...].”
    .
    .
    …”Yeh eh-eh-eh-eh-eh! Yeh-eh-eh-eh-eh-eh! Yeh-eh-eh-eh-eh-eh-eh!
    Grita tudo! tudo a gritar! ventos, vagas, barcos,
    Marés, gáveas, piratas, a minha alma, o sangue, e o ar, e o ar!
    Eh-eh-eh-eh! Yeh-eh-eh-eh-eh! Yeh-eh-eh-eh-eh-eh! Tudo canta a gritar!

    “FIFTEEN MEN ON THE DEAD MAN'S CHEST.
    YO-HO-HO AND A BOTTLE OF RUM!

    “Eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh! Eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh! Eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh!
    Eh-lahô-lahô-laHO-O-O-ôô-lahá-á á - ààà!

    “AHÓ-Ó-Ó Ó Ó Ó-Ó Ó Ó Ó Ó - yyy!...
    SCHOONER AHÓ-Ó-Ó-Ó-Ó-Ó-Ó-Ó-Ó-Ó - yyyy!...

    “Darby M'Graw-aw-aw-aw-aw-aw!
    DARBY M'GRAW-AW-AW-AW-AW-AW-AW!
    FETCH A-A-AFT THE RU-U-U-U-U-UM, DARBY!

    “Eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh eh-eh-eh!
    EH-EH EH-EH-EH EH-EH EH-EH EH-EH-EH!
    EH-EH-EH-EH-EH-EH-EH-EH-EH EH EH-EH!
    EH-EH-EH-EH-EH-EH-EH-EH-EH-EH-EH-EH!”
    .
    .
    (um pedacinho da Ode Marítima do Álvaro de Campos)

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    1. Ramiro Conceição18 de junho de 2013 08:34

      É, devo estar maluco, pois pela primeira vez estou de acordo com o Reinaldo Azevedo sobre os últimos acontecimentos no Brasil: caminhamos a passos largos para eventos sociais nos quais somente o emocional irá imperar (o trágico é que não serão partidas de futebol). Algo muito semelhante já andou a acontecer nesse mundinho, lá, há 80 anos... É, parece que não aprendemos...

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    2. Álvaro de Campos, o heterônimo whitmaniano do nosso maior poeta da língua. E é como Whitman se sentia com as promessas democráticas da antiga América que eu me sinto agora. Tomara, TOMARA DEUS, que a coise prospere. Como escreveu Rilke: "Ah! Desejar a mudança! Ser incendiado pela Chama!"

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    3. Ramiro,

      Se você viu os moleques ontem no Roda Viva viu maturidade política. A bandalheira e a disposição de ganho imediato vem de grupos já organizados enquanto assaltantes, que fazem saidinhas de banco e afins, mais os revoltados que gostam de sair na porrada para fingir masculinidade. Teve gente abraçando a causa midiática sem saber, mas esses terminaram por seguir o vetor do movimento. Não sei no que isso dará, acho que ninguém sabe, mas fascismos estão em todo canto, e pelo que ouvi ontem no Roda Viva a consciência hoje é muito mais inteligente.

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    4. Querido Marcos, não assisti o Roda Viva. Mas, por mais que eu tente, não estou a ver uma efetiva esperiência democrática nos últimos acontecimentos. Vejo apenas um vômito causado por uma grande insatisfação, que concordo. Contudo, as coisas estão a tomar um ritmo sem qualquer objetivo político. Marcos, você viu o que aconteceu ai, no Rio, na Assembleia? O que aconteceu, lá, em São Paulo, no entorno do Palácio dos Bandeirantes? Não é a massa trabalhadora brasileira que, às 2 da manhã, mandou pau e fogo em tudo... Cara, isso não é um consequente ato político consciente... Aqui, em Vitória, ontem à noite, o pau também comeu... Detalhe: a passagem aqui é livre para quem ganha um sálario mínimo...

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    5. Ramiro, os moleques estão bem equipados intelectualmente, o problema das porradarias são os agregados, gente que vai lá na expectatoiva de fazer um ganho, se aproveitar da situação, expandir seus ânimos para a violência como vpálvula de escape para frustrações várias, mas são minorias em um meio que, ainda que variado, demonstra impulso para recolocar temas importantes à cidadania. Até onde vai é outra coisa, mas há aí um... espírito... crítico diante dos fatos, estimulando uma reflexão que pode dar bons frutos. Quanto aos que batem, pilham, roubam, ateiam fogo, essa turma vai onde a massa vai para colher seus próprios benefícios, rebeldes com causa própria ou sem causa nenhuma, o que não se dá com o MPL. Purgue esse teu reinaldismo e dá uma lavada nos olhos.

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  6. Na verdade a mídia alimentava esperanças de tratar o movimento como massa de manobra, visando a deposição do governo federal desde já (impossível) ou ao menos com derrota eleitoral em 2014 (possível, mas improvável). O MPL, porém, é caracteristicamente um movimento de esquerda, embora a multidão de ontem agregasse pessoas com interesses díspares. Foi engraçado o pessoal puxar o "O povo não é bobo / abaixo a Rede Globo" para colocar os babacas em seu devido lugar. E foi legal a entrevista ontem no Roda Viva com dois moleques do MPL, articulados, coerentes e politizados. Escrevi sobre isso hoje. Tá em:

    http://rachelsnunes.blogspot.com.br/2013/06/uma-causa-e-muitas-consequencias.html

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    1. Eu vi a cara do Bonner ontem pela lente da manifestação. A linda mulher que apresenta o JG, enfeiada pela dureza sem humor da pose burocrática, teve laivos de medo nas expressões. Vi a cara do Bonner e percebi o boneco que lê o que lhe é imposto ler, e vi o quanto ele ficou pequenininho, desprotegido, anacrônico. E o silêncio temerário dos políticos? Isso está acima, bem acima da manipulação; talvez tenha começado como, mas não continuado. (Lembrem-se que 1968 começou com um simples protesto contra más condições dos dormitórios dos estudantes franceses. É a astúcia da história.)

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    2. Saiu às ruas ontem, Marcos?
      Seria interessante ler impressões suas sobre o que ouviu e viu.
      Depois vou conferir o seu texto.

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    3. Acho interessante que tanto o nosso tory do blog quanto o ideólogo perdido ainda nas brumas do movimento estudantil dos sessenta não se reconhece nos fatos de ontem.
      Isso diz muita coisa. Difícil é classificar a multidão de vozes que se pronuncia nessa recusa.

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    4. Não fui. Do alto dos meus 52 anos preferi preservar minha integridade física. Ademais, tinha que ir pra casa fazer o jantar.

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    5. Hahahaha. Mas essa birra em manter as idiossincrasias da responsabilidade de ser Marcos Nunes não desmente que também em você surgiu a esperança.

      (Pô, desculpem esse meu tom bombástico de profeta Jeremias que está por todo o post e em meus comentários. Não consigo contê-lo.Estou realmente exultante; tem uma manifestação marcada para Goiânia hoje; vou reassistir o dvd da nona com o karajan de 1969, hoje.)

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    6. "Acho interessante que tanto o nosso tory do blog"
      Tory. TORY.

      Sou conservador e não sabia hahaha.

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    7. Tinha que devolver de alguma forma o seu presentinho de ontem. :)

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    8. Só consegui me lembrar disso:

      http://www.youtube.com/watch?v=sg-4ATrE8n0

      BASTARDS (morro sempre nessa parte).

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    9. “Acho interessante que tanto o nosso tory do blog quanto o ideólogo perdido ainda nas brumas do movimento estudantil dos sessenta não se reconhece nos fatos de ontem.”
      .
      Bem, Luiz, não sei se a sua ironia “ideólogo perdido…” foi dirigida a mim. Em caso afirmativo, ou não, vou vestir a carapuça… A minha resposta é a seguinte…
      .
      Quando do assassinato de Vladimir Herzog, em meados dos 70, 5000 indivíduos aproximadamente - estudantes, jornalistas, religiosos e trabalhadores – ficaram cercados, no pátio da Faculdade de Medicina, na Avenida Dr. Arnaldo, pela cavalaria comandada por um jumento-mor de nome Erasmo Dias; o resultado efetivo após tal ato político foi que, em aproximadamente 3-4 anos, houve a aprovação da anistia geral e irrestrita. Lembro-me, como se fosse agora, no ato mencionado, nenhum vidro foi quebrado, nenhum carro incendiado, nenhum patrimônio público destruído (e, não nos esqueçamos, o estado brasileiro fora tomado, à época, por assassinos convictos…). Em minha concepção, tal experiência social foi efetivamente um consequente ato político.
      .
      Infelizmente, o que vejo agora, a partir de ontem, não naqueles eventos da semana passada, é uma massa insatisfeita e com razão…; contudo, constato também que vários grupelhos infiltrados, ditos de esquerda (faz bem se mencionar…) tentado a todo custo contabilizar potenciais ganhos políticos a uma impossível, anacrônica, tomada do poder à força…
      .
      É isso, Luiz, pois não acredito que a efetiva Democracia seja construída por destrutivos impulsos advindos de um inconsciente coletivo transformado somente em ira. Embora eu seja um poeta: admiro a razão…

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    10. PENSO-SINTO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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  7. Ah, a mídia golpista (o PIG), sempre enganando, agindo contra a sociedade... a mesma grande mídia que se cala para um monte de problemas deste país, para ganhar uns milhões em propaganda federal. A única que se posiciona fulltime contrariamente ao governo é a Veja (e fazia O MESMO com FHC). O resto só reporta o que não tem como ignorar (e olhe lá).
    A próprio Rede Globo, a eterna causadora de TODOS OS MALES DESTE PAÍS, a manipuladora e cruel rede dos Marinhos, mostrando todas as manifestações, todos os gritos, inclusive os contrários à ela.
    O MPL é mais um movimento babaca da juventude esquerdista. Só o nome já demonstra sua imbecilidade (transporte é mercadoria sim, bando de retardados). Ontem, no Roda Viva, falaram a mesma ladainha de sempre, chavão atrás de chavão que todos ouvem desde a 5ª série. Ano que vem um deles se candidata a deputado.
    E todo esse movimento pelas capitais começou sim da extrema esquerda, PSOL e PSTU. Mas saiu de seu controle. No Rio, enquanto o grosso do pessoal estava na Rio Branco protestando contra O ESTADO ATUAL DO BRASIL, PSTU colocava fogo na Assembleia e chutava policiais; em São Paulo, a turminha de esquerda foi até o Palácio do GOVERNADOR (claaaaro, a culpa das passagens de ônibus na cidade é dele, né, maldito tucano), mas o resto estava em outro lugar; em PoA, assim como no resto do Brasil, o grosso do pessoal pedia para retirarem as bandeiras, muitas vezes agindo na base da força. Em Brasília, o pessoal mandou um recado:

    http://www.youtube.com/watch?v=AcP6OENP-HU&feature=player_embedded

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    1. Tentando deixar de lado as nossas diferenças ideológicas...
      O rarefeito da forma como a voz desses protestos alcança as ruas, de forma difusa, descentralizada, inclusive desarticulada do MPL, me parece indicar que essa assistimos a articulação da conhecida indignação apolitizada do brasileiro médio - enfim possivelmente alcançando o seu carácter político.
      E nesse ponto eu talvez discorde um pouco do Marcos, no tocante a essas manifestações serem de orientação de esquerda.
      Você vê gente nas redes sociais engatinhando, outros tomando os seus primeiros passos na tentativa de se politizar. O que se vê é às vezes um pouco engraçado, às vezes enternecedor, contudo a percepção geral é a de que se trata da tentiva de politização de uma indignação virgem.

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    2. Excelente análise essa sua, Luiz. Muito bem posto. Há uma vantagem nessa agrura cotidiana que sofremos por aqui, no Brasil: somos obrigados a sermos politizados. O país que tem uma das maiores taxas de tudo que é ruim (impostos, políticos corruptos caros, judiciário mais caro, desigualdade social, violência...), compulsoriamente faz com que o cidadão reconheça, mesmo inconscientemente, onde é explorado. Então...acho que todos ali, que estavam na manifestação pelos 20 centavos e contra os 26 bilhões jogados fora na Copa, são mais politizados e tem muito mais relevância e conteúdo do que um Vladimir Safatle, por exemplo. Não vi o Roda Viva_ vou assistí-lo mais tarde pelo youtube, como me ensinou o Matheus_, mas vi pequenos pronunciamentos dos manifestantes diante as câmeras: alguns dos que vi falando são homossexuais, coroas de turbante na cabeça, moças universitárias que revelam o engajamento em DCEs e que, provavelmente, irão compor os quadros do executivo daqui uns anos; mas todos mostrando uma impostação de voz e um jeito proficiente e falar que revelam cultura, ou pelos livros, ou seja por onde for: mas uma cultura fomentada pela indignação, a indignação que eu passei por vários anos, de pegar um coletivo lotado, pagando muito caro por isso. Não se pode, de maneira nenhuma, ignorar a erudição que existe por detrás dessa experiência.

      Vejo no post do Reinaldo de hoje a contraposição que autentifica esse meu comentário. Enquanto brasileiros calejados mostram sua retórica poderosa nas ruas, o lugar-comum do Reinaldo ataca com o mais batido dos poemas de quadro de salas de espera de dentista: o poema "Se", de Rudyard Kipling. E no intuito de fazer propaganda de sua audiência (que ninguém pode provar e sempre me pareceu que mais da metade dos comentários ali são feitos pela equipe da revista), e que, involuntariamente valida a força de seus inimigos, na sua atitude ostensivamente defensiva.

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    3. Discordamos, então, dessa parte final, do processo de politização da sociedade - dos jovens. Acho muito mais provável eles serem, hum, raptados intelectual e politicamente por certos grupos. Tô notando uma gurizada (é uma amostra pequena e sem dados concretos, ok, mas é alguma coisa) se metendo nos protestos desde março e como o grupo está aumentando e mai ativo. Muitos dos que cagavam para tudo, que não tinham nenhuma participação política (nem ideológica, se é possível isso), embarcaram de cabeça no discurso pronto e "engajado".

      Aqui: e o Diretas Já? E o Fora Collor? Movimentos grandiosos (maiores que esses, não?), deram quais resultados benéficos? O espírito dos brasileiros sofreu alguma alteração? Sofrerá agora?


      Pelos números que andam dizendo, qualquer Parada Gay colocou mais gente na rua (o que eu não acredito, acho que todos os números dessas manifestações pró homossexualidade são mentirosos, 4 milhões e o escambau; colocam mais gente que isso? https://vine.co/v/hBDQxuTxUbz )

      Olhem só também: http://www.youtube.com/watch?v=A2D_9oN7y-M

      E LEIAM ESSA MARAVILHA: http://cafecomnata.wordpress.com/2013/06/17/ei-reaca-vaza-dessa-marcha/

      "Não podemos admitir que nossa luta seja convertida pela direita numa passeata contra a corrupção"
      Humor involuntário da esquerda brasileira.

      http://i0.statig.com.br/bancodeimagens/00/bl/3r/00bl3rvx6s6pd5811lgh3awgb.jpg
      Vivemos numa China africana.

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  8. "Já conseguiram descobrir algo mais idiota e infeliz que uma reunião da extrema esquerda ultra radical?"
    https://www.facebook.com/photo.php?v=129887413884307

    Um dos vídeos mais engraçados dos últimos tempos. Parabéns aos comediantes.

    Roda Viva: Eles querem ônibus de graça.
    http://www.youtube.com/watch?v=UXxQ6ntyM-U
    http://www.youtube.com/watch?v=aJFF-HK_9Kc
    http://www.youtube.com/watch?v=IHol4C50YdA
    http://www.youtube.com/watch?v=V6T-EavCiRE

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  9. O esmagamento diário, pela realidade, de um possível sonho de dignidade e nobreza no convívio social, vem alimentando a chama que aquece a panela, que agora é de pressão.
    A organização urbana no Brasil e todas as relações de poder estão absolutamente comprometidas. Os jovens perceberam isso pela desesperança e num ato de desespero frente ao desastre iminente, estão a se debater, acelerando o processo.
    Sei não, mas não vejo coisa boa na sequência. Acredito que é impossível atender a todas as estas demandas sem que alguns renunciem a uma parte, e no entanto, caso ninguém queira renunciar...
    O salário do pecado é a morte!
    Ambição; consumo incentivado ao estremo e estabilidade pelo consumo (The Economist); desperdício; maracutaias; favorecimentos; concessões imundas; mimetismo no consumo e no poder; desvalorização da vida humana; individualismo exacerbado; constrangedora nudez da autoridade pela verdade; instituições bandidas; descrédito dos veículos de informação .
    Pronto, como ver luz no final do túnel? Povo e poder, tá tudo misturado.
    Concurso público, eterna estabilidade...
    Garantias ao trabalhador...
    Domésticos e horas extras, regulamentação...
    Greve da polícia, salários baixos...
    Auxílio livro para os senhores magistrados...
    Copeiro no senado R$14.000,00...
    Auditor Fiscal, vaga na fronteira, concurso. Após um ano, auditor fiscal, vaga na fronteira, concurso público. Isto porque os que lá estavam conseguiram ser removidos para as suas cidades e estão trabalhando em casa...
    39 ministérios para os 39 homens virtuosos, capazes e que têm uma turma bacana de baba-ovos que precisam trabalhar e viajar para as zoropa e comprar cozinha chique de 50 miliconto.
    Diesel R$100,00, impostos R$38,00. Paga plano de saúde, paga escola particular, paga monitoramento de segurança.
    Tadinho do leque leque de 15 anos que deu dois tiros dentro do cú do Pedro, teve que ficar 34 dias apreendido.
    Doidão com um trabuco 38 chegou horrorizando fez o milico da reserva tirar as calça, o milico não reagiu porque não tinha uma arma, conforme o genial estatuto do desarmamento(só faço o que é legal pelo governo federal).
    Zé Pinto tem uma roça e fica lá sozinho. Tá com medo da covardia dos malandro que fuma droga. Zé Pinto foi comprar uma espingarda, e falaram que ele tem que fazer exame na PF, curso de tiro,psicologo, apresentar certidões e conhecer alguém na PF. Se conseguir, após 3 anos tudo de novo. Zé Pinto tá fumando droga.
    Zé das Couves abriu uma birosca, acertou tudinho com o contador, pagou imposto, taxa e tudo mais. Não deu certo, e após um ano o zé foi dar baixa para abrir outro negócio, mas não consegue porque os ome diz que ele tem que apresentar no estado todas as quitações dos últimos 2 anos, e também, os comprovantes de pagamento do ISS dos últimos 3.
    Neném passou mal e mãe levou no hospital, na porta GREVE. Atravessou a rua e viu o médico no barzim vendo futebosta e tomando brahma, chorou e pediu que olhasse neném, o médico na mesma hora mudou-se em formal e pediu que a mãe fosse na cidade vizinha que não tinha a greve pelas garantias.
    A copadomundo e as zolimpiadas vai ser bom pra zuar na balada. Vou trancar a matricula na facu e com a grana vou no ufc rio 20 e vou pro rio vê se eu pego uma gringa ou entro na academia do minotauro pra ser lutador, se não der certo, vou ser zagueiro no framengo, se não vou no botafogo. Outro plano é traze umas meta e vende aqui na balada. A geral tá no sal, tenho plano a,b e c, quero é zuar, com 30 eu penso em correr atrás.
    Amigo, político é tudo pilantra! Carai cara se o Bento ganhar pra prefeito vou trabalhar com o secretário de educação. Os cara são foda! super sérios!


    MASADA

    A fragilidade deste "tudo pode acabar agora" me esmaga.
    A desgraça eminente é o motivo da minha entrega.
    O estar vivo pela Graça e no que é da Graça é o que me ampara.
    Longe é conflito áspero
    Perto é alívio.
    Como não me render ao cansaço do conflito pelo alívio
    Em masada longe do império
    Em masada o refúgio
    O cerco e a ponte
    A morte
    De masada só um salto para a vida










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    1. Muito bom isso aí, Wagner! Levantou todos os pontos. Quem suporta viver num país como o Brasil? Se formos parar para pensar na nossa realidade social, política e econômica, chegamos à conclusão que é um absurdo.

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    2. Bah, Wagner. Obrigado por descrever nosso pensamento de auto parasitas, nossas merdas num comentário só. Fiquei até deprimido (ns).

      Só há uma solução para o Brasil: mais estado!!!

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    3. Reivindica-se um estado que funcione e você ouve "mais estado."
      Haja cacofonia, meu caro.

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    4. Mas Luiz, é o que sempre acontece. Na visão de quem comanda (e de muitos que protestam) a joça, eficiência = mais gastos.

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    5. Não necessariamente, Matheus. Se fosse deixar o libertarianism de lado só por um momento, tem-se matizes nessas reivindicações que não significam um cenário de mais Estado em absoluto.
      Por exemplo, uma verdadeira transparência na distribuição orçamentária (principalmente no âmbito das prefeituras); maior eficiência na gestão orçamentária.
      Porra, meu caro, afinal, coisinhas tidas como básicas na administração pública de qualquer país civilizado (mesmo daqueles de Estado bem pequenininho, micro, fio-dental, como vocês tarados libertarians bem gostam)

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    6. Calma hehe. Escolha: sou tory ou libertarian? =)
      Também anseio por eficiência e transparência, Luiz. É tão nas escuras que os governos vivem se perdendo sozinhos. Mas, como bem disseste, é coisa de país civilizado, de bases sólidas, de um passado (imaginado, inventado ou criado, whatever) inspirador.

      http://3.bp.blogspot.com/-oGotPUd-7Mc/UcDeEeU9EKI/AAAAAAAADik/2nu1qdJWD3g/s1600/comunicado+dom+luiz.png

      Taí. Nem tory, nem liber: monarchist. Melhor, FEUILLANT. Viva o Imperador o/ hehe

      Saca só: http://anarcho-monarchism.com/

      The Greeks were right about philosophy. The monarchists were right about authority. The medievalists were right about society. The traditionalists were right about order. The classical liberals were right about liberty. The isolationists were right about diplomacy and war. The Christians are right about morality and spirituality. The libertarians are right about economics and ethics. The anarchists are right about politics and the State.

      Chorei de emoção. Quero ser amigo desse cara.

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    7. Vai ficar nessa frescura do Charlles de se abstrair de classificações? Sim, elas são simplificadoras. Sim, elas não esgotam a realidade. Mas elas são tudo o que temos, a despeito de seu poder meramente aproximativo.
      Tory foi um gracejo, óbvio.
      Mas achava que você era franca e abertamente um libertarian.

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    8. Olha, até responderia, mas preciso trabalhar. Talvez minha resposta sejá o primeiro post no meu blog NASCITURO. Ou não.

      Tory Au-Au é uma brincadeira com você e com o Charlie (será que ele odeia ser chamado? Conhecia um Charles que odiava... então todos passam a chamá-lo de Carlos.)

      Sinceramente, sou da direita moderada liberal e monarquista. (sério)

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  10. Também vejo tudo isto como uma experiência miraculosa. Me lembro de seu texto sobre a Vivo (e ainda sobre Lobão) e nossa condição geral. Toda a miséria cotidiana do brasileiro só acontece porque deixamos.

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  11. Charlie,
    É bem provável que você já tenha acompanhado o que escreve um conhecido seu de longa data.
    Até onde eu sei, Idelber Avelar ainda não escreveu nada de muito substancial sobre os protestos de 17 e 18 de junho. Mas há isso aqui no Facebook.
    https://www.facebook.com/idelber.avelar/posts/10151557609887713
    Um texto sem muito análise política mas energizado pelo entusiasmo das ruas.
    No texto, muita evocação à Primavera Árabe e a Maio de 68, símbolos um tanto incongruentes para se entender o nosso contexto.
    Apesar de estar também energizado, não estou ainda convencido de que estamos diante daqueles momentos históricos que determinam rupturas conjunturais, daquilo que Badiou chama de Evento com "e" maiúsculo.
    Continuo porém tomado do entusiasmo, mesmo que diluído pelos intermediários, e, principalmente, continuo contagiado por uma vontade nova de pertencimento.

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  12. O protesto irmão marcado para Toronto, hoje 18 de junho, no Nathan Philip Square, não pôde medir muito bem a temperatura das ruas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Belém. Isso não por causa dos poucos 500 brasileiros - dentre os quais turistas, estudantes de inglês, ilegais, autônomos - que se ombrearam e cantaram juntos o hino nacional por pouco mais de duas horas. Senti que o contexto presente, a transposição de problemas e do protesto nosso, para um solo que desconhece esses problemas, dirimiu o senso de indignação que parece ser o catalizador principal da tomada das ruas no Brasil.
    Na ausência (ou na distância) dessa face anônima do poder que alimenta tanto a raiva, quanto a indignação e o patriotismo desses que vagueam pela Paulista ou pelo Centro do Rio, não pôde se dar a confluência desse novo coletivo que nasce sem ser anunciado.

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  13. Texto novo e hipótese, talvez não tão nova, do Safatle,

    http://www1.folha.uol.com.br/colunas/vladimirsafatle/2013/06/1296750-proposta-concreta.shtml

    A de que a diluição das reivindicações dos protestos é uma releitura intrusa no que acontece de fato nas ruas e nas redes sociais.

    "Há várias maneiras de esconder uma grande manifestação. Você pode fazer como a Rede Globo e esconder uma passeata a favor das Diretas-Já, afirmando que a população nas ruas está lá para, na verdade, comemorar o aniversário da cidade de São Paulo.
    Mas você pode transformar manifestações em uma sucessão de belas fotos de jovens que querem simplesmente o "direito de se manifestar". Dessa forma, o caráter concreto e preciso de suas demandas será paulatinamente calado."

    Acho que valhe à pena conferir o texto.

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    1. Que há muita coisa errada há, inclusive a polarização entre PT x PSDB, engessando as possibilidades no lodo das governabilidades nos planos federal, estadual e municipal. Mas começo a desconfiar que o movimento pode se perder na multiplicidade de alvos, que não serão atingidos, enquanto muitos atirarão contra o próprio pé:

      Publiquei texto sobre os últimos fatos em:

      http://rachelsnunes.blogspot.com.br/2013/06/a-urgencia-dos-dias.html

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  14. Ainda sobre a multiplicidade dos alvos,

    Datafolha sobre o que querem aqueles que protestam,

    "Sobre as motivações das manifestações, 67% dos entrevistados atribuíram os atos ao aumento da passagem de ônibus. Outros fatores foram apontados: 38% falaram em corrupção; 35%, nos políticos; e 27%, um transporte público de melhor qualidade. Outros 20% relataram que os protestos ocorriam também por mais segurança, 18% contra a violência/repressão da polícia e 14% pela tarifa zero/passe livre."

    Aqui,

    http://www.nossasaopaulo.org.br/portal/node/46528

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  15. Após ler um dos comentários feitos pelo Luiz, fui até o Idelber e, efetivamente, achei o texto um pouco vago... Pareceu-me escrito às pressas. Traçar um paralelo entre 68 e os acontecimentos de hoje no Brasil, sinceramente, não compreendi. Talvez eu esteja enganado, mas não consigo perceber o tal MPL com longa duração política. Aliás, os acontecimentos de ontem à noite, em São Paulo, deixaram-me estarrecido. O incêndio de um carro da TV Record, os diversos atos de pilhagem em casas comerciais, as tentativas de incendiar prédios ao bel-prazer, a destruição gratuita de carros estacionados e etc, embora elaborados por uma minoria, não podem ser separados do movimento que está a acontecer. Se a coisa continuar no galope que está, os primeiros cadáveres já estão a ser preparados na antessala da tragédia.

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    1. Eu entendo a comparação com Maio de 68 se ela se limita a adivinhar 17 de Junho como um Evento de ruptura histórica (e não estou certo se 17 de Junho efetivamente é isso). O Idelber esteve nas ruas tanto em BH como na Paulista. Eu assistia tudo de casa, na internet... Portanto, um mundo de distância de percepções.
      Agora, Ramiro. Convenhamos. Maio de 68 teve também seus carros ateados em fogo, confrantamento entre estudantes e polícia, saraivadas de pedras, etc.

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  16. E a cobra tá fumando nos arredores do Castelão. Alguém sabe de alguma transmissão ao vivo via internet?
    Seria uma reviravolta dos moldes culturais recentes se a presença de público no protesto for maior que o público no Castelão.

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    1. Via ESPN-Brasil,

      14h40 - Polícia Militar diverge da Polícia Rodoviária na estimativa do protesto. Segundo a PM, 35 mil (e não 15 mil) estavam na manifestação que aconteceu nos entornos do Castelão.

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  17. Este comentário foi removido pelo autor.

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  18. Quem já teve 19 anos e viveu parte do dia na rua, sabe o que é não ter nada a perder. Neste contexto de coragem imprudente, surge uma "autoridade" que oscila pela surpresa e pelo medo, considerando inclusive a capitulação pelo receio de ser considerado um covarde.
    Tá me cheirando a colapso social.
    Gostei do + Pão - Circo.
    Fortaleza está fervendo agora, vamos ficar de olho.
    Qual político poderia agora, pessoalmente, deter a turba?
    Por que não se habilitam?

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  19. Ainda vou falar. Por ora o Luiz esteve detendo meu ímpeto, q seria apenas isso, ímpeto de responder so matheus.
    Não sei se viu isso aqui, charlles, mas achei q gostaria da definição de intelectual
    http://m.youtube.com/#/watch?sns=fb&v=e37haR8G6zs&desktop_uri=%2Fwatch%3Fv%3De37haR8G6zs%26sns%3Dfb

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  20. OUÇO VOZES: ESPERO ESTAR MALUCO
    by Ramiro Conceição
    .
    .
    Hoje, 20.06.13, aqui em Vitória, será a prova dos nove (que matematicamente não existe…) para o tal MPL (embora por essas bandas estudantes, que consigam comprovar renda familiar igual ou inferior ao salário mínimo, têm a passagem subsidiada). O palco está armado. O espetáculo terá início às 18h: a passeata, no primeiro ato, percorrerá um trajeto oeste-leste, assim, cortando a ligação entre norte-sul. Parte da Ufes (Universidade Federal do ES) com destino ao Palácio da Justiça (o maior antro de corruptos por metro quadrado em terras capixabas). Número estimado de atores: 60.000 (a cidade tem 350.000 potenciais coadjuvantes). (Capa dos dois principais jornais: ESCOLAS E COMÉRCIO FECHADOS À TARDE). Nome da peça: “Mesmo sem comida, o pau vai comer”.
    .
    À boca pequena corre um boato que, o autor e o diretor da peça, é o Povo. Em movimentos mentais contínuos até aonde se sabe, a montagem não terá apenas um ato. Parece que o final será surpreendente e imprevisível.
    .
    Avós, pais e mães estão orgulhosos de seus pupilos… De acordo com alguns analistas, na rede, está a se viver no Brasil a verdadeira política, isto é, não importa saber aonde potencialmente se vai: o importante é, mesmo não sabendo do potencial destino, participar…
    .
    Eu? Continuo a escutar vozes do XIX (denominadas “velhas” por esse neo-construtivismo do XXI) que, preocupadas, gritam de seus túmulos: “Sem método, sem teoria, sem foco, não há uma dialética à construção de uma prática política, e vice-versa”.

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  21. "Eu? Continuo a escutar vozes do XIX (denominadas “velhas” por esse neo-construtivismo do XXI) que, preocupadas, gritam de seus túmulos: “Sem método, sem teoria, sem foco, não há uma dialética à construção de uma prática política, e vice-versa”.
    concordo, Ramiro. Mas tem um mas... ainda escreverei!

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    1. Querido, arbo,
      urgentemente, por favor,
      aguardo seu comentário:
      não tenho medo de aprender...

      Grato pela menção de meu verso...

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    2. Só não entendi minha frescura por não me classificar, como o Luiz disse ali em cima.

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    3. Charlles, não entendi bem o seu comentário.
      Neste post, apenas fiz uma “brincadeirinha “ de associar o seu entusiasmo movido, até aonde percebi, por Dioniso, quer dizer, pelo vinho portuário de Baco, àquele de Pessoa na “Ode Marítima”.
      Não tive em qualquer instante o objetivo de julgamento. Afinal, estou a pisar em ovos, pois, para mim, o que está a ocorrer no Brasil é o extravazar duma insatisfação colossal que tem como substrato décadas, décadas e décadas, que vêm de lá, desde o populismo de Getúlio…
      Ver âncoras políticos nas principais redes de TV e/ou nesses colossais impérios mediáticos, tal qual cordeirinhos, agora!!!, dando total apoio aos presentes acontecimentos, mas concomitantemente, por exemplo, a ressaltar sempre, contundentemente, a última pesquisa desfavorável à Dilma, justamente, agora, no olho do furação… Ora, nessa matemática só há um número: 2014!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
      Ainda bem que jamais serei um ateu a crer, não em Deus, mas nessa nebulosa coisa mágica, popular, populista, sem pé e nem cabeça, capaz, milagrosamente do nada, gerar uma consciência dita política, em três semanas, numa recém-acordada cultura escravocrata adormecida por séculos…
      Ah, valha-me Deus!
      Ser ateu, mas acreditar em um novo deus, O VOLUNTARISMO… Ah, por favor, me poupem… Passem bem, minhas senhoras e meus senhores, meus irmãos de espécie… Mas… (sempre existe um MAS… que vira tudo…) sou da turma que amou, viveu, escreveu e morreu: “EU, PASSARINHO!!!!!!!!!!!!!!!”

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    4. Eu não entendi o comentário do Luiz, Ramiro.

      "Vai ficar nessa frescura do Charlles de se abstrair de classificações?"

      :-)

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    5. Uma brincadeira com a sua recusa de se enfileirar tanto à direita quanto à esquerda.
      Diz aí, formatou o computador?
      Eu particularmente ainda estou tateando contra a parede, no escuro, sobre os rumos dos protestos no Brasil e seu significado e potencial.
      O Marcos Nunes passou de entusiasmo incontido, a crítico da vacuidade de propostas do movimento, ao seu costumeiro pessimismo generalizado, a hoje, no seu novo texto, uma síntese mais positiva do poder transformador das ruas.
      A pergunta que não cala é, e tu?

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    6. Formatado.

      Vou ver se escrevo alguma coisa ligeira mais tarde. Mas minha euforia está cada vez maior.

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    7. Rabisca um comentário aí pelo menos por agora. Desculpa por ter transformado a caixa de comentários ontem na central de informação dos protestos.

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    8. Este comentário foi removido pelo autor.

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    9. A caixa de comentários é de todos, pô! Não tenha vergonha.

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    10. https://www.facebook.com/MovimentoforaMarconi

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    11. Porra, só 9.000 likes na página do movimento #ForaMarconi?
      Explica o que acontece em Goiás, Charlles.

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    12. 9.000? Onde você viu isso? A polícia militar notificou 25 mil_ o que já é uma apequenização oficial da quantia_, e outros dizem 65 mil.

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    13. ele está falando da página no facebook, charlles. E Luiz, um dos curtidores sou eu, portoalegrense, por exemplo. Tinha q ser maior mesmo, mas pelo menos uma galera foi pra rua.

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    14. mas
      http://www.jusbrasil.com.br/diarios/55758312/tre-go-20-06-2013-pg-29

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    15. Por um instante eu li, "Partido Militante Brasileiro," mas é MILITAR mesmo. Esse tipo de idossincrasias não é o que eu temo não.

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  22. Estou indo ao trabalho. Desde ontem o burburinho entre pessoas do governo estadual e militares é de que hoje o pau coma como nunca antes na história de PoA. Estão monitorando celulares, internet, e interceptaram coisa pesada. Depois de vandalizarem o Paço Municipal, subirão para a Praça da Matriz, Assembleia, Piratini, Justiça e Catedral. Há um temor de que coloquem fogo, lancem bombas e coquetel molotov, como fizeram em SP e RJ, onde pessoas inocentes ficaram encurraladas e foram ameaçadas pela massa vermelha.

    Então, espero apenas chegar em casa são e salvo, sem ameaças, sem ter que correr para não apanhar, sem ter que pegar um taxi e gastar uma nota por causa de ônibus queimados e por consequência recolhidos pelas empresas. Afinal, não tenho nada a ver com isso -- como se a massa se importasse (turbas nas ruas não pensam, ora bolas)!

    (Deve ser bem legal fazer parte de algo imenso, ser um coletivo, deixando de lado sua individualidade, seu cérebro, né?)

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    1. Claro, como se a única opção fosse entre o indivíduo ilustrado, cônscio dos seus deveres e interpenetrado do seu destino particular e auto-movido e a selvageria de um coletivo mimado e irracional - movido como que pelos dois cavalos arredios da parábola de Platão.

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    2. Isso ali em cima é o Matheus, de novo? Ladeira abaixo hein?

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    3. Tenho terror de multidões, Luiz. De todos os tipos. Sempre espero o pior, nunca uma manifestação ordeira como aquela da Avenida Rio Branco no Rio, mas a violenta da Assembleia Legislativa daquele estado.

      Ainda bem que hoje dispensaram todo mundo as 16h. Só militares na região central. E deixo aqui, no aconchego do meu lar, meu apoio aos manifestantes: continuem, por favor, assim não preciso trabalhar nem a metade do que devia. Mas segunda-feira não parem tudo, preciso de ônibus. Obrigado.

      @arbo vem cá, tá com problema? Cai dentro! hahahaha Ladeira abaixo pq cara? Tá afim de dizer umas "verdades" pra mim? Não me humilha em público não, manda pro email e conversemos em separado, na boa. Mas temi, de verdade, esse "deteve meu ímpeto". Lá vem fúria chei di ódiu hahaha

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    4. É obvio que um monarquista vai ter medo de multidões. Haha
      Mas me diz uma coisa, você tem um pezinho em Petrópolis? Tá prometido para se casar com alguma daquelas horrorosas herdeiras Orleans e Bragança? Ou é com a monarquia limpinha Inglesa que você sonha?

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    5. Olha, nenhuma relação com a cidade imperial, e com esse sobrenome comum (e o do meio carcamano) também não teria chance com nenhuma princesinha (ou príncipe, né, mas sou gaúcho não praticante). O Brasil e os brasileiros jamais terão o espírito necessário para viver numa república. Tudo errado desde o day one, com o golpe. É mais do que necessária a separação entre estado e governo. É preciso uma imagem norteadora, que transmita um passado, uma herança cultural (dos portugueses, por um lado, desde a Idade Média, e dos franceses Capetos e Merovíngios, e DE JESUS!!!), mesmo que seja inventada, mentira, imaginada, conto de fadas. Nossa república parece solta na história, sem ligação com algo grande, maior, e nosso povo - nós - reflete isso, sozinho e distante.

      Tinha uma brincadeira dias atrás: " A devolução do Brasil para Portugal acabará com vários problemas de uma só vez: todos os brasileiros terão passaporte europeu, ganharemos em euro, nossos times jogarão na Champions League, resolveremos a crise fiscal portuguesa, nos livramos do PT e nossa carga tributária diminuirá dos atuais 41% para apenas o quinto dos infernos." =)

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  23. O silêncio sepulcral...
    A sinuca de bico que se tornou o movimento das ruas.

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  24. Não é sinuca de bico. Porra, meu, não é questão nem de esperança, mas de constatação diante o óbvio: esse momento é o mais importante dos últimos 40 anos da história do país (diretas já foi um esquema montado durante o tempo em que a opinião era ditada de cima para baixo, muito diferente desse que está ocorrendo). Estou muito ocupado hoje, mas amanhã eu prometo que volto. O que eu vejo aqui é um doutor no Canadá, de alto gabarito intelectual, um estudante com potencial notório (o Matheus), e um escritor de crítica desconstrutivista aguda (o Marcos), já se deixando levarem pelo desânimo! Claro que há uma falta de direção, mas as coisas começaram mesmo há apenas 4 dias, e olha só o tanto que se conquistou: conquistou-se muita coisa, se vocês pararem com as lentes erradas e observarem atentamente: leiam as manchetes da Veja e assistam ao JN: na Veja, o mesmo esqueminha simplório de tentar dominar o cabresto, como a notícia de "morre a PRIMEIRA vítima das manifestações", querendo incutir o medo nas novas marchas; o JG começou ontem com cenas ridículas da seleção, do porre do Neymar, e dos hinos do futebol. Ninguém mais está falando do Neymar, meus caros; muita coisa parece defasada do modo operandi nacional, e todos do poder estão desbaratinados com isso. Aqui entra a preocupação capital do Zizék: o dia depois da revolução. E ninguém me demove da certeza de que isso tudo está sendo uma revolução. E não adianta vir com essa boniteza toda da linguagem, meus caros, esses prolegômenos eruditos. Fodam-se. Nada é mais político do que isso.

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    1. Não se trata de desânimo não, Charlles. Pelo menos no meu caso. É preocupação mesmo. Que inclusive casa bem com a bem lembrada angústia do Zizek com o day after da revolução. A sua análise da narrativa que a Globo vai fazendo dos protestos é apenas parcialmente certa. Existe de fato um direcionamento consistente e sistemático, apesar de não muito forçoso, de sobrepor o comentário medroso de apoio aos princípios democráticos dos protestos com imagem após imagem de destruição. Essas imagens são muito fortes e persuasivas, imagéticos que somos todos. Mas não se deve ignorar o discurso falado, o qual não casa com o subliminar das imagens de barbárie, de minimizar o rastro de destruição, de dirimir responsabilidades dos protestantes nos atos de violência e de fazer de herói o anônimo das ruas. Isso mostra o impasse da Globo e a incerteza que assalta a central de jornalismo da mesma sobre o day after. Caramba, ontem mesmo, atônito, ouvi um sociólogo de esquerda esbravejar, ao vivo e potencializado por não sei quantos pontos de IBOPE, que o Sarney, aquela "raposa velha da política nacional" (quote and unquote) teve que fugir pelos fundos do Senado afim de evitar confrontamento com a população. Quando, se não agora nesse estado de coisas, na incerteza dos rumos do que acontece, seria permitida a transmissão da mais banal das opiniões populares sobre o centenário domínio das oligarquias nacionais, em rede nacional dos Marinho.
      A Globo também tateia no escuro.

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    2. Posso estar passando atestado de ingenuidade (o Matheus ainda parece convicto de que tudo isso é fogo de palha). A minha preocupação vai justamente na direção de que estamos possivelmente diante de uma revolução. Preocupação não necessariamente pela mudança drástica do estado de coisas. Mas porque não se tem a mínima idéia de como se chegar lá. A apolotização de uma vida inteira cobra flagrantemente o seu preço. Compartilhar fotos de gatinhos no Istagram a gente sabe fazer. E pensar de forma séria essa tão tuitada reforma política e de representação?

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    3. "A minha preocupação vai justamente na direção de que estamos possivelmente diante de uma revolução. Preocupação não necessariamente pela mudança drástica do estado de coisas. Mas porque não se tem a mínima idéia de como se chegar lá."

      É também isso.

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    4. Tudo está ficando "bonitinho demais". Rostos sorrindo para as câmeras, a filha da Luiza Brunet com cartazes vazios. Nós sabemos que para ser realmente uma revolução, precisa-se do Evento, do objeto que promova expiação, senão tudo vai descambar no cosmético. Eu não estou parado aqui não; escrevi uns 5 textos, mas que não passaram pelo meu crivo auto-crítica (para os eventuais sarcásticos: sim, por menos que pareça, os textos aqui tem um crivo para a permissão). Mas uma das minhas ideias circulares é que os políticos brasileiros não se constrangem, eles não são como o império britânico; e não são feudos comunistas em final de carreira como as tantas nações postas de pernas para o alto, na Europa Oriental, simplesmente porque parte substancial da população decidiu se sentar de frente aos palácios do governo, em silêncio, apenas olhando. O que estraga tudo no Brasil é essa constatação clichê de nossa incrível saúde como "povo sempre feliz". Veio sobre nós o momento, mas nós ainda temos um brilho da velha felicidade financiada no rosto. Precisaríamos de um novo espírito com algum classicismo pelo sofrimento; como isso é impossível, a expiação é algo extremamente necessário. Senão a inércia vai harmonizar e dispersar tudo.

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    5. E vocês sabem o que é a expiação, nesses casos...

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    6. Poderia ser o que a Funa fez naquele vídeo disponibilizado pelo Milton Ribeiro, em que retiraram de seu escritório o Príncipe, o carrasco militar de Victor Jara. Ainda não estamos no nível do Mussolini dependurado no poste do posto de gasolina. Seria ótimo que houvesse a inteligência suprema para a expiação pelo constrangimento, como na Funa.

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    7. E quem decide os "primeiros frutos," as primícias sacrificiais, dessa expiação? Embrulhou-me o estômago ver, ontem acho, o choro incontido de uma senhora que juntava os cacos de sua banca de jornal, única fonte de renda da família, destruída seja por esses ocultos infiltrados, ou pela indignação corporificada, ou pela bárbarie instalada (versão dos alarmistas tanto da direita quanto da esquerda), e de quem é na verdade a face desse que vai escolhendo por nós as vítimas de expiação? Que desgraça que a história não consiga pensar outramente os seus ritos de passagem, a expiação, e ainda mais, a expiação da vítima sem culpa.

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    8. Claro que estou falando do ponto de vista histórico. Sinto vontade de fazer-me como Camus, que disse que não acreditava em nenhum sistema político que custasse a vida de um único homem sequer. E sou absolutamente contra a violência nesse enfoque individual. Mas o empasse vai estar aí: será que os políticos e as estruturas tradicionais do poder do país vão se constranger com o que houve até aqui, e vai promover o debate sincero e efetivo para a Mudança? (Aqui se precisaria dos substantivos alemães para mostrar, em maiúsculas, o tamanho da necessidade que nosso país tem.) Queria que fosse assim, mas meu nível de fé ou ingenuidade_ e, principalmente, de conhecimento de História_ não aposta nisso. E o outro lado da questão é: os manifestantes vão se dispor a a ir até onde? Vão parar por aqui mesmo? Sente a enormidade da questão? Em que índice os poderosos deverão ser assustados para, realmente, se constrangerem? Penso que a solução alternativa seria se toda a manifestação tomasse um tema, mesmo que não tão premente, mas cuja importância seria firmar uma zona de respeito, uma dança de poder: por exemplo, a demissão da Dilma, ou a redução em 50% dos salários dos políticos. Algo bombástico, irreal e despropositado, que servisse de substituição ao assassinato e à piromania.

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    9. Eu sei que você falava de expiação do ponto de vista histórico. Foi só uma provocação. O problema é que essas nossas abstrações, a História uma delas, não é à prova dágua. Quem acaba pagando o pato então é o indivíduo mesmo.

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  25. A falta de um pronunciamento mais efetivo por parte da nossa Presidente é enervante. Que ela não é uma Estadista como o Lula todos já sabiam. Mas ela precisa, imperativamente, vir a público e se pronunciar à nação.

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    1. Às 21 horas ela falará. Seu carisma contagiará a Nação e tudo mudará para melhor.

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    2. Bingo da Dilma

      https://pbs.twimg.com/media/BNUT-jECMAA_Fiv.jpg:large

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    3. Já estou com a televisão ligada, à espera. Por esse pronunciamento poderemos ver a estratégia diante um povo mais esclarecido (no tocante à reivindicações), que os políticos arranjaram de ter nesse momento negro e insólito de suas vidas. Mas é claro que ela vai começar dizendo "parabéns ao povo brasileiro" e blabla blá, como se nada disso, em absoluto, tenha alguma coisa a ver com ela.

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    4. Constrangedor! O mesmíssimo discurso. A parada vai ser dura. Ela vir com o dinheiro do Presal para investir na educação, e com a voz de mãezona da pátria dando lição aos filhotes para receber bem os turistas da copa, e que o Brasil ama o futebol e etc. E dizer que os bilhões dos estádios elefantes brancos não são do dinheiro público... É, vamos precisar de bem mais que cartazes e cenas poéticas com a bandeira do país.

      Ela não tocou em nenhum ponto importante, pragmático, de solução imediata, como cortar os ministérios cabides, retirar a pasta dos direitos humanos do fascista evangélico, promover um diálogo emergencial com o judiciário para injetá-lo de consciência quanto a seu papel de funcionário do povo, a famigerada e absurda e canhestra e atrasada ao máximo PEC 37. É... ou o pessoal vai estar disposto ao tudo ou nada para arejar aquela cabeça doutrinada e inerte, ou tudo vai dar em carnaval.

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  26. São 21h50min. É sexta-feira. Começou o inverno. E tudo vai bem…
    .
    No Rio, manifestantes fecharam a linha amarela para protestar enquanto, ao lado, uma concessionária de veículos foi competentemente depredada…
    .
    Em São Paulo: 1) fecharam o Rodoanel, a Dutra, a Anhanguera, a Imigrantes. Pra quê? Ora, pra…; 2) uma passeata acaba de sair da Praça Roosevelt em direção à Paulista com objetivo de paralisá-la. A manifestação é contra a Comissão dos Direitos Humanos da Câmara que aprovou projeto a favor da cura gay. Um dos manifestantes levanta uma placa que resume o evento: “Meu cu é laico”; 3) em rede nacional, um repórter pergunta para um jovem manifestante: “Agora que a tarifa diminuiu, como tornar as outras revindicações reais?” Resposta do jovem: “Deixo isso para os “espertinhos”, estou aqui só pra protestar”.
    .
    (Entram os comerciais…).
    .
    Começo a acreditar que estamos a fazer história: sem dúvida, nessa complexa época da globalização, acabamos de descobrir um novo nicho de mercado que resolverá os problemas econômicos do Brasil: O ENTRETENIMENTO POLÍTICO.

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  27. Li o texto que o Marcos disponibilizou de um comentário no blog dele, e que casa com o seu, Ramiro, que em suma é que a juventude é burra e dispersa demais para levar a coisa adiante. Mas isso não repete o discurso que querem vender os jornais: a de que as manifestações é fruto de jovens? O que eu estou vendo (e posso estar enganado), é que tem gente de todas as idades ali no meio, em igual proporção.

    (Alguém me diz de onde que o Marcos tira essa renitente negação de que o Brasil não é um dos países com a carga tributária mais pesada do mundo?)

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    1. Não! Não! Não! Charlles...
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      Em nenhum momento estou a dizer que a juventude é burra. Estou a dizer, desde o primeiro comentário, quando utilizei o trecho da "Ode Marítima", que esse tal movimento não tem pé e nem cabeça: é fruto de uma total inconsequência política.
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      Charlles, acredite, gostaria de constatar o contrário, mas infelizmente não dá... Foi por isso, comentando uma reflexão do Luiz sobre o Idelber, que comparou esses tais eventos políticos brasileiros àquele de Maio de 68, em Paris. Ele elaborou um texto apenas EMOCIONALMENTE, pois um de seus filhos participou de passeatas em BH. Afirmar que a política é não saber onde se chega é tão absurdo quando dizer que a ciência é não saber onde se chega (desculpe-me a falta de estilo: é que ela advém dessa realidade que estou a viver). Ora isso é uma meia verdade, pois a se fazer ciência, efetivamente, não se sabe onde se chega, porém tanto a política quanto ela se utilizam de um método duramente APRENDIDO PELOS FRACASSOS. Desprezar isso é desaprender, é acreditar numa força mágica a determinar o mundo, é um apriorismo e um empirismo separados.
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      Ora, depois de Hegel e Marx, e de toda a crítica histórica a ambos, contudo, a dialética, até aonde compreendo, é a contradição do par apriorismo-empirismo a gerar uma síntese, que poderia ser denominada construtivista, ao novo.
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      O que está a acontecer no Brasil é uma separação, uma alienação, entre o apriorismo e o empirismo, por isso a resposta do jovem, que mencionei anteriormente, à pergunta do jornalista, é literamente o retrato desse movimento. Não enxergar isso, a meu ver, é acreditar naquela história da carochinha.

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    2. Zizek sobre Occupy Wall Street quase se coloca como uma copia de papel carbono da "Revolta do Vinagre"

      "Yes, the protests did create a vacuum – a vacuum in the field of hegemonic ideology, and time is needed to fill this vacuum in in a proper way, since it is a pregnant vacuum, an opening for the truly New."

      "In a San Francisco echo of the OWS movement on 16 October 2011, a guy addressed the crowd with an invitation to participate in it as if it were a happening in the hippy style of the 1960s:

      They are asking us what is our program. We have no program. We are here to have a good time.

      Such statements display one of the great dangers the protesters are facing: the danger that they will fall in love with themselves, with the nice time they are having in the "occupied" places. Carnivals come cheap – the true test of their worth is what remains the day after, how our normal daily life will be changed. The protesters should fall in love with hard and patient work – they are the beginning, not the end. Their basic message is: the taboo is broken, we do not live in the best possible world; we are allowed, obliged even, to think about alternatives."

      "The emergence of an international protest movement without a coherent program is therefore not an accident: it reflects a deeper crisis, one without an obvious solution. The situation is like that of psychoanalysis, where the patient knows the answer (his symptoms are such answers) but doesn't know to what they are answers, and the analyst has to formulate a question."

      "In an old joke from the defunct German Democratic Republic, a German worker gets a job in Siberia. Aaware of how all mail will be read by censors, he tells his friends:

      "Let's establish a code: if a letter you will get from me is written in ordinary blue ink, it is true; if it is written in red ink, it is false."

      After a month, his friends get the first letter written in blue ink:

      "Everything is wonderful here: stores are full, food is abundant, apartments are large and properly heated, movie theatres show films from the west, there are many beautiful girls ready for an affair – the only thing unavailable is red ink."

      And is this not our situation till now? We have all the freedoms one wants – the only thing missing is the "red ink": we feel free because we lack the very language to articulate our unfreedom. What this lack of red ink means is that, today, all the main terms we use to designate the present conflict – "war on terror", "democracy and freedom", "human rights", etc – are false terms, mystifying our perception of the situation instead of allowing us to think it.

      The task today is to give the protesters red ink."

      Mais aqui,

      http://www.guardian.co.uk/commentisfree/cifamerica/2012/apr/24/occupy-wall-street-what-is-to-be-done-next

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    3. Zizek e Ramiro nao falam a mesma coisa nao.
      Para inicio de conversa Zizek apoiou ab principio o Occupy Movement.

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    4. O que não quer dizer em princípio que Zizek esteja certo e Ramiro errado.

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    5. Charlles,

      É uma pena que o Zizek ainda não tenha se pronunciado sobre o movimento do vinagre

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    6. “Such statements display one of the great dangers the protesters are facing: the danger that they will fall in love with themselves, with the nice time they are having in the "occupied" places. Carnivals come cheap – the true test of their worth is what remains the day after, how our normal daily life will be changed. The protesters should fall in love with hard and patient work – they are the beginning, not the end. Their basic message is: the taboo is broken, we do not live in the best possible world; we are allowed, obliged even, TO THINK ABOUT ALTERNATIVES."
      E, portanto, tais alternativas devem se dar dentro da Democracia, dentro da sociedade civil, dentro de partidos e, assim, fiscalizando cada vez mais seus representantes.
      Outra coisa, Luiz, até onde acompanhei, o “Occupy Movement” não inviabilizou nenhuma cidade. Sei que o Zizek apoiou o mencionado. Eu? Não. Por uma simples razão: não acredito em VOLUNTARISMO POLÍTICO. Na minha maneira de ver, a quebra do “taboo” se dá paulatinamente pela educação sadia de um povo e pode ser necessário um tempo de uma, duas gerações. Tais processos complexos não resolvidos em passes de mágica. É isso.

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    7. Ramiro Conceição22 de junho de 2013 13:53

      a última linha ficou sem sentido: "processos complexos não SÃO resolvidos...". Grato.

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    8. http://blogdaboitempo.com.br/2011/10/11/a-tinta-vermelha-discurso-de-slavoj-zizek-aos-manifestantes-do-movimento-occupy-wall-street/

      o texto traduzido.

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  28. Ramiro Conceição23 de junho de 2013 07:34

    Uma excelente reflexão sobre o OWS pode ser encontrado aqui:

    http://www.diplomatique.org.br/artigo.php?id=1330

    VALE A LEITURA.

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