sábado, 22 de junho de 2013

#ChangeBrazil




Por tudo que for mais sagrado, assistam a esse vídeo. Ele resume o inferno pelo qual estamos passando nesse país; o cotidiano absurdo em que vivemos. É por isso que os brasileiros estão na rua. Enquanto os rasos e implicantes ficam mal-dizendo os protestos, desmerecendo-os e teorizando exercícios vazios sobre eles, a Indignação existe, ela é política e suprema, e está aí para, finalmente, promover a MUDANÇA. As pessoas que estão na rua, de várias idades e de todas as classes sociais, são o que há de melhor no Brasil hoje e a décadas, o que há de mais político (na acepção mais alta do termo) e intelectualmente engajado. Cada cartaz elevado vale mais do que está sendo escrito em blogs e jornais.

41 comentários:

  1. Via NPTO,

    "Como bem disse Antonio Luiz Costa, a revolta de 2013 lembra o elefante tateado por cegos da fábula budista, cada um descrevendo o que apalpava sem ter noção de como era o bicho. O que poucos sabem é que, enquanto isso acontecia, as tropas do regime teocrático tibetano invadiram o recinto e levaram os cegos para trabalhar na colheita do arroz, fundamental para sustentar a elite monástica. O elefante aproveitou para se mandar, mas cruzou com chineses fugindo da grande fome causada pelo Grande Salto à Frente de Mao Tse Tung, que o assaram no maior rolete de churrasco da história. Ou seja: tanto os elefantes difíceis de interpretar quanto seus intérpretes precisam tomar cuidado com a realidade política a seu redor."

    http://www.amalgama.blog.br/06/2013/duas-semanas-em-2013/

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    1. Ótima imagem! Me fez lembrar da parábola do grande chefe do monastério japonês que matou o belo gato, quando nenhum dos monges soube o que fazer com o animal, do Pavilhão Dourado do livro do Mishima.

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    2. Peraí, Luiz... agora que estou me dando conta. NPTO. Esse aí não é aquele blog eleitoreiro que apareceu para fazer propaganda da Dilma, na época da campanha, e sumiu por completo depois? Eu visitava diariamente tal blog, à época, para me deliciar com a estupidez e a falta de caráter da "classe de intelectuais mais elevada do país". Se não me engano, o dono do blog se formou em economia pela Oxford, e saía distribuindo as pérolas da economia formal para avaliar os caminhos da política nacional, com toda aquela prepotência assegurada pelos títulos estrangeiros, e todo aquela língua particular que gira em torno de si mesmo, sem objetivo. Mas com a mesma falta de perspicácia real que acomete todos os economistas. Lembro que, para ganhar mais distinção, ele fazia propaganda de suas leituras e dizia que iria fazer resenhas sobre elas. Falou muito de um dos piores livros do Ian McEwan ("Solar"), como se fosse um acontecimento. Um legítimo fariseu. Então ele está retornando ao mundo da internet, ou já retornou e eu tive, esse tempo todo, a felicidade de desconhecer. Mas com certeza retornará com força total ano que vem, ano de campanha. O que o pit-bull do Ramiro diz neste vídeo vale por todas as asneiras que o tal escreveu em seu blog.

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    3. Li o texto do link. O cara não mudou em nada. É um petista ortodoxo. "E vocês sabem em quem os sem partido votam, né", com essa frase o mesmo restolho improdutivo do pensamento partidário nacional, intransigente e estacionado no passado, aparece na escrita do sujeito. Ele não parece perceber, em sua fantasiação cega em que relaciona uma palimpséstica ação do PT nessas manifestações, que os manifestantes insurgiram também contra ele, contra esses "pensadores" mecânicos da defesa partidária.

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    4. Charlles, postei aquele trecho do texto do Celso Barros porque achei muito bom. Demonstra uma certa auto-reflexão, um certo distanciamento das versões oficiais do partido, etc.
      Eu até concordo com você que o blog do NPTO tomou uma guinada mais eleitoreira na época que você cita. Contudo, o Celso já escrevia bem antes daquela corrida eleitoral, e produzia uma opção de esquerda interpretativa da economia e da política longe de ser a oficial.
      Nesse tocante eu e você sabemos que o Idelber foi muito mais instrumental ao maquiavelismo oficial.
      O texto do link não é tão ortodoxo como você fala. O final dele estraga muito coisa interessante dita até ali.

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    5. A imagem é boníssima e sarcástica na medida certa.

      Mas eu tomei birra do NPTO. Acho que nisso eu estou bem sintonizado ao movimento: não suporto mais os inteligentes, os sofisticados, os que sempre estão por cima da pragmática urbana para condená-la com teorizações elevadas. Eu vejo esse movimento como um movimento não-inteligente, feito pelos despojados de erudição, ou os que não suportam mais a erudição. Por isso que eu não consigo escrever um texto sobre o que eu penso disso: me vem anos de treino de leitura e elucubrações palavrosas, que poderiam até entusiasmar, mas difere da verdade do que está acontecendo. Que tenham consumidores de craque, que tenham favelados. Vi no JG um velho de barba branca, provavelmente morador de rua, aproveitando para saquear uns cigarros de uma banca de jornal depredada. E vi muita gente "baderneira" quebrando o Itaú. E os bonitinhos da Oxford, os caras de escritório, dizendo que isso não é político. Querem que fiquem todo mundo, com bandeiras partidárias, sentados, cantando Raul Seixas, enquanto o mainstream do poder continua a foder o rabo de todo mundo. Vou dizer aqui: viva os depredadores, fumadores de crack, traficantes, que estão nas manifestações. Vão ver nas capas da Veja e NYT, se a foto de capa não é de algo pegando fogo e explodindo, que é o que realmente chama a atenção e dá medo. Sem medo, não vai mudar nada.

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    6. Não consigo, sobre o assunto, canalizar minha indignação. Aqui uns excertos do que tentei escrever e fracassei:

      Ontem estava comprando rosquinhas para a família e o dono da padaria me disse que está pensando em vender o ponto. "Não dá para sobreviver pagando tantos impostos. Só nesse mês, tenho que pagar o aval do Ibama e dos Bombeiros, para poder continuar sobrevivendo", ele disse, enquanto embrulhava as roscas e as enfiava em um saco de papel. "O ponto está avaliado em 800 mil. Se algum louco se prontificar em comprar, eu vendo sem pensar duas vezes". Eu, como médico veterinário, dou consultoria em algumas empresas de produtos animais, e seus donos, naquelas conversas informais em que ninguém se prestaria a admitir diante a lei o que se diz em torno da mesinha do café, me revelam que só conseguem manter os estabelecimentos funcionando pagando propina para as várias instituições de fiscalização. Em um desses momentos, quando eu chegava, me deparei com a caminhoneta suntuosa da Agenfa, com seus três integrantes (mais o policial militar que obrigatoriamente os escoltam por proteção) com óculos escuros e cara de empáfia. "Tive que desembolsar dois mil reais agora", me diz o proprietário, "para eles continuarem fazendo vistas grossas". Isso por se tratarem de empresas credenciadas em todas as instâncias da burocracia nacional e estarem, formalmente, sempre em dia com seus direitos de funcionamento. Nos supermercados em que sou cliente, aqui na minha cidade, é costume consolidado não emitirem as notas fiscais de compra; eu as pedia com a cara meio envergonhada, alegando que precisava por alguma razão inventada na espontaneidade da hora; depois, já nem pedia mais. Mas nos dias em que os homens da Agenfa visitam a cidade, com suas caras suntuosas de anjos divinos sistemáticos, os supermercados emitem e entregam as notinhas religiosamente, de forma que percebo um arzinho libidinoso na cara do dono ao me olhar com o cinismo de quem pretende desconhecer por completo seus pecados correntes. Há sempre uma prostituiçãozinha simpática, um esqueminho grupal vantajoso, um silêncio comprado por "colaborações" e "cafezinhos", um aperto de mão de antigos amigos que na verdade se veem apenas uma vez a cada seis meses para trocar maços de dinheiro de um bolso para outro. O Brasil das pequenas cidades (o Brasil maior) é um teatro perpétuo de falcatruas para manter a fantasia de que todos são diligentes cumpridores das leis e pagadores fieis de seus impostos. Esses mesmos amigos me dizem: "E o senhor pensa que é diferente nas grandes empresas?", e me informam que o maior frigorífico de frangos da região só está aberto por intermediações de deputados e pagamento de propinas.

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    7. 2.
      ***

      Eu já disse aqui e alhures sobre meu comportamento diante funcionários de supermercado. Me mantenho passivo a qualquer olhar atravessado que um deles dirija a mim, e converso o mínimo possível para não incomodá-los. Certa vez tive um namorico com uma moça que trabalhava em um supermercado. Desde que ela me contou a rotina profissional imposta nesses ambientes, eu passei e olhar essa classe de profissionais com temor. Na minha cidade, a hora de entrada deles no serviço é às 7 e 30 da manhã; param uma hora para o almoço, retornam e saem às 20 e 30. De segunda a sábado. Doze horas de trabalho por dia, para tirarem de um salário a um salário e meio. Os mais especializados, como o gerente do açougue, tiram dois salários por mês. A requisição principal que os patrões fazem na entrevista para preenchimento da vaga é que o candidato não estude, para que nada choque com a exigência espartana da empresa. Uma moça do caixa me disse, com a simpatia desalentada, que todo o salário dela já fica ali para pagar as compras que ela vai tirando dia-a-dia para sua família. Certa vez eu só comentei com o funcionário do açougue que vender muçarela a granel era algo ilegal (vestígios de meu tempo de sanitarista), e ele explodiu e me disse uma série de ofensas que estavam atoladas na garganta, pelo que parecia, fazia meses. Eu não lhe respondi nada, e só me afastei. O pior sentimento que uma pessoa pode ter por outra é pena; e nesse dia eu tive uma pena atroz pelo sujeito. Ensaiei diversas vezes retornar ali para pedir-lhe desculpas, mas isso, provavelmente, só o irritaria ainda mais. Eu normalmente nem vou mais em supermercados. A cara cansada deles me enche de angústia. Como pessoas assim podem ter a liberdade de não serem alienados e viverem o ócio criativo, a distinção vinda da vida interior, que são as características necessárias que nos tornam seres-humanos? Eles tem que se manter firmemente dentro de um nível muito resguardado de entretenimento para poder sobreviverem consigo mesmos: a novela à noite, a praça aos domingos. Se fugirem disso, se distraírem e uma fagulha de lucidez escorregar para seus olhos amestrados na tv, as consequências seriam terríveis. Para isso o álcool. Me recordo de um conto de Alberto Morávia em que um garçom é possuído por um súbito surto de verdade, que vai despejando mentalmente na cabeça dos clientes à medida que serve os pratos e os drinks: seu olhar rebelado vê as papadas, os ternos querendo se arrebentar por sobre as barrigas nababescas, o riso de mofa esnobe que é um código restrito de classe. Quando volta para casa, ele consegue se recompor e promete para si mesmo que jamais se deixaria trair novamente por si mesmo.

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    8. Um governo de esquerda que não dá subsídios para o médio e pequeno empresário, e que apagou os sindicatos reguladores que poderiam aliviar o quadro de escravidão ao serviço. E vem NPTO e Ramiro Conceição, doutores que ganham seus vinte mil por mês e vivem por conta do estado ou de instituições acadêmicas beneficiadas pela federação dizendo que essas manifestações são esculhambações. Por favor, né!

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    9. Eu consigo muito bem produzir simpatias por pais de família que respondem que seria uma grande irresponsabilidade se atirar nos protestos, fingindo-se ter dezoito anos de novo, arriscando uma bala de borracha no olho, uma intoxicação das bombas de dispersão. Enfim a defesa da estabilidade individual que protege a família, os filhos.
      Esse tipo de argumento é muito mais digno que elocubrações semi-sinceras que aventam um contraste abismal entre os dourados protestos estudantis de outrora, pacifíssimos, engajados, e a ira apolitizada de agora.
      O sentimento de "basta" precisa de articulação inteligente. Ainda que ele não venha direto das ruas. Portanto, escreva, meu amigo. Tudo é muito confuso e impreciso. Eu, de minha parte, não voltaria aos textos para cobrar coerência, consistência ou premonição.

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    10. O imaginário dominante do poder nacional já está carregado desse primeiro time citado por você, Luiz. Se depender deles, seja de qual partido for, tudo será passivo e logo-logo encabrestado, meu amigo. Por uma semana, não vi ninguém se importar com o Neymar, e a seleção ser relegada ao quase ostracismo. E isso não veio do Pondé, do Reinaldo, do NPTO e nem do Idelber, mas de pessoas que estão muito mais tiranizadas por essa vertente do controle da mídia. Esse movimento é forte porque é burro. Não levo muita fé de que vá ter alguma aplicação intelectual. Vejam que todos os intelectuais estão querendo dominar os protestos e conduzí-los para um partido, para a defesa de uma causa particular. Quando isso acontecer, a força vai se perder, e tudo vai ser institucionalizado.

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  2. Acho que é o texto mais sensato que li até agora:

    http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2013/06/21/e-em-sao-paulo-o-facebook-e-o-twitter-foram-as-ruas-literalmente/


    Rodrigo

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  3. E a vergonha fica um pouquim menor :)

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  4. Charlles,
    não nos conhecemos pessoalmente…, contudo, creio que nos conhecemos: eu, de minha parte, pelos seus textos que admiro, pois se fosse o contrário não estaria aqui; e você, creio, me conhece pelo que já escrevi por essas bandas… Portanto, acredito que nos respeitamos profundamente. Dito isso, vou ser sincero tal qual de costume: Charlles, o cara do vídeo é um pit bull, não tenho qualquer dúvida: certamente poderia ser, com extraordinário sucesso de “farejador-vencedor”, um pastorzinho da IURD.

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    1. Charlles,
      há um outro vídeo, do mesmo carinha, na rede, mas em português. Pois bem, o fascistinha, disfarçado, tem a petulância de dar uma listinha de coisas que devem ser ditas (caso o expectador do vídeo não tenha uma posição claramente definida sobre o “movimento” que está a ocorrer no Brasil). O disparate chega a um nível tal que o canalhinha tenta justificar a “tal listinha de coisas a serem pautadas” pela necessidade de evitar o insucesso que ocorreu com o OWS. O vídeo é cuidadosamente editado, para dar aparência de espontaneidade à indignação do escrotinho. Todo o conteúdo do discurso é EMOCIONAL, isto é, pautado naquilo que a “massa”, principalmente a classe média, quer ouvir. Tudo se passa como se estivesse ocorrendo somente agora no Brasil, não há história!!! O descarado, camaradinha, afirma ainda, em alto e bom tom, mais ou menos isso: “O QUE IMPORTA É FAZER BARULHO. FAÇAM BARULHO. QUALQUER BARULHO…”. Essa é a prova cabal do perigo que corre um movimento social em que o substrato é, essencialmente, o que denomino “voluntarismo político”.

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    2. Ramiro, não tenho a mínima ideia de quem o rapaz seja. O que vale é a mensagem, sendo ele pit-bull ou não. Nada que ele fala NESTE vídeo é mentira.

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    3. NESTE vídeo eu não vi nenhum indício de exploração classista, fascismo ou o que seja. Poderia ser o próprio Feliciano, renegado, falando essas coisas, que eu o apoiaria. O que eu acho condenável, fascista e classista é o pronunciamento daquela madame que governa o Brasil, que negou que os bilhões da copa são de dinheiro público (vai ver vem da mesma árvore inocente da qual todos os políticos retiram seus vários salários extras), e que teve o desplante de falar a uma massa de indignados para não atrapalhar a Copa, para tratar bem os turistas e não envergonhar o País do Futebol. Isso para mim é o suprassumo da canalhice. E temos mesmo que fazer muito barulho.

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    4. Ramiro, mas vem cá. Você é petista, pelo que eu vejo. Um petista até muitas vezes ardoroso. Então eu te pergunto: o PT teve que vender a alma para Sarney, para os Edir Macedo, etc. E, no entanto, vocês tem uma facilidade incrível para fazer julgamentos morais.

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    5. Ramiro Conceição23 de junho de 2013 13:14

      “Ramiro, mas vem cá. Você é petista, pelo que eu vejo. Um petista até muitas vezes ardoroso. Então eu te pergunto: o PT teve que vender a alma para Sarney, para os Edir Macedo, etc. E, no entanto, vocês tem uma facilidade incrível para fazer julgamentos morais.”
      .
      Charlles, não entendi. Faz tempo que publiquei aqui que sou um dos dinossauros que fundou o núcleo do partido, na Epusp, em meados de 1980. Charlles, em total confiança, lhe enviei os originais do “Jardim dos Castanhos” que contém o seguinte poema:

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    6. Ramiro Conceição23 de junho de 2013 13:16

      ESQUERDA DE MERDA
      by Ramiro Conceição
      .
      .
      É, já fiz cada quiproquó
      que mereci levar no fiofó.
      Até já casei com fantasma
      e até já fedi  feito miasma.
      .
      Casar com um fantasma,
      não teve problema algum:
      trepei; dormi; viajei; e me
      habituei ao sujo dito cujo.
      .
      O dilema foi que, por ser uma alma penada,
      o fantasma… não veio desacompanhado,
      mas… junto à fantasmanada acorrentada
      ao fantasmagórico de uma monada de putas,
      de estafetas, de piolhos diplomados na USP,
      um embuste!, um bando de metidos a besta,
      que se diziam “do Bem”, mas eram soleiras:
      era a geração pós-maluco-beleza,
      que enriqueceu o pobre mago da esperteza.
      .
      Nunca cultivaram o belo,
      nunca puderam conhecê-lo:
      eram moçinhas e mocinhos
      a farejar com… focinhos.
      .
      Ai... quanto papo cabeça!
      Quanta merda de esquerda!
      Ainda bem que tudo findou.
      O fantasma me abandonou.
      .
      Por isso, grato, estou aqui,
      a finalizar essa obra-bufa;
      pois soube à boca pequena
      que algumas almas penadas,
      em solitárias, fétidas, cloacas,
      vestiram-se, com as gravatas
      de suas línguas, enforcadas.
      .
      .
      P.S: de qual esquerda estou a falar, Charlles? Não me lembro da data precisa, nesse instante, é preciso pesquisar, mas tá lá, no blog do Milton Ribeiro, creio que em 2007 ou 2008 (tão logo saiu a decisão sobre o Brasil ser a sede de tais eventos) a minha posição clara, totalmente contrária à realização da Copa e/ou das Olimpíadas, pois, à época cria, e creio!!!!!, no total absurdo de tais eventos acontecerem aqui, nesse país, onde não havia, e não há!!!!, educação, segurança ou justiça social. Quando leio as palavras de ordem que pautam a continuidade desse pseudomovimento social…: ESTREBUCHO!!!!!







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    7. Ramiro, será uma honra ler seu livro em primeira mão. Mas não recebi nada nos dois endereços de e-mail.

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    8. Ramiro Conceição23 de junho de 2013 13:33

      Todavia, estamos diante de uma Presidenta legalmente eleita: sob um regime democrático, sob um estado de direito, sob a liberdade de expressão (que, porém, não é obedecida justamente pelo PIG). E, agora, vem essa tentativa esdrúxula de, a qualquer custo, desestabilizar o que foi conseguido através de muita luta, sonho, cerveja e morte.

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    9. Não entendo mesmo seu posicionamento sobre as manifestações, meu caro.

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    10. Bom, como diz o nosso par de filósofas mor brasileiro, Carlinha Perez e Sheilinha Carvalaho, "Pau que nasce torto nunca se endireita."
      Enfim as verdadeiras e insuspeitas razões do Ramiro reaparecem. Fênix das cinzas:

      "Todavia, estamos diante de uma Presidenta legalmente eleita: sob um regime democrático, sob um estado de direito, sob a liberdade de expressão (que, porém, não é obedecida justamente pelo PIG). E, agora, vem essa tentativa esdrúxula de, a qualquer custo, desestabilizar o que foi conseguido através de muita luta, sonho, cerveja e morte."

      Eu sabia que aquele maquiavelismo oficial da época das caixas de comentários da época do Idelber apareceria por detrás das poesias para fazer o seu inesperado "peecaboo", "surpresa."

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    11. Ramiro Conceição23 de junho de 2013 13:56

      Deve ser alguma coisa ao avesso do suicídio do Mishima...

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    12. Pode até ser,
      Se for também coisa da esquerda do triunfalismo, que ignora qualquer auto-reflexão e mea culpa, enfim da esquerda do maquiavelismo e realpolitik.
      Da esquerda preguiçosa, desinteressada em alternativas, que não lê desde a década de setenta, etc e tal, etc e tal.

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    13. Pode até ser - não! É!
      Sou pupilo de Millôr, de Flávio Rangel, de Zé Celso e, fundamentalmente, sou amante de Cacilda Becker, em todas as delicadezas celestes...

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  5. https://fbcdn-sphotos-f-a.akamaihd.net/hphotos-ak-prn1/1010517_194349790725014_1192371331_n.jpg

    =)

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  6. Eu não tenho autoridade nenhuma em nenhuma área, nunca fui filiado a nenhum partido, não tenho formação em sociologia, direito, medicina, economia. Politicamente, sempre me considerei meio esquerdinha, mas cansei de brigar com petistas e psolistas (que já se levantaram da mesa quando eu disse e repeti que Cuba é uma ditadura). Tento formar minha opinião pela pluralidade de textos aos quais acesso. Ou seja, reúno pouquíssimas boas ideias próprias - talvez nenhuma digna do adjetivo "boa", quiçá do substantivo "ideia".

    No passado recente, discordei do dono do blog porque ele estava em profundo fastio com o POVO brasileiro, esse sujeito cheio de autopiedade que nada fazia e tudo engolia passivamente. (Nessa época, eu sei, já havia estudantes apanhando da Polícia em Goiânia, porque lutavam pela redução da tarifa, tal qual aconteceu em Porto Alegre, mas a eles não foi dado crédito pela antecipação da babel de lutas atual).

    O teor dos comentários no endosso ao link do Rodrigo Constantino (meldels) sobre a importância do Lobão (Jisuis) realmente me cansam. Juntamente com a provocação (só assim consigo analisar o caso) do denominado melhor colunista do Brasil (nussassenhora; justo o que chamou os brasileiros ora admirados de terroristas, numa tentativa insana de justificar o bundão do Opus Dei). Nem sei por que diabos me dediquei a traçar minhas linhas, acho que foi pela honestidade do blogueiro, mas discordo muito. Pegando carona no slogan da lanchonete importada, odeio muito tudo isso.

    Nunca fui nessa onda de brasileiro não sabe reivindicar e que até o correspondente do El País ficou perplexo com a falta de adesão aos protestos anti-corrupção em 2011. Esse discurso consiste em culpar as vítimas, penso que ele é hediondo. O texto do Juan Árias, que "bombou" no Facebook, observa com perplexidade nossas mazelas, mas não compreende o fenômeno brasilis, porque não se dispõe a fazê-lo.

    Não vou procurar nos arquivos do blog, mas eu também já escrevi por aqui que não acredito nessa coisa de "povo" tal como geração espontânea nas ruas. Existe a institucionalidade, boa ou ruim, que pauta aqui e ali a agenda política: governos, parlamentares, sindicatos, veículos de comunicação, partidos políticos, Ministério Público, Judiciário, Procons, associações, igrejas etc e tal. Quem nega a institucionalidade em nome de uma estética anarquista, ou por pura alienação, muito me assusta. Medo mesmo.

    Em Porto Alegre, há alguns meses, a tarifa subiu e foi reduzida por um conjunto de fatores políticos. Entre eles, um elemento decisivo: um mandado de segurança ajuizado por um partido político, o PSOL. Parabéns à moçada nas ruas, mas registre-se que houve a via institucional, e não somente baderna, como insistiam o prefeito e a Zero Hora. Agora, dizem os neo-manifestantes, vale só abraçar a bandeira brasileira. Sem partido é que é bacana. Que merda de raciocínio.

    Um dos temas dos protestos é ser contra a PEC 37. Sinceramente? Não sei ainda o que acho dela, penso que tendo a ser a favor. Tanta gente que não faz nem noção do que se trata, que nunca leu o artigo 144 da CF (que é uma merda; não quero me alongar aqui), e vem falar que "querem impedir o Ministério Público de brigar contra políticos corruptos". Ora, vá ler. O Brasil é o único país do mundo que tem o atraso do inquérito policial. Procuradores e delegados de Polícia estão em luta por poder e prestígio e os primeiros têm um proselitismo assustador, porque sem nenhum controle externo se puderem investigar tal como desejam. A Constituição é bastante clara hoje: eles (MP) exorbitam sua competência - é a minha interpretação (e não estou sozinho). Como exorbitaram, não aceitam freios. O MPF tem sistema guardião - que faz escuta telefônica. Quem controla? Por quê? A rigor (tal como está claro no artigo 144), promotores de Justiça não podem fazer investigação.

    No mais, sempre adorei coxinha. E não vou deixar de comê-la porque se tornou uma categoria sociológica insossa com ênfase em personagens paulistas.

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    1. Fábio, por partes:


      Sobre as instituições, eu não sou contra, claro. Só acho que elas precisam ser assustadas, ativadas, e isso o movimento conseguiu fazer em um primeiro momento. Você falou sobre a articulação judicial do PSOL para a redução das tarifas, mas não aceito a legitimidade dessa instituição como propulsor primeiro para a redução das tarifas. Desde que eu era universitário, eu venho acompanhado a luta pelas tarifas. Eu estava no dia, no campus 2 em Goiânia, em que a polícia militar matou um motorista do transporte alternativo. Então, a indignação dos espoliados pelo transporte público já vem brigado e protestando há décadas, e as instituições e partidos estão aí há décadas e NADA, ABSOLUTAMENTE NADA conseguiram nesse tópico. E o Haddad é culpado por muito dessas manifestações, quando, acintoso, disse que não iria abaixar as tarifas e ponto final, pudessem os manifestantes fazer o que fizessem. E, depois da quebradeira, abaixou-se as tarifas e, olha só... não doeu, e não pareceu, afinal coisa de outro mundo, né. Apenas aquietou-se, sabe-se lá por quanto tempo, a ganância pelo lucro exorbitante por parte dos empresários do setor (e teve que ser diminuída, ou retirada, as propinas milionárias para os agentes públicos que intermedeiam o roubo). O PSOL aproveitou a onda, e se conseguiu, parabéns; mas não é mérito desse partido.

      A sensaboria gratificada do brasileiro: o brasileiro é um povo conformado. O El País mesmo gritou em uma manchete, há dois anos: "Por que o brasileiro não se indigna?". E é por isso que essas manifestações são tão sensacionais. O brasileiro se indignou!!! Protestos de brasileiros em 2011? Não sei do que você está falando.

      Deixemos de lado o Reinaldo e o Lobão. Cheeega.

      Sobre a PEC 37: parece que você é a favor. Amigo: uma coisa é a lei, formal, verídica, legítima, zelada pela Constituição; segundo, a realidade do país. Como você bem sabe, as leis costumam "não pegar" no Brasil. No artigo 8 da Constituição, você que trabalha com sindicatos, reza que ninguém pode ser obrigado a se filiar ou/e permanecer filiado a um sindicato. Porém, eu, enquanto veterinário, fui acionado pelo sindicato da minha categoria e tenho que pagar na justiça minhas anuidades; e, enquanto funcionário público, todo ano desconta-se um montante do salário de todos os funcionários públicos para uma cestinha de um sindicato nacional da categoria;liguei para obter informações sobre benefícios retornantes, mas ninguém atende, ninguém responde e-mail, ninguém se preocupa sequer a mandar "parabéns" quando do meu aniversário. Ou seja, pagamos, compulsoriamente, a sindicatos fantasmas, que não representa ninguém. Uma roubalheira clara, descarada. E as pessoas que realmente precisam de sindicatos, que são os milhões e milhões de sub-empregados do país, são esquecidos em prol da relativização criminosa dos direitos trabalhistas que beneficiam os patrões. Isso, num governo de esquerda.

      Sendo assim, é claro que sou contra a PEC 37, meu irmão. Não confio em nenhum procurador e promotor, acho grande parte dessa categoria dispensável e um atraso para o funcionarismo público; mas... os delegados são muito piores. Ou seja: eu penso sempre sobre o MAL MENOR, em relação ao Brasil.

      (cont.)

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    2. Houve a denúncia de um esquema de compra de vagas para delegados aqui em Goiás, como disse em outro post. Ficou em suspenso a evidência que grande parte desses profissionais são colocados pelo governo. Em troca, os delegados iriam investigar o governo?

      E está claro que essa PEC é uma armação canalha por parte da classe política para estancar as chances de investigação do MP contra eles.

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  7. Mais um link. https://www.facebook.com/photo.php?v=626186040727768&set=vb.169371853234116&type=2&theater

    Não estou conseguindo escrever mais nada sobre as manifestações e o caos. Nem pensar.

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  8. Por outro lado, é oportuno uma comparação com a Alemanha. Sim, eu sei, o nível de renda e cultural é sem comparativo com o Brasil. Sem falar na qualidade do transporte público de Berlim, espetacular, com umas dez linhas de metrô, além de trem, bonde e ônibus.

    1) O passe do transporte público é integrado entre os vários modais. Durante 1h30, paga-se 2,40 euros. Ou seja, ida e volta, 4,80 euros. É caro. Mas são quase 15 reais. O passe integrado de uma semana, de uso ilimitado (quantas viagens quiser), custa 28 euros.

    2) Ao comprar o bilhete, você deve validá-lo numa maquininha, que registra dia e hora. Eu comprei o de 28 euros no domingo passado e andei pra cima e para baixo. "Dizem" que existem fiscais que dão incertas no metrô. Ao longo de uma semana, não vi NENHUM fiscal. Ninguém me pediu bilhete, Ou seja, se eu quisesse dar o cano, teria poupado mais de 50 reais em transporte. Não há roleta, as estações são abertas. Mas dizem que a multa é pesadíssima para quem é flagrado no golpe. Nem cogitei o golpe, é claro, até porque não quero conflito com a "Polizei" e não falo mais do que meia dúzia de palavras em alemão.

    3) A estação central nova, onde há conexões de diversas linhas de metrô e trens, bem como trem internacional, foi inaugurada para a Copa do Mundo. É um desbunde. É linda, tem não sei quantos andares de trens passando em todas as direções (algumas estações do Rio de Janeiro, como a Cantagalo, são belíssimas também). Tudo é muito bem sinalizado, porque nem todo alemão fala inglês. Os mapinhas não deixam margem para dúvida. As linhas mais antigas são altamente pixadas: Berlim é assim, cheia de grafites, cabelos coloridos e outras coisas chocantes.

    4) Tanto as estações de metrô (ou trem) e de ônibus têm sinalizadores luminosos. O ônibus "Itaquera - Freguesia do Ó" vai passar em sete minutos. Em sete minutos, o ônibus passa. É incrível. Não vi engarrafamento. Não ouvi buzina. Pedestre só atravessa na faixa de segurança quando o sinal está verde, ainda que não venha carro nenhum nas avenidas larguíssimas. A gente fica até constrangido de dar uma corridinha pela faixa de segurança com o sinal de pedestre vermelho.

    5) No dia 22, teve a parada gay. Ela percorreu ruas movimentadíssimas, que foram fechadas pela "Polizei". Sério, tinha umas 500 mil pessoas ou mais. Muita gente mesmo. Velhos, crianças, gays e lésbicas, transexuais, várias nacionalidades, brasileiros inclusive (destaque para os russos, "Putting my ass, stop the law"). Gente vestida de todos os jeitos, de bunda e de peito de fora. Uns 6 carros de som. Na frente do CDU, o partido da Merkel, cristão, um protesto especial. A Alemanha não tem casamento gay. A sede do partido é de vidro. Ninguém quebrou, nem ameaçou jogar pedra. Uma rolha de champanhe bateu na minha cabeça.

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    1. Ah!! Ficou fácil entender! Você está na Alemanha!

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    2. Você foi para participar da Parada Gay?

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    3. Estás vivendo na Alemanha ou só de turista?

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    4. 1) Não, não vim para participar da parada gay, dom Charlles. Mas coincidiu. Nunca tinha ido a uma no Brasil. Mas aconteceu no sábado (22) e foi realmente imperdível. Um evento. Tocou Michel Teló e eu acho que dancei. Estou num bairro chamado Schöeneberg, tranquilíssimo, uma delícia, ruas silenciosas, limpas e arborizadas (Berlim é muito verde). A umas duas estações de metrô (os bairros são grandes) daqui, há uma rua completamente gay. Tudo lá é gay: cabeleireiro, hotel, agências de viagem, bares, boates, lojas, boutiques, floricultura, feira de artesanato, tudo. Tem um bar brasileiro e vários vendem caipirinha. Chama-se Motzstrasse a tal rua. Tem uma loja de couro assustadora. Há locais denominados "heterofriendly" e eu achei que era uma ironia. Não era. Minha irmã foi convidada a sair de um bar, porque lá só homens podem entrar (achei estranho).

      2) Vim a turismo, Matheus. Estou debutando nasoropa. Vou ficar 15 dias em Berlim. Alugamos (eu e dois familiares) um apê, o que é excelente para uma relação custo-benefício. É mais barato que hotel e dá para cozinhar em casa (a gente toma café da manhã reforçado, anda o dia inteiro e come um pão com salsicha na rua e janta em casa à noite). Comida no supermercado não é cara, mais ou menos o preço do Zaffari. Trouxemos feijão do Brasil (risos). Há mil salames e duas mil variedades de liguiças e salsichas. O pão é horroroso, apelamos para o pão de forma. Os legumes são lindos, fresquíssimos e baratos. Os queijos são ótimos e baratos também. Comi "flor de leite", um tipo de muçarela difícil de encontrar no Brasil, por 1,50 euro (quatro bolinhas).

      3) Por obra e graça do destino, há um depósito de bebidas a poucas quadras daqui de "casa". Trocentas marcas de cerveja. Uma Berliner, por exemplo, custa inacreditáveis 0,79 centavos a garrafa de 500 ml. O mesmo preço da famosa Beck's. Muito difícil encontrar uma que custe mais de 1 euro, mais ainda porque eu gosto mesmo é de pilsen. Mas na rua o preço da comida e da bebida aumenta muito. É possível encontrar a long neck (330 ml) na rua por 3,30 - caro para caráleo. O pior é que alemão toma cerveja quente. A gente devolveria no Brasil.

      4) Longa discussão sobre o que aconteceu em Porto Alegre (e eu quero dormir cedo, pois saio bem cedo amanhã). Mas a ação foi proposta por dois vereadores do PSOL em 2010. Houve protestos ainda no governo Yeda, duramente reprimidos pela louca do laquê. A ação ficou lá, paradinha, sem nenhuma decisão. Em 2013, o TCE acusou erros na planilha (calculavam frota operante como frota total). Os estudantes voltaram a fazer protestos e foram chamados de baderneiros pelo prefeito e pela Zero Hora. Aí, os vereadores do PSOL ingressaram com mandado de segurança e a decisão liminar saiu no dia seguinte (o juiz verificou condições jurídicas para aceitar o MS e deferir a liminar). Logo, não retiro em nenhum momento o mérito da galera que foi para a rua. Mas a decisão foi judicial, provocada por dois parlamentares do PSOL: isso é fato, não é opinião.

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    5. É bom pensar que com tanta cerveja boa a baixo preço, passeata gay, transporte público excepcional, e a paisagem urbana e rural da Alemanha, você ainda encontra tempo para comentar em meu blog. :-)

      (Me recordo que há uma cena secundária reveladora em "Dia de Finados", do Cees Nooteboom, em que o herói da história, passeando a pé de madrugada por Berlin, observa um motorista em uma rua absolutamente deserta, parado de frente ao sinaleiro, à espera do sinal verde. Ele se admira da educação dos alemães.)

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    6. Que legal, Fábio. Acho que ficarei uns dias na Europa também, na mesma Alemanha, visitando a própria e as vizinhanças. Tô juntando os pilas desde o ano passado. Só espero que o IV Reich não ressurja enquanto estiver por lá.

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    7. Seria bacana a realidade de um protesto onde se toma rolha de champagne na cabeça. Infelizmente, só entre os nibelungen.

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