terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Por que os militantes da dita esquerda nacional não querem que Yoani Sánchez fale?



Não sei se as manifestações partidárias executadas contra as apresentações da blogueira Yoani Sánchez no Brasil me fazem rir ou se ainda tem a capacidade de me assustar. Sempre vi o universo intelectual da internet de forma discriminativa, e uma olhada por alto pelos blogs que apoiam o partido governista confirmam mais minha certeza de que o ciberespaço é um nova câmara do inferno da desinformação, da alienação e do ódio espúrio. A tendência das ideias propagadas pela net, que eu as cito como ideias por uma simples questão de não me incomodar com digressões ou sarcasmos conceituais, é se firmar como um comportamento totalitário, um núcleo de classe quanto mais rígido e maçônico melhor. Por isso, quando leio o relato de quem estava em Feira de Santana, na Bahia, ontem, para assistir ao documentário Conexão Cuba-Honduras, dirigido pelo cineasta Dado Galvão, e ouvir a palestra programada de Yoani Sánchez, minha disposição de humor diante um espetáculo de robotização descerebrada por parte de quem vaiava, berrava e lançava os mais baixos impropérios à blogueira, a ponto do evento ter sido cancelado, é de um misto de riso envergonhado e um acento de temor. A plateia do evento, como descrito por um estudante num artigo do jornal virtual Amálgama, estava tomada em massa por senhores e senhoras cujo radicalismo reacordado contra um Estados Unidos satânico e de um maniqueísmo ridiculamente simplista era de alimentar a teoria despirocada de que o gene zumbi do seriado Walking Dead é um componente real do DNA humano, e os tantos universitários que parecem ser produzidos em série tanto na incapacidade de pensar uma frase além do clichê ou da palavra de ordem dos veneráveis velhos professores, quanto na aparência física de um remanescente semi-alucinado de Woodstock (colares de conta no pescoço e as camisas hippies que são abandonadas tão imediatamente quanto suas sólidas convicções comunistas pelos ternos do enquadramento social neoliberal do primeiro emprego). A ignorância em massa sempre tem o potencial de me provocar medo; sempre me faz lembrar de um conto de Mark Twain em que um sujeito absolutamente inepto e que nasceu para ser tratado com total indiferença consegue se alçar sucessivamente aos mais altos cargos do funcionarismo público até a redenção completa, por pura inércia de sua invisibilidade que nunca despertou a atenção dos que estavam em redor. Esses eventos esquerdóides contra a blogueira tem a qualidade automática de que serão tratados como mais uma cena do anedotário dos zumbis nacionais movidos pela fome da mesma defasada e patológica ideologia, e essa potência em ponto morto paradoxalmente metastática que me causa assombro.

E é justamente contra alguém que valida a revolucionária função esclarecedora da internet que essa horda de intransigentes se põe contra. Nunca li nada da Yoani Sánchez, mas o fato dela estar reportando elementos de seu cotidiano em Cuba, elementos esses nada abonadores da pra lá de empoeirada concepção de paraíso terrestre que tais manifestantes tem de Cuba, é por si mesmo merecedor de respeito no que faz jus à rara percentagem efetiva do uso da internet para a elucidação política. Por existir pessoas como Sánchez, que destoa da exibição da felicidade compulsiva das redes sociais e da vaidade de mentiras das amizades virtuais, é que a internet cumpre seu papel errático de transformador social. É um tanto sintomático sobre nossas mazelas de baixo esclarecimento que os que vociferam contra a cubana, os que esticam os braços para puxar-lhe os cabelos nos corredores de proteção policial e lhe esfregam na cara notas falsas de dólar, são os mesmos que mantem em blogs e facebooks a plasticidade de que tudo é perfeito no Brasil dos próceres da esquerda governista. Enquanto Sánchez fala sobre uma Cuba que para ninguém é novidade, não produzindo uma palavra original sequer sobre o que já é sabido em excesso nesses últimos 40 anos sobre o que acontece naquele feudo dos Castros, o cordão de ladradores ideológicos reverbera pelos computadores pessoais a imagem fantasista de um Brasil melhor dos mundos, o Brasil das propagandas do Duda Mendonça, em que as casas financiadas pela vida toda graças a um esquema corrupto da Caixa Econômica, não só formam uma compulsória classe média de dois salários mínimos, como uma malta de brasileiros endividados que não terá como pagar a reforma das paredes rachadas de um imóvel construído com materiais de segunda superfaturados em 100%. 

E esse é um ponto em comum entre as coisas que Sánchez mostra de seu país e as coisas que os manifestantes governistas escondem do nosso: tudo é por demais sabido, um conhecimento batido e bastante cansativo em sua tautologia, de forma que não há mais a mínima razão em demonizar as mesmas entidades de sempre. Demonizar significa, aqui mais do que nunca, dividir as frentes de uma batalha em que ficticiamente fica claro quem são os bons e quem são os maus. Que Brasil escandinavo predisponente às sagas é o dessa gente que acredita serem detentores da verdade, tão imaculados em seus apuros arianos de predestinados que uma simples mulher falando se mostra como a maior das ameaças! Nessa linha de idiotia, tais universitários aumentam a frente de pensadores ortodoxos sem utilidade alguma, os que pertencem à esquerda apontada na famosa frase de Zizék de "com essa esquerda, para que precisamos de uma direita?", os que não leem nada mas se mostram como doutores de um minucioso código de ódio em que queimar livros de escritores como Vargas Llosa e Isaiah Berlin é uma natural depuração sanitária. E se o futuro reservar o ressurgimento de um império do medo como foi os Estados Unidos das Companhias Bananeiras e das tomadas de poder para privilégio das elites prostituídas dos países centro e sul americanos_ um Estados Unidos hoje tão senilizado na vitória absoluta conferido pelo capitalismo neoliberal que pouco se importa com uma ilhota famélica como Cuba_, será com essa classe de intelectuais que nós nos valeremos para as tentativas de debate dissuasório? Uma gente tão fundamentalista quanto os fundamentalistas religiosos?

A obsolescência desses manifestantes me assombra por parecer que ressurgem de dentro de baús em que foram conservados intactos em formol por três décadas, seus frescos cérebros em descompassos com as rugas e as decomposições naturais do corpo_ me lembram os pacientes vítimas da síndrome do sono no livro Tempo de Despertar, de Oliver Sacks, em que velhas senhoras de 60 anos abrem os olhos após uma vida inteira de sono sem ser possível perceberem a quebra da continuidade do tempo em que eram garotas da classe escolar. O que Sánchez diz, várias outras testemunhas viventes em Cuba disseram e ainda dizem: as prostitutas em um país que as tem em maior proporção que o nosso; uma situação de fome crônica em que vive toda a população, enquanto o coronel que os governa importa para suas ceias quilos de Pata Negra; a falácia da melhor medicina do mundo, em que os centros de aprendizado médicos purgam a necessidade de aparelhos básicos para o exercício e ensino da medicina; a repressão com a pena de morte a presos políticos, o famoso paredón sob o qual pereceu desde poetas a generais que questionavam o regime, como o general Arnaldo Uchoa. Para se saber disso, tem-se aí escritores como Cabrera Infante e Pedro Juan Gutiérrez, entre muitos outros relatores. A única solução imaginada para tal quantidade de cegueira seria a que um amigo teve ao assistirmos a uma palestra de um monge agostinho que nos dizia ser Cuba o mais perto do céu a que a Terra poderia chegar: juntar as vítimas dessa fantasia e mandá-las a seu Éden; se não perderem suas convicções em prazo de um ano, ao retornarem_ se puderem retornar_, pelo menos muito do peso físico ficará para trás.

32 comentários:

  1. Mas bah! Tu postas isso justo na hora que tenho que trabalhar. Não li, mas acho que já gostei. Na volta, um comentário menos inútil (espero).

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  2. Lembrei automaticamente do Pedro Juan Gutiérrez (de novo) e da Wendy Guerra, que são muito lidos em outros países,mas deconhecidos em Cuba.

    Extremismos nunca levaram ninguém a lugar nenhum e contestar um sonho afirmando ser ele uma distopia permanecerá sendo problema pra a Yoani e tantos outros por muito tempo. Há também a Venezuela...

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  3. É, realmente uma coisa tola essa virulência toda contra uma figurinha irrelevante, cujo livrinho de compilaçãpo de crônicas cubanas eu li, sendo nada além de uma coleção de lamúrias, algo que pode ser escrito por qualquer pessoa em qualquer lugar do planeta que tenha uma demanda X enquanto a sociedade lhe entrega Y.

    Não sou cultor e admirador de Cuba, considero um absurdo que lá vigorem coisas escrotas como a pena de morte e a censura, e acho que bem o regime cubano pode acabar, com seu método de socialização da miséria... mas a qual preço?:

    1) A velha submissão aos EUA, que tinha a ilha por propriedade partilhada com a Máfia, que lá atuava no ramo de "entretenimento", isto é, fornecendo sexo e drogas à classe média estadunidense; de quebra, a ilha fornecia ainda açúcar e charutos a preços módicos, e ao custo da miséria dos camponeses?

    2) A instalação de uma democracia tal como vemos hoje na Rússia, com a perda do pouco que trouxe a revolução (?) e o ganho de tudo que faz a miséria do capitalismo ocidental (concentração de renda, corrupção, crime como sistema estabelecido para maximização de lucros)?

    Voltamos aí ao velho mato sem cachorro; Cuba é uma merda, Yoani é uma merda; alternativas à vista são todas uma merda...

    Além do que, a pobrezinha Yoani tem seu blog divulgando suas lamúrias em 15 idiomas distintos pelo mundo afora; certamente, dirão, com os custos cobertos por anônimos cujo único interesse é a democracia e a liberdade de informação e expressão... santa ingenuidade.

    E não esqueça que a "esquerda" que foi lá insultar a infeliz não é mais que meia dúzia de tarefeiros pé-de-chinelo, bonequinhos de ventríloquo. Dizer que eles representam a "esquerda" brasileira é o mesmo que dizer que o Tea Party é TODA a direita dos EUA (não é toda, é claro; tem gente ainda pior...).

    Então, fale, Yoani, e mate o público de tédio, enquanto faz as delícias de gente categorizada como Diogo Mainardi, Reinaldo Azevedo, Arnaldo Jabor et caterva.

    No final das contas, esse barulhinho ruim só faz alçar uma medíocre à condição de celebridade instantânea. E é tudo que a velha Guerra Fria tem a nos oferecer. Ô, saco!

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    1. A mim parece que o item 1 de seu comentário ainda continua vigorando.

      Pelas reportagens na tv e em blogs, inclusive aí o que está linkado no post, não se tratam de apenas uns cinco porra-locas, mas um contingente de pessoas em número relevante o bastante para preocupar a guarda do estados pelos quais a blogueira está passando.

      O que me tira do sério é que essa reação infantilóide desse povo acaba alicerçando a força dos textos do pessoal da Veja, que, mais uma vez, sem precisar sequer mover um fio de sarcasmo e com a maior cara-de-pau, se tornam a "oposição disso tudo que está aí". Com o perdão de retornar ao Zizék mais uma vez, mas esses palhaços apenas reforçam a certeza de que o capitalismo venceu de forma absoluta.

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    2. Não exagere; não eram tantos, e muito menos representativos. Não formariam um bloco de esquina de bar no Carnaval do Rio de Janeiro.

      Claro que há quem faça turismo sexual em Cuba, ainda hoje; aliás, a meu parecer, TODO E QUALQUER TURISMO É SEXUAL. Quanto a drogas, menos. A mais perigoso em Cuba é o rum, como bem o sabia Hemingway, fato comprovado pela foto que você mesmo publicou aqui... De resto, é o resto: açúcar e charutos. Mais tecnologia de embalsamamento altamemnte sofisticada, que incluiu circutos eletrônicos de primeira geração, capazes de fazer um fantasma falar por 7 horas seguidas...

      Sobre a tal blogueira, há um jornalista francês que a tem em altíssima conta, como poderá ler nos links abaixo; na entrevista, ela mente como um frade; na matéria, são expostas mais umas fraudes da dita cuja:

      http://www.viomundo.com.br/entrevistas/salim-lamrani-um-bate-papo-com-yoani-sanchez.html
      http://www.monde-diplomatique.es/?url=mostrar/pagLibre/?nodo=39be9f06-c0cb-454e-816f-6967ec52d9ce

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    3. Interessante a matéria do Le Monde. Não a conhecia.

      Como eu ressaltei, eu pouco ou nada conheço da Yoani Sánchez. Acho que ela tem todo direito de ser pró-americana, ou o que quiser ser. Há uma infinidade de bons intelectuais que o são, e premiados da mesma maneira, e que são seguidos por muita gente: radicais como fora Hitchens, por exemplo. E o fato que ela ganha dinheiro pelo que escreve, eu também considero como algo absolutamente justo. A questão gritante aí, que não se esconde, é que ela está correta ao dizer que em sua terra não existem manifestantes, e o pensamento lá não é livre. Independente de ser Sánchez uma vilã ou a reencarnação do demônio, toda a barulheira contra ela é imediatamente reconhecível como uma barbaridade, como um certificado emitido por parte de estupidificados de que o que ela diz está certo. Fico a pensar que se tivessem a oportunidade de fazerem com assepsia e anonimato, eles lhe dariam um tiro na cabeça.

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    4. "Com o perdão de retornar ao Zizék mais uma vez, mas esses palhaços apenas reforçam a certeza de que o capitalismo venceu de forma absoluta"

      Hum...mas qual capitalismo? Certamente não aquele-que-não-deve-ser-nomeado, o Liberalismo, mas o de estado, da social-democracia que criou esses monstrengos falidos e em processo de ruir.

      "Fico a pensar que se tivessem a oportunidade de fazerem com assepsia e anonimato, eles lhe dariam um tiro na cabeça"

      Claro que fariam. Tudo pela Causa estúpida.

      O pior é que um bom número de gente que bem considerava tempos atrás, hoje são furiosos cães de guarda pró-qualquer-coisa-de-esquerda. Se critica Cuba, é Yankee maldito. Se critica Dilma, Lulla, toda a gentalha bandida do PT e aliados, é entreguista tucanoide. E não há "oposição disso tudo que está aí" na política.

      E isso que nem me interesso por essa Yoani.

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    5. Sánchez diante os protestos em Feira de Santana:

      "Todos tinham os mesmo cartazes com um monte de mentiras sobre mim, tão maniqueístas quanto fáceis de refutar com uma simples conversa. Eles não tinham qualquer intenção de escutar minhas respostas. Eles gritavam, interrompiam, em um momento ficaram violentos e gritavam em coro slogans que já não são ouvidos nem em Cuba".

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    6. Tens uns probleminhas aí, Charlles:

      a) Quando levada a refutar, Yoani o fazia através de mentiras ao repórter, na entrevista; este último a desmascarava, e ela ficava com cara de tacho.

      b) Ela tem direito se ser qualquer coisa e receber pelo "trabalho" que faz, mas deve declarar também quem a paga e porque, e não ficar dizendo, matreiramente, que escreve só um diariozinho que recebe apoio voluntário e gratuito de milhões de pessoas só porque ela escreve coisas de interesse público; aqueles bobocas que citei escrevem o que escrevem e são pagos por seus empregadores (tem também umas "contribuições" à parte, mas deixa pra lá), mas Yoani diz que não recebe de ninguém, que é só uma cubaninha inocente com suas opiniões de cidadã. Ah, tá.

      c) Não serão uns reles manifestantes sob a caricatura de "esquerda" que produzirão em Yoani a razão; ela é só uma cínica em meio a uma embrulhada de mentiras por todos os lados; é como um livro infantil acerca de dois idiotas sentados cada qual em seu próprio barril de pólvora. Que se explodam todos.

      É chato que ela esteja a conseguir o que pretendeu: celebridade instantânea multiplicada por nossa imprensa bocó, a mesma que propagou que as máscaras do tal Joaquim Barbosa seriam um enorme sucesso no Carnaval; catzo, andei pelas ruas nesses dias todos e não vi uma única pessoa com a tal máscara...

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    7. Muita coisa escondida aí, eu sei. E a esquerda (chega de gastar aspas, vamo lá) nacional cai igual um patinho fazendo o marketing dela.

      Mas peraí também, Marcos: já que você se ampara em verdades não confirmadas de um certo rincão da mídia, também deve aceitar as verdades não confirmadas do nicho oposto, a de que os manifestantes do contra estão sendo financiados pelo governo, de feituras de dossiês e tal. O mais equilibrado que se pode dizer da situação é que é tudo farinha do mesmo saco, o que tira qualquer autenticidade moral da parte dos que acusam a blogueira de vendida.

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  4. Charlles,

    lamento tanto que os livros citados por você ainda não foram digitalizados, em sua maioria, para o ePub - acabei comprando um Kobo porque, em minhas pesquisas, fiquei sabendo que o ePub será a tendência para os livros digitais. Vez ou outro encontro um leitor que me aponta o caminho - melhor, doa-me alguns livros bons na versão ePub, como o maravilhoso "Desonra", de J.M.Coetzee e o "As Benevolentes", de Jonathan Littel. A ausência dos grandes escritores no e-Reader se explica porque os novos leitores só querem saber de tons cinzas, vampiros, lobisomens e reinos encantados (um prato cheio para uma boa pesquisa sobre o nosso tempo, não?).

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    1. Bom que tenha encontrado esses livros digitalizados, Milton. Como você sabe, eu não me interesso nem um pouco por livros eletrônicos, não por questões ideológicas de preservar a Galáxia de Gutenberg, mas porque simplesmente não consigo ler livros na tela. Mas vez ou outra tenho que ir atrás de algum título em download pelo fato da versão impressa estar esgotada; desse modo, hoje procurei em vão o livro "O Poder das Ideias", do Isaiah Berlin para baixar, mas não encontrei. Mas penso que seja uma fauna de livros ruins os mais baixados.

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    2. Minha ex-colega colocou vários textos e livros pra baixar aqui: http://textosdehistoriadavanessa.blogspot.com.br/

      E não, não tem esse do Berlin.

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  5. MAIS UMA VEZ APUNHALARAM O SOCIALISMO
    by Ramiro Conceição


    O ocorrido em Feira de Santana é deplorável. É a prova cabal da distância efetiva que se está do socialismo. Tal acontecido é irmão siamês daquela ultima invasão da Reitoria da USP ocorrida em tempos recentes. Ou do ocorrido no Museu do Índio, no Rio (o Marcos Nunes elaborou uma excelente análise sobre tal fato, lá, no blog da professora Rachel).
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    É o seguinte: existe um bando de jegues que teima em se considerar de esquerda, mas nem desconfia do que seja a luta real pela democracia. Não conseguem conviver com o diferente, embora tenham um balbuciar de revolucionários. São viúvos e viúvas do muro de Berlim. Limpadores apenas das orelhas dos livros de Marx. Leitores analfabetos de prefácios, ouvintes assíduos de Raulzito e leco-lecos pendurados nos sacos de ONGs esdrúxulas. São pedintes da história… Por isso são reprodutores miseráveis do status quo. Longe deles qualquer fio de poder!!! Pois trazem em si, adormecidos, terríveis ditadores. São um medonho bando de potenciais psicopatas, uma massa de manobra disposta, se um dia for possível, por essas plagas, a se transformar num monte de merda assassino de inocentes.
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    Travar uma dialética verdadeira com a cubana sobre o embargo americano à Ilha de Fidel, nem pensar… Tentar compreender o que efetivamente está a ocorrer em Havana, nem saber… Saber da condição dos prisioneiros daquele regime, nem sequer compreender… Gritar, gritar, somente gritar, é o que importa à horda. Entender um processo histórico? Ora, deixa pra lá: isso é coisa de reacionários…
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    Infelizmente, perdeu-se um importante aprendizado da práxis, uma real oportunidade de enriquecimento da teoria à transformação do humano. Optou-se novamente pelo humano desgraçado humano. Afiou-se miseravelmente, mais uma vez - com a gritaria cega, surda muda e subdesenvolvida -, a foice do colossal capital detentor costumeiro de satélites à hegemonia desse mundinho.
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    Lamentável…


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    1. ESQUERDA DE MERDA
      by Ramiro Conceição
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      É, já fiz cada quiproquó
      que mereci levar no fiofó.
      Até já casei com fantasma
      e até já fedi  feito miasma.
      .
      Casar com um fantasma,
      não teve problema algum:
      trepei; dormi; viajei; e me
      habituei ao sujo dito cujo.
      .
      O dilema foi que, por ser uma alma penada,
      o fantasma… não veio desacompanhado,
      mas… junto à fantasmanada acorrentada
      ao fantasmagórico de uma monada de putas,
      de estafetas, de piolhos diplomados na USP,
      um embuste!, um bando de metidos a besta,
      que se diziam “do Bem”, mas eram soleiras:
      era a geração pós-maluco-beleza,
      que enriqueceu o pobre mago da esperteza.
      .
      Nunca cultivaram o belo,
      nunca puderam conhecê-lo:
      eram moçinhas e mocinhos
      a farejar com… focinhos.
      .
      Ai... quanto papo cabeça!
      Quanta merda de esquerda!
      Ainda bem que tudo findou.
      O fantasma me abandonou.
      .
      Por isso, grato, estou aqui,
      a finalizar essa obra-bufa;
      pois soube à boca pequena
      que algumas almas penadas,
      em solitárias, fétidas, cloacas,
      vestiram-se, com as gravatas
      de suas línguas, enforcadas.

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    2. SERES DO SER
      by Ramiro Conceição
      .
      .
      Além das flores, quem és?
      - Sou as cores.
      .
      Além das cores, quem foste?
      - Fui amores.
      .
      Além de amores, quem serás?
      - Serei o que fizeste e fazes.
      .
      Além das flores, quem eras?
      - Era as cores.
      .
      Além das cores, quem foras?
      - Fora amores.
      .
      Além de amores, quem serias?
      - Seria o que fizeras e fazias.
      .
      Além das flores, quem sejas?
      - Seja as cores.
      .
      Além das cores, quem fosses?
      - Fosse amores.
      .
      Além de amores, quem fores?
      - For o que fizesses e faças:
      .
      além das flores sê
      os seres, sendo, sido,

      além dos pecados idos.
      .
      .
      SUBLIME DO SER
      by Ramiro Conceição
      .
      .
      Nascer, madurar e morrer
      - eis o sublime do ser:
      cada qual com a sua altura
      digna da sua envergadura.

      Não são assim os montes
      e também os horizontes?

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    3. Uma parte da turma é composta de inocentes úteis; outra parte de espertalhões sempre atentos a oportunidades que, tendo por álibi vestígios de ideologia, usam os tais inocentes úteis (que tem, no meio, projetos de espertaçhões futuros) para assaltar os cofres ora públicos, ora privados - os que conseguirem abrir primeiro.

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    4. assino embaixo do "Mais uma vez..."

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  6. http://opiniaopopular.blogspot.com.br/

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    1. Será que eles se acham engraçados? Quando falta inteligência e humor verdadeiros, sobra caricatura.

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    2. Olha, eu acho engraçado. Até por que é difícil analisar rapidamente se é fake ou simplesmente um site de DCE ou de Centro Acadêmico de alguma faculdade de humanas. Bem caricato como esse pessoal mesmo.

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  7. é, a Guerra Fria fica pior requentada.
    anteontem, vendo o Roda Viva, deu orgulho de ter votado na Marina Silva em 2010. deu pra entender um pouco melhor essa ideia da "Rede". O cara fica com os dois pés atrás, mas sigo com a intuição (é o q resta) de q ela representa um caminho alternativo relevante. Sim, a questão não pode ser personalizada, mas não deixa de ser um horizonte diferente o q se abre - q não seja oportunidade para oportunistas, ou q isso seja marginal.
    http://­tvcultura.cmais.­com.br/­rodaviva/­roda-viva-marina­-silva-18-02-20­13-1

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    1. A Marina Silva me lembra um Collor piorado.

      "Eu voto Collor. Vai caçar todos os marajás!!!!"

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    2. Eu a ouço e não me sinto enganado. O q pode não querer dizer nada...

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  8. As melhores piadas sobre o sinistro Febeapá:

    1) Yoani Sánchez "é uma mistura de Heloísa Helena com a Soninha (...)E essa blogueira cubana é um spam. Um spam...talho! Rarará! Em Cuba não tem tesoura?!" (José Simão)

    2) "Considerando as notícias falsas veiculadas acerca das manifestações provocadas pela vinda da blogueira Yoani Sánchez ao Brasil, a UJS (União da Juventude Socialista) vem a público esclarecer que:

    a) A UJS defende a livre manifestação de ideias. Justamente por isso, para que todas as visões sejam apresentadas, é que participamos das manifestações relativas à visita da blogueira cubana ao nosso país.

    b) Não houve qualquer tipo de agressão contra Yoani Sánchez em nenhum dos atos dos quais participamos. Não houve mais do que manifestações pacíficas com o único objetivo de romper o cerco imposto pela mídia monopolista.

    c) A manifestação de Feira de Santana não impediu a exibição do filme nem cerceou de qualquer modo o direito de Yoani se pronunciar. A UJS organizou uma manifestação democrática no local, Yoani chegou bastante atrasada e, ao entrar foi recebida apenas com palavras de ordem de protesto, nenhuma agressão verbal, muito menos física. Os responsáveis pelo evento permitiram nosso pronunciamento e, que entregássemos o nosso manifesto contra o bloqueio econômico à Cuba, que por óbvio, a falsa defensora dos direitos humanos se recusou a assinar. Em seguida, os militantes da UJS sentaram-se para assistir o documentário. Entretanto, com o argumento do “atraso nos horários”, os responsáveis pelo evento anunciaram o cancelamento do ato.

    d)Defendemos a mais ampla liberdade de opinião. E, em nossa opinião, Yoani é um instrumento financiado pelo imperialismo norte-americano e europeu com objetivo de desestabilizar a heroica resistência do povo cubano. Infelizmente no nosso país meia dúzia de famílias monopolizam os principais meios de comunicação e querem que apenas a versão anti-cubana prevaleça. Nós não permitiremos que isso aconteça. Enquanto não houver uma lei de meios no Brasil, que permita que todas as vozes sejam ouvidas, protestos pacíficos como os que aconteceram serão necessários.

    e) Os atos, portanto, vão continuar. Fazemos um chamado a todos os simpatizantes da revolução cubana para que juntos continuemos a dizer em alto e bom som: Abaixo o Imperialismo! Viva Cuba e a Revolução!"

    (Nota de Esclarecimento sobre a visita de Yoani Sánchez ao Brasil)

    Fábio Carvalho

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  9. "E, em nossa opinião, Yoani é um instrumento financiado pelo imperialismo norte-americano e europeu com objetivo de desestabilizar a heroica resistência do povo cubano."
    "Abaixo o Imperialismo!"

    Não aguento essas frases babacas. Dou risada do clichê e depois noto que não é piada -- e por isso aquele site é engraçado, se passa facilmente por um de qualquer coisa de esquerda. O uso da palavra imperialismo deveria ser proibido (e, se não me engano, aquele inglês incrivelmente feio usava todo tempo, seus seguidores ainda mais).

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  10. Fomos uma geração amordaçada pelos quarteis, hoje uma nação amordaçada pela esquerda que tanto queria falar e agora não deixa falar!

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  11. A coletividade é da natureza humana, mas não o é a história. Logo, o capitalismo foi um acidente histórico.

    Eu, hein?

    Abomino a esquerda e seus correlatos. Creio que a elite seja eterna, vemos isso na Natureza. Toda essa confusão política que se esparrama pelo mundo é consequência de um provável interregno (pelo menos foi o que previu Arnald Toynbee, que, atualmente, não faz muito sucesso, mas eu gosto dele). Um historiador da Unicamp disse, certa vez, que Lula é a antessala (ou ante-sala) da ditadura. Aliás, esquerda ou direita, nada disso importa. A verdade absoluta pertence a quem detém o poder.

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  12. Essa defesa da oligarquia desceu quadrada, heim Milton. Pronto, quebrei o awkward silence.

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