quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Literatura`n Roll



Achei ontem em uma banca de revistas da capital o livro 1001 Livros para Ler Antes de Morrer. O volume é um ótimo indicador de como a literatura de qualidade tem alto potencial mercadológico. São mil páginas amplamente ilustradas, contendo desde as Mil e uma Noites, até The Children`s Book, o romance de A. S. Byatt lançado em 2009. É um regalo para os olhos e um ótimo acompanhante para leituras no banheiro. E os escritores são fotografados como astros de rock, alguns com caras de louco, cabelos despenteados e línguas para fora. Essa idiossincrasia é culpada de alguns pecados, como ter apenas um livro de Faulkner, enquanto tem 7 de Paul Auster; ter Paulo Coelho e coisas muito irrelevantes, e uma quantidade de autores nacionais onde se percebe que foram feitas muitas concessões ao patriotismo para adotar uma lisura de vendas e uma devida correção política. Mas nada que estrague o prazer que a obra oferece. Os editores arrebanharam os maiores entendidos de literatura nos quatro cantos do planeta, e as resenhas para cada livro são ligeiras e digeríveis, mas com aquela série de informações curiosas que, parece, não se consegue ter em fontes mais acadêmicas. E as ilustrações são mesmo magníficas, com capas de primeiras edições, panfletos de lançamento, fotos de originais, de cenas de adaptações cinematográficas. Fiquei muitas horas embevecido lendo aqui e ali no livro, ontem à noite. E o mais incrível é o preço: 19, 90 reais! Por um livro de páginas de ótima qualidade e verdadeiro objeto de decoração, que, desavisadamente, supõe-se custar cinco vezes mais.

9 comentários:

  1. É uma lista semelhante a dos melhores jogadores de futebol do mundo; aqueles mais recentes ficam à frente, os mais antigos bem mais atrás ou então simplesmente não aparecem. Paul Auster não merece ter sequer 1 livro em qualquer lista; é literatura calculada, produzida em série com artifícios intelectualóides evidentes, coisa pra trouxa.

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    1. Concordo quanto a Auster. É literatura pra lá de amena, li dois livros dele, os considerados principias, faz uns cinco anos, e os esqueci por completo. Sério, chega a ser assustador: não lembro nada dos livros.

      Mas tal manual tem uma provisão muito boa dos clássicos, não só os contemporâneos. É divertimento na certa, algo assim como revista Contigo ou Capricho, para amantes da literatura.

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    2. Sou um trouxa, então. Por que as pessoas não podem criticar um autor sem ofender quem gosta dele?

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    3. Cassionei, controlo a minha personalidade depreciativa. Não fui que disse isso..., foi o Marcos, o MARCOS.

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  2. Eu sou menos tolerante. Quando pego um livro desses, e acho que já peguei este, e percebo uma ou duas ausências importantes, acho imperdoável e não quero mais.

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    1. Quase fiz isso ao ver que tinha somente um livro do Faulkner.

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    1. Você deve estar se referindo à lista ao final de O Cânone Ocidental. Faço minhas ressalvas, a principal por ser excessivamente eurocêntrica e norte-americanocêntrica, muitas vezes citando um livro de autores importantes fora desse eixo literário apenas para ser correto: ele coloca apenas um livro de Vargas Llosa, um só do Saramago, e assim vai (embora o autor latino-americano que mais é catalogado ali seja o Cortázar, em 3 livros_ excluso o Rayuela). Mas é sim uma lista valiosa a de Bloom.

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    2. Um mês atrasado...mas outro livro demais do Harold Bloom é o "Gênio". Lá ele coloca 100 autores, de São Paulo a Dostoiévski (um brasileiro, Machado de Assis), divididos nas 10 esferas da Kabbalah, de acordo com suas características. Passei semanas dirigindo-me à biblioteca da faculdade durante o intervalo a fim de lê-lo, pois o achei mais sedutor que o Cânone, que foi jogado para o final da minha lista.

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