domingo, 29 de abril de 2012

No Trem



No trem para S., encostei-me à quina do banco com a janela, o rosto um pouco abaixado de encontro à gola da camisa do exército, com os olhos nivelados com a paisagem mutante lá fora. Os sons das rodas de ferro sendo alavancadas pelas barras de impulsão, a cabine cujos encaixes tremiam quando toda a máquina se recolhia em sua dimensão retilínea para poder passar pelas curvas dos trilhos, os vidros cedendo, de forma quase imperceptível, às leis da termodinâmica, sofrendo dentro das atribuições estudadas pelos engenheiros de construção a compressão dos encaixes metálicos_ tudo ia massageando meu ego destroçado, que só naqueles instantes de consciência que a brutalidade dos mecanismos do mundo envolvia tudo o mais que existia, as coisas delicadas e as coisas que respondiam às suas funções mais rígidas, compreendia que havia uma zona de equilíbrio para que a fragilidade pudesse sobreviver em relativa paz com a força absoluta. Halperin, Halperin_ uma voz dizia, balançando a cabeça sob a canção milenar da sabedoria expressa com resignação_ a sua jornada, no fundo, olhando com uma capacidade mais restringida para a admiração, talvez possa ser interrompida num estágio mais precoce, a procura apaziguada pela aceitação de que seu lugar seja entre os que se silenciaram sem medo diante os grandes enigmas. Talvez a nobreza verdadeira seja apenas o deixar-se ficar sonolentamente ao embalo das coisas milenares. Eu achava mesmo que essa voz agora dizia algo que enfim podia dar ouvidos, afinal o que diabos eu procurava? Não me pareceu que a revolução, nos moldes adotados pela turma de Ernesto e Libertad, justificasse a grande sede por propósitos que me dominava. Aliás, qualquer revolução, me parecia, era um enorme engodo, cujas motivações nunca eram as que propagavam nos ideários onde seus heroísmos de cartilha pensados sob eflúvios alcoólicos à noite eram impressos, mas suas turbinas se moviam por recalcadas ambições pessoais_ dominação, sexo (no caso de Libertad), falta do que fazer diante a pequenez do bípede a quem não foi dado a constituição própria para o vôo. Como estava cansado desses propósitos majestosos.
            De frente a mim, com as cabecinhas apoiadas no encosto do banco, havia um menino de uns oito anos e uma menina mais velha, talvez uns treze, que desde que o trem se colocara em movimento me estudavam com atenção. Meu olho roxo e minha aparência geral de destruição os deixavam impressionados. Eram loiros, sardentos, e seus pais, parecia ter-lhes adotado o estilo de criação de os deixarem à mercê da sujeira saudável para reforçar seus sistemas de defesa. A menina, de imediato, só de olhá-la, já se podia perceber ser a antípoda ativa do rapazinho, de cujo rosto partia uma total dependência dos humores da irmã. Se a menina sorria por nenhum motivo, sua cópia masculina e mais nova estendia a face num sorriso também sem explicação; se ela, por sua vez, balançava a cabeça ao embalo de uma melodia secreta, ele também passava a cantar, repetindo o ar de alheamento, sua canção particular. A menina tinha um olhar diabólico, parecia conhecer profundamente o estágio de torpor exausto dos pais_ um homem e uma mulher mirradinhos, com uma perfeita máscara de estupidificação nas caras_, e aproveitava com astúcia a liberdade involuntária que tinha. Minha presença arranjada pela benemérita providência divina, logo atrás de seu banco, era uma ocasião deslumbrante da qual ela tinha de demonstrar com todo afinco estar à altura do merecimento. Um ser que transparecia conotações ainda distantes de sua experiência, de que se situava num impreciso limite com o invisível, mexia com as considerações sobre bondade e medo que aquele casal simplório havia lhe inculcado. Seus olhinhos perversos procuravam algum indício de que eu fosse culpado por minha aparência, para então desembaraçar-se de qualquer remorso e ser também um instrumento para acentuar meu expurgo. Fazia-me caretas discretas, que pareciam dizer “não, bobo, não tenho tempo para você”, e retornava a estudar a composição de sua proeza vocálica, que apenas fazia fundo sonoro à procura por novas curiosidades oferecidas pelo ambiente. E o pequeno ser que lhe arremedava fazia o mesmo, revirando o pescocinho, com uma segurança de que aquele era o caminho certo para novas diversões. Então ela mostrou toda a potência de seu conceito sobre estranhos, me crivando um olhar onde a graduação de sua certeza era expressa pelo movimento das pálpebras_ quando se semi-fechavam, que era o que fazia então para manter toda sua concentração sobre mim, estava deixando claro que sabia o que eu representava. Não era tola para cair nos arranjos que os adultos demonstravam criar para submetê-la; reconhecia que muita coisa lhe passava batido pela condição de ainda ser criança_ esse termo que limitava sua vontade e contra a qual destinava toda sua rebeldia, inclusive o seu desprezo pelo irmão cuja estupidez era ainda maior por adotá-la como modelo, mas tinha um confiança em si mesmo que a tornava militante contra essa estupidez que lhe chegava de todos os cantos.
            Decidi confrontá-la, pois estas idéias todas aparecerem na minha mente e me vi tomado por uma súbita admiração por aquela menina. Oposição poderia ser verdadeira amizade, como já disse o velho Blake, e ela não iria querer que eu lhe viesse com a amolação de tratá-la como uma menina. Pus um ar de severidade nos olhos, resisti ao seu encaramento e disse, (não sei por que):
            _ Essas feridas eu as ganhei numa briga de trem, semana passada.
            Ela não mostrou nenhuma reação de empuxo contra ter-lhe dirigido a palavra. Seu olhar abrandou-se um pouco, não em sinal de começo de confiança, mas para avaliar o sentido daquilo. De súbito, passei a crer que ela fosse uma espécie de criança ultra precoce, que nada haveria de mais familiar a seu espírito centenário a realidade atroz dos trens, para a qual vagabundos e deserdados gerais faziam meio corrente para atravessar de canto a canto o país. Um traço de mulher madura, não de todo desprovido da feiúra temerosa das anormalidades, passava por seu rosto à medida que refletia. Então, ela recolocou os olhos em mim, carregados de faíscas opinativas como estavam há meio minuto, e me disse:
            _ Nada incomoda mais aos punhos do senhor Santiago do que vagabundos feito você.
            Sua voz era árida como cacos de vidro roçando uma parede, mas ainda assim bastante doce. Respirei aliviado. Não, não! Era uma criança como qualquer outra. Eu estava no planeta usual que a detivera de experiências alienígenas por esses anos todos. Olhei para ela por sobre o desnuviamento de meu sorriso, achando que se ela tivesse realmente os anos a mais que de primeiro achei ter, saberia que eu roubei a expressão de piedade terna pela arrogância inofensiva da inocência de algum filme americano de década de cinqüenta. Mas ela levava a coisa ainda bem a sério. Apostava nos protetores músculos desse seu herói das viagens, Santiago.
            _ Pois não foi Santiago que fez isso a você. Santiago não deixa sobreviventes._ daí ela pôs a língua para fora, uma língua rosada de algum produto dulcicorado de mercado que seus pais omissos deveriam achar ser parte da força imunizadora do mundo livre, e me virou as costas, pulando sentada sobre seu banco e saindo de vista. O protótipo masculino seguiu-lhe o exemplo, lanceando a língua, embora de forma sedutoramente desprovida de conotações políticas quanto a conhecidos poderosos do ramo da segurança de trens, mas permaneceu olhando para mim com os olhos cheios de hilaridade vazia, sentida apenas pelo fato maravilhoso de estar vivo.

18 comentários:

  1. Taí, não entendi porra nenhuma.parece coisa tirada dentro dum contexto que nos deixa sem saber ligar os pontos, ou simplesmente: para chegar a C é preciso ter passado por B tendo saído de A. Talvez seja de Contra o Dia (?). Sei lá. Quem é Santiago? De toda discrepância nasce um maravilhamento por favor da obviedade? Ê, meu, esclareça isso aí!

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    1. É só uma diatribe, Marcos. Coloquei isso aí mais para que EU entendesse aonde EU estava querendo chegar com algo que havia escrito. Para ver como soaria uma vez exposto. Não que quisesse comentários sobre um excerto que, como você disse, é confuso. Sabe aquele lance de que só vemos a arrumação da casa quando um visitante nos instiga involuntariamente a vermos pelos olhos dele? Santiago e demais nomes são gratuidades imediatas que escolhi em vez de colocar apenas letras maiúsculas à frente de nomes ainda não escolhidos. E sei, a frase de menina está inteligente demais, mas, com o devido respeito a esse sinal de independência: que se foda! Já tenho conhecimento demais com crianças para saber que muitas vezes elas revelam uma proficiência no idioma espantoso.

      O negócio é o seguinte: tenho dois romances aqui em casa escritos por mim. Antes de mais nada, não sou derrotista e auto-depreciativo como você. Então, não verás a síndrome de vira-latas quando eu tratar sobre isso com você. Se eu não me achasse muito bom eu não perpetraria isso. Entenda como quiser_ e suspeito que será da pior maneira. Essas obras tem uma série de defeitos, muitas partes pra lá de boas, e dúvidas e mais dúvidas. Estão, pois, incompletas, por mais que tenham um escopo físico avantajado_ e talvez o problema esteja aí.

      Uma delas intitula-se Panorama 17. Já mostrei excertos aqui, acho que um ou dois. É curtinha e pode ser até eficiente, mas ainda tem que ser trabalhada. A outra é sobre esse personagem aí em cima, e tenho duas versões rascunhadas entra as quais não sei ainda que rumo seguir. Uma delas tomei como modelo programático o Filhos da Meia-noite, de Rusdhie. É mais espontânea e eivada de alguns cacoetes que você com seu imediatismo semântico não relutará em pichar de "realismo mágico". (Como se isso fosse um gênero novidadeiro com o umbigo latino-americano ressecando ainda dependurado na criatura, e não viesse de A Tempestade, e estivesse até em O Tambor, de Grass). A outra versão é picaresca e um road-movie, o que gostaria que fosse e melhor, mas não é. A primeira versão, rushdiana (apesar de não ter ouvido a melodia de Rusdhie em momento algum enquanto escrevia), é mais natural e feliz. Dela retirei certa vez um excerto nomeado O Sr. Galheb, publicado aqui no blog.

      O que penso é que devo esquecer essas investidas e escrever outra coisa. Desobstinar-me.

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    2. Ah. Essa parte aí do post veio do road-movie. Merda, uma dessas coisas que a gente escreve e que nos dá cargas cocaínicas de adrenalina, para depois vermos que não há nada lá.

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    3. Obs: agora vi que talvez soe agressivo eu ter dito "auto-depreciativo como você". Suspeito que você tenha entendido, mas é bom explicar. Você sabe minha admiração pelo Marcos Nunes escritor, até onde vai o lenga-lenga de "meu novo romancinho" e coisas que o vale. Fica aí o adendo.

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    4. Sinceramente? Isso de publicar excertos de obras só funciona como nos jornais, onde esses excertos servem para estimular os leitores à leitura da obra completa, objeto de resenha que alude ao lançamento de determinado livro. Assim, no escuro, desorienta, ou fica parecendo um troço incompleto, malogrado, inconcluso, impreciso, ou até excessivo, repleto de detalhes que se perdem fora do co texto da obra maior.

      Não sei se, de qualquer maneira, o autor é o mais competente para entender a própria obra, e sequer se ela é boa ou não. Só que: se ele não se manca diante de fragilidades evidentes, é porque sua leitura até das obras alheias é por demais deficiente. Não parece ser esse seu caso, conforme você próprio reconheceu, embora um tanto ambiguamente.

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    5. A tradição de expor excertos de obras em andamento é antiga, Marcos. Claro que você sabe disso. Na auto-biografia de Canetti ele diz sobre suas leituras públicas de partes de Auto-da-Fé; Kafka gostava de ler seus textos ainda inconclusos em jantares com amigos. Bellow e demais autores americanos publica-m (avam) capítulos esparsos de seus livros em jornais literários. Não vejo mesmo qualquer necessidade de que a história, enredo e circunstâncias da obra completa tenham que aparecer nestas exposições. A indefinição e incompletude formam o charme desse tipo de publicação. Não estou sendo auto-referente aqui.

      Sobre fragilidades evidentes, já havia dito isso para você. Na nossa idade e em nossa maturidade de escrita e leitura, o que resta é trabalharmos nossos erros até convertê-los em "estilo". Javier Marías, para mim um dos maiores escritores atuais, mostra uma série de erros. Leia o excepcional Coração Tão Branco, para você ver. E no entanto ele desenvolveu o que poderia ser entraves até uma forma de assinatura proficiente.

      Pode parecer desculpa de aleijado, mas eu não corrigi o texto do post nem fiz cortes antes de colocá-lo aqui para testar como ficaria sob olhos alheios. Uma das características que mais gosto de Philip Roth é que ele vai na contramão das exigências estéticas que tanto açodam os ficcionistas latino-americanos. Por exemplo, Garcia Marques abomina o uso de advérbios, como disse em Viver para Contar, mas em Cem Anos de Solidão há uma profusão deles, e Roth os usa até excessivamente (e falo tanto pelo que vejo nas boas traduções quanto em alguns originais).É um modo de informalismo que penso ser amparado no direito adquirido pela prosa norte-americana, que se engajou em variados e mesmo excêntricos níveis de escrita. Não estou desculpando o texto aí de cima. Mas o propósito era ser palavroso, pouco estilístico, ingênuo e apaixonado.


      Bla, bla, bla, bla, bla...

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    6. Ô, catzo, o pobrema é que os autores conhecidos podem dispor de partes de seus livros como estratégia de propaganda, e os Zé Ruelas que nem nós tem, no mínimo, a obrigação de explicar pro eventual leitor (e põe eventual nisso!) que, olha aí, mano, eu tô escrevendo ou escrevi um romance ou conto e, bem, não dá para publicar tudo aqui, mas a parada é a seguinte: se trata dua história em que o herói masturbardor pegou um trem e tava super cansado, e então acontecem aí umas coisas, tá ligado?

      Sem isso, a gente cai de paraquedas sem paraquedas num solo de areia movediça e ficamos assim, com o sorvete na testa pingando nos olhos.

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    7. Canetti e Kafka e uma cambada de gente boa eram absolutos desconhecidos na época das leituras. Mas, nosso amor nunca se baseou na concordância, Marcos.

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    8. Eu acho que são coisas incomparáveis - a publicação de textos em jornais x publicação de textos em blogs, excertos para amigos x excertos para desconhecidos, etc. O Marcos tem razão quando aponta que você será lido por olhos pouco generosos (ou conhecedores)- o Google traz leitores estranhos, igual restos de oferendas pra Iemanjá... Eu vejo que a publicação de textos na internet tem leitores habituais lado a lado com desconhecidos. Sempre alguns estarão aqui pela primeira vez, totalmente fora do contexto.

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    9. Confesso que não entendi bem o que você quis dizer, Caminhante. Apesar de, claro, a opinião alheia seja de quem for_ conhecidos habituais ou não do blog_ ser importante, reitero que a exteriorização pura e simples do texto me faz aprender, pois retira-o da gaveta e o mostra inteiramente nu.

      Eu sou muito rigoroso comigo em questões de escrita. Tenho uma fobia indescritível de reler coisas que eu coloco aqui. E há textos e textos meus abortados. Estou sempre e continuamente escrevendo, pois isso é uma compulsão. Ontem mesmo escrevi um loooongo texto sobre... o primeiro episódio de Mad Men (assisti ao segundo também, e depois, o site indisponibilizou o restante; estou à procura). Ficou uma coisa cheia de arremedos de vários estilos que eu aprendi. Vou te mostrar uma parte abaixo, não vou fazer um post nem nada, pois o sinal vermelho apitou. Aqui vai:


      1.

      O primeiro episódio de Mad Men poderia ser visto como uma contra-propaganda do cigarro através do batido recurso de provocar na platéia o choque anacrônico de como éramos 50 anos atrás. Todos fumam nos 48 minutos em que Mad Men apresenta o elenco de seus personagens, tanto os que deverão ser amados quanto os que deverão ser odiados_ embora também seja recorrente o uso do recurso da nova maturidade amoral de que ninguém é bom, de que todo mundo tem o que esconder. O determinador comum desse primeiro episódio é que o cigarro reina onipresente nas camas dos amantes, nos ambientes de trabalho, nos consultório médicos, no metrô. Fumar é um catalizador social que traz distinção não só de classe e beleza, mas restitui aos olhos sensibilizados pelas leis atuais que já baniram o fumo da exposição comercial sua aura de refúgio contra as admoestações da realidade. Essas cenas propositalmente exaustivas, que passam fino na fronteira do didatismo, trazem o poder premonitório que muito justifica a excelência atribuída às séries da tv americana, juntando-se a elas a perfeição dos cenários de uma Nova York dos anos 60 pronta para explodir no mercado carnívoro da propaganda da pós-revolução sexual. Os atores são desconhecidos retirados de algum armário de protótipos originais dos executivos de época, com cabelos engomados e ternos assepsiados, assim como as atrizes parecem ser as sobreviventes desiludidas dos bailes colegiais de uma década anterior que recorreram à perversão adaptativa para adquirirem seus lugares no secretariado do universo masculino. O ator principal tem um desses rostos que o arranjo genético já não tem mais interesse em criar das fotos antigas, corredores automobilísticos e crooners de rádio esquecidos, com uma integridade quase demasiadamente viril suavizada por distraídos passeios de sobrancelhas a algum drama pessoal nunca revelado. Esse rosto aumentaria ainda mais o anacronismo da série, levando o telespectador a depositar nele suas calejadas fichas no raro elemento moral, se não tivesse saído do cérebro que há por detrás dele o slogan de campanha que defenderá a indústria do tabaco por mais duas décadas contra as insurgentes denúncias médicas. É desse galã à moda antiga que o mercado do cigarro recebe a tábua de salvação para poder lucrar de forma ainda mais desmedida através de um mar de ultrassonografias retaliativas das origens do carcinoma.

      ----------------------------------------------------
      Escrevi mais 4 partes de viagens sobre um episódio de 48 minutos. Sei que há muita impostura aí em cima, mas tenho que respeitar meu demônio interior (como chamava Kipling a sua aptidão de escrever). Então, novamente reconhecendo a desculpa de aleijado, esse post, com todos os seus defeitos, é uma catarse educativa para mim.

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    10. Nham, adorei! Espero que o resto da série continue gerando observações tão boas quanto estas.

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  2. Eu achei que o texto tem problema de ritmo

    "ela pôs a língua para fora, uma língua rosada de algum produto dulcicorado de mercado que seus pais omissos deveriam achar ser parte da força imunizadora do mundo livre"

    Não vou dizer onde eu cortaria porque o texto não é meu, mas acho que dá pra entender o que eu quis dizer.

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  3. putaquiopariu
    sou obrigado a discordar. desculpem, marcos e caminhante (não pela discórdia, mas pelo palavrão e as letras todas minúsculas).
    "ela pôs a língua para fora, uma língua rosada de algum produto dulcicorado de mercado que seus pais omissos deveriam achar ser parte da força imunizadora do mundo livre"
    isso aqui é totalmente charlles campos, é o tal estilo de q ele fala - adoro isso e é por isso q volto sempre aqui. a frase toda não se dá por acaso. talvez a caminhante tenha separado a melhor parte do escrito. e eu não sei qual é o problema de ler só uma faísca de algo maior - não entendi os pontos da gente aí.
    é um trem, é um vagão de um trem. façam como o cansado trabalhador lá na quina da outra janela: aproveitem a viagem ao menos para tirar uma soneca.

    charlles, quero muito ler o q tem aí contigo. para não ficar de mero bajulador (o meu normal aqui), menciono q o meu único senão era aquela frase da menina mesmo, a q te referiu agora. como ela foi escrita, tomei-a exatamente no sentido oposto ao q o narrador a recebe. não respirei aliviado, a menina parecia comprovar sua força, chamando pro duelo-diálogo. ou era o q eu queria q acontecesse. enfim, talvez no fundo nem tu a quisesse mais "uma criança como qualquer outra" (só pra meter um psicologismo de quarta-feira em mais um belo post teu)

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    1. Obrigado, arbo. Divido a opinião entre você, o Marcos e a Caminhante. Esse texto sobrevive pela energia que eu julgo ter nele, em detrimento de uma real preocupação de qualidade literária. Seu comentário sincero sempre é muito importante.

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  4. Charlles, bom o texto. Só acho que tu deves tentar não esclarecer as coisas nos comentários. Deixe as perguntas no ar ou responda com outras perguntas. O leitor deve preencher as possíveis lacunas, interagir com o texto. Se não o consegue, o problema deve ser - às vezes, friso - de quem lê.

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    1. Pensei nisso. Mas como salientou a Caminhante, a presença de amigos exige a dispensa de formalidade.

      (Tu sumistes em seu blog. Que bom saber que ainda está vivo!)

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