...eu nunca achei a Virgínia Woolf feia. Ela é o tipo de mulher pela qual me apaixonaria nos tempos de colégio. Eu me apaixonava pelas meninas cerebrais e que tinham alguma forma de introspecção distintiva. Uma vez tive uma crise febril por uma colega de sala. Íamos juntos no ônibus que nos pegava em casa; ela curtia com a minha burrice crônica, mas o fazia de maneira apiedada, quase gentil. Claro que ela sabia que eu era louco por ela. Chamava-se (olha só a arrogância enrustida: chama-se, já que por não vê-la mais não é sinal de que parou de existir) Flávia Cintra Albuquerque. Já procurei no Facebook, ela não é dessas coisas. Deve estar trabalhando em alguma ong internacional, se tornado tradutora da ONU, ou integrante dos Médicos sem Fronteiras. Um dia me mostrou um LP do Pictures at an Exhibition, e disse ser a peça erudita que mais gostava. Perguntou pela minha, e em meu desmobiliário interno em que havia uma gralha observando um feixe de feno rolando pela areia, eu só achei para responder: a trilha sonora do Superman. (Meu Deus, como isso parece latejar, querendo doer.)
(Sem contar que, na volta para casa, um dia, eu estava com a bexiga a ponto de explodir, o que me levou a ir para o banco mais ao fundo do ônibus e dar vazão àquele rio todo, ali atrás. As demais crianças gritando quase em uníssono que havia um grande filete de água rolando sob seus pés, e o sr. Moacir, o motorista de 80 anos que tinha uma ranzinzes típica da idade e da função, parando o ônibus e gritando, enquanto olhava o mijo resplandecente alagando-se em plenitude pelo assoalho: “quem de vocês filhos da puta fez uma desgraça dessas”. Ainda hoje eu sinto aquele único olhar de conhecedora devotada me reconhecendo como culpado. Eu nunca teria chance!)

Darei uma explicação prosaica ao fato de você não tê-la encontrado: ela deve ter casado e mudado de nome. Uma das coisas que me levou a mudar o meu foi a idéia daquela outra deixar de existir. Quem me procurasse pelo antigo nome, nunca mais me encontraria (encontra uma homônima nordestina, conforme pesquisei). Era como apagar o passado, ter uma vida nova sem precisar ser testemunha de nada.
ResponderExcluirVoltando à tua testemunha: céus, você teve mais paixões platônicas do que anos de vida escolar!
Uma grande amiga minha, antes de eu conhecer a Dani, dizia que era muito fácil uma moça angariar minha total atenção por ela: bastava tropeçar na minha frente, que quem caía de amores era eu. Me apaixonei de vez pela Dani ao ver seus olhos verdes marejados de lágrimas, uma vez.
ResponderExcluirEssa ideia do nome de casada me passou pela cabeça.
Mas eu realmente nunca amava as bonitas da classe, mas as mais personalizadas. Houve um tempo para as meninas de olheiras, de aparelho, de óculos. Mas também o inverso sempre acontecia: terminei um namoro por causa a joanete de uma moça: estava me mantendo firme no exercício da maturidade durante meses (deixa de ser bobo,é só um calo ósseo), quando ela me disse, esfregando a joanete e com ar carinhoso: "Te assusta né? E minha mãe diz que elas crescem com o tempo." Aí não dava mais!
ExcluirHAHAHAHAHAHAHAHA!
ExcluirQue mulher feia, Charles! Eu também tenho tesão por inteligência, mas essa daí... nem se ganhar um Nobel de Medicina! kkkk
ResponderExcluirEla tinha certo brilho no olhar, João, que infelizmente a depressão apagou de forma trágica. Mas lendo as palavras dela, é difícil não se apaixonar...
ExcluirDe fato, ao ler a Virginia é difícil não se pensar que se poderia cair de amores por ela. Compartilho contigo a atração por mulheres que me aticem o pensamento. Boa conversa, inteligência e cultura podem ser, sim, poderosos afrodisíacos. E isso não é apenas conversa de pseudo-intelectual para ver se "pega" mulheres desavisadas.
ResponderExcluirAlém de tudo, gostei muito do Sr. Moacir.
Ele não se chamava Moacir e não me recordo o verdadeiro nome. Mas me lembro que era perigosamente velho demais para a função, coisa que parecia não incomodar nem um pouco aos pais, e descia toda série de broncas em todos nós.
ExcluirFarinatti, é difícil encontrar alguma mulher dessa espécie, daí que quando a encontramos, nos apaixonamos. (É brincadeira, brincadeira, brincadeira. Conheço bem mais mulheres inteligentes que homens que padecem da mesma incontinência.)
Duas coisas: Virgínia Woolf era feia, e Charlles Campos era um porcalhão!
ResponderExcluirApesar de ainda ter problemas de esquecimento sobre o tamanho das unhas dos pés, Rachel, nessa época eu tinha lá os meus 10, 11 anos...
ExcluirA feiura de Virginia não se compara com o talento dela, e é sobreposta por ela sem favor algum. Bosta, o fantasma dela sempre papeia comigo e, sendo fantasma, não conseguimos nada além duma relação platônica, o que é uma pena...
ExcluirBem, vi a "polêmica Cortázar" e também li o texto do Idelber. Fiz um comentário agorinha lá, assim:
"So achei que a comparação com Renato e seus Blue Claps indigna; eu citaria, para fazer justiça, The Fevers...
Não implico tanto com Cortázar assim, mas concordo que os procedimentos dele são fáceis e repetitivos. Como prova, escrevi um conto seguindo sua linha, que está aqui, ó - http://papodehomem.com.br/demoninho/ - e poderia constar, penso eu, das obras completas dos copiadores de Cortázar. "
Mais uma vez, encerro minha atividades interneteiras a fim de escrever mais um romancezinho insípido, que todos podem acompanhar no endereço a seguir, a partir das... sei lá, 14:00 hs de hoje:
http://sobrevida-concerto.blogspot.com/
Dentro duns 3 meses eu volto, sabe-se lá...
Oba! Já li a primeira página. Só não entendi a menção a Reparação. Mera referência ao sentido da palavra, penso, já que McEwan, pelo que sei, não é lá um de seus autores queridos.
ExcluirIsso sobre a fórmula de Cortázar é uma bobagem. Qual escritor não tem uma fórmula? Tem como fazer um mapa astral do estilo de cada escritor do mundo. Cabrera Infante já brincou com isso em um de seus romances, emulando os principais autores cubanos. Joyce também.
Pus no blog, noutro lugar, à parte, a razão de ser da aproximação. O falsamente biografado é meu pai.
ExcluirAcho que você não lei meu continho à Cortázar, bem juvenil, em:
http://papodehomem.com.br/demoninho/
Escrever isso foi bem engraçado, porque só depois de escrito é que percebi que ele poderia fazer parte de um volume de copiadores da fórmula do argentino - ou da diluição de seus procedimentos ficcionais mais jocosos.
Se você fosse um personagem de ficção, uma boa maneira de contar a sua história seria através das paixões.
ResponderExcluirOu dos grandes vexames...
ExcluirE dos grandes vexames.
ResponderExcluireu quero ler a autobiografia de charlles campos.
tou lendo a do lobão, mto boa.