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| Hermione é, ninguém menos, que a Maga, exilada em Paris depois dos 20 anos! |
"O que eu estou apontando é uma disjunção: um escritor (Cortázar) que está muito mais próximo de Harry Potter que de Borges ou Lezama é lido no Brasil como se fosse um Borges ou Lezama." Essa é uma frase de um comentário que abalou o mundo das letras, escrita por Idelber Avelar. O honorável doutor usou tal comentário como complemento a um já extraordinariamente revelador post sobre Cortázar, publicado em seu blog Um Outro Olhar, texto esse que devastou como um raio de luz a nossa propensão incorrigível de leitores em atermo-nos a uma apreciação solidificada no mais crasso senso comum da obra dos autores canônicos (como fez-nos ver Idelber em outro instante, dessa vez no twitter:“Ler aqueles comentários (as opiniões contrárias, em grande maioria, na caixa de comentários) é um fantástico exercício de etnografia do senso comum literário” ). Sempre encimado na mais ostensiva modéstia, Idelber deixou para lançar essa revelação portentosa para o final: se Cortázar é um símile de Harry Potter, então, (pausa dramática), a Maga de Rayuela é...(clarins e trombetas em altíssono): Hermione Granger!
Isso explica sobremaneira todos os mistérios e passagens enigmáticas da escrita de Cortázar. Resta esperar as novas revelações a serem externadas pela lúcida mente do doutor Idelber, se o cruzeiro em que viajam os personagens de Os Prêmios não é, na verdade, um Ford Anglia azul voador; se as fotos de A Prosa do Observatório não são, afinal, das escadarias do Castelo de Hogwarts; se as mancúspias do conto Cefaléia não são outra coisa que as serpentas gigantes que guardam a Câmara Secreta; se Horacio Oliveira é Ronald Weasley. Mas uma coisa já podemos deduzir: todas as tramoias macabras, desde as presenças espectrais de A Casa Tomada ao desaparecimento do saxofone de Johnny, foram obra de Lord Voldemort.
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| O universo literário espera as novas revelações de Idelber Avelar. Teria Lord Voldemort algo a ver com o desaparecimento do saxofone de Johnny? |


Vi o post do Idelber ontem, mas ainda não tive tempo de ler. Com essa sua cutucada "mágica", eu me vejo na obrigação de ficar por dentro da opinião "bruxa" emitida pelo honorável blog do professor de "Um outro olhar".
ResponderExcluirAbraços, Charlles!
A discussão é boa. Várias alfinetadas no Idelber. Inclusive colaborações minhas. Se não me engano, foi a segunda vez que comentei assinando meu nome no blog (a primeira no Biscoito Fino), e a reação é sempre a mesma: uma completa indiferença por parte do titular da conta, e, depois, a censura de novos comentários. Fiz piada dessa menção a Harry Potter, mas ele a podou, e, creio, não faltei com o respeito, pelo menos não fora de meu direito de defesa quanto à acusação dele de que, afora a SUA interpretação sobre Cortázar, todas as outras são senso comum.)
ExcluirAbraço, Carlinus.
Eu não li nenhum dos três - Idelber, Cortazar e Harry Potter - então só uma coisa me chamou atenção: desde quando você lê twitter?
ResponderExcluirE não leio. A frase foi apontada por um dos outros comentadores. (Um dia entrei no twitter de um amigo, mas sou matuto demais para saber usar aquilo. Me pareceu diversas pessoas falando para uma parede sem nexo algum. Fiquei tão perdido que lembrei de um poema de Ezra Pound em que se diz algo assim: Êta cambada de gente letrada da porra!)
ExcluirHavia lido o texto do Idelber e pensei que fosse uma grande ironia. Não,não era. Não gosto desta mania de menosprezar de quem gosta de determinados escritores, chamando-os de adolescentes, no caso. Isso não serve para escritores consagrados. Não se pode simplesmente criticar sem ridicularizar o leitor?
ResponderExcluirMe irritaram também as comparações com músicos brasileiros.
Cassionei, você que é um porreta de um cowboy pra lá de vingativo, deve estar pensando: mas não foi a mesma coisa que VOCÊ fez com Vila-Matas? Meu texto sobre o espanhol foi, como salientei, uma crise epiléptica do gosto, uma súbita desorbitação da gravidade reinante, uma pequena viagem ao subconsciente, e eu não sou doutor em literatura e não tenho o peso de formador acadêmico de opiniões como penso que o Idelber é para alguns. Como o Pedro disse em um comentário fantástico lá, essas infantilidades sem fundamentos claros só se voltam contra o próprio Idelber, o desmoralizam. Eu pensei em fazer um longo estudo aqui sobre Cortázar, repassando tudo que eu li dele (e eu li TUDO dele, desde meus 17 anos), e salientar o quanto é estúpido denegrir sua importância criadora através de uma ótica política _ sobretudo política partidária de esquerda latino-americana e brasileira. Mas voltei atrás pois seria dar corda a uma crítica que pingou na superfície e foi para fora, como aquelas pedras arremessadas por cima de uma represa. Harold Bloom mesmo fala, em seu Cânone Ocidental, que um dos constitutivos mais prazerosos da literatura latino-americana da metade final do século passado era ser apolítica: Borges, Macedônio, Cortázar, Garcia Marquez, Macedônio, eram escritores apolíticos. Me espantou o Idelber tomar sua visão sobre Cortázar pelo viés político. Cortázar praticamente NÃO TEM TEXTOS POLÍTICOS. Mesmo contos de sua fase tardia, como Grafite, são muito genéricos e nada engajados, e isso é ótimo. Eu gosto muito de literatura com política, mas não era essa, de maneira nenhuma, a intenção de Cortázar. Idelber errou feio ao invocar o lulista ortodoxo para medir a obra de Cortázar. E essas referências sobre É o Tchan, Harry Potter, e sair dizendo que não tem nada contra Paulo Coelho, esses mesmismos descerebrados para sair como politicamente correto, é sem propósito, é um vício moral e filisteu absolutamente desnecessário.
ExcluirAntes que alguém caia aqui com exclamações: Cortázar se entregou a uma partidarismo de esquerda no final de sua vida, e isso refletiu negativamente em sua obra. Mas sua causas eram mais humanitárias que marxistas, como se vê em seu livro sobre a Nicarágua. Cortázar falhou em se investir com a capa do intelectual politizado, platônico e guevariano, assim como muitos outros escritores cujo senso infantil inerente à sua personalidade criadora os tornaram singelamente enganados pelos clarins dos manifestos. Por isso que é delicioso ler García Marquez escrevendo sobre a ausência de cães nas ruas de Moscou quando seu propósito em visitar aquela cidade era traçar uma panorama político. Eram ambos saudavelmente levianos demais para serem políticos.
ExcluirJá me conhece bem, hehe. E obrigado pelo comentário da minha crônica.
ExcluirCharlles, li o texto do Idelber e outro, que está em um dos links do texto; reputo-os bons, ambos. Como está no próprio texto do Idelber, e comentários na sequencia, há mesmo alguns que ainda brigam pelo lugar de Cortázar, o que indica, cfe. Idelber, que há uma séria contraposição ao patamar do escritor. Outro detalhe: Idelber coloca o Bestiário entre os livros mais importantes da literatura latino-americana; insurge-se mais contra obras posteriores e, principalmente, contra o Jogo da Amarelinha. Sinceramente, acho que as razões dele são boas. Quanto ao seu comentário acima "Cortázar praticamente NÃO TEM TEXTOS POLÍTICOS", bem... O Livro de Manuel é basicamente político. O conto A casa Tomada é, evidentemente, um texto político.
ResponderExcluirCharlles, você é um great sport, meu caro.
ResponderExcluirSó assim mesmo para responder pacientemente e consistentemente ao texto ruim e covarde do Idelber. O qualificativo ruim carece de maiores adendos. Covarde por dois motivos. Primeiro porque, apesar de indemonstrável, Idelber nunca escreveria o que escreveu - repetindo o tom de deboche, as comparações infantis e o ad hominem - caso Cortázar estivesse vivo e disposto à resposta. Segundo, duplamente covarde na inconsistência do texto, no irresoluto de levar a sua símile inicial (a dita trollagem) até as consequências que o primeiro parágrafo anuncia. A ensaística do Idelber é medrosa. Caso não fosse teria assumido os rótulos que atribui à escrita do Cortázar - e.g. literatura adolescente - sem aquelas ilações educadinhas na conclusão que tratam de relembrar a importância e o lugar da literatura infanto-juvenil.
Estava esperando o seu parecer conclusivo sobre o assunto, Luiz, já que já vimos essa discussão antes. O que você disse poderia dar o ponto final sobre o assunto, pelo menos aqui. Mas não há como negar alguns adendos fortalecedores.
ExcluirNão sei se você entrou no link do Jornal Opção que eu forneci em um de meus comentários lá no Idelber. Parte daqueles intelectuais que escrevem ali foram professores meus no curso de História. Imagine alguém como eu, que penou uma escassez de debates e instrução literária durante anos, tendo adquirido o máximo de meios de esclarecimento por minhas próprias mãos, e, finalmente, cai em um ambiente literário, nos pavilhões de Humanas de uma universidade. E que tamanha decepção em ver que tal ambiente é anoréxico, alimentado em redes circulares viciosos e corruptos cujo mote é a ganância pessoal dos professores e a imensa vaidade. Pude ver isso de cima, diga-se assim: eu já tinha passado por duas outras faculdades e já tinha título acadêmico suficiente para minha independência financeira. Então, os professores não podiam exercer o poder onipresente de aterrorizamento e chantagens os quais submetem todos seus outros pupilos. Eu não estava atrás do diploma, mas de mais chaves para o esclarecimento. Havia lá uns dois professores humanistas com os quais aprendi muito e ainda hoje nos encontramos para umas cervejinhas_ gente que me apresentou autores importantes, os quais, por outra forma, eu jamais conheceria. Mas o restante, era de pessoas insuportáveis, que mal viam um palmo além da ponta do nariz. Esses tinham tanto prazer na aquisição de títulos, que era visível a empáfia de se sentirem como cônsules europeus exilados por essas terras da miséria e do mosquito. Alguma força determinista iria compensar o diferendo trazendo-lhes o reconhecimento exato de sua grandezas espirituais, e, enquanto as nuvens não se abriam, aproveitavam para escrever sobre o martírio, deixar altos testamentos. (cont...)
Os textos que eles escreviam nos jornais eram de dar dó. Tem exemplos disso no link do Opção. Não há um texto ali que não seja inconscientemente histriônico. Leia o que diz que Allen é superior a Dostoiévski. (Quem o escreveu é um filósofo "renomado", e médico, de uma das famílias do coronelato histórico do Estado, nomes que escondem fraudes, assassinatos, usurpação, sarneysmos afins.) Um de meus professores começa um texto sobre Naipaul assim: "Estou com o último romance de V.S.Naipaul aqui do meu lado, por sobre a escrivaninha." Não é uma pérola de estudo fisiológico sobre o autor? Alguém que começa um artigo usando a referência de si mesmo já na primeira frase. Pura masturbação; quer passar a imagem de que ele é algo como um adido cultura itinerante, um embaixador (ele, que mal tem oportunidade de sair viajando para os enfadonhos encontros de doutores em história anuais). Vê-se que seu ectoplasma está vestido com um sobretudo e sapatos italianos, ali ao lado de seu corpo real de bermudas e chinelas havaianas. Ele não se propõe a escrever sobre Naipaul, mas a ser Naipaul, por algum conectivo enternecedor à sua criança sonhadora. Aliás o restante do texto sobre Naipaul não avança em nada, é puro vazio.
ExcluirEles me davam notas altas simplesmente pelo meu histórico pessoal. Até o dia em que, na entrega de um trabalho sobre uns textos insípidos os quais eu não tinha nenhum saco para ler, eu escrevi 4 páginas para preencher espaço, pois sabia que eles nunca liam os trabalhos. Escrevi por todas as páginas um monte de bobagens aleatórias, citando fontes das Freiras Mancas de Sapucaí e dos Filósofos Gagos do Quebra-Línguas, e intermediava as frases com "Já que você não está lendo isso aqui mesmo". O professor me dera 9,5. O trabalho foi-me entregue semanas depois, por um colega, e daí eu me lembrei da brincadeira (que não tinha a mínima intenção de desmoralizar o professor, pois não me passara pela cabeça contar essa infantilidade já por si muito idiota para ninguém)e a mostrei para esse amigo. Ele ficou estupefato, roubou as páginas das minhas mãos e deixou toda a faculdade sabendo da brincadeira. A coordenadora também teve ciência, e chamou o professor nos ferros. Ele me escreveu um bilhetinho num guardanapo, em uma noite que me encontrou em um barzinho junto a amigos, e fez o garçom me entregá-lo. Estava escrito uma recomendação de que eu não tentasse mestrado na federal pois seria tempo perdido: não só ele era muito influente como sua mãe era uma das professoras mais antigas, e cabia a ela a seleção dos nomes para o mestrado. Eu ri à beça na mesa, era um prêmio. Eu achava esse cara um completo idiota, desde o dia em que ele ofendeu por longos minutos, no meio de uma aula, uma aluna que havia chegado alguns minutos atrasada e arrastara a cadeira para se sentar, interrompendo assim as honorabilíssimas palavras de seu repertório de auto-referência.
Como eu sou falador, não? Desculpe o longo texto (quase um outro post), mas é para dizer o quanto as universidades brasileiras são atrasadas e provincianas. Na verdade, o texto sobre Cortázar do Idelber nada tem sobre Cortázar, mas tudo sobre Idelber. Parafraseando Cortázar, quando ele disse que lhe interessava saber o que a Mafalda pensava dele, como disse, seria muito bom saber o que Cortázar pensaria sobre Idelber. Apesar do que mesmo vivo, tal texto não despertaria nenhum interesse a Cortázar.
Charlles,
ExcluirNão me rogo de leitor privilegiado do Cortázar. Sequer posso dizer que li mais do que Rayuela, Bestiario, Las Armas Secretas, Los Premios e uns tantos ensaios de crítica reunidos naquela excelente edição da Perspectiva, Valise de Cronópios. Pelo pouco que pesquei da cronologia destrinchada na caixa de comentários do Idelber, deve me faltar acesso às obras de cunho mais político (rejeito usar aqui engajado, não me parece apropriado para a trajetória de Cortázar).
Mesmo assim me dou o direito de, não só me irritar com a ensaística boba do Idelber (ensimesmada, completamente desinteressada no Cortázar como você bem colocou), como de defender um pouco o Rayuela.
Eu até concedo que o tema do intelectual desterrado na Europa não é atual, e que, vá lá, tenha envelhecido um tanto. Mas o que dizer da universalidade que permeia todo o romance. De temas e discussões perenes que perpassam a trajetória desse Caim Latino-Americano que é o Oliveira, amaldiçoado a rondar primeiro o Mundo Antigo, depois o Mundo Novo, ruminando a inadimplência de grandezas como a do "intelectual latino-americano", do grande romance latino, da metafísica, etc, etc.
Leio Oliveira como um contraponto ao otimismo dos escritores do Boom. É o paroxismo, o "até-onde-nos-é-permitido-ir", do homem de letras latino. Grande bobagem essa leitura de gênero do Idelber que quer denunciar o cafajeste misógino.
Isso sem falar do inovador, do inaudito - por favor, que me citem exemplos do contrário - da linguagem introduzida por Cortázar na parlance de Oliveira. Desconheço um personagem que fala como Oliveira, antecedendo o Rayuela, na Argentina e alhures. A síntese de desilução, lucidez perversa, mas que se ancora ainda na ânsia metáfisica do Ocidente por desconhecimento de novos ídolos que possam substituir o bezerro de ouro. Por me sobrarem exemplos do genuíno dessa parlance deixo-os sem.
Isso para não falar da contribuição de Cortázar ao ganha-pão do Idelber, a crítica literária...
Que preguiça que me dá...
Rayuela tem um dos inícios mais lindos que já li. Sempre me impressiona aquela musicalidade, aquele universo dentro de um universo, aquela apreensão ultrassensível de uma verdade subjacente por detrás da trivialidade (seja a colherzinha de chá, ou a procura obcecada do torrão de açúcar por entre os pés das pessoas do restaurante). Adoro as maravilhosas 5 páginas do capítulo 71. Li-as quando garoto e aquilo foi uma das minhas iniciações na literatura e nas letras. Tive que me conter muito para falar sobre Cortázar, pois ele foi uma das minhas obsessões. E faz muitos anos que não o releio. Disse ter lido tudo, mas é mentira: tenho aqui os papéis avulsos descobertos no espólio que ainda não li.
ExcluirHá 3 autores cuja musicalidade da escrita me parece ser a melhor existente, aquilo que deve ser perseguido por um escritor: Saul Bellow, Thomas Pynchon e Julio Cortázar. Quem se propor a provar para mim o relativismo de valor desses três grandes vai ter que suar a camisa. Fui levado a ele não pela necessidade de ganha-pão, mas por algo muito mais legítimo: o prazer.
É coisa bem distinta afirmar que Rayuela foi o romance da geração do pós-68 (que, óbvio, não era a geração do Cortázar) e afirmá-lo literatura de adolescente.
ExcluirO autor está morto. O problema é que nosso mundo midiático tornou-o Redivivus. O autor morreu, mas ele ainda fala.
Interessante ver Cortázar falar do seu romance após o minuto 5:30 do vídeo abaixo. Do efeito que ele propusera em cenas absurdas como na morte do bebê Rocamadour, da relação descompassada entre La Maga e Oliveira, que Idelber confunde com Realismo...
http://www.youtube.com/watch?v=X09XmRqIjPw
Quanta preguiça... deixa-me de novo exaltar a sua disposição.
Engraçado! Seu link para esse vídeo me fez pensar o óbvio: achar um documentário sobre Cortázar que havia visto muito tempo atrás na tv Cultura, em que ele aparece andando pelas ruas de Paris e lendo excertos de seus textos.
ExcluirPô, sua preguiça me contagiou agora também...
Bah, Charlles, cada vez que leio essas suas histórias de faculdade, de professores desse tipo e ambiente idem, eu me coloco nelas...
ResponderExcluirTODOS OS PROFESSORES SE COLOCAM COMO REFERÊNCIA, COMO LEITURA OBRIGATÓRIA, E ETC...é uma merda sem fim.
Tenho a impressão que o curso jamais terminará ou que a qualquer dia desses um aluno americano assassino baixará em mim e cometerei um atentado hahaha.
(E fico imaginando a notícia do SUL21: "Aluno reacionário de direita raivosa do PIG mata 20. Vítimas eram todas de esquerda da paz e amor". E pelo Reinaldo Azevedo: "Homem de bem faz a limpa na escumalha vermelhinha. VAI PSDB!!!")
Tem um ~ Mestre ~ , que é diretor em outro estabelecimento de aprendizado, que numa cadeira para ensinar os alunos a serem professores, passa todas as aulas falando de si, de como é excelente em administração, em dar aulas, em passar provas, em reconhecer bons professores, em ser socialista e , por isso, ser muito melhor por crer num mundo muito melhor, blábláblá...É eu, eu, eu, eu até acabar o período (conta as mesmas histórias de sua vida maravilhosa a cada 3 aulas).
E quando "pedem" para COMPRAR seus livros extraordinários que revolucionarão o mundo? Para comparecer no lançamento das incríveis obras? Puxa-saquismo explícito o tempo inteiro. Quem vai tem futuro garantido, claro, os caminhos abertos, sem precisar do Exú das 7 Encruzilhadas.
Maior cagada que fiz na vida: cursar história no Brasil. Agora é acabar essa merda (só bacharelado, pois licenciatura jamais conseguirei, pelas palavras do ~ Mestre Eu ~) para ter um diplominha vagabundo. País de merda, diploma não te assegura nada, mas se não tens é fim de chances na vida.
Hahahaha. Pô, és um leitor devoto do Reinaldo! Pareceu ele mesmo escrevendo!! (Brincadeira!)
ExcluirEu penei sob esses professores no curso de veterinária, Matheus. Eu pensava na época me especializar em cirurgia de grandes animais (o nome formal é esse, mas nada de abrir tórax de Pithecossauros ou fazer transplantes de coração em elefantes africanos, mas os comezinhos partos de cezariana em vacas mesmo), e como nunca paguei pau pra professor, não em sobrou vaga_ mas eu ficava de fora observando os procedimentos, o que deu na mesma que os outros alunos: só fui aprender mesmo após formado, na vida de campo.
Eu teria mil experiências motivadoras para te escrever para que não penses assim sobre o curso de história. Não me arrependo em nada tê-lo feito, e, apesar de meu senso critico ser especialista em aprofundamentos conceituais que em retiram da parada, tenho orgulho em me saber HISTORIADOR. O aluno se faz por si mesmo, independente da permeabilidade entre professores. Um grande amigo meu, que fez história comigo, era uma das pessoas mais simples do curso. Tirava leite na propriedade do avô. A história desse cara é incrível (eu sempre acho que esse filho da puta me lê nesse blog, pois um dia acessei isso aqui do computador dele e não me recordo se fiz a parada de sair da conta antes de desligar a máquina; ele sempre vem com temas coincidentes demais com o que eu escrevo aqui para conversarmos...). Todos os seus dois irmãos são altamente intelectualizados, apesar dos pais serem simples gente do campo. Ele sofre de um distúrbio crônico em que lhe secaram em definitivo as lágrimas, e seu nível de lítio corpóreo é reduzido, por ter se contaminado com excesso de Furadan na adolescência. O pai, quando soube que o médico diagnosticara a seu filho jamais poder voltar às lides do campo, num ato de ignorância soberba espargiu uma lata de furadan no quarto onde ele estava deitado para acentuar que "quem manda aqui sou eu". Pois bem. Ele era o melhor da turma. Era meio quedado em uma garota da turma, que o esnobava por seu jeito interiorano e sua fama de "louco". Pois ele, assim que se formou, passou em 4 concursos estaduais, de diferentes instituições. Há dois anos fez o processo seletivo para professor temporário na faculdade onde nos formamos, obteve as melhores notas, mas os professores o recusaram por evidente despeito (afinal, alguns dos concursos em que fora aprovado, eles foram reprovados). Abriu vagas novamente esse ano, e eu fui taxativo em aconselhar para que ele não se humilhasse.
O segredo está nisso: poucos cursos capacitam o aluno para o esclarecimento como o curso bem feito de história. As chances em um concurso, em um país de alienados igual ao Brasil, são generosas. Bem generosas!
Diga que ele não foi.
Excluir(teu amigo, a humilhação, eles não merecem)
Caminhante, liguei pra ele agora, motivado por sua dúvida. As inscrições se encerram ontem, e ele não se inscreveu. Ufa!
ExcluirUfa, que bom!
ExcluirCaro Charlles,
ResponderExcluirDá uma lida na letra abaixo, cujo gancho é o trecho abaixo. Onde se lê "mundo" leia-se... mundo. O resto é viralatice padrão:
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar
Título: Parva que sou
(gravada pelo grupo Deolinda, de Portugal)
Música e letra: Pedro da Silva Martins (português, ó, caraças!)
Sou da geração sem remuneração
e não me incomoda esta condição.
Que parva que eu sou!
Porque isto está mal e vai continuar,
já é uma sorte eu poder estagiar.
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.
Sou da geração ‘casinha dos pais’,
se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Que parva que eu sou
Filhos, maridos, estou sempre a adiar
e ainda me falta o carro pagar
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.
Sou da geração ‘vou queixar-me pra quê?’
Há alguém bem pior do que eu na TV.
Que parva que eu sou!
Sou da geração ‘eu já não posso mais!’
que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.
Belíssima letra!! Não a conhecia...
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