sábado, 17 de dezembro de 2011

Pequena Retrospectiva

Aos meus eventuais leitores minhas desculpas por não estar postando nesses últimos dias, mas é que, pela primeira vez, serei o anfitrião na ceia de natal e, por mais que isso pareça simples, compromete bastante meu tempo livre. Confesso estar entusiasmado. Será a primeira ceia formal da Júlia, a primeira em que o Eric terá a companhia de amiguinhos, a primeira com árvore de natal e, sobretudo, a que terá um número suficiente de pessoas que compartilham um gosto musical mais aprimorado. Fiz uma seleção de músicas num pen-drive (aliás a renovo ou modifico todos os dias), de maneira que é quase uma pretensa radiografia dos humores esperados na noite. Começa com o maravilhoso Christmas Album do Jethro Tull, numa edição dupla especial com o outro cd ao vivo em St Bride´s Church, passa para uma seção de bandas recém descobertas como o Verônica Falls, o Black Keys, o Cidadão Instigado; depois faz uma visita a um jazz mais eclético, para não provocar rejeições, como Airto Moreira, Dave Brubeck, Aquarela Carioca, Weather Report, faixas escolhidas de Miles e Mingus, de Coltrane com Ellington, de Coltrane com Monk (o milagre quase inacreditável do áudio descoberto de Carnegie Hall); depois a pauleira clássica do Led, Yes, Black Sabbath (esse, talvez as pessoas não percebam a provocação), The Who, Beatles, Stones...

No mais, faço aqui uma pequena retrospectiva do melhor e o pior do ano de 2011. A começar pela melhor leitura que fiz, impossível de escolher apenas um livro, no que fico com a inigualável experiência de ler os três volumes da biografia de Elias Canetti (A Lingua Absolvida, Uma Luz em Meu Ouvido e O Jogo dos Olhos). Claudio Magris eu coloco como a melhor descoberta, com Danúbio, um graal que levarei com felicidade pela vida inteira. Mas na seara dos melhores lançamentos do ano, fico com Herzog (o melhor, mas quase que não vale pois já o leio há tempos), Nêmesis, do Philip Roth, Dublinesca, do Vila-Matas, e Jakob von Gunten, do Robert Walser. Os melhores livros de não-ficção que li: Mecanismos Internos, do J.M. Coetzee, Em Defesa das Causas Perdidas, do Slavoj Zizék, Escuta Só, do Alex Ross, e, embora ainda esteja lendo, mas já de cara o coloco aqui, Como Mudar o Mundo, do Eric Hobsbawn. Há outros, como Sobre Revolução, da Arendt, A Beleza Salvará o Mundo, de Todorov, que também são ótimos, mas, por critério de espaço...

Creio que os piores livros, desafortunadamente, foram os de ficcionistas nacionais, que li emprestados da biblioteca local: A Página Assombrada por Fantasmas, de Antônio Xerxenesky, e Diário da Queda, de Michel Laub. Na semana passada, contudo, tive uma alegria inesperada: a leitura envolvente (me custou dois dias de puro enlevo) de Habitante Irreal, de Paulo Scott_ alguém que ficarei de olho. Gostei também de um ensaio de Bernardo Carvalho publicado na revista Piauí (de Outubro, acho), em que ele fala com a mesma elegância e proficiência de Baudrillard e Bauman, dos temas capitais de Baudrillard e Bauman. Vale ler, e está no site da revista_ um ótimo ensaísta!

Como não sou inteirado no jazz contemporâneo, digo que meu amigo Luiz Ribeiro, que ora ou outra comenta por aqui, me apresentou a Brad Mehldal, que foi a melhor descoberta que fiz esse ano desse estilo de música, com esse álbum duplo:

Também através de um comentário do Fernando, conheci o Cidadão Instigado, que resultou em puro hipnotismo. Mas no melhor lançamento de álbum nacional, fico com o terceiro cd do Teatro Mágico, que está anos à frente da maioria das bandas tupiniquins em questão de instrumentalização e qualidade musical_ e letras, e performance ao vivo (assisti a um show incomparável deles em Goiânia)... De piores do ano, o último disco insosso e suicídio de carreira da Marisa Monte, e a morte definitiva da banda Vanguart em seu recente lançamento, que foi uma promessa efêmera de bom folk music nacional. De lançamentos internacionais de rock, o melhor, disparado, foi o zeppeliano El Camino, da dupla Black Keys.



Mas também teve o primeiro álbum do Veronica Falls, que faz um retorno ao memorial do rock underground dos anos 80 com uma simplicidade e pureza que não reluto a defini-lo como genial.


Como pior álbum do ano, a aberração Mylo Xyloto, do Coldplay, que vai além: é um dos piores discos que já ouvi. E eu até gostava dos caras, apesar da música deles ser meio brochante na maioria das vezes.

5 comentários:

  1. Um festim diabólico versão goiana? Ah, não dá pra chamar assim porque vai ser no natal...

    Faltou essa música aqui:

    http://www.mp3mp4mp5players.net/baixar-musica-simone-entao-e-natal-mp3.html

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  2. Charlles, este teu post é um presente.
    Te desejo uma ótima noite de Natal!

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  3. ô, que isso, Caminhante! Vai estar longe de ser um Festim Diabólico. Com essa metidez todo de jazz, vai acabar rolando só essa música aí que você falou mesmo.

    Farinatti, obrigado. Vou te dar "os meus votos", quando chega mais perto da festa.

    Abraços.

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  4. Ah, os tempos do mixed tape.
    Só não me entrego desavergonhadamente ao saudosismo aqui porque ouvia muita merda naquela época, por exemplo, Green Day.
    Muito legal a sua seleção e fico contente que possa vez ou outra retribuir a gentileza.
    Pode ser o espírito do Natal e as demais babaquices que pululam o Christmas Carol e o milagre da rua 34th: Votos para que possamos te ler ainda mais em 2012.

    Feliz Hanukkah

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  5. Muito obrigado, Luiz.

    Toda a felicidade para você e os seus aí em Toronto, no natal e sempre.

    Grande abraço.

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