domingo, 18 de dezembro de 2011

Hipnoticamente Lindo!


Um amigo me apresentou a ela nesta sexta-feira, disse-me para ouvir porque é parecido com a Amy Winehouse mas muito melhor, salientou. Como eu nunca tive saco para ouvir alguém tão gabaritada pela midia como a Amy Winehouse, recebi o agrado com educação e o esqueci. Ontem, ao chegar em casa de uma caminhada, sou surpreendido por uma mistura de pop limpidamente honesto e uma personalidade musical  imponente que minha mulher colocara pra tocar a meio volume pela casa. Adele. Desde então não é apenas uma paixão que tomou conta de mim e da Dani, mas um hipnotismo.

55 comentários:

  1. Já ouvimos algumas músicas de Adele ao acaso. Uma desse mesmo disco tem tocado com alguma insistência. Acho que prefiro a Amy Winehouse, com aquela voz de bêbada e seus lamentos de amores fracassados. A Adele, pelo que vejo, tem sido vendida como uma versão limpa da Amy, assim tipo "essa pode embalar seus encontros amorosos sem levar à depressão". O que não é necessariamente mal sem ser necessariamente bom.

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  2. Depois que vi que a Adele emplacou três músicas no top à frente da marca histórica dos Beatles.

    Independente disso, esse disco é fantástico.

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  3. já me falaram, ouvirei. agora, tu faz por querer né, charlles, 18 posts pra ler!

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  4. "Uma desse mesmo disco tem tocado com alguma insistência". Fato, Rachel. É Someone Like You, trilha da novela Fina Estampa, da TV Globo.


    Precisamente, é o tema da protagonista Griselda (Pereirão) e do René. Minha cultura está chegando a níveis estratosféricos.

    Independentemente da novela, que costuma acabar com qualquer música, Adele é ótima. Vozeirão mesmo. Afinadíssima, inclusive ao vivo, ao contrário da Amy, que, pobrecita, bêbada e drogada, perdia-se nas próprias letras e nos tons.

    Entendo a comparação entre as duas. Mas eu acho que é meio como comparar Mafalda e Rê Bordosa. Gosto de ambas.

    Fábio Carvalho

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  5. Pô, Fábio, tem música dela até na novela?

    A Rê foi inspirada na Janis Joplin, como você deve saber. Não gosto da Amy por uma das minhas antipatias: fizeram com que ela se adaptasse a uma imagem criada que em vez de lhe conferir autenticidade, a fez uma emulação das grandes divas do jazz que sucumbiram às drogas e ao martírio de seus destinos azarados. Agora a Adele, por enquanto, só faz o que toda grande cantora deveria fazer: apenas cantar, e cantar esplendidamente.

    Faz tempo que não vejo uma grande cantora. E a garota (21 anos, anunciados no título), compõe a maior parte das canções_ e há uma versão de uma música do The Cure que ascende ao nível de Cole Porter. Ela já entrou para o grupo das minhas cantoras preferidas, de Loreena McKennitt a Kate Bush.

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  6. Se tem música até na novela... Adele já é do povo faz tempo, Charlles!

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  7. Antes de mais nada, tenho que afirmar que lá em casa NÃO VEMOS NOVELAS.

    Bão, eu não acho que a Amy se parecia com nenhum diva do jazz, mas do soul branco inglês, quer dizer, do pop soul que era feito na Inglaterra para vender a música negra mais limpinha... Tanto uma quanto outra e mais outras inglesinhas, como Duffy (que aliás é galesa, mas isso é a mesma merda), não passam disso, por mais que gostemos mais duma ou doutra - enfim, nada disso vai além do que mercado, consumo, por aí.

    Qual música a Adele canta do The Cure? Close to Me?

    Li que a Kate Bush acabou de lançar um álbum temático sobre... Neve. Deve ser chato pracas.

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  8. Não tenho nada contra novelas - nem reality show, nem Paulo Coelho, nem Facebook, nem todas as coisas que eu deveria ser contra pra me acharem inteligente - mas ultimamente não tenho acompanhado. Sei que ela tem música em novela porque já vi pessoas que queixando da popularização da Adele por causa disso. E outra corrente reclamando dos que reclamam. Nem ao menos conheço Adele pra ouvir uma música e dizer que é dela.

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  9. Pô, eu tenho tudo contra novelas, reality show, Paulo Coelho, Facebook, e todas as coisas que eu deveria ser contra pra me acharem inteligente, mas nem assim me acham. Ou tô errando nalguma coisa ou tenho alguma problema genético ou ambos. Há ainda outras possibilidades.

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  10. É Lovesong, Marcos. Ao vivo com Adele aqui

    http://www.youtube.com/watch?v=_k8vtbJxOdw

    Já que sua cultura não está na estratosfera, Boys don't Cry, interpretada por um tal de Jay Vaquer, foi trilha de outro folhetim global, Tempos Modernos. Confesso minha ignorância: tive que googlar para verificar que foi o tema da personagem Nelinha. É ruim pra caraleo, como demonstra, inexoravelmente, o link que se segue:

    http://www.youtube.com/watch?v=i4zQKG6JHNY

    Justin Bieber cantará o tema de Susana Vieira na próxima novela das oito. Biber fará releitura dançante de "Reel Around the Fountain" (The Smiths). Susana vai interpretar a si mesma: uma mulher madura que se apaixona, a cada capítulo, por um moçoilo de 20 e poucos anos durante fifteen minutes.

    P.S. 1: Essa parte do Justin Bieber é mentira (espero). Só pretendi conferir verossimilhança à hipótese e esnobar minha cultura estratosférica.

    P.S. 2: Nos tempos de faculdade, eu fui à casa de um amigo fazer um trabalho sobre novela num final de semana. Era dia de jogo decisivo do Flamengo e as irmãs dele, torcedoras fanáticas, estavam paramentadas em vermelho e preto, vuvuzela da época na boca, enlouquecidas. Daí chegou um terceiro amigo para o trabalho de Roteiro em TV. "Tem alguma coisa errada nessa casa. As mulheres estão na sala vendo futebol e os homens estão no quarto discutindo novela". #fato.

    F.C,

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  11. hauhauahuah tou rindo demais com o carvalho hj

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  12. sobre o PS2, eu não consigo CONCEBER isso. faz muito mais sentido a historieta do bieber e da susana ehhehe

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  13. Pessoal, hoje começou uma semana cheia de trabalho, e talvez não tenha muito tempo livre para o blog.

    Mas, Caminhante, eu realmente não gosto de nenhuma dessas coisas, fazer o quê? Gosto da cultura do lixo midiático, ou qualquer outro nome que isso tenha, mas até nisso há de se ter alguma qualidade subjetiva. Por exemplo: acho o Silvio Santos um gênio, gosto do Ratinho, embora só os assista assim bem de vez em quando, com um prato de comida nas mãos...

    E eu acho sim que o artista quando se deixa vender para programas que tem como alvo um publico cujo nível de exigência é D (de exigência, note bem! Nada a ver com financeiro), ele tem grande chance de cair de qualidade. Claro que a Adele não está por detrás diretamente dessa repercussão em novela, mas Seu Jorge, que era muito bom, virou o que, depois de cantar no Faustão? E os Titâs, e a Mallu Magalhães, e o Lulu Santos, e uma carrada de outros? E o Coldplay, que era bom, e agora o vocalista fez uma declaração que é do mesmo nivel que o Justin Bieber?

    Bom... eu sou reacionário, mas não faço isso para sair no filme como inteligente. Para quem? Aqui me veem como excêntrico, e se saírem perguntando sobre a política local e sobre esclarecimentos espirituais, eu seria a última opção. Quem sou eu perto dos vereadores e dos pastores da Igreja de Cristo? Sei que não foi isso que você disse.

    Ah, eu escutava a "Rolling in the Deep" nas rádios, mas jurava que era da Amy.

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  14. E Facebook, realmente... um bando de fotos para ver não o quanto somos inteligentes, mas quanto somos desesperadoramente felizes. Minha esposa tem Facebook e lança fotos nossas para todos os cantos. É uma vaidade muito estúpida.

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  15. Charlles,

    Se fulano tem que cantar, qual é o problema de ele aparecer no Faustão, ao lado da banda Calypso? Cantou bem? Tá valendo! De nada adianta recusar a massa e seus recursos se, afinal, o novo álbum é o da Marisa Monte.

    A postura anti-Faustão nada assegurou à MM, noves fora o fato de eu tê-la em mais conta do que a Joelma. Apesar da bota branca, que eu acho insuperável. Kitsch, porque sou iniciado. Ah, você não conhece a Joelma?

    Precisa saber da piscina, da margarina e da Carolina (estou fundamentando meu entender em Caetano, é o meu phim!).

    Eu entrei no FB há quatro meses. A fórceps. Tem gente que superdimensiona, eu sei, lido com isso PROFISSIONALMENTE, inclusive. É a minha desgraça atual, porque nego descobriu a velocidade, mas no segundo seguinte surgiu a demanda de qualidade. Mas é uma ferramenta. Rápida.

    Pare de xingar. E de louvar o LP. E as cartas com selo e uma gota de perfume.

    Acho que você estaria maldizendo o telefone de Grambell até há um minuto (e olha que o monopólio estatal brasileiro te franqueou a possibilidade real de maldizê-lo). Daí, hoje, você deplora a Brasil Telecom. E a Anatel. Se sim, eu concordo.

    Não adianta ignorar o Pereirão, nem maldizê-la. Sim, você pode lamber o selo, ir ao correio e postar a missiva. Pode mandar Mc Luhan a merda. Pode também usar o recém-nascido e-mail e reclamar modernidade num blog (!!!). Deixe de ser preconceituoso (e quem vos fala é O preconceituoso).

    Calypso é o que há, cara.

    F.C.

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  16. Fábio, mas que mal há em ser preconceituoso, nesse sentido???

    Vem com essa não. Há tão pouca novidade nessas minhas críticas fajutas "contra" alguns aspectos da "modernidade" e do popular quanto a sua defesa de que elas são inevitáveis e tem suas cargas inerentes de celestialidade. O Faustão não é inevitável, eu posso muito bem desligar a televisão enquanto ele passa. O Facebook não é inevitável. Inevitável para mim é o mp3, a internet (no que ela tem de canal para algumas leituras de revistas, não pelas redes sociais; e pormenores rápidos de informação e cultura), o celular (infelizmente). Não descarto o enorme achado do blog em proporcionar contato com pessoas como vc e o restante.

    Eu nunca defendi o LP.

    Você faz a linha inversa do que julga, precipitadamente, ser uma tendência reacionária de doentes como eu: se eu faço por desprezar (por que para vc não soa convincente) o Faustão e o nível mais chão do lixo midiático, vc faz por santificar o que ele traz de mais abjeto, que é a acriticidade hippie do tudo misturado, da beleza sorridente de que TUDO é lindo, a democracia de abolir brutalmente a seletividade do gosto. Vc cai no mais torpe chavão criado por "democratas santos" como a Globo: a de ser politicamente correto na sua absoluta falta de preconceitos e por isso, ser alienadamente assimilável.

    Pelo amor de deus!

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  17. Fábio, se não me engano, vc é profissional do ramo da fiscalização de laticínios, e dos bons (não vou me aventurar a dizer seu cargo específico, que não me recordo). O que vc está dizendo da banda Calypso é tão leviano quanto juntarmos o profissional ultracompetente Fábio com um desses produtores de beira de estrada de queijos trança, é como colocarmos vc para vender essas colônias de estafilococos com um largo sorriso no rosto e rebolando de alegria para os carros que passam.

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  18. Charlles, eu já fui técnico em laticínio, hoje trabalho na área de comunicação. Eu sou muito preconceituoso, Charlles. Muito. Não te acho doente, não, talvez eu tenha pegado pesado. Eu preciso aprender a conviver com Calypso, do mesmo modo que, para mim, ópera é dispensável. Não há leviandade nisso.

    Dispenso o Ratinho, a Hebe e a novela (que, acredite, eu não assisto por minha opção; acontece de às vezes eu acompanhar meio capítulo aqui ou ali). Mas tem gente que conheceu Adele ali, quem sabe desperta para outras coisas? Dispenso LP.

    Aprendi a ver Big Brother com outros olhos, embora eu não seja um habitué - porque alguém me chamou atenção para aspectos interessantes de um jogo, onde, atualmente, as pessoas já entram sabendo como o público reage.

    Calypso é minha meta de superação. Tem coisas que eu santifico, como The Smiths, Talking Heads, Paulinho da Viola e Noel - mas não deveria. Existe leviandade cultural (noves fora, rigores formais, desonestos, tal como vender coisa contaminada) em consumo de entretenimento? Acho que não.

    F.C.

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  19. Fábio, não pegou pesado não, de forma alguma. Pode sentar o sarrafo. Língua solta aqui é o propósito almejado.

    Eu também santifico os Smiths, o Talking Heads, o Jethro e uma cambada de outros.

    A cultura de entretenimento é muito perigosa quando se a vê como inofensiva. Lembra que foi reportado à época da Carla Pérez que meninas de 8 anos tinham o ciclo menstrual antecipado por repetirem (sob o elogio dos pais) as danças sensuais do axé? O que há de pior hoje é a "inocência" da industria do entretenimento; parece um episódio do Twilight Zone em que o menino apercebia que os próprios pais haviam sido possuídos por extraterrestres (havia um sinal identificador na nuca),e quando tentava alertar as outras pessoas do pequeno povoado perdido no interior dos EUA, via que era um dos únicos ainda não dominados, e os adultos que restaram não o levavam a sério julgando ser uma fantasia infantil. É algo similar: quando se diz não gostar do Facebook e demais tranqueiras, enfrenta-se todas as criticas possíveis, menos a de que se está sendo sincero.

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  20. É muito estranho um mundo em que você tem que se desculpar de não gostar de comer merda pelos olhos e ouvidos para não ser acusado de tentar passar por inteligente. É muito estranho um mundo em que se passar por inteligente é muito mais indefensável do que zurrar e comer capim como um burro de duas patas só. É muito estranho um mundo em que as preferências pessoais tem que ser escondidas na intimidade para não aborrecer aqueles que preferem se jogar no rio de merda do mundo. É muito estranho esse mundo.

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  21. E os marcianos da Guerra dos Mundos de Orson Welles? Teve gente desesperada, suicídio, abandono de casa. Só que o cara, que também assina Cidadão Kane, é santificado por muita gente "boa". Ele pode?

    Não acho nada inocente. Só não acho o consumo (recepção) leviano. O emissor? Sim, tem muita responsabilidade. Receptores têm ganhado força e poder em tempos de interatividade. O Facebook não é o último grito, outros gritos virão, cada vez em menor tempo. É uma ferramenta onde o mesmo emissor e receptor praticamente se equivalem em termos de recursos.

    A despeito de tua sinceridade, do teu "não gostei" é uma ferramenta que cede possibilidade efetiva de comunicação - talvez em troca de todos os nossos dados, gostos, preferências etc tal.

    Olha, tenho certeza de que minha mãe troca Rosebud por qualquer Pereirão. Não adianta julgá-la. Não sem antes tentar compreendê-la. Que diabos de estética, de recurso de folhetim, de roteiros que parecem receita de bolo, tanto chamam sua (dela) atenção? Ah, ela dispensa nossa piedade, é bastante segura de si e me dá bailes em disposição e firmeza.

    O que tem no sofá da Hebe? O aviãozinho de dinheiro do Sílvio, que o auditório se estapeia para pegar numa cena grotesca e que se repete há anos (tem ainda, né?) é o quê? Lixo cultural, for sure. E aquelas pessoas que se submetem a um Big Brother, muito menos pelo jogo em si, mais pelo dinheiro (que só um ganhará) e pela fama (que não virá, há grandes chances de se tornar uma sub-celebridade)?

    No lance de crianças, é sensível mesmo. Terreno movediço, mas daí concordo mais contigo.

    A Suécia veta completamente publicidade dirigida a crianças. Outros países, como a Inglaterra, mas não somente ela, têm restrições severas. Aqui teve boneca da Carla Perez com comercial na TV aberta. Pesquisas indicam que a crianças e adolescentes dirigem o consumo de famílias (como bem deve saber o pai babão que você é, apesar de preocupado e de ciente dos teus deveres e responsabilidades ao não ceder a qualquer choro).

    No Brasil, vetar publicidade para crianças é - segundo ANJ, Abert e Aner - censura hedionda. E a Dilma endossa: "o único controle que se quer é o controle remoto".

    F.C.

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  22. Fábio,

    Acho que você confundiu Orson Welles com H G Wells.

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  23. Aceito o título de consumidora de merda, se esse for o caso. Declarar que assiste Globo ou não diz tudo isso a respeito de alguém? Prefiro zurrar sobre as minhas duas patas a olhar o mundo dessa maneira.

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  24. Luiz,

    Orson Welles adaptou o livro do Wells para o rádio. Levou ao ar a invasão alienígena "ao vivo", onde repórteres eram "mortos" enquanto narravam suas matérias, havia interferências sonoras a sugerir a chegada do pessoal do lado de lá. Foi revolucionário e tão envolvente que teve gente que achou que era verdade. Houve pânico, como eu disse: gente se matou, abandou casa, foi um deus-nos-acuda. (F.C.)

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  25. O que eu posso dizer? Maldito IMDB!!!

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  26. Acho q é o caso, sim, de consumidor de merda. Mas cada um acha merda cada coisa. Minha mulher adora novela. Percebo o qto emburrece.

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  27. E depois dizem que não há nada de mais na merda (Fábio e Caminhante, é só uma alfinetada, para não perder o jeito. :->):

    http://popline.mtv.uol.com.br/omg-avioes-do-forro-grava-versao-abrasileirada-de-rolling-in-the-deep-em-forro

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  28. Luiz, não se avexe. Todo mundo no planeta já conhecia a Adele, e eu achei que eu havia feito a maior das descobertas.

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  29. Achei esse post muito interessante. Uma verdadeira aula. É o seguinte. Coisa de cinco meses atrás, um colega postou uma música no facebook chamada "Cowboys". Como o meu provedor estava rápido, aproveitei para ouvi-la. Achei o máximo. Entrei em contato com o meu colega, comentando que a música me encantara deveras. Ele me disse que na próxima aula levaria uma cópia gravada para mim. Dito e feito. Ele não apenas me mandou o disco completo da Portishead, como outro, de uma cantora chamada Adele, de que nunca tinha ouvido falar. Mas que me deixou arrepiado da cabeça aos pés. Fiquei louco. Desde então, ouvia seguidamente os dois cedês enquanto fazia trabalho, baixava livros para o meu futuro iPad ou Kindle, mas ainda não sabia nada sobre Adele. Sempre que posso, evito o Google. Li numa pesquisa que ele afeta a memória, e a minha é bem próxima da memória de elefante, golfinho, corvo, etc. Por outro lado, sou apaixonado por novelas. Assisto à da dra. Lícia Manzo, especialista em Clarice Lispector; às brincadeiras de Miguel Falabella em "Aquele desejo" e, embora seja fã das novelas regionalistas de Aguinaldo Silva, não acompanho a "Fina Estampa" por achar o texto tolo. Então, aconteceu que minha irmã falou que a trilha sonora internacional já tinha entrado na novela das nove, e o tema de Griselda era lindo, de uma cantora chamada Adele. Vi, então, que era tempo de fazer uso do Google, e pesquisei sobre a cantora. Nas idas e vindas em meu facebook, percebo como os garotos já traduzem bem "Someone like you" para exprimirem os seus estados. Ah! benditos tempos,esses da tecnologia. Daqui a pouco, estaremos aprendendo sozinhos graças às TIC. O fato de amar de coração bons livros, não conseguir viver sem ler um livro, não me impede de gostar das coisas simples. (E Adele não é tão simples assim. O que acontece é aquilo que os filósofos de Frankfurt discutiram: a tecnologia tirou Mona Lisa do museu, Bach da igreja e, recentemente, a internet recuperou a fala livre de nossos antigos antes da invenção da escrita. De modo que o ressentimento esteja justamente aí: mesmo que não goste, qualquer um, hoje em dia, pode falar de cultura.)Ora, havia um doutor de História chamado Leandro Karnal. Ele falava mal da Veja, criticava a Globo. Mas, quando foi chamado para dar aulas aos atores globais daquela loucura chamada "Caminhos da Índia", ele não hesitou: foi correndo. Teve até direito a passeio no famoso rio indiano, com turbante e taças de vinho, bem acompanhado. Quando criticamos algo em excesso, revelamos o quanto o amamos. Outro dia, Antonio Candido falou o número de livros que tinha lido. Disse que tinha doado quase todos. Que agora só (re)lia "Angústia", lia livros de História e assistia, sim, TV. Especialmente novelas. Isso é muito interessante. O que é preciso é viver. O mundo está precisando de Dionísio. Por isso eu não estimulo meus sobrinhos a ler.

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  30. Todo o planeta que vê a merda da novela das 8 já conhecia a Adele, hehe.

    Para quem gosta de clássicos, impossível não ter satisfaction com aquele falsete incidental do Edson Cordeiro na interpretação da Cássia Eller.
    Eu não fiquei ofendido com aquela brincadeira, até porque não santifico os caras. Eu rio porque fico pensando que foi vingança, prato frio, da heroína Pamina pra cima da megera do Mozart. Lembro do clip, inclusive. Medonho.

    Mais ou menos na mesma época, eu conheci uma outra invencionice brasileira de Satisfaction. Foi feita pelo De Falla, que decerto você já ouviu falar (mal). Muita gente não gosta e detona a versão. É verdade que não é forró, nem samba, eu sei. Sinceridade? Eu gostei.

    http://www.youtube.com/watch?v=xxfOffANXJ0

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  31. Milton,

    na verdade não tenho ABSOLUTAMENTE nada contra a novela global de qualidade. Ou devo dizer a novela LATINOAMERICANA de qualidade? A novela é o que foi o romance de cavalaria para os espanhóis da época de Cervantes, para nós desse lado o continente. Há um excelente romance de Vargas Llosa sobre radionovelas, "Tia Júlia e o Escrevinhador", e Garcia Márquez escrevia radionovelas antes da fama. Existem novelas que fazem parte de minha formação cultural: Roque Santeiro, a Tititi original, o Bem-Amado. Mas isso que se faz nas últimas décadas na tv nacional, e na Globo, é o mais abjeto lixo (enfático, não?).

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  32. Fábio, "Satisfaction" é inigualável. Pode vir Cássia Éller, De Falla, que ficam à sombra. Nunca gostei do punk nacional. O pior tipo de rock nacional é o punk. Até no progressivo o Brasil se sai bem (Bacamarte, Mutantes, Violeta de Outono), e no hard rock (Joelho de Porco, Casa das Máquinas), mas no punk o músico daqui sempre foi decepcionante e vergonhosamente falho e infantil. Há algo de mais ridículo que Ratos do Porão e Inocentes? Sempre faltou o humor ácido do The Clash e dos Pistols. Eu adoro o punk britânico, principalmente Clash e Pistols.

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  33. Sex Pistols são menos profícuos e o altar deles é mais do que merecido. Mas The Clash é muito, muito bom. Eu tinha um LP que arranhou em Guns of Brixton, daí eu fiz a mesma coisa nos meus pulsos de raiva (mentira, mas deu vontade).

    Na real, você me deu uma ótima ideia para esta noite. Estou ouvindo as piores versões nacionais para hits. Tem música ruim que neguinho conseguiu deixar pior.

    Roupa Nova fez versão de Michael Jackson, Nenhum de Nós de David Bowie. Uma banda hedionda chamada Yahoo que canta Hey Jude e Mordida de Amor (Love Bites, Def Leppard): o vocalista tinha o cabelo igual ao do Chitãozinho e Xororó.

    Tem a Simony cantando "acho que sou louca, louca, louca" e várias da Sandy "o que é imortal não morre no final". Eu estou dobrando de rir. Cara, olha isso aqui:

    http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=gt7YoP-lu8E

    Fala sério. Não tem como não gostar!

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  34. Fábio, eu falo mal disso por conhecer a fundo ISSO. Não sou nenhuma cinderela. Conheço todas essas tranqueiras que vc citou.

    Um de meus discos preferidos é London Calling. Tenho todos os cds originais desses caras aqui, mais alguns vinis. Adoro Spanish Bombs, Clampdown, Rudie Can´t Fail. Na verdade a raiz do rock é o blues e...o punk. Os Stones não faziam nada mais que isso, e o The Who, o patrono oficial dessa galera. Mas os Pistols, apesar de menores que o Clash, conseguiram algo único com seu Nevermind The Bullocks: um ódio genuíno, uma tensão concentrada só vista nas melhores músicas.

    Bom, depois nos falamos que preciso urgentemente dormir agora.

    Forte abraço.

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  35. Charlles, o meu comentário não se dirige aos comentários de ninguém em especial. Foi apenas uma reação a um tópico interessante, uma vez que vinha ouvindo a cantora Adele há uns quatro meses. Além disso, você deixa claro que não é elitista cultural. Tenho certeza de que você ouviria de bom grado a banda Aviões do Forró cantar, caso estivesse presente a um show deles.

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  36. O comentário do Marcos Nunes, sobre a estranheza desse mundo, é genial...

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  37. Parece que meu último comentário ofendeu alguém, ou mais de uma pessoa, não sei, apesar do Ramiro ter gostado dele. Quis dizer apenas que não se pode impor uma ditadura do gosto, principalmente quando ele se baseia em uma falsa autenticidade que se vincula à cultura de massas por um tipo de demagogia perigosa, que resulta no descuido da mente por vinculação a subprodutos de uma indústria cultural de massa cujo único interesse não é divertir ou entreter, mas, de forma mais ou menos subliminar, deitar raízes nas consciências para que brotem apenas os frutos que ela quer colher: submissão à ordem, lucro e mediocridade.

    Ninguém é melhor que ninguém, mas isso vale também para aqueles que, por falso democratismo do gosto, se orgulham de partilhar o mau gosto, talvez por sentir que, assim, estão a se integrar melhor ao "povo", se distanciando assim do "elitismo" daqueles que, supõe eles, descartam o "popular" por puro preconceito, o que não é absolutamente verdade.

    Queiram ou não, existem critérios de absorção de elementos da cultura: música, teatro, cinema, pintura, etc. O refinamento do gosto não quer dizer elitismo do gosto, mas escolha baseada em conhecimentos mais aprofundados sobre as coisas; uma educação dos sentidos é algo que todos possuem, mas ela, deficiente, por várias questões de ordem política e social, levam ao mergulho na mediocridade. E não é porque a mediocridade é muita que seremos felizes em meio ao "povo"; todos seremos mais felizes como povo humano se pudermos, todos, desenvolver nossas capacidades intrínsecas, cada qual com suas especificidades e capacidades, mas sempre com inteligência, não descurando do funcionamento regular da mente, capaz de traçar xdiferenças, fazer comparações, compreender infinitas linguagens e avaliar quais delas são mais estimulantes à reflexão, ao raciocínio, ao desenvolvimento do gosto, inclusive do gosto pela vida.

    E, sinceramente, não há porque, por democratismo falso que seja, abraçar coisas como facebook, novelas ou música baiana. Melhor ficar sozinho. Mesmo porque criaturas solitárias são em número de bilhões. E sempre se encontram umas com as outras, quaisquer que sejam as classes em que se integrem.

    Até o próximo ano.

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  38. Da minha parte sem mágoas, Marcos. Foi apenas uma contenda virtual, que não diz nada a respeito de quem eu ou você somos. Um abraço.

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  39. Gosto da cd da Adele, mas o acho meio irregular. Fora que às vezes me cansa muita esgoelação, aquilo de vozeirão a toda hora (parece coisa de reality show americano de música).


    --

    Sei que o cd é de 2009, mas, como tem bastante gente que não conhece, acho que é válida a recomendação: ouçam "My One and Only Thrill", da Melody Gardot. Tem o jeito dos antigos cds de jazz das grandes cantoras, desliza pelos ouvidos como a mão no veludo.

    Abs,
    P.

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  40. Assino por todos os lados o que o Marcos escreveu.

    Bom fim de ano a todos,

    Rodrigo

    PS: Olha Charlles, esta Adele é realmente talentosa, mas... está longe de ser hipnoticamente lindo. (minha singela opinião)

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  41. Cada um no seu quadrado - e ninguém precisa se desculpar.

    Não gosto do funk carioca e sou incapaz de verificar o que é bom ou ruim naqueles bondes todos - se é que existe tal divisão, mas deve haver. Para mim, é um grande caldeirão infernal. Não ouço quando posso não ouvir.

    Mas dele já tomei emprestada a expressão "cada um no seu quadrado", que traduz, com notável capacidade de demonstração e de contraste, as segmentações que existem e que todos sabemos existir. Todos entendemos esse "chega pra lá" tão explícito, quase educado e muito necessário à vida em sociedade.

    Portanto, de nada adiantou o meu distanciamento consciente do funk. Minha disposição segregadora foi, ainda que em parte, vencida. O funk infiltrou-se no meu linguajar: é, pois, minha cultura. É minha.

    Li por aí, não sei onde, que o funk apropriou-se de outro traço que até então era típico das variações do samba carioca. São as letras de duplo sentido, o flerte com a ilegalidade ou a malícia de conotação sexual. Assim, o fogão "dako é bom" e "vou passar cerol na mão" guardariam a mesma raiz de influência da nega que "dá dois" (que talvez tenha contribuído para batizar o Marcelo D2) ou da nega que, "só de pirraça, dormiu da calça Lee".

    O funk, mas não só ele, também se apropriou de ruídos. Quando a gente ouve música, às vezes o telefone toca, o avião passa ou alguém liga o liquidificador. Interfere. Xingamos. E o funk incluiu isso em suas composições. Tem gente que faz o caminho contrário. Eu tenho uma amiga cujo toque de celular é "tiririm, tiririm, tiririm, alguém ligou pra mim". Eu acho divertido, criativo, inteligente e ousado da parte dela, que convive em outros ambientes, incluir aquele som, como um avião passando, em outras rodas.

    Malandro é malandro, mané é mané: eis a resposta, rápida e debochada, para o pensativo Hamlet. Que, claro, tem todo o direito de desprezar essa resposta.

    E talvez o malandro seja o que se dê conta de toda a Escola de Frankfurt quando liga a TV e talvez se questione por que diabos a maior parte das músicas estrangeiras que ouvimos seja dos EUA, Canadá ou Europa continental.

    Yes, nós consumimos Adele, mas na minha discoteca nunca teve uma indiana ou uma chinesa, cujos países devem concentrar quase a metade da população da Terra. Quem resiste, afinal, à indústria cultural? Isso não é carta branca para o lixo, ao menos não para mim.

    Uso justamente a música como exemplo porque o Brasil é dos poucos países do mundo que consome mais música brasileira do que importada. Noves fora o nacionalismo tosco e o Aviões do Forró, que não me agrada, vejo isso como uma forma de resistência cultural ao enorme poder massificador que sentou praça (Salve Benjor) também por detrás dessa arte.

    A TV, tão maldita, também mudou muita coisa que continuamos a consumir a partir do gosto que refinamos, sim. O advento do controle remoto, e sua posterior popularização, transformou a edição na TV e no cinema (que é cultura de massa também). As sequências de planos ficaram, sim, mais curtas: a estética do bombardeio de imagens, três ou quatro por segundo, decorre do zap do controle remoto, que nosso olho aprendeu a ler - coisa que não faria há 30 anos.

    (F.C.)

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  42. P., estou ouvindo a Melody Gardot agora. Obrigado pela dica.

    Também assino, Rodrigo. Ainda estou sob o efeito do hipnotismo da Adele. Acho que vai persistir.

    Longa discussão, Fábio. Concordo em muito com você, mas discordo na mesma medida. Ouço a música norte-americana por imposição da indústria cultural, mas reconheço que foi a melhor música do século XX, assim como o rock inglês. Tenho minhas restrições à MPB, e não gosto nem um pouco de Bossa Nova (um jazz desproteinado, de grã-finos do eixo São Paulo-Rio, uma música de frouxos). Acho que o Marcos já falou tudo que eu poderia dizer. Eu ouço sim muita música que foge desse triângulo etnocêntrico ao qual se refere: Ravi Shankar, Vilayat Khan, Ronu Mazundar, Vangelis (sua obra não comercial, que é fantástica e subvalorizada, muito por ser ele grego), uma cambada de africanos e asiáticos, assim como os maravilhosos escocêses do The Chieftains, que semana passada completei o ciclo de audição completa e atenta de seus mais de 30 álbuns de folk.

    Não tenho nada de patriótico em meus gostos. Se me deixasse levar por isso, sofreria privações: nossa literatura é quase inexistente diante os argentinos. Nossa música, quando não antropofagia com o osso do jazz americano entalado na garganta, é bastante colonial por seu esnobismo de querer impressionar os patrões, ou pura e simplesmente descartável.

    E, definitivamente, o Bonde do Tigrão não está em mim de maneira alguma.

    De música produzida no Brasil, adoro a caipira. Já disse isso aqui inúmeras vezes, e não é figura retórica: Tião Carreiro é bem superior ao xarope do Chico Buarque. Se o Brasil valorizasse mesmo sua etnia musical como quer certos puristas do patriotismo mal intencionado, resgataria pessoas como Tonico e Tinoco, Tião Carreiro e Pardinho, Pena Branca e Xavantinho, e vários outros. O estudo deles mostraria que compõe um símile do blues americano que deixaria a Bossa Nova no chinelo. Mas o brasileiro erudito não conseguiu superar ainda_ do alto do início desse novo século_ seu deslumbramento da senzala em idolatrar a arte pelo status que ela configura. Sempre é cool e sofisticado dizer que se gosta do Chico Buarque, e deve-se desprezar o baião (quem fala, hoje em dia, em Luíz Gonzaga?, a não ser quando a necssidade estética de alguma propaganda partidária exige isso?), e para os ultracools simplesmente não existe música de boa qualidade que não seja a produzida nos centros urbanos litorâneos e sulistas. Um exemplo disso, é a literatura medíocre feita nos estados do sul (Galera, Xerxenesky e esse lixo pré-adolescente todo), festejada como cool e representativa como cartão postal para gringo ver. Mas não tenho tempo agora. Reservarei para a proxima semana um posto sobre isso, se eu conseguir.

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  43. Há três músicos excelentes: Pixinginha, Cartola e Noel Rosa. O fato de serem brasileiros é puro acaso.

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  44. Ah, tive um exemplo de discriminação etnocêntrica que me aconteceu no blog do Milton Ribeiro. (Chamem a Lola Abromovich!). Foi algo cometido de forma inconsciente por parte de um músico gaúcho, cuja trupe estava sendo enaltecida pelo Milton, mas que o desbocado do Marcos Nunes disse, de bom coração (dificil de acredita, mas foi), algo como "eles devem ser tão bons que deveriam estar tocando em algum lugar que servisse cervejas e petiscos", ou seja, um famigerado...barzinho. Foi como jogar uma pedra num formigueiro: os músicos e uma cambada de comentaristas ficaram em polvorosa: barzinho?! NÓS, tocarmos em bar-zi-nho!?!!! Uma hora depois e já estavam levando o pobre do Marcos para sofrer seu mais que justo espurgo num linchamento público virtual, e eu disse coisas como "Coltrane gostava de tocar em brzinhos", etc. Por final, eu disse ao saxofonista (ou baterista, sei lá que raios é o cara) ofendido, que não via mau algum que uma banda conceituada tocasse em barzinho, e que, inclusive _ aqui vem o X da questão_ eu já havia visto nada mais nada menos que a apresentação dos remanescentes do The Doors num barzinho de Goiânia. Ao que ele respondeu: "Os Doors!!! Num barzinho!!!! E, em Goiânia!!!!!!!!!!!!!!!!!"

    Fiquei rindo, após apresentar a prova para ele. Um músico que não conhece Goiânia como um importante centro de apresentações musicais nacional é porque é tão desconhecido que só toca mesmo em seus salões privados de amigos. É um perfeito regionalista esnobe.

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  45. Charlles,

    Se não ficou claro no meu longo e fastidioso comentário, não curto nadica essa coisa do nacionalismo tosco em defesa da "música brasileira".

    Não foi nenhum militante da causa, tampouco nenhum teórico do esquema baiano-brasilis, o responsável pelo que eu chamei de resistência ao enorme poder da indústria cultural em sua dimensão cada vez mais globalizada.

    Sim, também temos nosso lixo doméstico, que pretende colher "submissão à ordem, lucro e mediocridade". Delimitei um fato, mensurável não pelo mérito artístico do funk ou do samba, mas pelo que também é caro em todos os campos: mercado.

    Existe no país um grande mercado consumidor de música nacional que não encontra equivalência em outros lugares já bem mais devastados pela mão esmagadora da mesmice e do uníssono, para além do lixo que existe em diversas apresentações.

    Tal resistência não decorre apenas de lixo, de axé, de lambada, de pagodinho romântico ou de sertanejo universitário, mas de boa música também.

    Não sou artista, não vendo minha arte, mas não sou trouxa para não saber que aquilo que eu consumo é, em 90% das vezes, ou mais, o que esse mercado cultural coloca na prateleira. Foi assim com o rock inglês, que eu gosto, incluindo com os podrões dos Sex Pistols. No cinema, também é assim. E olha que o mercado da música - as grandes gravadoras - está em crise pelo avanço tecnológico.

    Noel Rosa? Morreu com 26 anos. Amy morreu aos 27 e não dá para comparar o legado de ambos. O curioso é que o acadêmico de medicina, branco, nascido na Vila, fazia samba (muito antes dos frankfurtianos). Acredito que seus colegas de faculdade ouviam outras coisas supostamente mais estilosas. Mas quem "atacou" Noel, em verso e prosa, foi Wilson Batista, o negro que talvez acreditou ter reserva sobre o samba. As voltas que o mundinho dá.

    F.C.

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  46. Gaúcho? É melhor em tudo. Sempre. Há até um blog local, O Bairrista, que tira sarro dessa alegada superioridade.

    Ouvi piadinha bem boa esses dias. Um fulano chega numa igreja na Itália, onde havia um altar com telefone. Ligações para o paraíso custavam 100 euros. Em Nova York, o fulano encontrou o mesmo altar em outra igreja. Ligações para o paraíso custavam 200 dólares. Daí o fulano chegou em Porto Alegre, onde havia um altar com telefone na catedral, que também completava ligações para o paraíso.

    - Quanto custa a ligação?
    - 25 centavos - respondeu o bispo
    - Mas como? Na Itália custa 100 euros, nos EUA são dólares! Como aqui são apenas 25 centavos?
    - É ligação local, amigo.

    F.C.

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  47. Hahahaha.

    As piadas que escutamos sobre gaúchos aqui são outras.

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  48. Mas estou a brincar. A grande maioria de gaúchos que conheço, pessoalmente e por via internet, é tudo de primeira.

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  49. "As piadas que escutamos sobre gaúchos aqui são outras". São as melhores. Sempre. Para não contrariar a tradição clássica.

    F.C.

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  50. Um grupo de terroristas se infiltraram no vôo Kabul-Porto Alegre. Barbarizaram. Esfolaram a tripulação, ocuparam a cabine da aeronave, comeram todos os lanches. Partiram para cima dos passageiros.

    - Agora que o vôo está sob nosso controle, vamos comer o cu de um macho - disse um dos sequestradores.
    - Mas como? Tá cheio de mulher bonita aqui e vocês querem o cu de um macho? - protestou um goiano (hehe) que estava no vôo.

    Nisso irrompe um gaúcho lá de trás, do assento 25 L; [É importante acentuar o sotaque ao contar a piada]

    - Cala boca, tchê! Tu não entende nada de sequestro.

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  51. um grupo de terroristas se infiltram é para matar a concordância e proteger os gaúchos. sorry. F.C.

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  52. Inevitável o comentário. Acessei meu FB ainda há pouco.

    Sobre a nota do PC do B a respeito da morte do grande líder da Coreia do Norte, tive alguns amigos que "curtiram". Um filiado do partido, outro dos cafundós das Minas Gerais e um terceiroque mora na Nova Zelândia comentaram.

    Isso NÃO aconteceria sem o FB. Eu não vou mudar o mundo, eu sei. Eu continuo do mesmo tamanho e com o mesmo "poder" de influência. Mas eu não teria mandado e-mails para Santa Margarida (MG) e para a Nova Zelândia por conta da Coreia do Norte.

    Rede, pessoal. Caiu nela, é peixe.

    F.C

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  53. Só para contrabalançar, uma piada de paraibano:

    Um paraibano todo dia chegava na pensão onde estava hospedado em São Paulo. Era um típo de média estatura, as pernas tortas, falando alto e arretado que só o cão. Entrava pela portaria onde ficava sentado, detrás de uma mesa, o dono da espelunca, e chegava gritando: "Seu Afonso, vou subir pra tomar banho, daqui meia hora manda pro meu quarto a puta mais boa que o senhor tiver aí." Subia, e na hora prevista a puta era mandada pro quarto, e o seu Afonso ficava ouvindo as estripulias lá debaixo, a gritaria da puta, a cama pulando, essas coisas.

    Passavam-se os dias e era a mesma coisa: o paraibano assim que chegava gritava pro seu Afonso: "Vixe homem de deus, me manda uma puta logo correndo pro meu quarto que hoje num quero nem jantar." A puta ia, e a quebradeira dos amores do paraibano e da alegria da puta se ouvia por toda a pensão.

    Um dia o seu Afonso não aguentou mais. Assim que o paraibano intimou que fosse-lhe levado a puta, o dono da pensão chamou da cozinha o Haroldo Tripé, um negão três por quatro que era um verdadeiro armário de tão grande. "Vai lá e dá uma lição nesse paraibano, mas é para tirar-lhe o couro mesmo, pra esse sujeitinho aprender a respeitar a pensão dos outros."

    O Haroldo Tripé sobe decidido as escadas e entra no quarto do paraibano. Durante meia hora só se ouve o som de tapas, de móveis quebrando, de corpo sendo atirado de uma parede a outra, de gritos de desespero. Os outros pensionistas, que estavam reunidos na sala para escutar a refrega anunciada que o paraibano iria tomar, é que alertaram o seu Afonso: "Já tá bom, homem. Certeza que o desgraçado agora vai medir mais as palavras daqui pra frente. Sobe lá senão o Haroldão não vai deixar nem restos do sujeito."

    Seu Afonso sobe satisfeito as escadas, chega o ouvido mais perto da porta do quarto estranhando o súbito silêncio que se instalou lá dentro e abre a porta. Encontra o negão todo estopriado, de calças arreadas, sendo enrabado sentado no colo do paraibano. O paraibano olha todo extasiado pro seu Afonso, segurando o negão pelo cocoruto do cabelo da nuca, e diz: "Num queria dá não, o insolente!"

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  54. Não tem regionalismo, mas é a melhor piada que conheço. Eu adoro. Demanda encenação [em colchetes].

    Seu formiguinha viu dona elefante traindo o marido na floresta. Jotalhão mandava ver. No dia seguinte, seu formiguinha partiu para o constrangimento.

    - Dona elefante! A senhora, hein! Com essa tromba toda.
    - O quê?
    - Vi a senhora com o Jotalhão atrás daquele cipó.
    - Ai meu Deus. Não conta nada para o meu marido.
    - Bem... eu posso não contar, mas... a senhora vai ter que dar pra mim também.

    Dona elefante deu uma examinada rápida na situação e, especialmente, nos atributos físicos de seu formiguinha. Topou. Colocou-se em posição. Seu formiguinha escalou aquela montanha e mandou ver.

    [Simular seu formiguinha fornicando; língua mordida ajuda na encenação]

    Nisso aparece um caçador na floresta. Vê dona elefante com o rabo levantado, traseiro na mira. Atira sem dó. Dona elefante dá um grito.

    - Uóóóóóóóóóóóóóó

    Seu formiguinha incentiva [manter fornicação]

    - Chora, neném!

    (F.C.)

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  55. Sei lá a melhor piada que conheço... São muitas. Tem aquela da dupla que sai para caçar, na companhia de um cachorro, e sempre que eles acertam no alvo e o pássaro cai no chão, o cachorro vai correndo e bulina o animal. Atiram no pássaro, o cão sai em disparada e manda ver no bichinho no chão. Uma vez eles acertam o pássaro que fica preso nos galhos de uma árvore. Um dos homens sobe para retirar a caça e, num deslize, cai lá de cima rolando pelo tronco da árvore. Ele cai gritando pro companheiro: "Mata o cachorro! Mata o cachorro!"


    (O que não consigo entender é como da Adele chegamos a esse momento talk show?)

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