domingo, 21 de novembro de 2010

Sem nocaute


Nem Bolaño nem Roth. O primeiro embate da série Encontros Impossíveis, na noite de terça, promovido pela Companhia das Letras e pela Livraria da Vila, terminou empatado por pontos. As torcidas de cada um receberam as camisetas “Eu sou Bolaño” ou “Eu sou Phillip Roth” e, aparentemente — depois de muitas risadas, aplausos e discordâncias —, o resultado não frustrou nenhuma das duas. A turma de Roth foi defendida pela escritora, poeta e professora Noemi Jaffe, e a turma de Bolaño, pelo escritor, editor e designer gráfico Joca Reiners Terron.

O debate começou com jabs bem aplicados de Roth (Noemi) contra o que ela chamou de “estilo estiloso” do chileno Roberto Bolaño e sobre o risco de ele virar um escritor “da moda”. Bolaño (Joca) revidou com punchs contra o que caracterizou de “realismo psicológico” de Phillip Roth, criticando também a descrição de algumas cenas de sexo nos livros do escritor americano. Neste ponto do debate, o juiz (o escritor e jornalista Ronaldo Bressane) interferiu alegando que não seriam permitidos “golpes baixos”.
Noemi defendeu-se alegando que o que interessa mesmo em Roth são suas obsessões que se repetem em todos os livros (a mãe, a morte e o sexo) e que ele não glamouriza o fracasso: seus fracassados são fracassados verdadeiros, inclusive quando fazem sexo.

Joca não baixou a guarda e esquivou-se dizendo que os eventuais excessos estilísticos de Bolaño vêm da sua relação com a poesia (Bolaño considerava-se antes de tudo um poeta). Disse também que o escritor chileno é importante porque projeta para o mundo um novo momento da literatura latino-americana, até então internacionalmente marcada pelo realismo mágico de Gabriel García Márquez. Bolaño seria o grande representante da geração que foi obrigada a viver no exílio por causa das ditaduras latino-americanas dos anos 1970 e 1980, uma “geração sem lugar e sem rosto”.

Noemi Jaffe contou como conseguiu uma das raras entrevistas com Roth (escreveu a seu agente dizendo que “era filha de mãe judia e viveu no Bom Retiro”, um aspecto comum aos temas rothianos) e de como ele foi extremamente duro com ela durante a entrevista. Joca Terron contou que descobriu Bolaño nas páginas do jornal espanhol El País, e que ele mesmo, Joca, foi a “primeira pessoa que falou para mim sobre a existência de Roberto Bolaño”.

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