Sou um aficcionado e ávido leitor da imprensa nacional. Chega-me, neste canto de mundo, religiosamente com dois dias de atraso em relação aos grandes centros, as revistas VEJA e CARTA CAPITAL. Não sou preconceituoso quanto de onde pode me chegar a indignação diante a notícia muitas vezes tendenciosa. Nem me indigno lá esse tanto com a leitura dessas duas revistas, que são, às suas maneiras, valiosas e podres, excepcionalmente bem escritas e cunhadas com o panfletarismo mais ralé. Não usufluo dos jornais de São Paulo e Rio por serem incompatíveis com o sistema de entrega rodoviário, e os jornais goianos estão entre os piores do país para me entusiasmar. Ainda assim vagueio com a desculpa da intimidade por alguns escritórios de colegas meus para filar os artigos da Míriam Leitão e do Jabor _ a primeira tendo sido diagnosticada pelo Idelber como de Q.I. baixo, por não compactuar com os dogmas da seita; o segundo, abominado por não me lembro mais quais crimes hediondos do passado que jamais poderão ser esquecidos.
Posso até, uma hora ou outra, conforme a maleabilidade em que se encontre o meu caráter e a sempre pontual obrigação de ser aceito pelos amigos, concordar com a depreciação de alguns nomes definitivamente canonizados na merda. Mas tenho um apreço de certa forma inatacável _ fruto da admiração da juventude, essa mesma que determina que se torça, além do razoável e do mentalmente são, para uma camisa de futebol e não por outra _, pelo Roberto Pompeu de Toledo e pelo Mino Carta. O primeiro, pela lucidez e independência, (já o li escrever tantas coisas que desandam do padrão da editora Abril, que já serve para colocá-lo,a meu ver, como um dos melhores escritores nacionais); o segundo, se não fosse o simples fato de sua força de espírito em ter-se demitido da Veja, no episódio do empréstimo pela família Civita à Caixa Econômica Federal, pela sua elegância lusitana de estilo. Seguem-se dois excertos da semana:
Mino Carta: "Outro é o tom da carta de um jovem estudante de jornalismo (não cito o nome para não constrangê-lo). Ele fica 'ávido em receber Carta Capital toda semana` porque a considera 'a vanguarda da imprensa brasileira`. Mesmo assim, confessa ter dúvidas a respeito da nossa posição a favor de Lula e de Dilma Rousseff. Será que exageramos? Neste mesmo espaço, inúmeras vezes, e em outros da revista, fomos severos críticos do governo e não pretendo agora voltar a este assunto." Dou meu testemunho de leitor de que essa imparcialidade, algumas vezes substanciais no passado, foi realmente possível.
Roberto Pompeu de Toledo: " O partido, nominalmente de esquerda, do presidente Lula e de sua candidata hoje tem a seu lado a fina flor da direita brasileira _ a mais imobilista, a mais fruidora dos privilégios e desigualdades da sociedade. Parodiando o famoso grito das passeatas, esquerda e direita unidas jamais serão vencidas."
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